Bandeiras da Palestina e de Israel

A Questão Palestina

questão palestina, bandeiras de Israel e da Palestina

Primeiramente é importante deixar claro que a Questão Palestina, na região de Israel, não está acontecendo há milhares de anos como se diz por aí. O próprio Islã não tem mais de 1400 anos.

Outra observação relevante é que muito pouco desse conflito entre israelenses e palestinos está relacionado a diferenças religiosas entre o islamismo e o judaísmo.

Ninguém está discutindo se os profetas mais importantes de cada religião descendiam do filho de Abraão, Isaac, ou de seu filho, Ismael. As guerras na região não são baseadas nas diferenças culturais entre o jejum no Yom Kippur ou o Ramadã.

Está bastante claro que a raiz de todas as contendas é uma: território.

Eu concordo, é perfeitamente compreensível que se utilize as diferenças fundamentais do ideário judaico e do islâmico como ferramenta para entender como cada um dos lados age e reage, mas tornar essa discussão o motivo principal do conflito simplesmente não condiz com a realidade.

Então, em vez disso, vamos começar como a maioria dos historiadores no fim do século XIX faziam. E no lugar de falar sobre religião, vamos discutir os nacionalismos concorrentes.

 


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Para saber mais sobre História Mundial contemporânea e a Questão Palestina, leia a obra:

O Mundo Contemporâneo, de Demétrio Magnoli.

O livro, conciso e eficiente, cobre os principais assuntos cobrados em prova. Além disso, funciona extremamente bem como ferramenta de revisão.


 

O Império Otomano

mapa do Império Otomano

No fim do século XIX, o Império Otomano governava o que nós agora conhecemos como Palestina. A população da região, de acordo com os registros otomanos de 1878, era composta por 87% de muçulmanos, 10% de cristãos e 3% de judeus.

Todo mundo falava árabe como a língua do cotidiano e em Jerusalém as populações religiosas eram mais ou menos iguais. Para que você consiga entender um pouco mais claramente a vida na Palestina otomana, um músico árabe cristão ortodoxo chamado Wasif Jawhariyyeh cresceu em Jerusalém na primeira década do século XX aprendendo o Alcorão na escola e celebrando ambos a Páscoa e o Eid (fim do jejum do Ramadã) com seus vizinhos judeus e muçulmanos.

Havia uma clara integração entre as três principais religiões monoteístas: judaísmo, cristianismo e islamismo. A Palestina otomana era, em resumo, um lugar no qual pessoas de diferentes fés religiosas viviam pacificamente umas com as outras.

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O nacionalismo na Europa e sua influência no Oriente Médio

O fim do século XIX foi a Era de Ouro do nacionalismo na Europa e nenhum lugar tinha características mais peculiares do que o Império Austro-Húngaro Habsburgo, que, na prática, englobava pelo menos dez nações diferentes as quais queriam seu próprio Estado.

É justamente nesse império hiper-nacionalista que viveu um jornalista judeu chamado Theodor Herzl, que, ao perceber que judeus jamais seriam completamente assimilados nas nações europeias, se convenceu de que o povo judeu precisava deixar a Europa e se acomodar em seu próprio país.

O conceito de nacionalismo judaico passou a ser conhecido como Sionismo.

É importante manter em mente que a maioria dos sionistas eram judeus seculares, ou seja, não seguiam os preceitos da religião. Para eles Israel deveria ser um Estado para pessoas de origem judaica, mas não necessariamente um Estado onde o judaísmo estivesse atrelado ao governo.

Em 1917, o governo Britânico,  na esperança de ganhar o apoio das pessoas judias, emitiu a Declaração de Balfour, sob esta máxima:

“O estabelecimento na Palestina de uma casa nacional para o povo judeu”

Uma promessa bastante ousada se considerarmos que a Palestina ainda era tecnicamente otomana, afinal, naquele momento, os otomanos não haviam ainda perdido a Primeira Guerra Mundial.

