A União Europeia (UE) anunciou nesta terça-feira uma nova rodada de negociações entre um grupo de seis potências internacionais e o Irã em torno do programa nuclear do país.
Para o especialista em assuntos diplomáticos e de defesa da BBC, Jonathan Marcus, este pode ser o último esforço diplomático para resolver a crise em torno do programa nuclear iraniano. Se ele falhar, segundo Marcus, uma ação militar se tornará muito mais provável.
No anúncio, a chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, disse ter respondido a uma correspondência do Irã, em nome dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, mais a Alemanha.
O negociador iraniano, Saeed Jalili, enviou a carta no mês passado, com a proposta de diálogo. Nenhuma data ou local foi definido ainda.
A medida ocorre em meio a especulações de preparativos para um ataque militar contra as instalações nucleares iranianas.
O Irã insiste que o seu programa atômico tem fins pacíficos, mas as potências ocidentais temem que o país esteja construindo armas nucleares. Marcus afirma que, com os sinais de sanções econômicas e de um possível conflito militar, as autoridades de Teerã estão indicando sua vontade de voltar ao caminho da diplomacia. O especialista da BBC afirma ainda que, acima de tudo, os diplomatas ocidentais estão buscando sinais claros de que a iniciativa iraniana é séria, e não simplesmente uma tática de dissimulação.
Diálogo Construtivo
Em seu comunicado, Ashton --que havia escrito para Jalili em outubro passado, com uma oferta de novos diálogos-- disse que a UE espera que o Irã entre em "um processo sustentado de diálogo construtivo que traga progresso verdadeiro para acabar com as antigas preocupações da comunidade internacional sobre seu programa nuclear".
Segundo a chefe da diplomacia europeia, "nosso objetivo geral continua sendo uma solução abrangente, negociada e de longo prazo, que restaure a confiança internacional na natureza exclusivamente pacífica do programa nuclear iraniano".
Em sua correspondência, Jalili disse que o Irã estava pronto para o diálogo em torno de vários temas. Ele disse que dá boas-vindas à afirmação das seis potências de que respeitaria o direito do Irã de usar a energia nuclear pacificamente. "Não há dúvida que, ao se comprometer com essa abordagem, os nossos diálogos por cooperação baseados em princípios passo a passo e reciprocidade nos assuntos nucleares do Irã devem ser iniciados", afirmou o negociador iraniano.
O ministro de Relações Exteriores britânico, William Hague, afirmou, por meio de comunicado, que a pressão internacional sobre o Irã não vai ser aliviada enquanto o país persa não convencer a comunidade internacional de que seu programa atômico é pacífico. Já o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, disse nessa segunda-feira, em Washington, que o "tempo estava correndo" para dar um fim ao programa atômico iraniano, alertando que Israel não "viveria à sombra da aniquilação".
O presidente americano, Barack Obama, também afirmou que todas as opções estão na mesa, mas disse que ainda há tempo para uma saída diplomática. Por sua vez, o secretário de Defesa americano, Leon Panetta, disse nesta terça-feira que a ação militar é a última alternativa sempre, mas ressaltou que seu país "vai agir se for obrigado a tanto".
Moradores que conseguiram fugir da cidade de Homs, na Síria, disseram à BBC nesta segunda-feira que forças de segurança do governo estão realizando execuções sumárias de civis.
Uma mulher disse ao repórter da BBC Paul Wood que soldados cortaram a garganta de seu filho de 12 anos na sexta-feira, um dia depois de combatentes rebeldes terem se retirado do distrito de Baba Amr.
Ela disse que outros 35 homens e crianças da sua região também foram presos e mortos. O seu marido disse que estava escondido a 50 metros do local onde o filho foi assassinado. Ele disse ter visto um dos filhos com a cabeça no chão, pisada pela bota de um dos soldados. Em seguida, o homem viu o filho sendo morto.
"Eu conseguia ouvir os berros deles", afirmou. Outra mulher disse à BBC que seu marido foi levado por forças de segurança.
O governo negou o acesso da Cruz Vermelha a Baba Amr por quatro dias consecutivos, alegando preocupações com a segurança na região. Ativistas alertam para a possibilidade de uma catástrofe humanitária no local.
Não há água, luz nem linhas de telefone no distrito e nos últimos dias as temperaturas desabaram, com neve. Mantimentos de comida estão em um nível baixo e muitos temem deixar a região.
Na última quinta-feira, forças do governo apoiadas por tanques entraram em Baba Amr, depois que o movimento insurgente Exército pela Libertação da Síria anunciou uma "retirada estratégica".
A Cruz Vermelha e seus parceiros do Crescente Vermelho disseram que não podem entrar no distrito, devido à existência de minas e explosivos.
No entanto, a televisão estatal está noticiando que a região foi "saneada" de "grupos terroristas armados".
Ativistas de oposição e de direitos humanos afirmam que forças de segurança e milícias pró-governo estão reunindo crianças de 14 anos ou mais em Baba Amr e os submetendo a tortura. Alguns deles estão sendo mortos. No entanto, esses relatos não foram confirmados. Segundo a agência da ONU para refugiados, entre mil e duas mil pessoas deixaram Homs e estão tentando chegar ao Líbano.
Meta da cúpula da União Europeia é reaquecer a economia no continente. Durante encontro em Bruxelas, deverá ser aprovado novo pacto fiscal, que prevê maior controle e uma cooperação mais intensa entre os países do bloco.
Do texto quase evocativo que serve de introdução ao novo pacto fiscal em debate pela UE, consta que a política econômica europeia deverá ser vista como uma tarefa comum, a ser desempenhada em prol de um maior crescimento econômico, fruto de uma cooperação mais estreita.
Para que tal meta seja atingida, segundo o documento, são necessários mecanismos de controle mais rígidos e uma redução de ações arriscadas por parte dos Estados signatários. O pacto fiscal deverá ser assinado por ocasião da cúpula da UE, que acontece em Bruxelas nestas quinta e sexta-feiras (1° e 02/03).
Cada Estado signatário deverá inserir em sua legislação nacional um mecanismo para frear o endividamento público. Concretamente isso significa que o déficit orçamentário estrutural – ou seja, o déficit que não leva em conta influências pontuais e de conjuntura – deverá perfazer no máximo 0,5% do PIB nacional. E as dívidas públicas em sua totalidade não poderão ser superiores a 60% do PIB. De acordo com o documento a ser aprovado pela UE, caso um país desrespeite de maneira considerável estes limites, deverão ser automaticamente acionados mecanismos de correção.
Países altamente endividados deverão, além disso, apresentar um plano orçamentário e de reformas, a ser avaliado pela Comissão e pelo Conselho da UE. Os Estados signatários do pacto deverão, inclusive, informar previamente a Comissão e o Conselho do bloco a respeito de suas dívidas.
Casos de violação do pacto fiscal poderão ser levados à Corte Europeia em Luxemburgo por um ou mais países-membros do bloco. A Comissão Europeia, por si, não poderá, contudo, entrar com uma queixa contra um determinado país – como na versão do documento defendida originalmente pela premiê alemã Angela Merkel. E o pacto fiscal não será parte integrante da legislação primária da UE, mas sim um contrato a ser assinado separadamente, o que certamente dificultará sua implementação.
Os críticos do documento apontam que não há neste pacto fiscal nada de realmente novo em termos de conteúdo. Thomas Straubhaar, do Instituto de Economia Global, sediado em Hamburgo, lembra do pacto de estabilidade e crescimento da UE, do qual constam determinações semelhantes. Este pacto, por sua vez, foi pela primeira vez quebrado pela Alemanha e pela França.
Daniel Gros, do Centro de Estudos sobre Políticas Europeias, de Bruxelas, critica entre outros a determinação de que o mecanismo de freio da dívida pública seja inserido na legislação de cada país, mas não necessariamente na Constituição.
Este novo pacto fiscal deverá entrar em vigor a partir de 1° de janeiro de 2013, caso até lá 12 Estados o tenham ratificado. O Reino Unido e a República Tcheca não pretendem aprovar o pacto. Os irlandeses irão decidir através de um plebiscito se dizem "sim" ou "não" ao pacto. Caso a Irlanda, como país-membro da zona do euro, não ratifique o documento, isso poderá confirmar a fragilidade do polêmico pacto.
Num momento de protestos populares e instabilidade política, o país deve precisar de mais ajuda econômica da EU. A crise financeira da Grécia pode ter profundas implicações para outros países europeus e para a economia mundial.
Num momento de protestos em Atenas contra as medidas de austeridade impostas pelo governo, o premiê George Papandreou tenta se manter no cargo, após anunciar mudanças no seu gabinete.
O premiê tenta também aprovar novas medidas de contenção de gastos necessárias para que a União Europeia e o FMI continuem efetuando os pagamentos do pacote de resgate que prometeram à Grécia.
A próxima parcela de 12 bilhões de euros (cerca de R$ 27 bilhões) do pacote quase certamente será paga, o que deve sustentar o governo grego por mais algumas semanas. É provável que um segundo pacote seja discutido por ministros das Finanças do bloco europeu neste domingo, mas ainda não está claro quais serão os termos do novo acordo.
Por que a Grécia já precisa de um segundo pacote de resgate?
O pacote original foi aprovado há pouco mais de um ano, em maio de 2010.
A razão para o resgate é que o país estava tendo dificuldades em obter dinheiro emprestado no mercado para quitar suas dívidas. Por isso recorreu à União Europeia e ao FMI. A ideia era dar à Grécia tempo para sanear sua economia, o que reduziria os custos para que o país obtivesse dinheiro no mercado.
Mas isso não ocorreu até agora. Pelo contrário: a agência de classificação de risco S&P recentemente deu à Grécia a pior nota de risco do mundo (dentre os países monitorados pela agência).
Assim, o país continua tendo diversas dívidas a serem quitadas, mas não é capaz de obter dinheiro comercialmente para refinanciá-las.
Por que a Grécia está nessa situação?
A Grécia gastou bem mais do que podia na última década, pedindo empréstimos pesados e deixando sua economia refém da crescente dívida. Nesse período, os gastos públicos foram às alturas, e os salários do funcionalismo praticamente dobraram.
Enquanto os cofres públicos eram esvaziados pelos gastos, a receita era afetada pela evasão de impostos - deixando o país totalmente vulnerável quando o mundo foi afetado pela crise de crédito de 2008. O montante da dívida deixou investidores relutantes em emprestar mais dinheiro ao país. Hoje, eles exigem juros bem mais altos para novos empréstimos que refinanciem sua dívida.
O que a Grécia está fazendo para reverter a crise?
A Grécia apresentou planos para cortar seu deficit de maneira escalonada.
Para alcançar isso, o Parlamento grego aprovou em maio um pacote de medidas de austeridade para economizar 4,8 bilhões de euros. O governo quer congelar os salários do setor público e aumentar os impostos e ainda anunciou o aumento do preço da gasolina.
Pretende também aumentar a idade para a aposentadoria, em uma tentativa de economizar dinheiro no sistema de pensões, já sobrecarregado.
A população reagiu com protestos, alguns deles violentos. Muitos servidores públicos acreditam que a crise foi criada por forças externas, como especuladores internacionais e banqueiros da Europa central. Os dois maiores sindicatos do país classificaram as medidas de austeridade como "antipopulares" e "bárbaras".
Por que a Grécia não declara moratória de suas dívidas?
Se o país não fosse membro da zona do euro, talvez fosse tentador declarar a moratória, o que significaria deixar de pagar os juros das dívidas ou pressionar os credores a aceitar pagamentos menores e perdoar parte da dívida.
No caso da Grécia, isso traria enormes dificuldades. As taxas de juros pagas pelos governos da zona do euro têm sido mantidas baixas ante a presunção de que a UE e o Banco Central Europeu proveriam assistência a países da região, justamente para evitar calotes.
Uma moratória grega, além de estimular países como Irlanda e Portugal a fazerem o mesmo, significaria um aumento de custos para empréstimos tomados pelos países menores da UE, sendo que alguns deles já sofrem para manter seus pagamentos em dia.
Se Irlanda e Portugal seguissem o caminho do calote, os bancos que lhes emprestaram dinheiro seriam afetados, o que elevaria a demanda por fundos do Banco Central Europeu. Por isso, enquanto a Europa conseguir bancar a ajuda aos países com problemas e evitar seu calote, é provável que continue fazendo isso.
Então por que os países europeus não concordam logo com um novo pacote de resgate?
O problema é que o governo alemão quer que os bancos compartilhem as agruras de um segundo resgate. Isso significaria que, em vez de a Grécia tomar dinheiro emprestado da UE para pagar dívidas de vencimento imediato, os bancos teriam de concordar em renegociar essas dívidas, provavelmente em termos mais favoráveis aos gregos.
O governo francês e o Banco Central Europeu advertiram que tal reestruturação da dívida seria considerada por muitos como uma moratória, o que, por sua vez, continuaria dificultando que a Grécia voltasse a tomar empréstimos comercialmente.
Mas governos europeus talvez estejam sendo influenciados pela quantidade de dinheiro que seus próprios bancos já emprestaram aos gregos. A agência de classificação de risco Moody's já declarou que pode rebaixar a nota dos três maiores bancos da França por causa de sua vulnerabilidade à dívida grega.
A crise na Grécia pode se espalhar?
Se a Grécia promover um calote, os problemas podem se espalhar para a Irlanda e Portugal. Mesmo sem uma moratória, ainda pode haver dificuldades, já que os pacotes de resgate oferecidos a esses dois países foram estruturados para ajudar Lisboa e Dublin até que seus governos fossem novamente capazes de obter dinheiro no mercado - como no caso de Atenas.
Um calote grego pode fazer com que investidores questionem se a Irlanda e Portugal não seguirão o mesmo caminho. O problema real diz respeito ao que acontecerá com a Espanha, que só tem conseguido obter dinheiro no mercado a custos crescentes.
A economia espanhola equivale à soma das economias grega, irlandesa e portuguesa. Seria muito mais difícil para a UE estruturar, caso seja necessário, um pacote de resgate para um país dessa dimensão.
Líbia
Protestos contra o regime de Muamar Khadafi deixaram um número não confirmado de mortos e feridos desde o dia 16 de fevereiro. O grupo de defesa de direitos humanos Human Rights Watch afirmou que 233 pessoas morreram no país desde o início dos protestos, mas o governo afirma que os relatos são "exagerados.
Benghazi, segunda maior cidade do país, foi o principal foco de revoltas e de violência. Testemunhas afirmaram que forças de segurança usaram metralhadoras e artilharia pesada contra multidões.
Os protestos se espalharam para a capital, Trípoli, no dia 20 de fevereiro. O filho de Khadafi, Saif al-Islam, advertiu em pronunciamento pela TV para o risco de uma guerra civil poderia atingir o país.
O governo bloqueou a internet e vem dificultando o trabalho da mídia estrangeira, o que torna difícil ter uma idéia da proporção real dos distúrbios no país.
Protestos são proibidos na Líbia, mas a revolta foi detonada pela prisão de um advogado conhecido por ser um crítico aberto do governo.
Khadafi é o líder há mais tempo no poder na África e no Oriente Médio - desde 1969 - e um dos mais autocráticos.
Bahrein
A monarquia sunita que governa o país ofereceu diálogo com representantes da maioria xiita do Bahrein, após dias de protestos na principal praça da capital, Manama.
Após usar tropas para dispersar manifestantes da Praça Pérola no dia 17 de fevereiro - em uma operação que deixou quatro mortos ao menos - o governo parece ter recuado, permitindo que os manifestantes reocupassem a praça.
O presidente dos EUA, Barack Obama, pediu calma ao Bahrein, que é um país estrategicamente importante para os EUA.
O rei Hamad pediu a seu filho mais velho, o príncipe regente Salman, que dê início a um "diálogo nacional" para pôr fim à revolta.
Representantes de alto escalão do principal grupo político xiita do país, Wefaq, pediram a renúncia do governo. Entre outras demandas está a libertação dos presos políticos e conversas sobre uma nova Constituição. Manifestantes xiitas reclamam de problemas econômicos, falta de liberdade política e discriminação no mercado de trabalho a favor de sunitas.
Marrocos
O principal grupo de oposição do Marrocos afirmou que a "autocracia" será varrida do país, se reformas econômicas profundas não forem implementadas.
O país enfrenta vários problemas econômicos. O governo anunciou um aumento nos subsídios do Estado para tentar conter o aumento no preço das commodities.
No começo do ano, a reputação do Marrocos foi atingida quando o site Wikileaks revelou documentos com acusações de corrupção na família real e entre pessoas próximas ao rei Mohammed 6º.
O rei diz que a luta contra a pobreza no país é uma prioridade, o que lhe valeu o epíteto de "guardião dos pobres". A liberalização da economia atraiu investimentos estrangeiros, e as autoridades afirmam que estão realizando melhorias em favelas e áreas rurais do país.
Mas organizações não-governamentais dizem que pouco mudou, que a pobreza e o desemprego ainda são grandes no país. O Marrocos vem sendo atingido por greves, nos setores público e privado.
O Marrocos, como Egito e Argélia, dá pouco espaço para a liberdade de expressão e até agora tem sido capaz de conter protestos maiores. Assim como a Jordânia, o país é uma monarquia, que tem apoio de grandes setores da população.
Argélia
Protestos esporádicos vêm acontecendo no país desde o começo de janeiro, com manifestantes pedindo a renúncia do presidente Abdelaziz Bouteflika.
Grupos de manifestantes se uniram em seu movimento contra o governo, incluindo pequenos sindicatos e partidos políticos menores.
O gatilho para os protestos parece ter sido principalmente econômico - em particular o aumento acentuado no preço dos alimentos.
No começo de fevereiro o presidente Bouteflika prometeu suspender o estado de emergência - em vigor no país desde 1992 - em um "futuro próximo", mas ainda não o fez.
O governo da Argélia conta com riqueza considerável vinda de suas exportações de petróleo e gás, e tenta responder a reclamações econômicas e sociais com um grande programa de gastos públicos.
Tunísia
Protestos continuam na Tunísia apesar da decisão do presidente Zine al-Abidine Ben Ali de renunciar em janeiro.
Ele deixou o país após semanas de manifestações e choques entre manifestantes e a polícia.
O gatilho foi o ato desesperado de um jovem desempregado, no dia 17 de dezembro. Mohamed Bouazizi ateou fogo ao próprio corpo, quando autoridades de sua cidade impediram-no de vender legumes nas ruas de Sidi Bouzid sem permissão.
O gesto detonou protestos que se espalharam pelo país. A resposta violenta das autoridades - com a polícia abrindo fogo contra manifestantes - parece ter exacerbado a ira da população e fomentado novos protestos, que terminaram levando à derrocada do presidente.
O presidente do Parlamento, Foued Mebazaa, foi empossado como presidente interino, e pediu ao premiê Mohammed Ghannouchi, chefe do governo desde 1999, para formar uma coalizão nacional. O premiê também prometeu abandonar o poder após eleições, que deverão ser realizadas dentro de seis meses.
Jordânia
Milhares de jorndanianos saíram às ruas ao longo das últimas cinco semanas, pedindo melhores perspectivas de emprego e redução nos preços de alimentos e combustível.
Em resposta, o rei Abdullah 2º demitiu o primeiro-ministro Samir Rifai, acusando-o de promover reformas lentas. Marouf al-Bakhit, ex-general do Exército e embaixador do país em Israel, foi nomeado em seu lugar.
Um novo gabinete com 26 integrantes foi empossado no dia 10 de fevereiro.
O Reino Hachemita da Jordânia é um país pequeno, com poucos recursos naturais, mas desempenha um papel crucial na luta por poder no Oriente Médio.
A morte do rei Hussein, que governou por 46 anos, deixou a Jordânia na briga pela sobreviência econômica e social, assim como pela paz regional.
Seu filho, Abdullah, que o sucedeu no trono, enfrenta o desafio de manter a estabilidade e atender a demandas por reforma.
Um plano para mudanças políticas, econômicas e sociais de longo prazo - conhecido como Agenda Nacional - ainda não foi implementado.
Egito
Centenas de milhares de pessoas se reuniram no Cairo no dia 18 de fevereiro para marcar uma semana da queda do presidente Hosni Mubarak
O líder de 82 anos renunciou no dia 11 de fevereiro, após 18 dias de protestos. Ele estava no poder desde 1981.
O Egito há muito vinha sendo um centro de estabilidade em uma região volátil, mas isso mascarava problemas, que vieram à tona nas demandas de manifestações populares contra o governo de 30 anos de Mubarak, no dia 25 de janeiro.
Os principais gatilhos foram pobreza, inflação, exclusão social, raiva contra a corrupção e o enriquecimento da elite política do país.
Com Mubarak fora do jogo, as Forças Armadas do país assumiram o poder através de um Conselho Militar, que governará pelos próximos seis meses, até que eleições sejam realizadas.
O grupo islamista conservador Irmandade Muçulmana tem chances de ter um bom desempenho em quaisquer eleições livres e justas, mas temores de que o timão político no Egito se volte para o lado do conservadorismo islâmico é a principal fonte de preocupação do Ocidente e de Israel.
Síria
O presidente Bashar al-Assad prometeu promover reformas políticas após herdar o poder de seu pai, Hafez, em 2000, após três décadas de um regime autoritário.
Leis de emergência vigoram no país desde 1963. Após a morte de Hafez al-Assad, a Síria sofreu um certo grau de distensão. Centenas de presos políticos foram libertados. Não ocorreram, entretanto, mudanças como o aumento das liberdades políticas ou mudanças na economia fortemente dominada pelo Estado.
Irã
O governo iraniano convocou uma manifestação para a sexta-feira 18 de fevereiro para manifestar seu repúdio à oposição do país.
O chamado se seguiu a manifestações organizadas pelas duas principais figuras de oposição ao governo em apoio a protestos em países vizinhos. O protesto rapidamente se transformou em uma manifestação antigoverno, que deixou dois mortos e vários feridos.
O sistema político complexo e incomum do Irã combina elementos de uma teocracia islâmica com democracia.
Uma rede de instituições não sujeitas a voto popular e controladas pelo altamente poderoso Líder Supremo do país tem como contrapartida um presidente e um Parlamento eleitos pelo povo.
O presidente Mahmoud Ahmadinejad, eleito em 2005, é um adepto da linha-dura, que prometeu reprimir qualquer protesto contra o regime.
Ele acusou manifestantes de querer "manchar o brilhantismo nacional iraniano".
Arábia Saudita
Um dos países mais insulares e pios do Oriente Médio, a Arábia Saudita deixou de ser um reino desértico e pobre para tornar-se uma das nações mais ricas da região, graças a seus vastos recursos petrolíferos.
Mas seus governantes enfrentam a tarefa delicada de responder a pressões por reforma e, ao mesmo tempo, combater o problema crescente da violência extremista islâmica. A família real saudita sempre tentou preservar a estabilidade na região e reprimir extremistas islâmicos. Movimentos de oposição são proibidos no país.
Regionalmente, o país é importante, com o rei Abullah Bin-Abd-al-Aziz Al Saud visto no mundo árabe como um defensor dos interesses árabes.
Foi para a Arábia Saudita que o líder deposto da Tunísia, Zine al-Abidine Ben Ali, fugiu em janeiro.
Manifestantes em Sanaa, capital do Iêmen
Iêmen
Após dias de protestos, o presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, anunciou, no dia 2 de fevereiro, que não concorreria a outro mandato, após três décadas no poder.
Ele também disse ao Parlamento que não passaria o poder a seu filho, afirmando: "Nenhuma extensão, nenhuma herança, nenhum cronômetro zerado".
Mas os protestos continuam, com pessoas saindo às ruas nas cidades de Sanaa, Aden e Taiz.
Manifestantes antigoverno pedindo reformas políticas entraram em choque com grupos leais ao governo, e a polícia foi enviada para reprimir manifestações.
O Iêmen é o país mais pobre do mundo árabe, onde quase metade da população vive com menos de US$2 por dia.
Centenas de milhares de egípcios vão às ruas há mais de uma semana para exigir a saída do presidente Hosni Mubarak, que está no poder há quase 30 anos. Em resposta, o presidente já anunciou que não disputará a reeleição, mas que pretende permanecer no poder até que um sucessor seja escolhido.
Quem são os manifestantes e o que eles querem?
Os protestos começaram em 25 de janeiro, quando milhares de egípcios se reuniram na Praça Tahrir, no centro do Cairo, depois de uma mobilização realizada pela internet - inspirada no levante da Tunísia - conclamando um "dia de revolta". A polícia respondeu com gás lacrimogêneo e jatos d'água, mas os manifestantes continuaram no local.
Desde então, protestos em massa têm sido realizados nas principais cidades egípcias - além do Cairo, Alexandria, Suez e Ismaília - desafiando os toques de recolher impostos pelo governo.
Os protestos foram em sua maioria pacíficos, mas a ONU estima que cerca de 300 pessoas já morreram em confrontos relacionados às manifestações.
Os manifestantes exigem a saída imediata de Mubarak. As multidões acusam o governo de repressão, fraudes eleitorais, corrupção e de ser responsável pela pobreza e pelo desemprego no país. Os participantes também querem garantias de que o filho de Mubarak, Gamal, não será o próximo presidente.
Como Mubarak respondeu?
O presidente foi à televisão na terça-feira, dia 1º, afirmando que não disputará a reeleição no pleito marcado para setembro de 2011. Ele disse que dedicará o resto de seu mandato para garantir uma transição pacífica para seu sucessor.
Mubarak disse ter se oferecido para encontros com todos os partidos políticos, mas alguns deles teriam se recusado a dialogar.
Em seu primeiro discurso após o início dos protestos, feito no dia 28, ele anunciou a demissão de seu gabinete de governo, empossando Ahmed Shafiq como novo primeiro-ministro e Omar Suleiman, ex-chefe da inteligência egípcia, como vice-presidente - cargo que nunca antes havia sido ocupado durante o regime.
Mubarak designou publicamente Shafiq para implementar reformas democráticas e medidas para aumentar o nível de emprego. O presidente também determinou que o novo gabinete - cujos membros ainda não foram nomeados - combata a corrupção e restaure a confiança na economia.
No dia 30, em uma aparente demonstração de força, jatos da Força Aérea egípcia sobrevoaram a Praça Tahrir, onde era realizado mais um protesto. Helicópteros, tanques e blindados também circularam pela cidade, enquanto o acesso à internet foi bloqueado.
Quem são os outros personagens principais?
Não existe uma figura que centralize e lidere a oposição contra Mubarak. Os manifestantes representam uma fatia ampla da sociedade egípcia, dos mais jovens aos mais velhos, dos mais ricos aos mais pobres, seculares e religiosos.
Mohammed ElBaradei, ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e vencedor do Nobel da Paz, surgiu como um potencial porta-voz da coalizão de movimentos de oposição. Líderes de diferentes grupos teriam iniciado negociações para chegar a uma estratégia comum.
A Irmandade Muçulmana, maior e mais organizado grupo de oposição no Egito, tem se mantido em uma posição discreta durante os protestos, por temor de sofrer retaliações por parte do governo.
Analistas acreditam que as Forças Armadas egípcias sejam um fator decisivo na crise. Até agora, Mubarak - um ex-comandante da Força Aérea - tem o apoio dos militares. No entanto, se os protestos se intensificarem, acredita-se que oficiais de alta patente possam pedir que o presidente deixe o poder.
O que está em jogo?
O Egito é conhecido como umm al-dunya, ou "mãe do mundo" em árabe. O que acontece no Cairo tem efeitos decisivos em todo o Oriente Médio.
Desde que chegou ao poder, em 1981, Mubarak tem sido uma figura central na política da região e um importante aliado dos países ocidentais. O Egito é um dos dois únicos países árabes - além da Jordânia - a ter tratados de paz com Israel.
Se o levante egípcio se transformar em uma revolução, isto pode significar um golpe para o já enfraquecido processo de paz no Oriente Médio e disparar alarmes em outros regimes autocráticos no mundo árabe, dizem analistas.
Há o temor de que extremistas possam aproveitar o vácuo político ou de que grupos islâmicos como a Irmandade Muçulmana cheguem ao poder por meio de eleições livres.
A crise no Egito também tem efeitos nos mercados globais. Os valores das ações caíram nas principais bolsas do mundo, e o preço do petróleo atingiu o valor mais alto em dois anos.
Como a comunidade internacional tem reagido aos protestos?
A pressão internacional está se encaminhando para algum tipo de resolução. Os Estados Unidos, responsáveis por bilhões de dólares em ajuda para o Egito, por pouco não admitiram abertamente que querem a saída de Mubarak.
Em vez disso, o presidente americano, Barack Obama, e a secretária de Estado, Hillary Clinton, pediram uma "transição ordenada" para uma democracia no Egito.
Enquanto isto, líderes da ONU, da Grã-Bretanha, da França e da Alemanha pediram a Mubarak que evite a violência e realize as reformas enquanto os protestos continuem.
Obama manteve contatos com chefes de Estado e de governo como o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, o rei da Arábia Saudita, Abdullah, e o primeiro-ministro britânico, David Cameron.
O que deve acontecer agora?
Não há sinal de que os protestos possam acabar, e a maioria dos observadores afirmam que os dias de Mubarak como presidente estão contados.
Vários grupos de oposição estão se oferecendo para negociar com o governo, mas apenas depois que Mubarak sair do poder.
No entanto, o presidente parece estar calculando que pode sair com um saldo positivo da crise e que as suas concessões dividirão os opositores.
O exército, instituição chave no Egito, indicou que protestos pacíficos serão tolerados e que os seus participantes não serão combatidos.
Dezenas de milhares de partidários da oposição iemenita saíram às ruas nesta quinta-feira na capital do país, Sanaa, para pedir reformas democráticas, ao mesmo tempo que acontecia uma manifestação similar de simpatizantes do governo.
As duas marchas aconteciam de maneira calma: os simpatizantes do partido governista Congresso Popular Geral (CPG) estavam reunidos na praça Al Tahrir (Libertação) e os opositores nas proximidades da Universidade de Sanaa, zona oeste da capital.
Os partidários do CPG se reuniram na praça Al Tahrir, local que havia sido escolhido para o protesto da oposição, que se viu obrigada a mudar a área de protesto.
No início da manhã, os manifestantes antigoverno reuniram mais de 20 mil pessoas em Sanaa, a maior concentração de pessoas desde que a onda de protestos em países árabes atingiu o país há duas semanas, inspirados em manifestações que derrubaram o ditador da Tunísia e ameaçam o do Egito.
"O povo quer que o regime mude", eles gritavam nas proximidades da universidade de Sanaa. "Não à corrupção, não à ditadura."
As manifestações ocorrem um dia depois de o ditador iemenita, Ali Abdullah Saleh, no poder há 32 anos, ter anunciado que não disputará a reeleição e fez mais concessões à oposição, após manifestações inspiradas pelos protestos populares na Tunísia e no Egito.
Saleh propôs a formação de um "governo de unidade nacional", informou que adiará as eleições legislativas previstas para 27 de abril --muito questionadas pela oposição--, e disse que é favorável da adoção de reformas políticas antes do pleito.
"Não haverá governo hereditário nem presidência vitalícia", disse Saleh, cujo atual mandato termina em 2013, durante uma reunião extraordinária com o Parlamento e o Majlis al Shura (conselho consultivo).
Saleh também prometeu que seu filho não assumirá as rédeas do governo, entre outras concessões políticas.
Trata-se da ação mais ousada do ditador para manter os tumultos fora do Iêmen, um aliado importante dos Estados Unidos contra a Al Qaeda.
O maior partido opositor iemenita, o Al Islah, recebeu bem a iniciativa de Saleh, mas ignorou um apelo presidencial para desmobilizar os protestos. No entanto, os manifestantes antigoverno parecem não estar totalmente em concordância --alguns pedem pela queda de Saleh, enquanto outros querem que ele prove que irá cumprir suas promessas.
"O que o presidente ofereceu ontem [quarta-feira] foi apenas teatro. Não confiamos nele", disse um manifestante, Mahmoud Abdullah, em Sanaa.
PELO PAÍS
Saleh, um sobrevivente político sagaz, voltou atrás no passado em promessas de se afastar do poder. Analistas afirmaram que a promessa de quarta-feira pode ser uma maneira genuína de sair graciosamente, mas ele pode também estar esperando o fim da instabilidade regional para reafirmar sua dominância.
Outros protestos antigoverno se espalharam pelo Iêmen, incluindo na cidade de Taiz, onde Saleh serviu como governador militar, assim como em cidades do sul do país onde as atividades de um movimento separatista têm crescido.
Forças de segurança em Aden impediram manifestantes de chegar ao centro da cidade, onde alguns milhares já estavam reunidos.
Pelo menos uma vez por semana desde sua posse, a presidente Dilma Rousseff recebe assessores para tentar lidar com um problema aparentemente intratável: a China.
Poucos meses atrás, Brasil e China pareciam fadados a formar uma das alianças definidoras deste início de século - duas economias emergentes com rápido crescimento, posicionando-se lado a lado em questões globais como negociações comerciais, e buscando sempre novas oportunidades de negócios conjuntos.
Mas não é assim que tem funcionado.
A reunião semanal comandada por Dilma é apenas um sinal de como ela está colocando o Brasil em uma posição de maior confronto frente a Pequim, na tentativa de resolver uma relação que ela considera cada vez mais desequilibrada e divergente.
Oficialmente, o tema dessas reuniões é a busca por uma maior "competitividade" do Brasil no comércio global, mas elas inevitavelmente se transformam em debates estratégicos sobre como conter a enxurrada de importações de produtos chineses, que quintuplicaram desde 2005, com resultados desastrosos para a indústria brasileira.
"É basicamente uma reunião sobre a China", disse um funcionário de alto escalão que costuma participar delas. "As relações entre os dois países não são hostis, mas vamos tomar medidas para nos proteger... e promover uma relação mais igualitária."
Em curto prazo, segundo fontes de alto escalão do governo, isso significa mais tarifas dirigidas para produtos industrializados procedentes da China, uma fiscalização mais rígida nas alfândegas, e também mais processos antidumping.
Também é possível que sejam adotadas novas regras para mineradoras estrangeiras, dizem as autoridades, refletindo os temores de que a China desejaria consolidar seu controle sobre as riquezas minerais brasileiras, sem oferecer em contrapartida acesso suficiente ao seu próprio mercado.
Diante do cenário ambiental crítico, o desafio da ONU é aproximar cidadãos do mundo todo em torno de um projeto comum: preservar a mata, que cobre só 31% das terras do planeta. Maior reserva verde ainda está no Brasil.
O planeta deve registrar ainda em 2011 a marca de 7 bilhões de habitantes. À medida que a população se expande – e exige cada vez mais recursos naturais e espaço no globo –, a cobertura florestal se extingue. Atualmente, as florestas ocupam apenas 31% das áreas de terra do planeta.
É também em 2011 que as Nações Unidas decidiram promover o Ano Internacional das Florestas. Nesta quarta-feira (02/02), uma sessão em Nova York marca o início das atividades para "promover a consciência e fortalecer uma gestão, conservação e desenvolvimento sustentável", diz o órgão. O desafio, no entanto, é transformar essa aspiração em soluções práticas e estimular o envolvimento dos cidadãos que vivem nas cidades.
Na prática
As Nações Unidas estimam que 1,6 bilhão de pessoas dependam das florestas para sobreviver e que, no mundo todo, as matas sejam a casa de 300 milhões de indivíduos. Esse ambiente é o habitat de 80% da biodiversidade existente no planeta.
Apesar dos argumentos convincentes lançados pela ONU para estimular a preservação, o desmatamento ainda é um inimigo presente na busca pelo desenvolvimento sustentável. Um estudo da organização Conservação Internacional (CI) divulgado nesta quarta-feira, identificou as dez florestas mais ameaçadas do mundo – o Brasil aparece na lista com os apenas 8% que restaram da Mata Atlântica.
“As florestas não podem ser vistas apenas como um grupo de árvores, mas como fornecedores de benefícios vitais. Elas são importante fator econômico no desenvolvimento de diversas cidades, fornecendo madeira, alimento, abrigo e recreação, e possuem um potencial ainda maior que precisa ser percebido em termos de provisão de água, prevenção de erosão e remoção de carbono”, argumenta Olivier Langrand, da CI.
A derrubada da floresta também agrava os efeitos das mudanças climáticas, e é responsável por até 20% das emissões mundiais de gases do efeito estufa.
Do Brasil para o mundo
A maior reserva de floresta tropical do mundo está em solo brasileiro – o bioma Amazônia ocupa 49% do território nacional. O ritmo de destruição acelerado parece ter se acalmado entre agosto de 2009 e julho de 2010, quando os satélites que vigiam a floresta detectaram uma diminuição de 13,6% do desmatamento em relação ao período anterior.
Na fila de projetos do Congresso Nacional, no entanto, o polêmico plano que altera o Código Florestal vai na contramão do Ano Internacional das Florestas. Entre as mudanças mais controversas estão a redução de 30 metros para 15 metros das áreas de preservação permanente nas margens de rios, a isenção de reserva legal para a agricultura familiar e o perdão para quem nunca obedeceu a legislação vigente. Ou seja, quem desmatou de forma criminosa não precisará pagar por isso.
Depois de 2011
Diante do cenário global ambiental pouco animador, a campanha internacional encabeçada pela ONU quer evidenciar também as desvantagens para a humanidade trazidas pela diminuição da área verde.
As Nações Unidas lembram que o desaparecimento das florestas coloca em xeque o abastecimento sustentável de água, o fornecimento de plantas medicinais à indústria da saúde – equivalente a 108 bilhões de dólares por ano–, o risco do aumento da propagação de doenças como malária. E, o que é mais ameaçador, a sobrevivência dos próprios seres humanos.
Continua internada em estado grave a deputada federal democrata norte-americana Gabrielle Giffords, de 40 anos, baleada ontem (8), na cidade de Tucson, estado do Arizona, em um ataque que deixou pelo menos seis mortos, entre eles uma criança de nove anos e um juiz federal, e 12 feridos.
Apesar de ainda correr risco de vida e da gravidade do ferimento, o médico que vem tratando a democrata afirmou estar "muito otimista sobre a sua recuperação".Gabrielle foi atingida com um tiro a queima-roupas na cabeça e levada para o Centro Médico Universitário de Tucson, a cerca de 15 quilômetros do local, onde foi submetida a uma cirurgia.
A deputada participava de um evento público quando foi baleada em frente a um supermercado de Tucson. O jovem teria tentado fugir após abrir fogo, mas foi preso logo após o ataque. A polícia ainda está à procura de um suposto comparsa e divulgou imagens de um homem de cabelos pretos entre 40 e 50 anos.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, classificou o incidente como uma “tragédia indescritível” e confirmou que, entre as vítimas, está o juiz federal John Roll, do Arizona. “Um ato de violência terrível e sem sentido como esse não tem espaço em uma sociedade livre”, disse Obama em um comunicado.
Pouco depois, em pronunciamento na Casa Branca, o presidente disse que enviou o diretor do FBI (a polícia federal norte-americana), Robert Mueller, a Tucson para acompanhar pessoalmente as investigações.
Considerada uma estrela em ascensão no Partido Democrata, o mesmo de Obama, Gabrielle foi reeleita para seu terceiro mandato nas eleições legislativas de novembro. Segundo ele, Gabrielle é sua amiga e muito querida por seus colegas e eleitores. “Não estou surpreso que hoje Gabby estava fazendo o que sempre faz, ouvindo as expectativas e preocupações de seus vizinhos”, disse Obama.
A deputada foi baleada diante de dezenas de pessoas, em frente a um supermercado da rede Safeway, onde promovia um evento político chamado Congress on your Corner (O Congresso na sua esquina, em tradução livre), em que se encontrava regularmente com a população.
Desde que assumiu seu primeiro mandato na Câmara dos Representantes (dos deputados federais), em janeiro de 2007, ela costumava organizar eventos desse tipo. Em um desses encontros, em 2009, um manifestante chegou a ser retirado do local depois que sua arma caiu no chão. O encontro de ontem em que ela foi baleada foi o primeiro desde que Gabrielle foi reeleita.
Pertencente à ala centrista do Partido Democrata, a deputada defende os direitos de portadores de armas e o rigor na fiscalização da fronteira com o México para coibir a imigração ilegal, mas se opõe à nova lei de imigração do Arizona, que torna crime a presença de imigrantes ilegais.
A deputada desagradou aos conservadores de seu estado, fortemente dominado pelo Partido Republicano, ao apoiar a reforma da saúde proposta por Obama e aprovada em março do ano passado em meio à grande oposição dos republicanos.
A proposta de reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas será fortalecida ao longo deste mês quando a presidência do órgão ficará a cargo do Brasil. A representante brasileira no conselho, a embaixadora Maria Luiza Viotti, disse que o Brasil é candidato natural a membro permanente.
O Conselho tem 15 vagas, das quais apenas cinco são permanentes. O Brasil está ocupando um dos assentos rotativos. “Certamente que [a presidência] poderá contribuir para fazer avançar a ideia de que a reforma é necessária e de que há países que são candidatos naturais”, disse a embaixadora, segundo informações da agência pública de Portugal, Lusa.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas foi criado, após a Segunda Guerra Mundial. Pela estrutura do órgão, cinco países ocupam assentos permanentes e dez assumem as cadeiras de forma rotativa - por dois anos. O G4, formado por Brasil, Japão, Índia e Alemanha, apresentaram em 2005 uma proposta de expansão do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
O presidente da Assembleia Geral, Joseph Deiss, afirmou que há “negociações reais” sobre a ampliação do Conselho de Segurança. As negociações são supervisionadas pelo embaixador do Afeganistão, Zahir Tanin, que, em dezembro, apresentou um relatório sobre as posições dos estados membros, que deverá ser atualizado em março.
Para a embaixadora brasileira, o objetivo agora é “chegar a algum resultado mais concreto [sobre a reforma] até ao final desta sessão” da Assembleia Geral das Nações Unidas.
“A presidência do Conselho não lida com questões da reforma, mas de certa maneira é uma ocasião para dar maior visibilidade aos temas que são do interesse do Brasil, da ampla maioria dos países em desenvolvimento, dos membros da Organização das Nações Unidas”, disse a diplomata.
Os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da Rússia, Dmitry Medvedev, assinaram nesta quinta-feira em Praga, capital da República Tcheca, o acordo bilateral de redução de seus arsenais de armas nucleares mais significativo em 20 anos.
O acordo estabelece que a redução ocorrerá ao longo de sete anos e que cada parte limitará o seu número de ogivas nucleares a 1.550. O novo teto é cerca de 30% menor que o de 2,2 mil ogivas previsto pelo acordo antigo de redução nuclear russo-americano.
Rússia e Estados Unidos também se comprometeram a limitar a 700 o número de mísseis balísticos capazes de levar as ogivas nucleares. Atualmente, os EUA possuem 798 desses artefatos, enquanto a Rússia tem 566, menos que o limite.
O acordo, que substituirá o Tratado Estratégico de Redução de Armas (Start, na sigla em inglês), assinado em 1991 e expirado em dezembro, ainda precisa ser aprovado pelo Senado americano e pelo Parlamento russo, a Duma.
Estima-se que o arsenal americano e russo alcance hoje mais de 2 mil e 2,5 mil ogivas nucleares estratégicas, respectivamente.
Durante o período da Guerra Fria, os Estados Unidos chegaram a ter mais de 15 mil ogivas nucleares estratégicas, e a Rússia, mais de 10 mil.
'Liderança'
Em uma cerimônia pomposa no castelo de Praga, sob os auspícios do premiê tcheco, Vaclav Havel, Obama disse que EUA e Rússia detêm cerca de 90% do poder nuclear mundial. Ele elogiou o que chamou de "liderança extraordinária" de Medvedev em promover o acordo.
Para Obama, o tratado é um "importante marco" na questão da não-proliferação nuclear, mas apenas "um passo em uma jornada mais longa" para reduzir a ameaça das armas atômicas.