 

As promessas britânicas sobre a Palestina

Bandeira do Reino Unido

O fato de os otomanos realmente terem perdido a Primeira Guerra Mundial não exime os britânicos de sua interferência altamente irresponsável na região. Para se ter uma ideia da ousadia do Reino Unido em relação à questão palestina, eles prometeram entregar a Palestina/Israel a três grupos diferentes:

Aos árabes:

Em 1915 oficiais britânicos haviam prometido a Sharif Hussein, então governante de Meca, o controle de um Estado Árabe, que incluiria todo o território palestino. Havia uma condição: os árabes deveriam iniciar uma revolta contra o Império Otomano.

Foi exatamente o que eles fizeram, mas, ao fim da guerra, não receberam os territórios que os britânicos haviam prometido.

Ao povo judeu:

Por meio da Declaração de Balfour (1917). Com vistas a angariar apoio das comunidades judaicas, os britânicos prometeram a Palestina aos judeus, apesar de saberem perfeitamente que tal território deveria ser entregue aos árabes devido ao acordo estabelecido durante a Primeira Guerra Mundial.

Aos próprios britânicos:

Na Primeira Guerra Mundial, o Reino Unido prometeu à França, por meio de um acordo secreto, que, ao final da guerra, os territórios árabes seriam divididos entre os dois. Quanto franceses deveriam controlar as terras mais a oeste, britânicos ficaram com a Palestina.

É óbvio que prometer o mesmo território para três grupos completamente diferentes traria resultados desastrosos e foi precisamente isso que aconteceu.

 

O fim da Primeira Guerra Mundial e suas consequências na Palestina

soldados da Primeira Guerra Mundial

Logo após o fim da guerra, os Britânicos estabeleceram uma colônia na Palestina e afirmaram que iriam governar a região até que os próprios palestinos estivessem prontos para assumir o controle de seu país.

Os palestinos, obviamente, diziam que já estavam prontos e que desejavam ver os britânicos longes dali o mais cedo possível.

Repetindo sua estratégia de séculos, o Reino Unido decidiu continuar no comando do país até que não houvesse mais nada a ser ganho com aquela situação. Assim colocaram em andamento o plano de “dividir para conquistar”: britânicos estabeleceram instituições separadas para cristãos, judeus e muçulmanos, tornado ainda mais difícil a organização das comunidades locais nesse momento de transição de poder.

Mais uma vez, é claro que isso só poderia dar errado.

Enquanto isso, britânicos tentaram, sim, honrar a promessa da Declaração de Balfour, citando:

“Facilitar a imigração judaica sob condições adequadas”.

 

O gigantesco aumento da população judaica na Palestina

Entre 1920 e 1939, a população judaica da Palestina aumentou em cerca de 320,000 pessoas. Isso representava pouco menos de 30% da população local. A partir desse momento, a crescente população judaica focava seus esforços na compra de terras dos proprietários árabes que não fossem palestinos.

Ao ganhar o controle daquelas terrar agricultáveis, muitos judeus optaram por expulsar os fazendeiros palestinos que lá viviam e trabalhavam.

Agora, com o controle da terra e do trabalho, judeus passaram a almejar o estabelecimento de uma comunidade mais segura para eles mesmos dentro da Palestina. A essa época as tensões ficavam cada vez mais óbvias e os conflitos entre judeus e muçulmanos tornaram-se recorrentes.

Esse processo ocasionou a ruptura de relações entre os dois povos que, em outras épocas, conseguiam conviver pacificamente.

Gradativamente, os árabes palestinos começaram a pensar em si como uma nação, como a nação palestina. Dessa forma, o senso de nacionalismo cresceu desenfreadamente e estourou em 1936, quando palestinos se revoltaram contra os britânicos.

Com a ajuda de milícias judaicas, britânicos suprimiram brutalmente a revolta palestina, mas ao mesmo tempo entenderam a mensagem dos palestinos e emitiram um relatório que limitava a imigração judaica para a Palestina.

Foi nesse momento que surgiu a proposta do estabelecimento de um Estado Árabe e Judeu unido. Isso deveria acontecer dentro de dez anos.