Falando após Obama, Medvedev se referiu diversas vezes aos "parceiros americanos" da Rússia. Ele disse que o tratado abre as portas para "um maior nível de cooperação entre a Rússia e os EUA".
"Esta é uma situação em que ambos saem ganhando. Ninguém perde com este acordo. Esta é uma qualidade típica das nossas iniciativas de cooperação", disse Medevev.
"Toda a comunidade mundial ganhou."
Símbolo
Entretanto, para o analista da BBC para assuntos de geopolítica Jonathan Marcus a importância do acordo está menos nos números e mais no significado simbólico do entendimento.
"O acordo marca um reaproximação nas relações EUA-Rússia, preconizando, talvez, uma postura mais dura da Rússia em relação ao programa nuclear iraniano", afirmou.
"As armas nucleares são parte importante da equação de defesa russa, em um momento em que o seu papel no pensamento estratégico americano está se tornando mais limitado."
Marcus disse que os critérios para contar as unidades de ogivas nucleares são pouco claras e que cortes mais significativos nas armas nucleares de longo alcance russas e americanas ainda podem tardar anos de negociações bilaterais.
Ambos os países já haviam concordado em diminuir o número de mísseis em julho do ano passado, mas o acordo havia ficado em suspenso até agora por diferenças sobre a verificação das reduções.
No início desta semana, o ministro do Exterior russo, Sergei Lavrov, declarou que o acordo representa "um novo patamar de confiança" entre Rússia e EUA.
Ao anunciar o acordo, no mês passado, Obama fez referência à Guerra Fria e disse que o entendimento é "um novo passo adiante para deixar para trás o legado do século 20 e construir um futuro mais seguro para nossos filhos."
Após nove meses de negociações, os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da Rússia, Dmitri Medvedev, assinaram nesta quinta-feira, em Praga, na República Tcheca, o novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start, na sigla em inglês).
O documento obriga os dois países a reduzirem em cerca de um terço seus arsenais nucleares remanescentes da Guerra Fria e, no âmbito diplomático, marca a retomada das relações bilaterais após o esfriamento durante o governo de George W. Bush.
O acordo, cortando os arsenais de ambos os lados de 2.200 ogivas para 1.550, deve ser agora ratificado pelos legislativos de ambos os países.
O novo texto substitui o Start 1, assinado em 1991 como o acordo de desarmamento mais ambicioso desde a Segunda Guerra (1939-1945) entre Estados Unidos e a então União Soviética. O documento expirou em 5 de dezembro passado, mas se extingue na prática com o surgimento do novo acordo de desarmamento.
Obama afirmou que a assinatura do documento marca a estratégia americana para um mundo "mais seguro" e sem armas nucleares. "Sei que este objetivo pode não ser alcançado enquanto estiver vivo, mas é um passo importante para um mundo mais seguro".
Há mais de seis meses, negociadores americanos e russos se reúnem regularmente em Genebra para elaborar o novo documento, a pedra angular do "relançamento" desejado por Obama e Medvedev, depois de anos de "paz fria" durante o governo de George W. Bush e após o breve conflito com a Geórgia, aliada dos EUA, em 2008.
Medvedev elogiou os esforços dos negociadores, "que trabalharam 24 horas por dia para concretizar o que considerávamos uma missão impossível há alguns meses". "Esta é uma situação em que todos ganham", disse o presidente russo, que ressaltou as melhoras no sistema de verificação da redução do arsenal de ambos os países.
Veja o que estabelece o novo Start
- Redução das ogivas nucleares que ambos países possuem em 30% em relação ao Tratado de Redução de Arsenais Nucleares Estratégicos (SORT, ou Tratado de Moscou), de 2002.
- Limitação a 800 vetores (mísseis intercontinentais a bordo de submarinos e bombardeiros) mobilizados ou não por cada um dos dois países.
- Limitação a 700 vetores posicionados.
- Segundo Washington, o acordo não impõe nenhuma limitação aos testes, ao desenvolvimento ou à instalação de sistemas de defesa antimísseis dos Estados Unidos, que estejam programados ou em curso de sê-lo. Também não limita os projetos americanos em termos de ataques convencionais de longo alcance.
- O novo tratado retoma os elementos do Start 1 e os adapta aos novos limites. Prevê verificações in situ das instalações nucleares, intercâmbio de dos, assim como notificações recíprocas de armamentos ofensivos e de sítios nucleares.
- O tratado tem duração de dez anos a partir da data de sua entrada em funções e poderá ser renovado por uma duração máxima de cinco anos. Uma cláusula prevê que cada parte pode se retirar do tratado.
- O tratado entrará em vigor depois de ser ratificado pelos parlamentos dos dois países. O Tratado SORT de 2002 ficará automaticamente abolido depois da entrada em vigor do novo texto.
Os presidentes dos EUA, Barack Obama, e da Rússia, Dmitry Medvedev, fecharam na sexta-feira um acordo sobre um tratado histórico de redução de armas nucleares e vão se reunir para assinar o tratado em 8 de abril, em Praga.
Após meses de impasse, o acordo para o tratado que substituirá o pacto START (Tratado de Redução de Armas Estratégicas), da era da Guerra Fria, é a mais importante conquista de política externa de Obama desde que chegou ao poder e também reforça seu esforço para "reiniciar" os laços dos EUA com Moscou. Obama e Medvedev deram os retoques finais ao acordo histórico em um telefonema, comprometendo as duas maiores potências nucleares do mundo a empreender grandes reduções em seus arsenais.
"Tenho a satisfação de anunciar que, após um ano de negociações intensas, Estados Unidos e Rússia acordaram o mais abrangente acordo de controle de armas em quase duas décadas", disse Obama a repórteres.
Em Moscou, Medvedev saudou o acordo, dizendo que reflete "o equilíbrio dos interesses dos dois países", disse o Kremlin. Pelos termos do acordo, válido por dez anos, cada lado terá que reduzir suas ogivas estratégicas posicionadas das 2.200 atuais para 1.550 e também fará reduções importantes em seu estoque de lançadores, disse a Casa Branca.
A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, disse que o acordo transmitirá ao Irã e à Coreia do Norte, países envolvidos em impasses nucleares com o Ocidente, uma mensagem sobre seu compromisso em impedir a proliferação nuclear.
"Com esse acordo, Estados Unidos e Rússia - as duas maiores potências nucleares do mundo - também transmitem um sinal claro de que pretendemos liderar". disse Obama.
"Ao cumprir nossos próprios compromissos assumidos sob o Tratado de Não-Proliferação Nuclear, fortalecemos nossos esforços globais para barrar a propagação dessas armas e asseguramos que outros países cumpram suas próprias responsabilidades", disse Obama.
ASSINATURA EM PRAGA
Obama e Medvedev pretendem assinar o novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas, que virá substituir um tratado de 1991 cuja vigência terminou em dezembro, em 8 de abril em Praga, capital da República Tcheca, antigo satélite soviético que hoje faz parte da Otan.
Essa data é próxima do aniversário do discurso proferido por Obama em Praga no ano passado, anunciando sua visão de eventualmente livrar o mundo de armas nucleares, e vai ajudar a criar ímpeto para uma segunda cúpula sobre segurança nuclear da qual Obama será anfitrião em Washington entre 12 e 14 de abril.
A Casa Branca disse que o novo tratado não restringirá os programas americanos de defesa antimísseis, que vinham representando um obstáculo nas negociações, devido às objeções da Rússia a esses planos.
"O tratado reduzirá em mais ou menos um terço as armas nucleares dos EUA e Rússia. Ele prevê uma redução significativa dos mísseis e lançadores e a instalação de um regime de verificação eficaz e forte", disse Obama.
"E conserva a flexibilidade de que precisamos para proteger e promover nossa segurança nacional e para garantir nosso compromisso inabalável com a segurança de nossos aliados."
Obama ainda enfrentará uma luta no Senado norrte-americano para a ratificação do tratado, em um momento de rancor partidário na esteira da disputa acirrada que terminou com a aprovação pelo Congresso de sua reforma da saúde.
Ele disse que vai trabalhar estreitamente com outros democratas e com a oposição republicana para obter a aprovação pelo Senado do tratado, que requer uma maioria de dois terços para ser ratificado.
O novo pacto pode fortalecer Obama politicamente, garantindo a ele uma importante vitória na área da política externa, que virá somar-se à vitória na política doméstica que ele teve esta semana quando sancionou a reforma da saúde. Negociadores russos e norte-americanos vinham há quase um ano tentando conseguir um pacto para dar continuidade ao START. Eles perderam o prazo final de 5 de dezembro, quando terminou a vigência do START I.
A aprovação pela Câmara dos Deputados de uma emenda ao projeto de lei que muda as regras de distribuição dos royalties do petróleo colocou o governo federal, Estados e municípios diante de uma polêmica envolvendo disputas políticas e interesses regionais.
Na semana passada, os deputados decidiram que os royalties - espécie de compensação financeira paga pelos exploradores - devem ser distribuídos de forma igualitária entre todos os Estados e municípios do país.
A decisão muda a regra atual, em que Estados e municípios produtores recebem uma parcela maior dos royalties pagos pelas empresas.
A emenda aprovada pela Câmara será ainda encaminhada ao Senado, mas a decisão entre os deputados já foi suficiente para deflagrar a polêmica sobre quem deve receber a verba gerada com a exploração do petróleo.
O que são royalties e como são cobrados?
De modo geral, royalty é um valor cobrado pelo proprietário de uma patente ou ainda por uma pessoa ou empresa que detém o direito exclusivo sobre determinado produto ou serviço.
No caso do petróleo, os royalties são cobrados das concessionárias que exploram a matéria-prima, de acordo com sua quantidade, e o valor arrecadado fica com o poder público.
De acordo com a legislação brasileira, Estados e municípios produtores – além da União – têm direito à maioria absoluta dos royalties do petróleo. A divisão atual é de 40% para a União, 22,5% para Estados e 30% para os municípios produtores. Os 7,5% restantes são distribuidos para todos os municípios e Estados da federação.
A justificativa para essa divisão é de que os royalties são uma espécie de compensação às administrações locais, pelo fato de o recurso ser finito. Além disso, essas localidades em tese têm mais gastos com infraestrutura e prevenção de acidentes, por exemplo.
Segundo a Agência Nacional do Petrólo (ANP), o Brasil arrecadou R$ 7,9 bilhões em royalties no ano passado.
Por que a distribuição de royalties voltou ao centro da discussão?
Com a descoberta da camada pré-sal, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a defender novas regras para a exploração do petróleo no país. Um dos argumentos é de que as empresas terão acesso a reservas de alto potencial e com risco exploratório perto de zero – o que justificaria um novo marco regulatório.
Foi nesse contexto que o presidente Lula apresentou, em agosto do ano passado, quatro projetos de lei propondo mudanças no setor, sendo um deles na distribuição dos royalties.
O governo Lula, que chegou a defender a distribuição igualitária dos royalties, voltou atrás diante da pressão dos Estados produtores e passou a defender um tratamento diferenciado para essas administrações.
Mas os deputados não aceitaram a proposta e aprovaram uma emenda, apresentada pelos deputados Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), Humberto Souto (PPS-RS) e Marcelo Castro (PMDB-PI), que prevê a distribuição dos royalties do pré-sal para todos os Estados da federação.
A divisão aprovada na Câmara por 369 votos a favor e 72 contrários é de que 30% dos royalties sejam destinados aos Estados, 30% aos municípios e 40% à União, sem tratamento diferenciado para os produtores.
A chamada “emenda Ibsen” foi além da camada pré-sal e estendeu a nova distribuição de royalties também às bacias tradicionais, incluindo as já licitadas. Cálculos apresentados pelo deputado Humberto Souto mostram que o Estado do Piauí, por exemplo, poderá receber R$ 317 milhões em royalties ainda este ano, enquanto o Rio de Janeiro, maior Estado produtor, ficaria com cerca de R$ 200 milhões.
Quais são os argumentos a favor da nova distribuição?
O principal argumento dos parlamentares favoráveis à mudança das regras é de que o petróleo pertence “a todo o país”, o que justificaria uma distribuição igualitária dos royalties.
Segundo o deputado Marcelo Castro, “não interessa que a exploração seja feita de frente para o Rio de Janeiro”. Para ele, é preciso usar o petróleo para fazer “justiça social” e “reduzir desquilíbrios” regionais.
Na avaliação do deputado Ibsen Pinheiro, a exploração do petróleo é feita no mar, não havendo, segundo ele, possibilidade de danos para Estados e municípios produtores.
Ainda de acordo com o deputado, não seria “justo” privilegiar dois Estados e “prejudicar” 25. Em entrevista ao site G1, Ibsen disse que os Estados produtores “têm, no máximo, vista para o mar, que é muito privilegiada”.
Os defensores da distribuição igualitária dizem também que todos os Estados acabam pagando, por meio da União, pelas pesquisas da Petrobras e pelos testes nos poços – e por isso devem ser beneficiado com royalties.
“Essa matéria tem fundamento jurídico, fundamento moral e maioria. Nada justifica a desigualdade”, disse Ibsen, durante a votação da emenda.
Ainda de acordo com o deputado, “é justo que o petróleo pertença a todos os brasileiros, pois todos somos iguais perante a lei”. O deputado Fernando Coruja (PPS-SC) acrescentou que a regra “inverte a concentração de recursos”, permitindo que os municípios com menos dinheiro “participem da riqueza do petróleo”.
O que dizem os Estados e municípios produtores?
A emenda Ibsen tem sido fortemente criticada pelas lideranças do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, que descreveram a medida como “covardia”. O governador do Rio, Sergio Cabral Filho, chegou a chorar em público ao comentar a decisão da Câmara.
Segundo ele, os deputados que votaram a favor da emenda esperando algum “benefício eleitoral” em seu Estado estão “equivocados”. Sua avaliação é de que a população brasileira será “solidária” ao Rio. De acordo com cálculos apresentados pelo deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), a arrecadação do Estado do Rio de Janeiro com royalties do petróleo cairia de R$ 5 bilhões para cerca de R$ 100 milhões. O governador do Rio disse que a perda de receita afetará as obras para os Jogos Olímpicos de 2016 e convocou a população para uma caminhada no centro da cidade, na quarta-feira. Representantes dos Estados produtores veem ainda “falhas jurídicas” na emenda, por mudar as regras de contratos já firmados, no caso dos poços que já foram licitados.
“Campos já licitados, já leiloados, não podem ter as regras mudadas, porque isso fere os princípios jurídicos, muda cláusulas de situações já consagradas”, disse o senador Francisco Dornelles (PP-RJ).
Existe a possibilidade de um acordo?
A aprovação da emenda Ibsen criou um embate entre os Estados da federação, com Rio de Janeiro e Espírito Santo de um lado, e as outras 25 unidades do outro.
Diante da disputa regional, lideranças do governo Lula tentam agora costurar uma nova proposta antes que a matéria seja votada no Senado.
Uma das alternativas apresentadas pelo deputado Ibsen Pinheiro é de que a União use sua cota na distribuição dos royalties para compensar pelo menos parte das perdas nos Estados e municípios produtores.
Segundo o deputado, os prejudicados poderão ser compensados pela União até que a produção de petróleo atinja níveis que garantam os atuais patamares de remuneração.
No entanto, o senador Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo na Casa rebateu essa possibilidade.
A ideia do governo, agora, é elaborar um projeto de lei específico sobre a questão dos royalties. Dessa forma, a matéria poderia ser apreciada normalmente (sem o pedido de urgência), o que daria tempo para que o assunto seja melhor discutido.
Caso os senadores mantenham a emenda que redistribui os royalties, o presidente Lula poderá vetá-la ou não. A partir daí o veto presidencial terá de ser votado por deputados e senadores, em sessão conjunta.
Quais são as implicações eleitorais do debate?
A discussão sobre os royalties do petróleo tem um forte apelo eleitoral, com potencial de desgaste tanto para governo como para a oposição.
No caso do governo, esse potencial tende a ser maior, já que o presidente Lula está diretamente envolvido no debate, podendo vetar ou não a decisão do Senado.
Se os senadores concordarem com a redistribuição dos royalties, o presidente Lula terá de decidir se fica do lado dos dois Estados produtores ou do restante do país.
“Seria um decisão desgastante em meio à campanha da ministra Dilma Roussef”, diz um deputado da base aliada ao governo, referindo-se à pré-candidata do PT ao Palácio do Planalto.
O assunto também é visto com receio pela oposição, que teme se indispor com o restante do país em pleno ano eleitoral.
O governador de São Paulo e possível candidato à Presidência, José Serra, tem evitado criticar de forma mais contundente a emenda Ibsen, mesmo estando à frente de um dos três Estados produtores de petróleo. Serra disse nesta quarta-feira que distruibir os benefícios do petróleo para todo o Brasil é uma “preocupação correta”, mas que o projeto, do jeito que está, é “inaceitável”.
A avaliação de um deputado da oposição é de que o governador está prestes a oficializar sua pré-canditura à Presidência e que “comprar briga” com o restante do país “teria um alto custo”.
A visita ao Brasil da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, ocorre em um momento de divergências com os Estados Unidos sobre como lidar com o Irã e seu programa nuclear - um dos pontos de atrito na relação bilateral que se tornaram mais evidentes no último ano.
Enquanto os Estados Unidos defendem a imposição de sanções econômicas ao Irã, o governo brasileiro argumenta que a medida poderá "isolar" Teerã, dificultando as negociações.
As polêmicas na relação entre os dois países vão além, incluindo temas recentes como a recuperação do Haiti, a situação política de Honduras e retaliações comerciais.
De acordo com o Itamaraty, mesmo os assuntos "delicados" serão tratados em um clima de "total cortesia" entre a secretária Clinton e o chanceler Celso Amorim.
Entenda quais são os pontos de atrito entre Brasil e Estados Unidos.
Programa nuclear do Irã
Desde que o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, anunciou, em fevereiro, a ampliação de seu programa nuclear, os Estados Unidos passaram a defender a imposição de sanções econômicas a Teerã.
Um dos argumentos do governo americano é de que o Irã estaria "disfarçando" a construção de armamentos nucleares por meio de um programa nuclear supostamente pacífico.
Na avaliação do governo brasileiro, porém, a adoção de sanções econômicas ao Irã pode ter um resultado "negativo".
O chanceler Celso Amorim tem dito que essas "penalidades" podem acabar "isolando" o governo iraniano, dificultando as negociações. Para o ministro, a fase do diálogo "ainda não está encerrada".
Além disso, o Brasil defende que o Irã tem o direito de enriquecer urânio a 20%, limite ainda permitido pelo Tratado de Não-Proliferação Nuclear, assinado no âmbito das Nações Unidas.
Segundo Amorim, o Brasil "se preocupa" com as atividades nucleares no Irã, mas é preciso "respeitar" o direito do Irã de gerar a energia para fins pacíficos. O governo americano confirmou que a secretária Clinton tentará convencer o governo brasileiro a mudar sua posição quanto às sanções.
Na semana passada, o secretário-assistente do governo americano para assuntos da América Latina, Arturo Valenzuela, disse que os Estados Unidos ficarão "desapontados" se o Brasil não usar sua influência para fazer com que o Irã cumpra suas obrigações internacionais.
Recuperação do Haiti
O terremoto que devastou o Haiti, deixando mais de 200 mil mortos, tornou-se um dos principais temas na agenda do Brasil com os Estados Unidos.
Se por um lado, a liderança dos dois países na recuperação do Haiti é dada como certa, ainda não está claro como essa parceria será colocada em prática.
De acordo com o Itamaraty, um dos desafios será o de definir uma estratégia conjunta para a reconstrução do país caribenho, evitando, assim, que uma posição seja "sobreposta" a outra.
Há seis anos, o Brasil chefia as tropas da missão de paz da ONU no Haiti (Minustah) e, segundo a diplomacia brasileira, essa é uma chance de "consolidar" a liderança do país na região.
Quinze dias após o grande tremor do dia 12 de janeiro, cerca de 10 mil militares americanos já estavam em território haitiano, número que surpreendeu as tropas brasileiras.
Na época, o chanceler Celso Amorim negou que houvesse algum tipo de "disputa" entre Brasil e Estados Unidos quanto à liderança na recuperação haitiana. As tropas do Brasil, porém, chegaram a organizar uma megaoperação de distribuição de alimentos com o objetivo de "marcar posição" frente à presença americana, como disse o chefe da Minustah, general Floriano Peixoto.
Honduras
Tanto o Brasil como os Estados Unidos condenaram a deposição do então presidente de Honduras, Manuel Zelaya, como um "golpe de Estado". Desde então, o país está suspenso da Organização dos Estados Americanos (OEA).
Mas a eleição de um novo governo, em novembro passado, dividiu opiniões entre brasileiros e americanos.
Na avaliação dos Estados Unidos, a eleição de Porfírio "Pepe" Lobo ocorreu um ambiente "democrático", abrindo caminho para que o governo eleito seja imediatamente reconhecido pelos outros países da região.
O embaixador americano no Brasil, Thomas Shannon, disse no mês passado que a eleição de Lobo foi o "melhor feito" em Honduras e que o assunto deve ser discutido "sem retóricas".
Já o Brasil é contrário ao reconhecimento "imediato" do novo governo e diz esperar "sinais de mudança" em Honduras antes de mudar sua posição.
O argumento do Itamaraty é de que a situação de Honduras só deve ser regularizada com certas condições - uma delas seria a criação de uma comissão da verdade, com o objetivo de investigar os episódios que marcaram a crise política hondurenha.
"Se não for assim, ficará um mau exemplo na região, de que golpes são facilmente perdoados", diz um diplomata.
Disputa comercial
No mês passado, a Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão ligado ao Ministério da Indústria e Comércio, aprovou uma retaliação comercial aos Estados Unidos no valor de US$ 560 milhões.
A medida é resultado de uma disputa que começou em 2002, quando o Brasil foi à Organização Mundial de Comércio (OMC) acusar os Estados Unidos de adotarem práticas que favoreciam seus produtores de algodão.
Com o aval da OMC, o Brasil agora está prestes a definir que produtos americanos terão de pagar mais impostos para entrar no mercado brasileiro.
O governo brasileiro diz que ainda está disposto a negociar, mas, segundo o Itamaraty, os Estados Unidos ainda não ofereceram uma contraproposta que evite as retaliações. O chanceler Celso Amorim disse, no mês passado, que o Brasil "não prefere" a via do contencioso, mas que o país "não pode se curvar" diante de nações mais fortes.
Esse, porém, não é o único atrito comercial entre os dois países. No ano passado, o Brasil voltou a acionar a OMC contra os Estados Unidos, dessa vez em função de uma suposta prática antidumping no suco de laranja importado do Brasil.
O Brasil, por sua vez, é freqüentemente criticado no meio empresarial americano por não respeitar as regras internacionais de propriedade intelectual.
Há dois anos, o Brasil foi retirado da lista americana que reúne os maiores mercados piratas do mundo, mas associações industriais dos Estados Unidos estariam pressionando seu governo a incluir novamente o Brasil no grupo, como forma de pressionar pela suspensão das retaliações.
Bases militares na Colômbia
Um dos principais atritos entre Brasil e Estados Unidos, a instalação de bases militares americanas na Colômbia foi extremamente criticada pelo governo brasileiro.
Segundo o governo da Colômbia, o acordo com os Estados Unidos, que veio a público em julho passado, teria como objetivo facilitar as operações contra o terrorismo e a produção de drogas. O governo brasileiro, no entanto, criticou a "falta de transparência" do acordo militar e pediu explicações tanto à Colômbia como aos Estados Unidos.
Um dos argumentos do Itamaraty era de que as bases aumentariam as "desconfianças" entre os países, contribuindo para um clima de "insegurança".
A preocupação acabou levando os 12 países da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) a convocarem uma reunião extraordinária para discutir o assunto. A idéia era pedir "garantias formais" tanto da Colômbia como dos Estados Unidos de que a operação militar ficaria limitada a questões do narcotráfico. A secretária Hillary Clinton chegou a enviar uma carta a diversos países da região "garantindo" que não seriam atacados.
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, condicionou hoje o apoio do Brasil ao novo governo de Honduras, sob comando do presidente Porfirio “Pepe” Lobo, à aplicação de medidas que permitam o retorno do presidente deposto, Manuel Zelaya, ao país. O chanceler fez a afirmação ao lado da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, que defende a imediata reintegração de Honduras à Organização dos Estados Americanos (OEA).
“Um fato que teria grande valor simbólico seria criar condições para o presidente Zelaya voltar a Honduras”, afirmou Amorim, referindo-se à adoção de medidas de anistia em favor do presidente deposto e seus aliados. Desde janeiro, Zelaya está morando na Costa Rica. Antes ele passou mais de três meses abrigado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, capital de Honduras. Ele é acusado por seus adversários de tentar mudar a Constituição para se manter no poder.
Para Amorim, “Pepe” Lobo está adotando ações concretas em busca da aproximação com a comunidade internacional e também do fortalecimento das instituições internas de Honduras. Segundo Amorim, a deposição de Zelaya, em 28 de junho do ano passado, por uma ação organizada pelas Forças Armadas, Congresso e Corte Suprema hondurenha representa uma indicação de golpe de Estado.
“O Brasil deseja ver um futuro de normalidade em toda a região. Mas países que tiveram o trauma de viver sob o golpe militar, como nós, não podemos tomar essas coisas levemente”, reagiu Amorim. “Nós temos acompanhado com muita atenção os gestos do presidente de Honduras, que tem feito movimentos no sentido de reconciliação nacional, de esquerda, com ou sem aspas”.
O governo brasileiro defendeu que as eleições em Honduras, realizadas em novembro, ocorressem com Zelaya reconduzido ao governo. Mas isso não aconteceu. Paralelamente os Estados Unidos lideraram as negociações entre o presidente golpista, Roberto Micheletti, Zelaya e “Pepe” Lobo.
A orientação do governo do presidente Barack Obama é para que a comunidade internacional colabore para a reintegração de Honduras à OEA e apóie a gestão de Lobo. Diplomatas brasileiros afirmam que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está observando de forma positiva os esforços do novo presidente hondurenho o que deve levar para um futuro apoio.
O pacote de incentivos às exportações deve ser anunciado até o fim de março. A expectativa é do ministro de Desenvolvimento, Miguel Jorge. Ele acredita que pode ser criado ainda este ano um banco específico para o comércio exterior, a exemplo do Eximbank.
Ele informou que o esboço das medidas está pronto, faltando apenas uma reunião específica dele com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para fechar.
Miguel Jorge espera marcar com Mantega antes de seguir viagem, acompanhando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Oriente Médio, na semana que vem.
"A minha expectativa é de que até o fim de março, a gente possa anunciar", disse o ministro, ao sair de reunião com empresários na Fazenda, no Grupo de Acompanhamento do Crescimento (Gac).
Ele explicou que alguns empresários colocaram as medidas de incentivo à exportação como prioridade, durante a reunião. "Essa cobrança também me tem feito o presidente Lula, que prometeu medidas no ano passado em um jantar com mais de 800 pessoas", continuou.
O ministro disse não poder adiantar detalhes das medidas, porque ainda estão no nível das discussões técnicas. Mas garantiu: "Nós não vamos mexer no câmbio".
Entre as medidas, ele destacou que deve ser criado ainda este ano o Eximbank, uma carteira bancária especial voltada para o financiamento ao comércio exterior.
"Será uma diretoria especial" do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), explicou. "Criar um banco novo seria muito burocrático, demoraria muito", disse o ministro.
Ele reiterou que "um Eximbank é uma das coisas que o Brasil tinha que ter há 20 anos, e há três anos em defendo essa proposta dentro do governo".
Entre as medidas, o ministro destacou a desburocratização para reduzir custos das operações de comércio exterior, mais financiamentos e garantias, aumento de missões comerciais e de mercados compradores, além de medidas de ordem tributária como devolução de crédito ao exportador.
"É um projeto para melhorar a capacidade do Brasil exportar", resumiu o ministro do Desenvolvimento.
A energia que em um futuro próximo iluminará nossas casas será limpa, barata e, para a felicidade dos ferrenhos consumidores de luz, permitirá praticamente se desvincular das companhias de energia elétrica.
Pelo menos é isso o que promete a Bloom Energy, uma empresa californiana que há oito anos trabalha de forma secreta em uma nova fonte de energia. Esta semana, ela apresentou seu produto a especialistas do setor e jornalistas.
O Bloom Box, como se chama o aparelho, é um inovador gerador que utiliza biocombustíveis ou gás para produzir eletricidade e, segundo seus criadores, permitirá a empresas e pessoas comuns gerar sua própria energia de forma limpa e econômica.
Ao contrário das células de hidrogênio, este sistema utiliza materiais mais baratos, é mais eficiente --permite produzir o dobro de eletricidade que outros sistemas com a mesma quantidade de combustível --é flexível e também reversível, pois o usuário pode armazenar o que não consome.
Por enquanto, os geradores têm o tamanho de um carro pequeno e custam em torno de US$ 800 mil. Embora a Bloom Energy insista que o investimento inicial pode ser recuperado em entre três e cinco anos, o preço não está ao alcance da maioria.
A empresa acredita que em dez anos poderá fabricar geradores do tamanho de um tijolo e a um preço em torno de US$ 3 mil, transformando cada consumidor em uma potencial central elétrica.
"Nossa missão é pôr energia limpa e confiável ao alcance de todas as pessoas no mundo", disse K.R Sridhar, cofundador e executivo-chefe da Bloom+ Energy, durante a apresentação do Bloom Box.
Por enquanto, só grandes empresas têm acesso ao aparelho e algumas companhias como Coca-Cola e eBay testaram seu uso nos últimos meses.
O primeiro cliente de pagamento da Bloom Energy foi outra companhia do Vale do Silício, Google, que tem instalado um gerador de 400 quilowatts em um de seus prédios e cobre com ele boa parte de seu consumo elétrico desde julho de 2008.
"Estamos muito emocionados com isso", reconheceu Larry Page, cofundador do Google, durante a apresentação do Bloom Box. "Eu gostaria de ver um centro de dados inteiro funcionando com esse sistema", continuou.
A grande vantagem é que o gerador permitirá aos consumidores abrir mão da companhia elétrica ou usá-la só em casos de emergência, apesar de ser necessário dispor de uma provisão de gás ou biocombustível para fazê-lo funcionar.
O usuário poderá inclusive vender a sua companhia elétrica local a energia que não consumir, pois o gerador permite armazenamento.
A Bloom Energy não é a única empresa trabalhando neste promissor setor, mas foi, talvez, a mais rápida.
"Há provavelmente cerca de 100 companhias trabalhando em algo muito similar", disse Jack Brower, diretor associado do Centro Nacional de Pesquisa de Pilhas de Combustível ao diário "Los Angeles Times". "A chave está em que a Bloom Energy tem um sistema integrado e um pacote preparado para sua distribuição comercial", contou.
Os especialistas opinam que, no entanto, ainda há muitas questões por resolver antes de a inovação chegar às mãos de todos os consumidores.
Entre as dúvidas, por exemplo, está a vida útil do aparelho, que a Bloom Energy não esclareceu ainda. Pouca duração poderia significar o fracasso da invenção.
Outros analistas apontaram que a inovação poderia ter um indesejável efeito sobre o preço do gás natural ou dos biocombustíveis, disparando o valor pelo aumento na demanda.
Alguns especialistas temem também que o Bloom Box se transforme em um novo Segway, aquele patinete elétrico de alta tecnologia com o qual seus criadores esperavam revolucionar o mundo do transporte há cerca de dez anos e que hoje é simplesmente uma curiosidade para turistas em algumas cidades. EFE
Fabricados a partir de resíduos agrícolas, os biocombustíveis de segunda geração podem ser uma alternativa ambientalmente viável para o desenvolvimento econômico de países pobres, de acordo com especialistas em energia.
A produção de combustíveis a partir de milho, trigo, colza e azeite de dendê é cara e contribui relativamente pouco para a proteção do clima, além de impulsionar o aumento dos preços dos alimentos, segundo um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgado em 2008.
Mas que alternativas existem? O apetite global por energia vem crescendo, afirma Didier Houssin, diretor de Mercados Energéticos e Segurança da Agência Internacional de Energia (AIE).
"Em nossas projeções, a cota dos biocombustíveis no setor de transportes deverá crescer, indo dos atuais 1,7% para 9% em 2030. Daí a necessidade que há de se garantir o desenvolvimento sustentável da produção de biocombustíveis. Isso é particularmente importante no caso de países em desenvolvimento e emergentes", explica o especialista.
Complemento à produção de alimentos
Esses países produzem grande parte dos resíduos da agricultura e da silvicultura, dos quais podem ser produzidos diesel, etanol ou gás sintético. São os chamados biocombustíveis de segunda geração. A vantagem é que sua produção não concorre com a produção de alimentos, mas a complementa.
Além disso, os dejetos já existem em abundância como matéria-prima, como lembra Anselm Eisentraut, analista para biocombustíveis da AIE. Ele analisou para a OCDE o potencial dos novos biocombustíveis. "No momento, 10% dos resíduos agrícolas e florestais disponíveis seriam suficientes para quase duplicar a produção atual de biocombustíveis, se a tecnologia realmente estivesse disponível comercialmente e em grande escala", afirma.
Perspectiva promissora
Cerca de 125 bilhões de litros de diesel ou 170 bilhões de litros de etanol poderiam ser produzidos por ano a partir de apenas 10% das cascas de noz e de arroz e dos restos de madeira disponíveis no mundo. Mas até agora a técnica só funciona em projetos experimentais.
"Nos Estados Unidos será lançada no próximo ano uma unidade comercial que produzirá cerca de 100 milhões de litros por ano. No Brasil há instalações experimentais, assim como na Índia e na China, de forma que [nesses países] a evolução da tecnologia já está avançada, mas ainda não em escala comercial," diz Eisentraut.
Isso pode levar de 15 a 20 anos, dependendo dos incentivos econômicos que vierem do setor político. Esse tempo, no entanto, também é necessário não somente para se criar a infraestrutura para a produção do biocombustível em países emergentes e em desenvolvimento, como também para estabelecer uma agricultura sustentável.
Integração aos mercados mundiais
Para isso contribuem também as políticas alemãs de ajuda ao desenvolvimento, afirma Mike Enskat, especialista em energia da Agência Alemã de Cooperação Técnica (GTZ, na sigla em alemão).
"O potencial econômico dos biocombustíveis de segunda geração é, naturalmente, também uma oportunidade para se desenvolver melhor o setor agrícola nos países em desenvolvimento, torná-lo mais produtivo e melhor integrado aos mercados mundiais", afirma.
Mas os países em desenvolvimento devem ser envolvidos no processo já na fase inicial, para que sejam evitados os erros feitos no desenvolvimento dos biocombustíveis de primeira geração. "Deve haver padrões internacionais de sustentabilidade para a produção de biomassa e uma certificação dos combustíveis, para assegurar padrões sociais e ambientais", sublinha Enskat.
Ele alerta também que deve ser evitada uma nova concorrência na aquisição de matérias-primas. "Porque, em alguns países, resíduos da agricultura e da silvicultura já são usados como adubo ou no aquecimento. Também não foram completamente esclarecidos possíveis impactos ambientais sobre os nutrientes do solo e sobre os recursos hídricos."
Presidentes sul-americanos se reunirão na terça-feira em uma cúpula do Mercosul na qual se espera que o Uruguai discuta sua deteriorada relação com a Argentina, ao mesmo tempo que o bloco buscará dar novo impulso às negociações de comércio com a União Europeia, que estão paralisadas.
Além dos chefes de Estado dos quatro membros do Mercosul --Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai--, deve viajar a Montevidéu o polêmico presidente Hugo Chávez, da Venezuela, cuja adesão ao bloco vem sendo longamente adiada, informou o Ministério de Relações Exteriores do Uruguai.
Há a previsão de que a presidente da Argentina, Cristina Fernández, se reúna com o presidente eleito do Uruguai, José Mujica, convidado a participar da cúpula, para tratar de um conflito bilateral envolvendo a instalação de uma fábrica de celulose que desencadeou um bloqueio de manifestantes na fronteira entre os dois países.
As relações entre Cristina Fernández e o atual presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, se esfriaram por causa do recurso apresentado pela Argentina na Corte Internacional de Haia em relação à fábrica de celulose, que desde 2007 opera na área de um rio limítrofe.
No entanto, Mujica mantém estreita sintonia com o governo argentino e se espera que ele se esforce para melhorar as relações bilaterais. Mujica é um ex-guerrilheiro que assumirá em março a Presidência do Uruguai, no segundo período consecutivo da esquerda no poder no país.
O presidente eleito disse que meses atrás conversou com autoridades argentinas sobre a possibilidade de formar um grupo de trabalho que analise os assuntos responsáveis por atritos entre os dois países.
A debilitada união aduaneira do Mercosul, prejudicada por causa de conflitos comerciais e políticos, especialmente entre seus sócios maiores, Brasil e Argentina, nasceu na década de 1990 como um projeto para impulsionar o comércio e a internacionalização das economias de seus membros.
Mas o bloco foi perdendo impulso até converter-se, segundo especialistas, em um estorvo para países que buscam diversificar mais o seu comércio, como Brasil e Uruguai
"O Mercosul se debilitou muito. Há países que pensaram em sair, como o Uruguai, outros que não querem entrar, como o Chile, e no caso do que quer entrar, a Venezuela, muitos pensam que é melhor que não esteja lá", disse o ex-vice-ministro da Economia da Argentina Jorge Todesca, titular da consultoria Finsoport.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou, nesta terça-feira, o envio de 30 mil novos soldados para o Afeganistão a partir do início de 2010. O anúncio foi feito durante um discurso à nação na academia militar de West Point, no Estado de Nova York (leste do país).
Além da decisão sobre as tropas adicionais, o presidente afirmou ainda que pretende iniciar a retirada das tropas em julho de 2011 – antes das eleições presidenciais de 2012.“Eu tomo essa decisão porque estou convencido de que nossa segurança está ameaçada no Afeganistão e no Paquistão”, disse o presidente.“Esse é o epicentro do extremismo violento praticado pela al-Qaeda”, afirmou. De acordo com o presidente, as tropas adicionais ajudarão a preparar a retirada e transição para as forças de segurança do Afeganistão.
Com o envio dos soldados, que deve ser realizado ao longo de seis meses, os EUA terão mais de 100 mil homens lutando contra os militantes do Talebã em território afegão.
Transição
Obama disse que usará o Iraque como modelo para a retirada das tropas do Afeganistão.
“Assim como fizemos no Iraque, nós executaremos a transição de maneira responsável, levando em consideração as condições locais”, disse.
Segundo o presidente, os EUA continuarão aconselhando e auxiliando as forças de segurança afegãs “para garantir que o sucesso delas a longo prazo”.
“Mas seremos claros com o governo afegão – e, mais importante, com o povo afegão – que, no final das contas, eles serão responsáveis pelo próprio país”, afirmou o presidente durante o discurso.
Obama afirmou que já apresentou a nova estratégia para o Afeganistão com o presidente afegão, Hamid Karzai, durante uma longa vídeo-conferência.
Segundo a Casa Branca, o presidente disse a Karzai que os esforços dos EUA no Afeganistão “terão limite” e serão medidos com base em objetivos ao longo de dois anos.
Nova estratégia
A nova estratégia militar americana para o Afeganistão é anunciada depois de mais de três meses de discussões.
O anúncio ocorre em meio a uma crescente preocupação nos Estados Unidos em relação ao conflito, que já dura oito anos.
O aumento da violência no Afeganistão - onde mais de 900 soldados americanos já morreram - e o polêmico processo eleitoral de agosto, com denúncias de fraude, aumentaram a oposição dentro dos Estados Unidos ao conflito. O comandante militar americano no Afeganistão, general Stanley McChrystal, havia pedido no início do ano que os Estados Unidos enviassem mais 40 mil soldados ao país asiático.
Além do envio de mais 30 mil soldados anunciado nesta terça-feira, o presidente americano pediu que os países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) enviem mais 10 mil soldados ao Afeganistão.
A França já recusou o pedido, e a Alemanha adiou a decisão. Na Grã-Bretanha, o primeiro-ministro, Gordon Brown anunciou, na segunda-feira, o envio de mais 500 soldados.
Segundo o correspondente da BBC em Cabul, Martin Patience, críticos da presença militar americana afirmam que cada vez que os Estados Unidos enviam mais tropas a segurança do Afeganistão piora, e questionam por que os americanos estão gastando bilhões de dólares em gastos militares e não na reconstrução do país.
O anúncio da nova estratégia dos EUA foi bem recebido pelo secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen. Ele disse que os aliados dos Estados Unidos têm dividido o peso do conflito até agora e afirmou estar confiante de que 5 mil tropas adicionais podem ser encontradas.
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, ofereceu apoio total à nova estratégia apresentada por Obama, classificando a decisão como "corajosa".
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira que a ONU (Organizações das Nações Unidas) deve reformar e ampliar o seu Conselho de Segurança se quiser ter representatividade. Segundo o presidente, "não tem como explicar" o fato de países como Japão, Alemanha e Índia estarem fora do conselho.
"Se a ONU quiser voltar a ter representatividade, tomar decisões, e essas decisões serem executadas, ela tem que ser reformada e colocar outros países", afirmou o presidente, em entrevista coletiva em Floresta (PE), após visitar o canteiro de obras de transposição do rio São Francisco.
Lula disse que há 15 anos o Brasil reivindica uma reforma no Conselho de Segurança. "Nós estamos convencidos que a ONU está superada. A ONU de 1948 não representa a correlação de força existente no mundo hoje, nem geograficamente, nem politicamente, nem economicamente. É preciso que se leve em conta a participação dos países de vários continentes", disse.
Hoje, o Brasil foi eleito pela Assembleia Geral da ONU para uma das dez vagas rotativas do Conselho de Segurança. O mandato durará dois anos: 2010 e 2011. Após receber 182 votos de um total de 183 países votantes, o Brasil ocupará pela décima vez um assento eletivo no Conselho. Outros quatro países foram também eleitos para o mesmo mandato (2010-2011): a Bósnia e Herzegovina, o Gabão, o Líbano e a Nigéria.
Na avaliação do presidente, a participação de outros países no conselho daria mais força à ONU para negociar, por exemplo, a questão do Oriente Médio.
"Quem deveria estar negociando a paz entre judeus e palestinos era a ONU. E por que ela não faz isso? Porque ela não tem força. Então, o que nós queremos é que a ONU tenha muita força", disse.
Lula disse ainda que, se os países que "mandam" no conselho não aceitarem a mudança, eles serão responsabilizados pela "fragilidade" da ONU.
"Esse negócio do Conselho de Segurança é como uma fruta madura. Ou seja, ela já está passando do ponto de colher, daqui a pouco ela cai. E se os dirigentes da ONU, sobretudo dos países que hoje mandam no Conselho de Segurança permanente, não aceitarem a reforma, eles serão responsabilizados pela fragilidade da ONU", afirmou.”
Líderes reunidos em Estocolmo destacam importância de governos assumirem responsabilidades e levarem providências concretas à cúpula sobre o clima de dezembro em Copenhague. Honduras também constou de pauta do encontro.
A proteção climática, eficiência energética e a crise em Honduras foram alguns dos principais problemas discutidos na terceira cúpula entre o Brasil e União Europeia, realizada nesta terça-feira (06/10) na sede do governo da Suécia, em Estocolmo.
O encontro foi presidido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o primeiro-ministro da Suécia, Fredrik Reinfeldt, na função de atual presidente do Conselho da União Européia, e o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso. As negociações para um ambicioso acordo contra o aquecimento do planeta, e contra a crise econômica mundial e o reforço das relações bilaterais estiveram no centro do encontro.
Em coletiva após a reunião, os líderes destacaram a importância de os governos do mundo assumirem suas responsabilidades e levarem providências concretas à cúpula sobre o clima, agendada para dezembro próximo em Copenhague. Brasil e UE se comprometeram a contribuir para melhoria do clima, assumindo "metas claras e ambiciosas a médio prazo", conforme texto final do encontro, assinado pelos parceiros, além de "compromissos juridicamente vinculantes para os países desenvolvidos".
Responsabilidades e metas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu aos países participantes da reunião na Dinamarca que levem medidas concretas e assumam suas responsabilidades. "Cada governo tem que assumir custos para evitar que o planeta seja atingido", disse. "Cada um tem que dizer, 'sou responsável por tanto de efeito-estufa e por tanto de seqüestro de carbono'. Essa é a única chance. Porque se ficarmos sempre cada um jogando culpa no outro, não chegamos a uma conclusão".
A União Européia tem como objetivo limitar o aquecimento global a menos de 2ºC acima da temperatura pré-industrial. O acordo de Copenhague deve não apenas fixar metas mundiais para a redução das emissões, como também fornecer uma base adequada para verificar a capacidade de adaptação de cada país às alterações climáticas.
Em declaração conjunta firmada na cúpula, Brasil e União Européia convocam os países desenvolvidos e em desenvolvimento a apresentarem antes da reunião de Copenhague e "o mais rápido possível, metas ambiciosas de redução de emissões, ações e estratégicas" para redução do efeito-estufa. Os dois parceiros concordam que a construção de uma economia de baixa emissão de carbono é uma prioridade, "respeitando o desenvolvimento econômico e social dos países em desenvolvimento".
Pesos e medidas diversos
"É preciso levar em conta que um país como a China não pode pagar como Inglaterra, que começou sua industrialização 200 anos atrás", observou Lula. A União Européia concorda que deve haver prazos mais amplos para países em desenvolvimento. "Todos têm que fazer esforço para que os objetivos sejam atingidos e para que os países menos ricos, com mais necessidades, sejam ajudados", afirmou o primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt.
A promoção e o uso de energias renováveis e o esforço para buscar eficiência energética são vistos por ambos os lados como contribuição importante para cumprir as necessidades do desenvolvimento sustentável. Brasil e União Européia reafirmaram o compromisso político no desenvolvimento e utilização de fontes de energias limpas, alternativas para combustível fóssil, incluindo a produção de biocombustíveis e se comprometeram a estreitar a cooperação nesse campo.
"Gostaria que todos os países fizessem a matriz energética tão limpa quanto Brasil tem", comentou o presidente brasileiro. "Temos, em geral, 47% de produção em energia limpa, enquanto o resto do mundo, 12%. Temos 85% da matriz de energia renovável. Nossos carros são no mínimo 25% movidos a etanol e 85% dos carros produzidos no Brasil são flex", enumerou. "Gostaria de trazer um carro em etanol para a Suécia para ficar medindo a emissão e comparar com os automóveis daqui", brincou.
Honduras e o Brasil
A crise política em Honduras também esteve na pauta do encontro. Brasil e União Européia condenaram conjuntamente a violação da ordem constitucional no país e exigiram a garantia da inviolabilidade da Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, além do respeito à integridade física do presidente Manuel Zelaya. No texto da declaração final, Brasil e UE "reiteram apoio aos esforços regionais de mediação facilitados pela OEA e pelo presidente de Costa Rica, Oscar Arias".
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva insistiu que o líder do atual governo hondurenho, Roberto Micheletti, deve permitir a restituição do presidente deposto Manuel Zelaya. "Para nós, a solução em Honduras é fácil: se aqueles que participaram do golpe de Estado deixarem o poder e permitirem a volta do presidente Zelaya", disse. "Mas enquanto tiver um golpista, não temos o que fazer a não ser exigir que ele saia, para que Honduras tenha um presidente legitimamente eleito", completou.
Acusados de bloquear a Rodada Doha com demandas exageradas, os Estados Unidos convidaram o Brasil para uma reunião bilateral em Paris, que começou ontem e prossegue hoje.
Os americanos voltaram, porém, com idênticas queixas de que não veem transparência no acordo já delineado na Organização Mundial do Comércio (OMC) e que assim não daria para Washington identificar ganho para seus exportadores de produtos industriais e agrícolas.
Os americanos insistem na importância de um "resultado ambicioso" na negociação global, para a Casa Branca poder engajar o setor privado na aprovação do pacote final. Ambicioso, na visão americana, significa, por exemplo, que o Brasil, China e Índia aceitem acelerar a liberalização de setores como químicos e equipamentos industriais, o que recusam.
As indicações são de que a delegação brasileira reiterou a dificuldade de "descosturar" o pacote agrícola e industrial para atender a mais demandas americanas, ainda mais sem ver, por sua vez, como os EUA pagarão por isso.
A reunião organizada por iniciativa americana ocorre depois da cúpula do G-20 em Pittsburgh (EUA), durante a qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi portador de uma clara mensagem de 88 países em desenvolvimento: um acordo em Doha deve ser fechado com base nos cortes de tarifas e subsídios agrícolas e industriais que já foram negociados.
O presidente dos EUA, Barack Obama, se engajou a trabalhar pela conclusão de Doha no ano que vem, mas quer arrancar concessões demais dos emergentes, onde estão os mercados mais promissores.
Para o Brasil, só havia duas opções sobre o encontro de Paris: recusar a reunião e dar espaço para os americanos alegarem que o país não queria conversar ou sentar mais uma vez à mesa de negociação ouvindo e desafiando os mesmos argumentos.
Enquanto isso, o Brasil prepara uma reunião de ministros do G-20 agrícola, do qual é o líder, para o final de novembro em Genebra. Vai anteceder a conferência ministerial da OMC.
O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, convocou nesta terça-feira uma mesa de diálogo sobre a crise política do país que se instalará amanhã na presença da missão de chanceleres de países-membros da OEA (Organização dos Estados Americanos).
"Meu governo convoca uma mesa de diálogo para abordar com novo espírito os temas que de alguma maneira já foram objeto de consideração em documentos de trabalho no diálogo de San José", expressou Micheletti em mensagem transmitido em uma conexão nacional de rádio e televisão.
Histórico
Zelaya voltou a Honduras no último dia 21, quase três meses depois de ser expulso. Nas primeiras horas do dia 28 de junho, dia em que pretendia realizar uma consulta popular sobre mudanças constitucionais que havia sido considerada ilegal pela Justiça, ele foi detido por militares, com apoio da Suprema Corte e do Congresso, sob a alegação de que visava a infringir a Constituição ao tentar passar por cima da cláusula pétrea que impede reeleições no país.
O presidente deposto, cujo mandato termina no início do próximo ano, nega que pretendesse continuar no poder e se apóia na rejeição internacional ao que é amplamente considerado um golpe de Estado --e no auxílio financeiro, político e logístico do presidente venezuelano -- para desafiar a autoridade do presidente interino e retomar o poder.
Isolado internacionalmente, o presidente interino resistiu à pressão externa para que Zelaya fosse restituído e governou um país aparentemente dividido em relação à destituição, mas com uma elite política e militar --além da cúpula da Igreja Católica-- unida até esta semana em torno da interpretação de que houve uma sucessão legítima de poder e de que a Presidência será passada de Micheletti apenas ao presidente eleito em novembro. As eleições estavam marcadas antes da deposição, e nem o presidente interino nem o deposto são candidatos.
Mas o retorno de Zelaya aumentou a pressão internacional sobre o governo interino, alimentou uma onda de protestos e fez da crise hondurenha um dos temas da Assembléia Geral da ONU, reunida em Nova York neste mês. A ONU suspendeu um acordo de cooperação com o tribunal eleitoral hondurenho e a OEA planeja a viagem de uma delegação diplomática a Honduras para tentar negociar uma saída para o impasse.
Além disso, a coesão da elite hondurenha começou a apresentar sinais de desgaste desde a semana passada, e os protestos em favor do governo interino, comuns no início da crise, passaram a ser superados de longe, em número e volume, pelas manifestações pró-Zelaya, que desafiaram os toques de recolher e o estado de exceção.
Pelo menos três pessoas morreram em manifestações de simpatizantes de Zelaya reprimidas pelas forças de segurança, mas o grupo pró-Zelaya diz que até dez pessoas podem ter morrido.
Um referendo na Irlanda aprovou neste sábado o Tratado de Lisboa – que cria um cargo equivalente ao presidente da União Europeia e facilita a tomada de decisões no bloco de 27 países.
Essa foi a segunda vez que os eleitores irlandeses foram às urnas para votar sobre o assunto. Na primeira, no ano passado, disseram não à reforma na UE.
O resultado oficial da votação foi anunciado pelo primeiro-ministro irlandês, Brian Cowen, que afirmou que os eleitores responderam com uma voz "clara e ressonante".
O Tratado de Lisboa deveria ter entrado em vigor em janeiro deste ano, mas até hoje não foi aprovado por todos os países do bloco.
Voto de confiança
Entre as mudanças previstas no documento estão a possibilidade de aprovar mais decisões por maioria, diminuindo a atual necessidade de unanimidade, além da criação dos cargos de presidente do Conselho Europeu e de alto representante para Assuntos de Exterior.
O ministro do Exterior da Suécia, Carl Bildt, que atualmente ocupa a Presidência rotativa da UE, afirmou que a vitória é "importante para a Irlanda e para toda a Europa".
Já o presidente da Comissão Europeia, o português José Manuel Barroso, elogiou o "voto de confiança" dos irlandeses na UE e disse que ele manifesta "um desejo de ser um integrante sincero" do bloco.
Analistas dizem que a opinião dos irlandeses mudou neste ano por causa da gravidade da crise econômica, bem como por causa das "garantias legais" dadas sobre a soberania do país após a derrota no ano passado.
Essas garantias, determinam que a UE não pode influir sobre áreas cruciais da soberania irlandesa, como política fiscal, neutralidade militar e assuntos domésticos como aborto.
A crise política em Honduras que levou à detenção e ao exílio do presidente Manuel Zelaya, no fim de junho, teve origem num enfrentamento do mandatário com os outros poderes estabelecidos do país: o Congresso, o Exército e o Judiciário.
A BBC preparou uma série de perguntas e respostas que ajudam a explicar como se produziu a crise.
- Qual a origem da crise?
O presidente Manuel Zelaya queria que as eleições gerais de 29 de novembro - quando seriam eleitos o presidente, congressistas e lideranças municipais - tivesse mais uma consulta, sobre a possibilidade de se mudar a Constituição do país.
Segundo sua proposta, os eleitores decidiriam nessa consulta se desejavam que se convocasse uma Assembléia Constituinte para reformar a Carta Magna.
Os críticos de Zelaya afirmam que sua intenção era mudar o marco jurídico do país para poder se reeleger, o que é vetado pela atual Constituição.
- O que se planejava para o domingo da deposição de Zelaya?
Seria uma consulta sobre a consulta.
Os eleitores teriam que responder sim ou não à seguinte pergunta: "Está de acordo com que nas eleições gerais de novembro de 2009 se instale uma quarta urna para decidir sobre a convocação de uma Assembléia Constituinte que aprove uma nova Constituição política?".
- O que decidiu o Congresso sobre a consulta?
O Congresso hondurenho aprovou uma nova lei que regulamenta os referendos e os plebiscitos e invalidava juridicamente a consulta. A nova legislação impedia a realização de consultas 180 dias antes e depois das eleições gerais.
O então presidente do Congresso, Roberto Micheletti, que era do mesmo partido que Zelaya, o Partido Liberal, afirmou que a consulta não teria validade jurídica e que pela atual Constituição ela seria considerada um delito.
A proposta de Zelaya era rechaçada por Micheletti, que afirmava que o presidente pretendia se perpetuar no poder.
- Zelaya pretendia se lançar candidato à reeleição?
O mandato de Zelaya terminaria em janeiro de 2010, e a atual Constituição veta a reeleição do presidente.
Zelaya, que foi eleito em 2005, negou que pretendesse continuar no poder além dos quatro anos para os quais foi eleito. Segundo ele, uma eventual mudança constitucional seria válida apenas para seus sucessores.
- Qual a posição do Exército?
Zelaya havia destituído o chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas, o general Romeo Vázquez, que havia se negado a apoiar a logística para a consulta de junho, declarada ilegal pelo Congresso.
Após a demissão de Vázquez, o ministro da Defesa, Ángel Edmundo Orellana, e outros comandantes militares também renunciaram.Porém a remoção de Vázquez ordenada por Zelaya foi revertida pela Suprema Corte de Justiça, que aceitou dois recursos contra a decisão do presidente.
O Exército mobilizou na sexta-feira anterior à consulta efetivos para prevenir possíveis distúrbios por parte de organizações populares e indígenas, que apoiam Zelaya.
O Brasil deverá apresentar números específicos de redução de emissões de gases poluentes durante a conferência do clima de Copenhague, em dezembro, confirmou ontem o Itamaraty. Serão "ações quantificadas", afirmou Sérgio Serra, embaixador extraordinário para a mudança do clima, durante reunião informal da Convenção do Clima das Nações Unidas que acontece em Bonn, Alemanha, até sexta-feira.
Ainda se discute como esse número será calculado. Mas, apresentando objetivos quantificados no âmbito da convenção o país poderá ser cobrado internacionalmente sobre as suas ações no combate ao aquecimento global e ao desmatamento na Amazônia.
A proposta representa uma mudança de posição do Brasil em relação à adoção de metas de redução pelas nações pobres. "Mas o número também servirá para colocar uma exigência maior aos países desenvolvidos, já que a meta tem potencial para ser maior que a soma de reduções de vários deles", disse Luiz Alberto Figueiredo Machado, negociador-chefe de clima do Brasil.
"Só espero que não seja um discurso vazio", disse João Talocchi, coordenador da campanha de clima do Greenpeace. "Não adianta nada chegar aqui com um plano bonito ao mesmo tempo em que se constroem estradas como a BR-319 na Amazônia, por exemplo."
Sobre as críticas que vêm sendo feitas ao país por não querer a inclusão, no mercado de carbono, do Redd (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal), os diplomatas brasileiros em Bonn disseram que o financiamento para evitar o desmatamento viria de várias fontes --até do mercado de carbono.
Para Figueiredo, a rodada de discussões em Bonn evidenciou que falta avançar nas discussões do financiamento de ações de combate ao aquecimento global. "Hoje, não se diria que haverá um resultado ambicioso", disse Serra. O Secretariado da Convenção do Clima da ONU pede US$ 250 bilhões dos ricos para os países mais pobres. Mas os ricos querem financiar grande parte dessa quantia com dinheiro conseguido no mercado de capitais.
Há 44 dias longe do cargo, o presidente deposto de Honduras, José Manuel Zelaya, chegou esta noite ao Brasil pedindo que os governos norte-americano e de países da América Latina adotem medidas mais enérgicas contra o grupo que assumiu o poder depois de ter liderado um golpe de Estado.
Afirmando que sua detenção por militares, em 28 de junho, e posterior deposição do cargo é “um delito que afeta a todo o Continente Americano”, Zelaya pede sobretudo aos Estados Unidos - com que Honduras mantém cerca de “70% de suas atividades econômicas, culturais, militares e políticas” - que demonstrem seu repúdio ao governo de Roberto Micheletti de forma mais dura.
“Reconhecemos o esforço norte-americano, mas cremos que as ações foram demasiadamente tíbias, não sendo suficientes. Consideramos que o presidente [Barack] Obama pode tomar medidas mais enérgicas nos aspectos econômicos, comerciais, migratórios e mesmo em relação a diversos tratados econômicos que têm com Honduras”, afirmou Zelaya.
Ele veio ao Brasil a convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que o receberá na tarde de amanhã (12), em Brasília. Diplomaticamente, o gesto do governo brasileiro demonstra o reconhecimento de Zelaya como o legítimo mandatário hondurenho. Ele foi recebido, em Brasília com cerimonial reservado aos chefes de governo.
“Meu encontro com o presidente Lula e com o [ministro das Relações Exteriores] chanceler Celso Amorim é precisamente para tratarmos de uma estratégia para que as medidas contra o regime golpista sejam mais enérgicas, tanto as medidas norte-americanas quanto as latino-americanas”, disse, logo após pousar na Base Aérea de Brasília, a bordo de um jato Falcon 50, de registro venezuelano.
Zelaya também agradeceu à “firmeza com que Lula e Amorim, além de movimentos sociais e setores da imprensa brasileira, condenaram o golpe de Estado em Honduras”, um delito que, para ele, deve ser considerado um crime contra a humanidade.
“O povo hondurenho completa hoje mais de 40 dias de resistência cívica pacífica. Ele foi duramente reprimido, há uma dúzia de assassinatos, mais de mil presos políticos em todo o país. Há tortura e a liberdade de imprensa foi suprimida. O povo sofreu primeiro com o golpe de Estado e agora com a instalação de uma ditadura”, comentou o hondurenho. “Não há, no âmbito internacional, legislação específica sobre golpes de Estado e o Brasil é um dos países dispostos a lutar pela tipificação de golpes de Estado como um delito de lesa-humanidade”, disse.
Os países que formam a Unasul (União das Nações Sul-Americanas) se reúnem nesta segunda-feira, em Quito, em um momento delicado para a região, com troca de acusações, desconfianças e uma crise diplomática.
Mesmo com uma agenda repleta de assuntos mal resolvidos, a reunião desta segunda-feira será “apenas protocolar”, segundo um diplomata. As discussões mais significativas devem ficar para depois.
Havia a expectativa de que os líderes presentes fizessem algum pronunciamento quanto à instalação de bases militares americanas em terreno colombiano. O governo brasileiro, no entanto, já descartou essa possibilidade.
O acordo militar resultou não apenas no congelamento das relações diplomáticas entre Venezuela e Colômbia, como também despertou a desconfiança em outros países, entre eles o Brasil, sobre os verdadeiros motivos da operação.
A lista de problemas da região inclui ainda uma acusação contra o presidente do Equador, Rafael Correa, que teria recebido ajuda financeira das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) durante sua campanha presidencial.
Enquanto isso, a Colômbia diz ter apreendido uma série de armamentos com as Farc que pertenciam originalmente ao governo venezuelano. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, diz que os equipamentos foram roubados e acusa os Estados Unidos de estarem “estimulando” uma guerra entre Venezuela e Colômbia.
A Unasul foi criada em maio de 2008 como um bloco político voltado, principalmente, para a contribuição da estabilidade política da região.
‘Sem sustos’
A estratégia do Itamaraty é passar pela cúpula de Quito “sem grandes sustos”, segundo um diplomata. Com isso, ganha-se mais tempo para lidar com as questões mais delicadas que pairam sobre a região.
Durante o encontro desta segunda-feira, os presidentes devem formalizar a criação de quatro novos conselhos no âmbito da UNASUL, nas áreas de educação, infraestrutura, desenvolvimento e combate ao narcotráfico.
A avaliação do governo brasileiro é de que a consolidação da UNASUL como um grupo coeso e de peso político passa, principalmente, pela atuação dos conselhos.
A cúpula de Quito marca, ainda, a transferência da presidência temporária da UNASUL do Chile para o Equador.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta quinta-feira, durante encontro com a presidente chilena Michelle Bachelet em São Paulo, que não vê com bons olhos a ideia da instalação de bases militares americanas na Colômbia.
“A mim não agrada outra base militar na Colômbia”, disse Lula, ressaltando que esta seria sua opinião pessoal e que o assunto deve ser tratado de forma cuidadosa com a Colômbia, seus países vizinhos e os Estados Unidos.
“Não queremos criar conflito nem com o (presidente colombiano Álvaro) Uribe nem com os Estados Unidos”, disse Lula.
Bachelet disse concordar com as opiniões do líder brasileiro e que o assunto deve ser amplamente discutido no próximo dia 10 na capital do Equador, Quito, quando será realizada a reunião de cúpula da União Sul-Americana de Nações (Unasul).
Tensão
O recente anúncio feito pelo governo colombiano sobre um possível acordo com os Estados Unidos sobre o uso, pelo Exército americano, de três bases militares na Colômbia vem gerando tensão entre o país e a Venezuela.
A parceria entre colombianos e americanos é apontada, inclusive, como um dos motivos que levaram a Venezuela a congelar suas relações diplomáticas com a Colômbia, na terça-feira.
O acordo prevê a entrega das instalações de pelo menos três bases aéreas na Colômbia ao Exército dos Estados Unidos, o que facilitaria as operações contra o terrorismo e a produção de drogas.
Segundo Lula, outro assunto a ser tratado em Quito será a presença da 4ª frota da Marinha americana na região onde se descobriu o petróleo do pré-sal, na costa brasileira.
“Já tínhamos falado com o Bush e vamos ter que conversar com o Obama. A 4ª frota está quase em cima do pré-sal”, disse ele.
No encontro realizado na sede da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Lula reforçou seu apoio à reeleição do chileno José Miguel Insulza para a posição de secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA).
Por sua vez, Bachelet afirmou que o Chile apoia a candidatura brasileira para um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.
Ambos os líderes repudiaram o que Lula chamou de “golpe de Estado em Honduras” e pediram pela volta do presidente deposto do país centro-americano, Manuel Zelaya.
"Vergüenza"
Lula e Bachelet também estiveram presentes em um encontro reunindo empresários dos dois países.
Na ocasião, foram assinados diversos acordos de cooperação nas áreas de infraestrutura, bens e serviços, entre outros.
O presidente brasileiro disse ser “uma vergüenza” (vergonha, em espanhol) o fato de que os investimentos brasileiros no Chile serem quatro vezes menores do que os chilenos no Brasil.
“É uma ‘vergüenza’ que o Chile, com apenas 20 milhões de habitante e PIB consequentemente menor que o brasileiro, invista quatro dólares para cada um que o Brasil investe lá”, disse ele.
Lula pediu para que o empresariado brasileiro invista mais em mercados emergentes, como o chileno, como forma de diversificar sua carteira internacional e se prevenir contra crises globais.
Ao desembarcar em Paris, ainda na base aérea francesa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um breve comentário sobre a reunião do G8 (grupo dos sete países mais ricos do mundo e a Rússia), que será realizada em L'Aquila, na Itália, a partir de quarta-feira. Segundo ele, o grupo não tem mais legitimidade para tratar de questões econômicas e financeiras.
Perguntado se ele iria participar da reunião mesmo depois de o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, ter sentenciado que o "G8 morreu", há duas semanas, Lula afirmou que vai continuar participando das reuniões. Porém, ele disse estar convencido que, hoje, "o melhor espaço para discussão do sistema financeiro mundial é o G20", que reúne os 20 países industrializados do mundo, incluindo aqueles em desenvolvimento.
'O G8, se eles quiserem que continue, que continue. Mas para discutir as questões econômicas e financeiras do mundo, eu acho que o G20 é o fórum ideal", disse.
Apesar de não integrarem o G8, líderes do Brasil, da China, da Índia, da África do Sul, do México e do Egito foram convidados para a reunião na Itália.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, vão começar a discutir com seus pares nos outros três países que compõem o grupo BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), a ideia de substituir o dólar nas trocas comerciais bilaterais.
"O que nós decidimos é que um conjunto de especialistas junto com os presidentes dos Bancos Centrais e ministros da Economia vão começar a discutir isso para nos apresentar sugestões", disse Lula um dia após a primeira cúpula dos BRICs.
"Esse é um passo extremamente importante", disse, acrescentando que essa é uma discussão "que leva anos".
A ideia é tentar reproduzir o que começou a ser feito com a Argentina. O comércio em moeda local entre os dois parceiros do Mercosul representa apenas cerca de 5% do volume total, mas "é um bom começo", nas palavras do presidente.
A declaração final da cúpula dos BRICs, na terça-feira, em Ecaterimburgo, na Rússia, não faz referência explícita a nenhuma das iniciativas relacionadas à busca de alternativas ao dólar como moeda de reserva ou usada em trocas comerciais bilaterais. Destaca apenas a necessidade de um sistema monetário internacional estável, previsível e diversificado.
Às vésperas da reunião, referências do presidente russo e do presidente do Banco Central chinês a essa possibilidade causaram grande repercussão. A China é o pais que mais tem reservas em dólar e qualquer indicação de um possível movimento na denominação dessas reservas é suficiente para gerar apreensão entre investidores.
"Tem países que estão propondo a criação de uma moeda nova, tem países que estão propondo uma cesta de moedas. No caso do Brasil, nós temos uma experiência prática", disse Lula, referindo-se aos temas mencionados na reunião.
"Vamos ver se há entendimento para a gente começar a fazer a experiência de trocas nas moedas de cada país sem precisar comprar dólar para fazer nosso fluxo comercial", acrescentou.
Reformas
Lula voltou a falar sobre iniciativa conjunta dos países emergentes dos BRICs em reformar as instituições internacionais, como o FMI, o Banco Mundial e Organização das Nações Unidas.
"Todo mundo sabe que o FMI foi criado para resolver problemas do mundo em desenvolvimento. E hoje a crise está no mundo desenvolvido. Parece que o FMI e o Banco Mundial não têm as soluções que tinham quando a crise era mexicana, brasileira, russa", alfinetou.
"Queremos fortalecer essas instituições, mas, ao mesmo tempo, democratizá-las", concluiu. Segundo Lula, o pior que pode acontecer é a atual crise passar sem que as reformas que ele diz considerar necessárias para evitar uma próxima tenham sido adotadas.
"O que pode acontecer de pior no mundo é essa crise terminar sem que a gente tenha feito as mudanças para que não haja mais crise. Certamente, tem país que quer que tudo fique como está. Mas isso não pode, o sistema financeiro não pode ficar por conta da especulação no mercado futuro, aumentando preço de petróleo, preço de commodity. Isso não é possível. O sistema financeiro precisa financiar a produção", concluiu antes de partir para o Brasil.
O presidente classificou ainda o resultado da reunião dos BRICs de extraordinário. "Eu saio muito otimista dessa reunião", disse Lula.
O progresso nos temas destacados pelos quatro líderes poderão ser avaliados em uma segunda cúpula, prevista para ocorrer no Brasil em 2010.
Os efeitos da mudança climática já estão sendo sentidos nos Estados Unidos e este fenômeno pode ser irreversível, advertiu nesta terça-feira o governo do presidente Barack Obama, ao divulgar um relatório sobre o tema.
O aquecimento climático se traduz por uma elevação das temperaturas e do nível dos oceanos e pelo derretimento de geleiras e neves hibernais, destaca o documento elaborado pelo Programa de Pesquisa americano sobre o Aquecimento Climático, redigido por várias secretarias e a Casa Branca.
Se não houver modificação no consumo de energia, o aumento das temperaturas vai provocar ondas de calor mais frequentes, advertem os autores do estudo.
Os furacões, que se abatem regularmente sobre o sudeste, vão se tornar ainda mais devastadores na medida em que se reforçam, ao passar por oceanos com águas mais quentes.
As regiões que já constataram um aumento das precipitações vão, provavelmente, sofrer com mais chuva e neve no futuro, enquanto que as mais áridas, como as do sudoeste, deverão conhecer períodos de seca com mais frequência.
O aquecimento terá um impacto sobre a agricultura no Meio Oeste americano, considerado o "celeiro" do país. Vai também fazer aumentar a demanda por energia, através da utilização mais frequente dos sistemas de climatização, segundo o relatório.
"A mudança climática já está presente em seu quintal", resumiu Jerry Melillo, um dos autores do relatório, intitulado "Global Climate Change Impacts in the United States" ("Impactos da Mudança Climática Global nos EUA", em inglês).
Mesmo se forem tomadas rapidamente medidas de redução das emissões dos gases de efeito estufa, os estudiosos do aquecimento climático dizem que seu impacto já é irreversível. "Se diminuirmos as emissões, a mudança climática e suas consequências continuarão em parte a se fazer sentir, uma vez que esses gases já estão presentes na atmosfera", aponta o estudo.
Desde sua chegada à Casa Branca no dia 20 de janeiro, Barack Obama reorientou totalmente a política dos Estados Unidos em relação à mudança climática. O antecessor George W. Bush, que contestava a própria existência do fenômeno, havia se recusado a ratificar o protocolo de Kyoto sobre a redução de emissões poluentes.
Um projeto sobre o assunto está em tramitação no Congresso americano, após ser aprovado por uma comissão, em 22 de maio. Deverá ainda ir à votação em plenário; volta-se para reduzir as emissões até 2020 num percentual de 17% em relação ao nível de 2005.
O governo americano deseja a aprovação deste projeto de lei antes do final de julho, alguns meses antes da conferência internacional de Copenhague, em dezembro, na qual deverá ser estabelecido um novo acordo que substituirá o de Kyoto.
Mas o setor de petróleo americano não se desarma: o presidente do grupo ConocoPhillips advertiu nesta terça-feira que os esforços do governo americano para lutar contra o aquecimento climático poderiam dar lugar a uma crise no setor ainda mais grave que a do passado.
JERUSALÉM (Reuters) - Os Estados Unidos querem que Israel imponha uma moratória sobre os novos contratos de construção nos assentamentos judeus na Cisjordânia, mas também estudam permitir a continuidade de alguns projetos em andamento, disseram autoridades ocidentais e israelenses nesta quarta-feira.
O pedido público do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para que Israel interrompa a colonização na Cisjordânia ocupada abriu um atípico racha entre os dois aliados.
Mas ambos os lados dizem que querem trabalhar para resolver suas divergências.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, se encontrará com o enviado de Obama para o Oriente Médio, George Mitchell, na semana que vem na Europa. A ideia é tentar alcançar um acordo, disseram membros do governo de Israel.
"Essa é nossa meta, mas ainda não estamos lá", disse um experiente funcionário israelense.
Mitchell afirmou que um elemento-chave será tentar determinar exatamente o que Israel quer dizer com o "crescimento natural" dos assentamentos que Netanyahu diz que irá defender. Netanyahu afirma querer que as famílias em crescimento sejam capazes de acomodar seus filhos em cidades construídas por Israel em território ocupado.
Ainda que os Estados Unidos se mantenham convictos quanto à proibição de novos contratos como parte de um congelamento geral das colônias, autoridades de governos do Ocidente e de Israel afirmam que o governo Obama avalia em quais casos a continuação das obras será permitida.
As fontes, falando em condição de anonimato, disseram que as permissões poderiam ser concedidas se, por exemplo, um projeto esteja próximo da conclusão, ou para casos em que tenha havido um investimento que não possa ser reembolsado.
"Há espaço para alguma flexibilização quando se define o que é aceitável em termos de um congelamento das colônias. Onde nós vamos desenhar a linha?", disse uma fonte sobre o diálogo dentro do governo Obama.
Após um encontro em Washington, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, e o ministro do Exterior de Israel, Avigdor Lieberman, mantiveram suas respectivas posições. Hillary pediu a interrupção dos assentamentos, e Lieberman disse que Israel não pode aceitar um congelamento das obras.
Mas Hillary Clinton falou que as discussões estão apenas começando: "Há uma série de preocupações críticas, muitas das quais se sobrepõem quanto ao impacto e à significância, que serão exploradas nas próximas semanas em meio ao engajamento mais profundo do senador Mitchell dentro de detalhes sobre até onde os israelenses e os palestinos pretendem ir juntos".
Mitchell viaja para Paris em 25 de junho e se encontrará com Netanyahu, disse um porta-voz do Departamento de Estado.
Japão, Espanha e República Tcheca oferecem incentivos para que estrangeiros deixem o país. Remessas externas de brasileiros e de mexicanos têm queda recorde. Mas especialistas asseguram: fenômeno da migração continuará.
Com um final para a crise econômica ainda distante, os governos de muitos países ricos estão aumentando a pressão para que os imigrantes retornem aos seus países de origem. Um exemplo é o Japão, onde o percentual de estrangeiros na população já é pequeno. O governo japonês está oferecendo dinheiro para que descendentes de japoneses vindos de países latino-americanos – como o Brasil – deixem o país asiático.
Na União Europeia (UE), a Espanha e a República Tcheca também oferecem vantagens materiais para que imigrantes de países de fora do bloco voltem para casa. Enquanto o modelo japonês proíbe o retorno dos que decidirem deixar o país, a Espanha permite que os imigrantes retornem após três anos, desde que comprovem ter uma oferta de trabalho.Apesar da crise econômica, a OIM calcula que não há menos migrantes no mundo. Seu prognóstico é que haja entre 210 milhões e 214 milhões no final de 2010.
Também Thränhardt diz não acreditar numa virada na tendência migratória mundial. Segundo ele, é possível que muitos migrantes apenas tenham mais dificuldades para se deslocar em tempos de crise.
"A migração retomará seu rumo quando a economia estiver de novo atraente, pois ainda existem as diferenças estruturais entre o sul pobre e o norte rico do planeta. Os problemas demográficos do norte continuam existindo e, por isso, o mundo rico continua dependendo da mão-de-obra do mundo pobre", avalia.
Aí países como o Reino Unido, a Austrália e a Malásia, que reduziram o número de trabalhadores estrangeiros que podem ingressar no país, levantarão de novo essas barreiras. A carência crônica de mão-de-obra nesses países não poderá ser suprida apenas com os trabalhadores locais. "A migração jamais acabará", afirma Pandya.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, lançou nesta quarta-feira seu plano para reestruturar a regulação dos bancos e outras instituições financeiras. Para ele, a proposta de remodelar a supervisão do sistema financeiro americano é necessária para concertar buracos na supervisão e evitar a tomada excessiva de risco, que levaram a economia dos EUA a uma recessão prolongada.
A proposta, que ainda terá de ser submetida ao Congresso, estabelece uma das maiores mudanças nas regras do mercado desde os anos de 1930. Entre as medidas está a criação de uma agência para monitorar os produtos financeiros voltados ao varejo, tornar o Federal Reserve (Fed) o supervisor de companhias grandes - que não podem quebrar - e colocar os fundos de private equity e de hedge sob o exame das autoridades federais dos EUA.
"A ausência de supervisão engendrou um abuso sistemático e sistêmico", sustentou Obama, em discurso preparado para evento na Casa Branca. "Não escolhemos como esta crise começou, mas temos a opção de deixar as consequências dessa crise para trás", acrescentou. "Por isso, hoje, minha administração está propondo uma ampla mudança no sistema regulatório financeiro, uma transformação em uma escala não vista desde as reformas que se seguiram à Grande Depressão", ressaltou.
Obama pretende ampliar os poderes do Fed e do Departamento do Tesouro dos EUA e quer criar um conselho de autoridades reguladoras presidido pelo secretário do Tesouro para trabalhar com o banco central do país no monitoramento do risco do sistema. A proposta engloba ainda a eliminação de uma das agências voltadas ao setor bancário, o Office of Thrift Supervision (OTS), e a união dela com o Office of the Comptroller (OCC).
Alemanha libera com atraso relação dos beneficiados com as milionárias subvenções agrícolas da UE. No topo da lista estão empresas, não agricultores. Omissão de dados da Baviera pode gerar processo da Comissão Europeia.
Grandes empresas do setor de alimentos estão entre os principais beneficiados com os milionários subsídios agrícolas que a União Europeia (UE) destina à Alemanha, segundo uma lista divulgada pelo governo alemão nesta terça-feira (16/06) na internet.
No topo da lista, está a empresa Südzucker, que em 2008 embolsou 34,3 milhões de euros em subvenções. Depois da Südzucker, o maior beneficiado é o estado alemão de Schleswig-Holstein, que recebeu 10,4 milhões de euros em benefícios em 2008.
A Südzucker tem um faturamento anual de 5,9 bilhões de euros e emprega 18 mil pessoas. A empresa alega que vendeu açúcar para o exterior a preços internacionais e pagou aos agricultores o preço interno, mais elevado.
As subvenções serviriam para cobrir a diferença, ou seja, na prática, o dinheiro recebido de Bruxelas teria sido repassado aos agricultores. O valor destinado ao estado costeiro de Schleswig-Holstein foi empregado na construção de diques, disse o governo local. Também estão na lista a filial alemã da Doux, maior empresa europeia do setor aviário; a Gausepohl, do setor de carnes; e a Campina, conhecida pelos iogurtes da marca Landliebe.
A Comissão Europeia exige de todos os países da UE que divulgue a lista de quem recebe seus subsídios. A Alemanha era o único país europeu que ainda não havia cumprido a exigência. O prazo havia se encerrado em abril.
Mesmo com a divulgação, o país corre o risco de ser punido pela Comissão Europeia porque um estado da federação – a Baviera – se recusou a divulgar seus números. O governo da Baveira alega que a divulgação é contrária à proteção de dados e afirma que vai aguardar uma posição da Corte Europeia de Justiça.
"A decisão da Baviera é incompreensível", declarou a comissária de Agricultura da UE, Mariann Fischer Boel, que afirmou que dará início a um processo contra a Alemanha. Ela argumentou que o país é obrigado a divulgar os detalhes de quem recebe os benefícios. "Trata-se de dinheiro de impostos. É muito importante que as pessoas saibam onde está indo o seu dinheiro", afirmou. A União Europeia destina todos os anos cerca de 50 bilhões de euros a subsídios agrícolas, o que corresponde a cerca de 40% do orçamento do bloco.
Se no mês de janeiro a produção da indústria brasileira cresceu 2,3% em relação a dezembro de 2008, na comparação com janeiro de 2008 a produção despencou 17,2%.
De acordo com o IBGE, o resultado é o pior nessa base de comparação desde 1990, quando o país viveu os efeitos do Plano Collor.
A maior retração, de 30,9%, foi registrada pelo setor de bens de consumo duráveis --automóveis e eletrodomésticos--, seguido pelo dos bens intermediários, que compreende os insumos industriais, com queda de 20,4%.
Os bens de capital --máquinas e equipamentos--, que são como um termômetro da capacidade produtiva do país, encolheu 13,4%.
O setor que apresentou menor queda foi o de bens de consumo semi e não-duráveis, que abrange as indústrias de vestuário e alimento, com retração de 8,3%.
GENEBRA (Reuters) - Os Estados Unidos e a Rússia prometeram virar a página nas suas relações, que recentemente atingiram seu pior momento desde a Guerra Fria, e lançaram um plano para chegar a um acordo até o final do ano a respeito de mísseis nucleares estratégicos.
A secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, disse após reunião na sexta-feira com o chanceler russo, Sergei Lavrov, que a reconstrução das relações irá demorar e vai exigir "mais confiança, previsibilidade e progresso".
Simbolizando a reaproximação pretendida pelo governo de Barack Obama, Hillary presenteou Lavrov com uma caixinha na qual havia um botão vermelho com a palavra "reset" (reiniciar).
Mais tarde, ela disse a jornalistas que a conversa foi produtiva. "Este é um novo começo não só para melhorar nossas relações bilaterais, mas para liderar o mundo em áreas importantes", disse Hillary em entrevista coletiva.
"Discutimos várias questões específicas em que acreditamos que seja importante que trabalhemos juntos para avançar. Não há tempo a perder em vários desses desafios significativos para que comecemos a trabalhar imediatamente para traduzir nossas palavras em ações", disse ela.
Lavrov afirmou que a Rússia e os EUA compartilham das mesmas prioridades e vão trabalhar honesta e abertamente mesmo quando houver diferenças. "Entendemos que as nossas relações bilaterais estão tendo uma chance hoje que não podemos nos dar à chance de perder."
O tom foi de forte contraste com as relações que a Rússia mantinha com o antecessor de Obama, George W. Bush, por causa de assuntos como a guerra de 2008 na Geórgia, o programa nuclear do Irã e a possível instalação de um escudo antimísseis no Leste Europeu.
Hillary disse que uma prioridade será um novo tratado de armas estratégicas. Os EUA querem definir o novo texto até o final do ano, quando expira o atual tratado, o Start 1, de 1991, que foi qualificado por Lavrov como obsoleto.
Além de tentar reduzir seus próprios arsenais, as duas potências concordaram em colaborar para evitar a difusão de armas nucleares.
"Temos profunda preocupação com a proliferação de armas de destruição em massa. Achamos que ambos os nossos países têm a responsabilidade de liderar nessa importante área", disse Hillary.
Brasília - O economista-chefe do Bradesco, Octávio de Barros, fez um alerta sobre a expectativa criada no mundo com a posse do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. De acordo com ele, existem severas limitações nas decisões americanas para salvar a economia diante da crise, que se agrava cada vez mais.
Segundo ele, Obama não poderá operar milagres numa crise complicada, com desaceleração e falta de crédito. “É a mais sincronizada crise global que se conhece. A economia global está travada e quase parando. Não existe nenhum país no mundo de outra forma”, afirmou ao participar hoje (6) do Seminário Internacional sobre Desenvolvimento, em Brasília.
Mesmo sendo otimista em relação ao Brasil, Octávio de Barros prevê uma queda no crescimento da economia global de 5%. De acordo com ele, apenas a Noruega e as Filipinas tiveram crescimento no quarto trimestre do ano. E no caso da economia brasileira será constatada queda no período, embora o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ainda não tenha divulgado o resultado dos últimos três meses do ano.
“O mundo literalmente parou no quarto trimestre [do ano passado] e está quase parando no primeiro trimestre [em 2009]. Nós temos um economia global travada e mergulhando na mesma direção”, disse.
Ele lembrou também que o desemprego está aumentando de forma global, embora os “bombeiros da economia” tentem de todas as formas resolver o problema, há um verdadeiro descompasso entre a riqueza e a renda. “As famílias americanas já perderam US$ 13 trilhões por conta da crise. O problema é que sem confiança não há crédito e sem crédito não há confiança”, disse.
Octávio de Barros ressaltou ainda, para mostrar a gravidade da crise, que a alavancagem (comprometimento dos recursos com os empréstimos) dos bancos tem se acelerado e é generalizada pelo mundo afora.
“Ingenuamente eu achava que todas as iniciativas estavam sendo tomadas para o salvamento dos bancos, mas temos sido desmentidos com surpresas diária”, afirmou. Para ele, no entanto, as mudanças depois da crise serão positivas pois os riscos passarão a ser mais transparentes.
Entre o cenário apresentado por Octávio de Barros está o que mostra a China com o PIB equiparado ao dos Estados Unidos. “O Brasil também será visto como um país vibrante no futuro da economia. “ Eu me permito ousar que vi chegar a hora que veremos quem terá um futuro vibrante na economia mundial.”
Brasília - A crise financeira mundial resgatou o papel das agências multilaterais, disse hoje (6) o futuro vice-presidente do Banco Mundial (Bird) na área de redução da pobreza, Otaviano Canuto. Durante apresentação no seminário do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social que discute a crise, ele afirmou que a queda no fluxo internacional de dinheiro aumentou a demanda por recursos administrados por essas instituições.
As agências multilaterais são organismos com representantes de vários países que financiam projetos de desenvolvimento ou fornecem ajuda a nações em dificuldade financeira. Os exemplos mais famosos são o Fundo Monetário Nacional (FMI), o Banco Mundial (Bird) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Canuto afirmou que, nos anos anteriores à crise econômica, as agências multilaterais estavam se tornando desnecessárias. “Com o capital correndo para os países emergentes, essas instituições passavam pelo dilema de justificar a estrutura existente”, recordou Canuto, que acabou de sair da vice-presidência do BID.
Após o agravamento da instabilidade financeira, relembrou o economista, os países voltaram a atenção para as agências multilaterais, mas o aumento da demanda também trouxe problemas. “Agora, a demanda aumentou tanto, que o capital se exauriu em pouco tempo. Hoje, os limites de financiamento estão cada vez mais saturados”, ressaltou.
Para ele, a multiplicação dos pedidos de financiamento deve ser analisada com cuidado para evitar que recursos sejam gastos desnecessariamente apenas para estimular a economia em dificuldade nos países desenvolvidos. “O papel dessas agências é financiar projetos que tragam impacto sobre o desenvolvimento econômico e social de um país, principalmente nas nações emergentes”, acrescentou.
Na opinião do economista, tanto o BID como o Banco Mundial devem dar prioridade a investimentos em infra-estrutura nos países em desenvolvimento, onde os empreendimentos, segundo ele, são mais capazes de fazer diferença. Ele também sugeriu o aumento nos empréstimos para o desenvolvimento de projetos que usem fontes de energia limpa.
Em relação à viabilidade dos projetos, Canuto disse que o Brasil está em vantagem na comparação com os países desenvolvidos por causa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “O Brasil tem a felicidade de ter um PAC neste momento, o que trouxe um planejamento para os investimentos públicos, enquanto países avançados querem gastar em infra-estrutura, mas não têm projetos em mão”, apontou.
O economista recomendou ainda que o Brasil atue para que os países desenvolvidos possam voltar a obter recursos diretamente do mercado financeiro, o que diminuiria a pressão sobre as agências multilaterais. Ele também defendeu que o país trabalhe para aumentar a participação dos países emergentes nesses organismos internacionais.
Os grupos rivais palestinos, Fatah e Hamas, anunciaram nesta quinta-feira que fecharam um acordo de reconciliação que inclui a formação de um governo de unidade nacional até o fim do próximo mês.
"Este é um dia histórico. Começamos um novo capítulo de unidade e reconciliação", disse o ex-premiê Ahmed Korei, do Fatah.
Ele disse que foi acertada a formação de cinco comitês conjuntos entre os grupos rivais. Um deles terá a missão de formar um governo de unidade que venha a ser aceito pela comunidade internacional.
Os outros vão tratar de temas como segurança, reconciliação nacional, eleições e o futuro da entidade OLP (Organização para a Libertação da Palestina).
Em tese, as atividades dos comitês terminam com a implementação do governo no próximo mês.
Eleições
As negociações para aparar as arestas entre os dois grupos foram mediadas pelo Egito. Mais de dez facções palestinas, incluindo o Hamas e o Fatah, foram convidadas para participar das conversas no Cairo nesta quinta-feira.
Na quarta-feira, em um gesto de boa-vontade, o Hamas resolveu libertar prisioneiros pertencentes ao Fatah e o Fatah, prisioneiros do Hamas.
As duas facções também prometeram parar de atacar uma a outra nos meios de comunicação, a fim de fomentar uma boa relação.
Um governo único poderia servir como uma gestão interina durante preparativos para novas eleições presidenciais e legislativas e para coordenar a reconstrução da Faixa de Gaza.
Fragilidade
As negociações entre os dois grupos foram interrompidas em novembro de 2008, mas retomadas após a ofensiva militar israelense em Gaza, entre dezembro e janeiro.
Segundo fontes palestinas, a ofensiva matou mais de 1,3 mil palestinos e danificou boa parte do território.
A Cruz Vermelha pediu nesta quinta-feira que Israel suspenda o bloqueio a Gaza e disse que muitos palestinos continuam sem água potável, remédios e moradia, um mês após o fim da ofensiva. A organização disse que os esforços de reconstrução só vão ser bem-sucedidos se existir união entre as facções palestinas.
O Hamas foi eleito democraticamente em 2006 pelos palestinos para dirigir o parlamento do país, mas a eleição não foi reconhecida pela comunidade internacional, que exigia que o grupo reconhecesse Israel e renunciasse à violência. Foi então imposto um boicote aos palestinos.
Para obter reconhecimento, o Hamas aceitou a formação de um governo de unidade nacional com o Fatah, mas diferenças entre os dois grupos levaram a violentos confrontos em 2007. O Hamas então assumiu controle de Gaza e o Fatah, da Cisjordânia.
Analistas dizem que estas diferenças ainda não foram resolvidas e a possibilidade de um novo rompimento é ainda bastante real.
Países do G20 concordam a respeito de reforma fundamental dos mercados financeiros e sugerem medidas de controle. Merkel ressalta presença de emergentes e diz que cúpula foi "resposta racional e adequada à crise".
Os chefes de governo e Estado presentes ao encontro do G20, em Washington, chegaram a um consenso a respeito da necessidade de uma reforma fundamental dos mercados financeiros internacionais. A meta é fazer com que os mercados possam ser regulados de forma mais transparente.
Os países presentes à cúpula do G-20 determinaram os princípios de uma futura arquitetura financeira internacional e preparam 50 medidas concretas até o próximo 31 de março, data do próximo encontro do grêmio. De acordo com as novas diretrizes, produtos financeiros complexos, como os que desencadearam a atual crise, deverão ser mantidos sob extrema vigilância.
Agências de rating na mira
Ao contrário dos esboços apresentados anteriormente, o documento final da cúpula contém a clara intenção de controle dos fundos de hedge. Um melhor gerenciamento de risco e regras para as agências de rating (avaliação de risco) também fazem parte do pacote de medidas. As novas diretrizes deixam claro até onde os bancos, que oferecem tais produtos arriscados, terão que se responsabilizar através de capital próprio em caso de perdas.
No futuro, "todos os participantes, todos os produtos e todos os mercados deverão ser realmente vigiados e regulados", afirmou a chanceler federal Angela Merkel em Washington. Alguns países presentes no encontro do G20 reivindicaram um programa internacional de restabelecimento da conjuntura.
Obama na próxima cúpula
Embora os chefes de governo e Estado presentes ao encontro em Washington tenham chegado a um acordo aparente a respeito dos problemas que afetam a economia mundial, alguns países, como os EUA, continuaram acentuando a necessidade de "mercados livres".
Segundo o atual presidente George W. Bush, a liberdade de mercado é "o melhor caminho" para a prosperidade mundial. A próxima cúpula em Londres deverá contar com a participação do futuro presidente norte-americano Barack Obama.
Emergentes defendem maior cooperação
Países emergentes, como o Brasil, defenderam um comprometimento maior entre as economias, a fim de que sejam tomadas decisões de comum acordo.
Também o premiê espanhol José Luis Rodríguez Zapatero acentuou a necessidade de uma cooperação entre os diversos países: "podemos e teremos que enfrentar essa situação, mas para isso precisamos de ações coordenadas", afirmou o chefe de governo espanhol.
Não ao protecionismo
Merkel ressaltou a presença dos "países emergentes e em desenvolvimento, que pela primeira vez se encontram e põem a mão na massa. Ou seja, este é um recomeço numa situação muito difícil. Há esperanças de que a política haja de forma global e conjunta".
Segundo a premiê alemã, os problemas ainda existentes nas rodadas da OMC (Organização Mundial do Comércio) deverão ser solucionados definitivamente. "Nós nos posicionamos contra o protecionismo", afirmou a chefe de governo.
Os 20 países-membros representados em Washington são responsáveis por 85% da economia mundial. Segundo o documento final da cúpula, o princípio da vigilância dos mercados financeiros deverá ser aplicado a todos os países do mundo.
Os líderes da União Européia (UE) se reúnem nesta sexta-feira em Bruxelas (Bélgica) para preparar as bases de uma reforma do sistema financeiro mundial, com um plano de ação concreto e a esperança de que a chegada do democrata Barack Obama à presidência dos EUA os ajude em sua missão.
Convocado pelo presidente francês e presidente em exercício da UE, Nicolas Sarkozy, o encontro informal tem como objetivo preparar a cúpula do G20 de países industrializados e economias emergentes marcada para 15 de novembro em Washington.
As discussões serão apoiadas em um documento da presidência francesa que estabelece os grandes eixos da posição da UE, como uma maior regulação e uma maior transparência dos mercados, assim como um papel preponderante do FMI (Fundo Monetário Internacional) nessa nova arquitetura.
A ministra francesa das Finanças, Christina Lagarde, afirmou que países emergentes como o Brasil devem ter um um papel mais importante nas discussões sobre a reforma do sistema financeiro mundial. "Sofremos todos os mesmos efeitos da crise e todos devem participar da nova arquitetura financeira internacional", disse. "Não há de um lado os países desenvolvidos e, de outro, os emergentes. É preciso que haja unidade."
Lagarde viaja a São Paulo na noite desta sexta-feira para participar da reunião do G20, que acontece neste fim de semana. No mês passado, o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, afirmou desejar que a UE (União Européia) assuma um papel de liderança para reformar o sistema financeiro internacional, função que exige mais transparência, novas regras de funcionamento e melhores mecanismos de supervisão.
"Precisamos de uma nova Bretton Woods", destacou Brown ao se referir à cidade americana onde, em 1944, foram criados o FMI e o Banco Mundial. Ele também se referiu a um acordo para avançar na liberalização do comércio mundial. Na atual conjuntura, um acordo na OMC (Organização Mundial do Comércio) seria "um bom sinal", disse.
Já o presidente da Comissão Européia, órgão executivo da UE, José Manuel Durão Barroso, disse que a Europa está liderando a resposta mundial à desordem financeira, mas disse que é preciso vontade de cooperar com outros governos, especialmente com os Estados Unidos, para definir os próximos passos.
Lagarde afirmou que o Fundo deve ser dotado de meios técnicos para efetuar uma coordenação mais rápida e ter maior eficácia. "As normas acabam sendo ultrapassadas por práticas novas que surgem. É preciso ter um mecanismo que reexamine estas regras regularmente. O FMI pode ter um papel importante nessa questão", disse.
Para ela, o Brasil e outros países emergentes deveriam ter maior voz no FMI e em outras instâncias internacionais, mas que, para isso, esses países devem aumentar suas contribuições ao Fundo. "Não é possível ter maior participação sem aumentar os recursos. Se você não colocar mais dinheiro no caixa, é difícil querer ser aquele que toma decisões."
A crise no sistema bancário nos Estados Unidos tem provocado quedas generalizadas nas bolsas de todo mundo e muitas dúvidas sobre a economia global.
A Bolsa de Valores de São Paulo também vem sofrendo com grandes quedas, o valor do dólar voltou a subir e o crédito internacional ficou mais difícil.
Menos crédito
Uma das principais vias de contágio da crise internacional se dá por meio da falta de crédito. Com a crise atual, há menos dinheiro no mercado e bancos em todo o mundo estão mais cautelosos, têm diminuído seus empréstimos e cobrado mais caro por eles.
Na opinião do economista Nathan Blanche, da consultoria Tendências, é nessa área que está o maior perigo para a economia brasileira no médio e longo prazo. “As empresas devem conseguir continuar rolando suas dívidas, mas o mercado está mais difícil e algumas devem inclusive optar por não buscar dinheiro novo”, afirma ele.
Atualmente a dívida externa brasileira é da ordem de US$ 200 bilhões, sendo que a maior parte está na mão de empresas privadas. Mas o valor que vence até o final de 2008 é bem menor – em torno de US$ 15 bilhões. Para especialistas, as empresas que quiserem renovar essas dívidas terão que arcar com taxas mais altas de juros.
Os bancos brasileiros também já estão encontrando taxas muito altas para tomar empréstimos no exterior. A expectativa é que essa situação afete o crescimento do crédito no Brasil, de forma geral, e a capacidade de investimento das empresas, em particular. A falta de crédito internacional também pode afetar empresas estrangeiras que planejam fazer investimos diretos no Brasil.
A dúvida entre os especialistas é a intensidade desse enxugamento do crédito. O governo brasileiro tem se mostrado preocupado com o assunto e afirma que poderá criar alternativas de crédito com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e outros bancos públicos.
Bolsa
A Bovespa tem sofrido sucessivas quedas e nos primeiros nove meses do ano já havia acumulado perdas da ordem de 25% (com a volatilidade, esses valores têm mudado muito rapidamente).
O impacto dessas quedas na economia em geral é limitado pelo tamanho da bolsa brasileira. Apesar do crescimento dos últimos anos, a Bovespa ainda tem um número relativamente pequeno de empresas, com 397 companhias listadas. A Bolsa de Valores de Nova York, por exemplo, tem 2.365.
Além disso, embora o montante de dinheiro negociado na bolsa brasileira seja alto, há uma grande concentração em grandes empresas como a Petrobras e a Vale. Apenas essas duas empresas têm representado em média 40% do valor negociado na Bovespa neste ano.
Apesar disso, a queda nas bolsas afeta a economia real por pelo menos duas vias: quem investiu na bolsa tem menos dinheiro para gastar, e as empresas têm que procurar outras fontes de financiamento.
A Bovespa conta com cerca de 500 mil investidores como pessoas físicas. Além disso, houve uma grande queda de IPOs, os lançamentos iniciais de ações das empresas. Em 2007, foram lançadas na Bovespa 64 novas empresas. Até setembro de 2008, tinham ocorrido apenas quatro IPOs.
Dólar
Após quedas recordes da moeda americana em julho, o dólar voltou a se valorizar de forma crescente a partir de agosto de 2008. Mas qual o impacto dessa subida?
Por um lado, o dólar mais forte pode, caso a alta se sustente, ajudar os exportadores a se tornarem mais competitivos, o que é celebrado por vários empresários e economistas.
Por outro, a alta pode atrapalhar no combate a inflação. Segundo cálculos da consultoria Tendências, cada variação de dez pontos percentuais no dólar tende a gerar um ponto percentual de elevação trimestral do índice de inflação IPCA. Desde o começo de 2008 até meados de setembro, a alta acumulada do dólar estava variando entre 5% e 6%.
Essa alta, avaliam especialistas, pode pesar na avaliação do Banco Central sobre a subida dos juros.
Comércio exterior
Nos últimos cinco anos, o Brasil tem tido grandes superávits na balança comercial (exportações maiores do que as importações) e um aumento crescente dos valores vendidos no exterior. Segundo dados do Banco Central, as exportações saltaram de US$ 73 bilhões, em 2003, para US$ 160 bilhões, no ano passado. Em 2006, o Brasil teve um superávit recorde de mais de US$ 46 bilhões.
Uma parte desse aumento se deve à subida dos preços dos produtos brasileiros no externo e não à venda de mais produtos. Agora o preço das commodities agrícolas e minerais, grande responsáveis pela melhora nos valores, estão caindo.
Além da queda dos valores, existe a expectativa de que o crescimento mundial diminua, especialmente em 2009, o que deve significar menos comércio internacional e o risco de uma redução das exportações brasileiras.
Por outro lado, a desvalorização do real pode tornar os produtos brasileiros mais competitivos e derrubar as importações.
Apesar das mudanças no cenário internacional, o governo brasileiro tem mantido suas estimativas para 2008, com um forte aumento das exportações, na casa dos US$ 190 bilhões, e um superávit comercial de mais de US$ 20 bilhões.
A dúvida entre os economistas é como ficarão as contas em 2009. Para a maioria dos analistas, o fiel da balança será o desempenho das economias emergentes, especialmente a da China e a da Índia.
Exportações e a economia real
Se as exportações ou o valor das commodities caírem muito, as principais afetados serão as empresas exportadores. O impacto sobre o restante da economia é limitado pelo fato de o país ser relativamente fechado: o setor exportador responde por cerca de 14% do PIB. Além disso, o Brasil vende para muitos países diferentes e tem uma pauta diversificada, com produtos manufaturados representando mais de 50% das vendas.
Outro aspecto positivo para o Brasil é que o mercado interno brasileiro está aquecido e tende a absorver pelo menos parte de uma eventual queda de produtos exportados.
Uma queda ou desaceleração nas exportações é visto como um risco maior porque pode afetar o equilíbrio das contas externas. O risco maior seria para 2009. A expectativa oficial para 2008 é que Brasil tenha que cobrir um buraco de US$ 24 bilhões nas contas externas – o que deverá ser feito pela soma entre o superávit comercial e os investimentos externos no país. Para 2009, a previsão é que o rombo passará dos US$ 30 bilhões.
Alguns economistas já fazem avaliações bastante pessimistas, apostando que o superávit brasileiro poderia cair abaixo dos US$ 5 bilhões no ano que vem. Isso tornaria a economia mais dependente de investimentos externos para fechar suas contas e mais vulnerável.
Para o governo, a expectativa de que os investimentos estrangeiros serão mantidos e reservas internacionais de mais de US$ 200 bilhões garantem que o Brasil não sofra grandes riscos no médio prazo.
Crescimento
Um dos poucos consensos entre os economistas em meio à atual crise é que a economia brasileira deve diminuir seu ritmo de crescimento. Para Antônio Madeira, da consultoria MCM, mesmo com todas as mudanças, o PIB brasileiro deve subir por volta de 5,5% em 2008. Para 2009, ele acredita que esse número deve ficar entre 3,8% e 3,5%.
Os números variam um pouco dependendo da fonte, mas a grande maioria dos analistas trabalha com faixas parecidas.
O motivo da queda é que mesmo que o Brasil não seja muito atingido pela crise externa, as diferentes fontes de contaminação devem contribuir para derrubar a atividade econômica. Além disso, o próprio BC brasileiro está com uma política de aumentos de juros com o objetivo de reduzir o crescimento no ano que vem.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem (4), em Buenos Aires, que, quando se fala em crise de alimentos alguns países "podem tremer", e que Argentina e Brasil precisam ver a crise com certa preocupação, mas também como uma "oportunidade histórica" para se transformarem em países capazes de fornecer alimentos ao mundo. "Somos mais industrializados, temos mais tecnologia e mais experiência em comércio exterior", disse Lula.
Em relação às negociações da Rodada Doha, o presidente disse que já havia avisado líderes de países ricos que a parte técnica da discussão já havia se esgotado e que avisara que estava na hora de juntar dirigentes políticos e tomar uma decisão, porque a questão não era mais econômica, mas eminentemente política.
"Não estou desanimado. Ainda vou continuar teimando para ver se construímos uma saída. Acho que, se não construirmos o acordo de Doha, possivelmente Argentina e Brasil não sofram tanto. Mas os países mais pobres, que têm que ser incentivados a produzir alimentos, para isso precisam que o mercado dos países ricos estejam abertos. Esses países não irão produzir e muita gente continuará passando fome", disse o presidente.
Lula disse que, caso a situação permaneça como está, países ricos cada vez mais irão aprovar legislações mais duras para proibir o trânsito de pessoas pobres, criando mais dificuldades para a imigração.da SPM, MCT e CNPq para as propostas.
Inúmeras incertezas ainda permeiam a última proposta do diretor geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, no dia em que as negociações sobre a Rodada de Doha entram em sua segunda semana, em Genebra.
Publicamente, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, continua expressando otimismo.
“Claro que não resolvemos muitos dos assuntos que estavam pendentes, mas o fato de que o barco segue e não afundou já é uma boa notícia neste estágio. Mantenho minha estimativa de 65%, 75% (de chances de chegar a um acordo final)”, o chanceler disse ao fim da reunião de domingo.
Para o Brasil continua pendente o tema do etanol, que Amorim tentará voltar a colocar na pauta das negociações nesta segunda-feira, enquanto que o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Marcos Jank, cuida do lobby a favor do produto nos corredores da OMC.
“As discussões sobre etanol estão evoluindo, sobretudo com a União Européia. Espero que tenha um acordo, e com etanol”, insistiu o ministro.
O comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, propôs ao Brasil que uma cota de 1,4 milhões de toneladas de etanol possa ser exportada por ano com tarifa de 10% até 2020. As exportações que excedam essa cota estariam submetidas a uma tarifa de 35%. O Itamaraty considera a proposta insuficiente, já que as atuais exportações de etanol para o bloco somam 900 milhões de toneladas por ano e enfrentam tarifas de 45%.
Descontentamentos
Pelo menos um tema saiu praticamente solucionado: os países latino-americanos exportadores de banana fecharam um acordo pelo qual a União Européia reduzirá de 176 euros (270 dólares) por tonelada para 114 euros (179 dólares) as tarifas impostas sobre suas importações.
Mas ainda falta convencer os países do bloco ACP (África, Caribe e Pacífico) a não bloquear um acordo na Rodada como represália à rebaixa, que acabaria com o atual sistema de preferências que dá a suas bananas acesso ao mercado europeu isento de tarifas.
Nesta segunda, o Grupo do Sete (Brasil, Índia, Estados Unidos, União Européia, Japão, China e Austrália) volta a se reunir para avaliar um novo texto que deverá ser apresentado por Lamy, considerando as demandas e reclamações de todos os insatisfeitos.
O mais difícil poderá ser remover a Índia de sua posição negativa em relação à atual proposta do acordo, especialmente em relação aos parâmetros estabelecidos para a utilização dos chamados mecanismos de salvaguarda para a agricultura.Trata-se de uma flexibilidade que permitiria aos países em desenvolvimento voltar a subir as tarifas de importação para proteger-se de um aumento nas importações que pudesse prejudicar sua segurança alimentar. Kamal Nath, o ministro de Comércio indiano, está ainda mais determinado em sua exigência depois de ter reunido hoje o apoio de 80 dos 153 membros da OMC, a maioria deles, países africanos com economias altamente vulneráveis.
Os países do G8 encerraram sua reunião de cúpula ampliada sem conseguir resolver o impasse entre países ricos e emergentes sobre metas de redução de emissão de gases causadores do efeito estufa.
Os líderes reunidos no Japão disseram, entretanto, ter chegado a uma "visão comum" sobre a necessidade de ação para lidar com as mudanças climáticas.
"Nós, líderes das maiores economias do mundo, desenvolvidas e em desenvolvimento, nos comprometemos a combater a mudança climática com nossas responsabilidades comuns, mas diferenciadas e respectivas capacidades", diz o comunicado.
O encontro contou com a participação dos líderes do G8 e dos chefes de Estado do G5 - formado por Brasil, China, Índia, México e África do Sul - e da Austrália, Indonésia e Coréia do Sul.
Em um comunicado divulgado após o encontro, os líderes concordaram que a mudança climática "é um dos principais desafios de nosso tempo".
Impasse
Na terça-feira, os líderes do G8 anunciaram um acordo para reduzir as emissões globais de carbono em 50% até 2050, em um esforço conjunto para combater o aquecimento global.
No entanto, esse objetivo foi rejeitado pela Índia e pela China no encontro ampliado da cúpula.
Para o correspondente da BBC Roger Harrabin, a China disse acreditar que as economias emergentes estariam sendo implicitamente requisitadas a tomar responsabilidade por um problema causado até agora principalmente pelos países ocidentais.
Seguindo uma linha parecida, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os países desenvolvidos têm uma responsabilidade histórica pelo aquecimento global e devem assumir essa responsabilidade.
Segundo o premiê japonês, Yasuo Fukuda, os líderes do G8 demonstraram que estão levando a sério a questão do combate à mudança climática.
"É a primeira vez que os líderes das principais economias tiveram discussões vigorosas sobre várias questões que envolvem a mudança climática e acredito que demonstraram vontade política.
Montevidéu, 16 jun (EFE).- A 13ª Cúpula de Mercocidades começa amanhã em Canelones, no Uruguai, e será inaugurada pelo prefeito local Marcos Carámbula em um teatro da cidade.
O encontro no Uruguai acontecerá sob o lema de "Integrar cidadãos, integrar cidadãs, integrar cidades e nações", que também contará com a presença do prefeito de Montevidéu, Ricardo Ehrlich.
A Mercocidades, criada em 1995, é a principal rede de municípios da América do Sul e conta com 181 cidades associadas de Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.
As autoridades de Buenos Aires, La Plata, Córdoba, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Salvador, Assunção e Montevidéu criaram o organismo com o objetivo de conseguir a participação dos municípios no seio do Mercosul e impulsionar a troca e a cooperação entre cidades da região.
A cúpula acontecerá até 19 de junho em distintas localidades do departamento de Canelones, nas proximidades de Montevideo. O Conselho da Mercocidades terminará na quarta-feira, 18 de junho, onde também será realizada a Assembléia Geral.”
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje (16) que o governo tem instrumentos, conhecimento e experiência suficientes para controlar a inflação, classificada por ele como o “maior desafio econômico”.
Lula, que esteve pela manhã na sede da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), na capital paulistana, afirmou, durante discurso, que não se pode permitir volta da inflação e que é preciso “ter muito cuidado para lidar com os problemas de curto prazo sem comprometer as conquistas de longo prazo”.
Aos presentes, ele falou que, por experiência pessoal, sabe os males que o aumento inflacionário causa no bolso da parcela mais pobre da população. “Vamos controlar a inflação, porém, mantendo o crescimento sustentável. Pela minha própria experiência pessoal sei como é ruim a sensação de incerteza e corrosão dos salários provocados pela inflação”.
Lula destacou ainda que esse é um problema provocado pelo aumento da demanda interna e por pressão do mercado internacional com a alta do preço dos combustíveis e alimentos. Em seguida, citou a medida de estimular a produção de alimentos pela agricultura familiar brasileira e a possibilidade de logo extrair petróleo da camada pré-sal, localizada na Bacia de Campos.
Na avaliação de Lula, a crise mundial de alimentos deve ser entendida pelos brasileiros como um desafio que o país está disposto a enfrentar. “Estamos preparados para isso da mesma forma que estamos preparados para transformar tanto nosso biodiesel quanto nosso etanol em produtos que possam ganhar o mercado internacional”.
O presidente visitou a bolsa de valores para receber homenagem do mercado de capitais e financeiro em virtude da obtenção do grau de investimento pelo Brasil. No discurso, ele afirmou que sua ida à Bovespa prova o avanço político da sociedade brasileira.
“Estamos provando que um presidente da República pode no mesmo mês receber e colocar na cabeça um boné dos dirigentes sindicais, dos sem-terra do movimento GBLT e vir na bolsa de valores e colocar o chapéu da bolsa na cabeça”.
Durante a tarde, ainda em São Paulo, o presidente participa de reunião sobre direitos humanos no escritório regional da Presidência da República.”
Inflação média em 12 meses é de 5,3% nos países ricos e de 14,3% nos mais atrasados.Os países pobres são os que pagam a maior parte da conta da inflação dos alimentos, hoje um dos principais problemas da economia global. A taxa média de inflação dos alimentos nos países emergentes acumulada em 12 meses é quase o triplo da dos países ricos.
O estrago fica ainda maior nos países pobres porque a alimentação tem um peso grande no orçamento da população, apesar de vários emergentes serem grandes produtores de alimentos, como o Brasil.
Isso é o que mostra estudo da consultoria MB Associados, feito a partir de dados da FAO, órgão das Nações Unidas para alimentação. Enquanto a taxa média da inflação de alimentos acumulada em 12 meses até fevereiro ,numa amostra de 10 países ricos, foi de 5,3%, a média em 16 países pobres atingiu 14,3%.
"O peso da inflação dos alimentos é maior nos países emergentes", diz Sergio Vale, economista-chefe da MB. Ele pondera que os cálculos são uma média aritmética simples e não levaram em conta a importância de cada país no Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Apesar dos cálculos terem sido simplificados, a tendência é similar se houvesse ponderação.
Entre os países emergentes, o Sri Lanka foi o que teve a maior taxa de inflação de alimentos no período (25,6%), seguido por China (23,3%) e Quênia (24,6%). O Brasil ocupa a 12ª posição, com 11,32% de alta dos alimentos e peso de 21,9% da comida no orçamento familiar, segundo o indicador oficial de inflação, o IPCA. No Sri Lanka, alimentos representam 62% dos gastos da população; na China, 27,8%; e no Quênia, 50,5%.
Nos países ricos, a maior inflação dos alimentos foi a da Alemanha (7,4%) e Espanha (7,1%). Nesses países, a comida representa 10,4% e 21,9% do orçamento familiar, respectivamente. Nos EUA, a inflação foi de 5,1% e o gasto com comida no orçamento familiar é de 9,8%.
Além da disparada dos preços das commodities, o forte crescimento da renda nos países pobres nos últimos anos impulsionou os gastos com alimentação.”
São Paulo - A União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) informou hoje (16) que até o dia 1º de junho, a produção de etanol cresceu 6,15%, mas que a entidade está revisando as previsões da safra 2008/09 devido à possibilidade de chuvas para a região de plantio nos próximos meses. A produção de açúcar ficou 10,77% menor em relação ao mesmo período do ano passado.
As vendas de álcool no mercado doméstico até o final de maio (somando-se anidro e hidratado) registraram aumento de 31,6% sobre o mesmo período em 2007. No caso do etanol hidratado, o crescimento foi de 43,6%. Quanto à venda de etanol para o mercado externo, Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da Unica, disse que a saída das usinas para exportação, nos meses de abril e maio, somaram cerca de 600 milhões de litros, superando em 59% o volume embarcado no mesmo período da safra do ano passado.
“A demanda do mercado interno na área do Centro-Sul continua aquecida, com vendas mensais superiores a 1,5 bilhão de litros, somando-se os volumes de etanol anidro e o hidratado. Isto ocorre devido ao crescimento da frota de veículos Flex-Fuel e a uma relação de preços favorável ao etanol, em comparação com a gasolina em quase todo o território nacional”, disse Pádua Rodrigues.
Segundo os dados apurados pela Unica, até o dia 1º de junho houve aumento no volume de cana moída, de 5,19% na safra 2008/09, em relação ao mesmo período do ano passado. Apesar disso, a quantidade de produtos (ATR), obtida por tonelada de cana processada, foi inferior em 6,02%, resultando em uma produção total 1,15% menor à do mesmo período na safra 2007/08. Até 1º de junho, 61,61% da cana-de-açúcar processada foi destinada à produção de etanol e 38,39% para a produção de açúcar.
A entidade informou que as condições climáticas registradas até 1º de junho foram favoráveis para um bom desenvolvimento vegetativo da cana-de-açúcar, mas negativas do ponto de vista da maturação da planta, reduzindo a quantidade de produto que pode ser obtido por tonelada de cana esmagada. O avanço da colheita de cana crua também contribuiu para um aumento no volume de impurezas vegetais e minerais, reduzindo a eficiência industrial das unidades produtoras.
As previsões para os próximos meses indicam maior incidência de chuvas e nebulosidade em relação à safra passada, dificultando a realização das estimativas divulgadas pela UNICA no início da safra. A projeção inicial da safra 2008/09 está em processo de revisão e um novo total será divulgado pela entidade.”
Rio de Janeiro - O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, avaliou hoje (16) que a conclusão da Rodada Doha, cujo objetivo é diminuir as barreiras comerciais, pode sofrer um atraso de dois a três anos, com a mudança de comando nos Estados Unidos.
Amorim lembrou que, para que a rodada seja fechada até o final desse ano, seria necessário um acordo até julho. "Uma mudança sempre requer tempo para as pessoas se assenhorearem dos temas. Às vezes, um tem idéias novas que o outro pode não concordar”, disse Amorim, referindo-se às eleições presidenciais norte-americanas, em que concorrem os candidatos Barack Obama, pelo partido Democrata e John McCain, pelo partido Republicano.
O ministro se disse confiante em um acordo, mas admitiu que países desenvolvidos e em desenvolvimento precisam correr contra o tempo. “O tempo está espremido. Nós temos que trabalhar contra o tempo. Mas isso não impede de concluirmos”, afirmou.
Celso Amorim comentou também o posicionamento do presidente dos Estados Unidos, George W.Bush, que cobrou uma concessão maior dos países emergentes nas áreas de serviços e indústria na Rodada Doha. “É natural que ele faça isso. Eu ficaria preocupado se ele parasse de cobrar totalmente. Porque aí ele iria mostrar que estaria desinteressado. Também não quer dizer que eu concorde com ele”, observou.
Para o chanceler, é imprevisível o que pode ocorrer nas negociações multilaterais caso não se feche o acordo em julho. “Entram outros fatores, outras prioridades. Seria muito bom que nós terminássemos agora. Seria bom para o sistema multilateral”, constatou. Ele lembrou, por exemplo, que a União Européia mudou o programa de açúcar, como decorrência do caso brasileiro. Os Estados Unidos também já começaram a mudar o programa de algodão.
Amorim destacou que um comércio com regras é importante, especialmente em momentos de crises, quando as nações são tentadas a tomar medidas individuais ou arbitrárias. “Você ter um conjunto de regras que funcione é importante. E não há melhor conjunto de regras do que aquele decidido pelo conjunto de países”, definiu. O governo brasileiro, disse o ministro, defende um resultado equilibrado, diante dessa razão.
O ministro admitiu, no entanto, que a conclusão da Rodada Doha depende do entendimento dos países desenvolvidos, já que, conforme enfatizou, a principal distorção a ser corrigida é a dos subsídios. Ele disse que os países em desenvolvimento vão trabalhar pela redução das tarifas e melhor acesso a mercados e produtos agrícolas.
A Rodada Doha é um acordo multilateral que vem sendo negociado desde 2001 no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) e têm como foco a liberalização de mercados.”
Ainda bem que a política monetária do Federal Reserve (Fed), ao contrário da praticada pelo Copom, mira o núcleo da inflação americana. Se o alvo fosse, como aqui, o índice cheio deveria estar preparando um choque de juros e esta reta final para a próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, em inglês), marcada para o dia 25, seria um tormento. Na sexta-feira passada, saiu nos EUA um índice de preços ao consumidor digno do Brasil. O CPI saltou 0,6% em maio, vindo de um alta de 0,2% no mês anterior, o suficiente para acumular em 12 meses 4,2%. Ou seja, transplantado para cá, o índice americano estaria bem perto da meta de 4,5%. Só que o núcleo ainda se mostra razoavelmente comportado.
O ideal seria core abaixo de 2% em 12 meses, mas não está muito longe disso, a 2,3%. Os índices americanos do atacado refletem, como os nossos IGPs, as disparadas de preços registradas pelo petróleo e pelos alimentos. Amanhã, sai o PPI de maio. A expectativa é de uma aceleração de 0,2% em abril para 1% em maio. Em termos anuais, o índice cheio subirá de 6,5% para 6,7%. Tanto em relação ao CPI quanto ao PPI, os números exigem do Fed o mesmo posicionamento adotado pelo Copom desde abril. Mas lá não é tão fácil como aqui subir o juro. Por isso, a estrutura a termo da taxa de juros americana (a chamada curva de longo prazo) persiste embutindo a expectativa de manutenção do juro em 2% na reunião do Fomc da quarta-feira da semana que vem. Mas a taxa não escapa de uma alta de 0,25 ponto na reunião seguinte, agendada para 5 de agosto. Para um fed fund de 2%, a taxa do título de dois anos do Tesouro americano alcança 3,02%, o juro do de 5 anos atinge 3,72% e o papel de 10 anos oferece 4,26%.
O Fomc não tende a antecipar para o dia 25 o início do ajuste monetário por várias razões. A primeira é que o ajuste imediato não foi exaustivamente sinalizado por meio de comunicações formais do Fed. O Fed, até mais do que o Copom, não gosta de surpreender Wall Street. A segunda é que ainda há dúvidas sobre o grau de desempoçamento da liquidez alcançado pela flexibilização iniciada em setembro do ano passado. Ao todo, ela derrubou a taxa básica de 5,25% para 2%, irrigou liquidez, evitou a quebra de bancos e impediu que a economia se contraísse. Hoje a visão do pouso suave é a mais em voga. Mas o sistema bancário já está sólido o suficiente para aguentar um deslocamento de alta do juro? Ninguém sabe. Daí se conclui que a alta será bem gradual e não linear. Tanto que o objetivo maior do miniarrocho é provocar uma valorização internacional do dólar. "Elevar os juros lá não é tarefa simples", diz o economista-chefe da Gradual Corretora, Pedro Paulo Silveira. "Há muitas implicações em vários setores e o remédio pode causar mais danos que melhorias".
Não se descarta por isso que o dólar venha a se corrigir por outro movimento: o da reversão na balança comercial. A balança comercial americana, observa Silveira, parece estar revertendo sua trajetória francamente deficitária. Este movimento é causado pela alta significativa dos preços dos importados, a maior desde 1983. Este refluxo do comércio nos EUA pode enxugar dólares da praça e, num segundo momento, forçar sua valorização da moeda. Trata-se, porém, de efeito que poderá ser verificado apenas no médio prazo. "Forçar a valorização do dólar no curto prazo via o aumento na taxa básica pode colocar os outros objetivos da política econômica americana (emprego, nível de atividade e saúde do sistema financeiro) em risco desnecessário", adverte o economista. As consequências mundiais de uma valorização apressada do dólar não podem ser subestimadas. Ao corrigir o fenômeno monetário da inflação o Fed não "ataca" a causa da inflação mundial: a demanda acelerada de países em desenvolvimento.
Apreciar o dólar agora iria simplesmente empurrar a inflação dos EUA para outras economias. A desvalorização das moedas globais poderia reforçar um clima de pessimismo generalizado. O que aconteceria, por exemplo, com a inflação brasileira se o dólar voltasse a ser cotado a R$ 2,00, um piso que foi rompido faz pouco tempo, em 15 de maio de 2007, há um ano e um mês, portanto? Para tanto, considerando que a moeda fechou sexta-feira cotada a R$ 1,6360, teria de subir 22,25%. Uma alta desta magnitude engoliria completamente o ganho que os fundos externos têm com aplicações de renda fixa remuneradas com base na variação da Selic. A perspectiva de perda ampliaria o overshooting cambial. O avanço do dólar reduz o preço das commodities, afetando o valor exportado pelo Brasil. Pode ajudar a reduzir o déficit em conta corrente se as importações ficarem muito caras. Mas isso tem de novo impacto direto sobre a inflação. Ainda bem que, essencialmente, Ben Bernanke tem pouca coisa de Paul Volcker.”
Brasília - Em visita à Bolívia, o presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, pediu hoje (15) a efetiva integração da América do Sul para resolver os problemas históricos do continente. Ele destacou a proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de formar um bloco regional de defesa, esclarecendo que o objetivo não é desenvolver uma ofensiva militar, porque não há qualquer hipótese de que isso venha a ocorrer na região.
As informações são da agência argentina Telam. No encontro com o presidente Evo Morales, em La Paz, Lugo disse que há duas tarefas urgentes para resolver os problemas da América do Sul: superar a crise energética e apostar na segurança alimentar. Hoje é o segundo dia de visita ao país.
O presidente eleito destacou ainda o papel de Evo Morales no avanço das discussões para a inclusão dos grupos étnicos latino-americanos, já que o presidente boliviano é de origem indígena.
Lugo conversou com a imprensa em entrevista coletiva depois de uma reunião fechada na sede do governo, em La Paz, sobre a qual não deu detalhes. Os dois presidentes seguiram para a cidade vizinha El Alto, onde Lugo deve participar de homenagem a sua vitória nas eleições.
Ele chegou à Bolívia com a futura chanceler Milda Rivarola. Lugo também tem agenda de visitas aos presidentes do Equador, Rafael Correa, e da Colômbia, Álvaro Uribe.”
Brasília - O Tesouro Nacional captou US$ 525 milhões com a reabertura do bônus Global 2017 (títulos da dívida externa) nos mercados norte-americano, europeu e asiático. Segundo nota divulgada pelo Tesouro, foram US$ 500 milhões nos mercados europeu e norte-americano e US$ 25 milhões no asiático.
A taxa de rendimento para o investidor ficou em 5,299% ao ano. Além disso, o investidor receberá cupons semestrais de juros (espécie de bonificação) a serem pagos nos dias 17 de janeiro e de julho até o vencimento do título, em 17 de janeiro de 2017. A liquidação financeira (recebimento dos valores pelo Tesouro) ocorrerá na próxima quarta-feira (14). A emissão foi liderada pelo HSBC Security Inc e Deutsch Bank Security Inc..
Essa foi a primeira captação em dólares no exterior depois que o país recebeu a classificação de grau de investimento da agência de risco Standard & Poor's. O Global 2017 foi lançado pela primeira vez em novembro de 2006.”
A cana-de-açúcar ultrapassou a energia hidráulica e já é a segunda fonte primária de energia do país, informou a EPE (Empresa de Pesquisa Energética) nesta quinta-feira.
Pelos dados preliminares do BEN (Balanço Energético Nacional) de 2007, a participação dos produtos derivados da cana chegou a 16% na matriz energética brasileira, ficando atrás apenas de petróleo e derivados, com 36,7%. A energia hidráulica foi responsável por 14,7% da matriz brasileira.
De acordo com o presidente da EPE, Maurício Tolmasquim, o crescimento da cana-de-açúcar como fonte primária de energia "é uma tendência meio irreversível" no país. Pela primeira vez a cana passou a energia hidráulica.
"É um fato inédito. A cana passará a ter papel superior ao da hidráulica mesmo com a previsão de entrada de grandes hidrelétricas como as usinas do Madeira e a de Belo Monte", disse Tolmasquim.
O crescimento da cana-de-açúcar na matriz energética foi impulsionado pelo elevado consumo de álcool no país. No ano passado, a produção de álcool hidratado -- o chamado álcool puro, usado para abastecer automóveis-- aumentou 45,2%, totalizando 14,3 bilhões de litros. Já o consumo de álcool hidratado teve incremento de 46,1%, somando 10,4 bilhões de litros.
Ao mesmo tempo, a gasolina perdeu espaço entre os combustíveis, com redução de 3,9%.
Os derivados da cana-de-açúcar foram responsáveis ainda por mais de 40% do aumento do consumo. Ao todo, a oferta interna de energia no Brasil em 2007 cresceu 5,9% mediante um incremento de 5,8% do consumo.
Renovável Segundo a EPE, o Brasil teve a participação de fontes renováveis -- incluem energia hidráulica, produtos da cana-de-açúcar, lenha e carvão vegetal -- na matriz energética ampliada em 2007. Elas foram responsáveis por 46,4% da oferta energética no país em 2007, totalizando 111 milhões de tep (toneladas equivalentes de petróleo). No ano anterior, essas fontes respondiam por 44,9% da matriz.
As fontes não renováveis - petróleo e derivados, gás natural, carvão mineral - corresponderam a 53,6% da oferta de energia no ano passado, ante participação de 55,1% em 2006. Ao todo, foram ofertados 128,3 milhões de tep oriundos de fontes não renováveis em 2007.”
Bundestag ratifica Tratado de Lisboa, que substitui a Constituição Européia. Uma vez aprovado pelos 27 países, o Acordo deverá entrar em vigor até junho de 2009.
O Parlamento alemão ratificou nesta quinta-feira (24/04), com larga maioria, o Tratado de Lisboa, que determina os fundamentos da União Européia. Dos parlamentares alemães, 515 votaram a favor, 58 contra e apenas um se absteve. O acordo foi à saída encontrada pelos países do bloco para substituir a Constituição Européia, rejeitada em plebiscitos nacionais na França e na Holanda. Uma pergunta, porém, continua no ar: do que consiste exatamente este acordo e no que ele se distingue do esboço anterior da Constituição?
"Acertamos os ponteiros para um fundamento comum da União Européia. No fim, não decepcionamos quem depositou confiança na UE. E evitamos um racha", afirmou a chanceler federal alemã, Angela Merkel, quando ainda ocupava a presidência rotativa do bloco, por ocasião do encontro de cúpula em Lisboa, em junho de 2007.
Somente à custa de muitos esforços é que os 27 países conseguiram entrar em acordo a respeito de dois novos tratados. Um deles deve definir os fundamentos do bloco, o outro estabelece as formas de trabalho da UE.”
Brasília - Dados preliminares divulgados hoje (23) pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam um desmatamento na região amazônica de 3.235 quilômetros quadrados entre agosto e dezembro de 2007, o equivalente a cerca de 320 mil campos de futebol.
Os órgãos não falam em crescimento percentual pela indisponibilidade de informações completas do mesmo período de anos anteriores. Mas, segundo a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, o número representa uma tendência “preocupante” de aumento.
“O governo não quer pagar para ver. Não vamos aguardar a sorte, e sim, trabalhar para fazer frente a esse processo”, disse a ministra.
A maior parte dos desmatamentos detectados no período se concentrou em três estados: Mato Grosso (53,7% do total desmatado), Pará (17,8%) e Rondônia (16%).
Entre as causas para o aumento, Marina citou a seca prolongada e uma possível influência do avanço da produção de soja e da pecuária nas regiões. Ela evitou responsabilizar diretamente as atividades econômicas, mas ao lembrar que a carne e a soja estão com preços internacionais favoráveis, afirmou: “ Não acredito em coincidência.”
A ministra disse que será feita uma averiguação detalhada nos locais para um diagnóstico mais preciso: “Faremos um zoom para verificar”.
As derrubadas ocorreram em maior intensidade nos meses de novembro e dezembro. Nesse período, foram desmatados 1.922 quilômetros quadrados de floresta.
Segundo Marina, os números serão debatidos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva amanhã (24), às 9h, em reunião no Palácio do Planalto. No encontro, que terá participação de outros ministros, serão discutidas as medidas para fortalecer a fiscalização nos locais considerados mais críticos.
De acordo com o secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, municípios como São Felix do Xingu e Cumaru do Norte, ambos no Pará, e Colmiza, em Mato Grosso, tradicionalmente apresentam altos índices de desmatamento.”