Apostilas para o CACD

A intervenção britânica

A tentativa do Reino Unido de agradar ambos os lados teve o efeito exatamente oposto. Palestinos e israelenses ficaram furiosos.

1) Os Sionistas estavam irritados com os britânicos por limitarem a imigração judaica numa época na qual judeus tinham a necessidade de deixar Europa, que naquele momento era extremamente hostil em relação à população de origem judaica.

2) Palestinos árabes estavam infelizes com o prospecto de esperar dez anos por um Estado.

Então veio a Segunda Guerra Mundial, que foi, curiosamente, um período pacífico na Palestina. Como as nações europeias estavam incrivelmente ocupadas com o conflito mundial, as questões relativas ao Oriente Médio ficaram suspensas.

Ao final da guerra, as tensões continuaram e os britânicos perceberam que colônias como a Palestina davam muito mais problemas do que resultados positivos.

Nesse momento o Reino Unido decide lavar as mãos e passar esse enorme problema para a recém-criada Organização das Nações Unidas (ONU).

Em novembro de 1947, as Nações Unidas votaram pela divisão da Palestina em um Estado Palestino e um Estado Judeu, que deveriam ficar separados.

 

1947- Resolução 181 da AGNU

Decide-se a criação do Estado de Israel.

O presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU) naquele ano foi Oswaldo Aranha, ex-chanceler brasileiro que tinha inclinações americanistas. A decisão previa a partilha territorial entre israelenses e palestinos.

Israel foi atacado imediatamente após sua formação.

O plano de divisão propunha dois Estados de tamanhos praticamente iguais, mas o território de cada grupo não era contíguo. Havia ilhas de território palestino no meio de áreas israelenses, as fronteiras pareciam um quebra-cabeças. Não havia a mínima possibilidade de aquilo funcionar.

Pois é! Não funcionou mesmo.

 

A Guerra Árabe-Israelense (1948)

Jornal de Jerusalém

Jornal de Jerusalém anuncia o nascimento do Estado de Israel

Logo depois de o plano ser anunciado, a Guerra Árabe-Israelense estourou em 1948, com Israel de um lado e os Palestinos e muitos Estados Árabes do outro.

Os israelenses venceram e, por essa razão, quando um armistício foi assinado em 1949, Israel ocupou um terço a mais de terras do aquilo que havia sido estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Mais de 700,000 palestinos fugiram de suas casas e se tornaram refugiados nos países árabes ao redor da Palestina. Para os Israelenses, esse foi o começo de sua nação, para os Palestinos, foi a nakba (a catástrofe).

Ao longo dos próximos dezoito anos, nada mudou territorialmente.

 

A Guerra dos Seis Dias (1967)

Somente em 1967, Israel e diversos Estados Árabes entraram em guerra mais uma vez. O conflito ficou conhecido como a Guerra dos Seis Dias.

No conflito, de um lado estava Israel e, no outro, uma aliança entre Egito, Jordânia e Síria.

Bandeiras de Israel, Egito, Jordânia e Síria

O grande patrocinador da coligação egípcia foi a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

A guerra foi iniciada pelos próprios israelenses, mas o objetivo não era ofensivo. Israel sabia dos conchavos de seus vizinhos, o ataque contra os judeus era só uma questão de tempo.

A iniciativa israelense de atacar seus inimigos antes que eles pudessem agir tratava-se de uma “ação preemptiva”. Não havia apenas a suspeita de que um ataque a Israel estaria em curso, havia sólidas evidências.

Israel, devido à sua ação cirúrgica, venceu a guerra rapidamente.

Ao final do conflito os israelenses ocuparam:

  • Faixa de Gaza;
  • Península do Sinai, que pertencia ao Egito;
  • Cisjordânia (West Bank), que pertencia à Jordânia;
  • Jerusalém Oriental;
  • Colinas de Golã, que pertencia à Síria.

 

Mapa de Israel antes e depois da Guerra dos Seis Dias

Antes e Depois da Guerra dos Seis Dias

Mais uma vez Israel saiu vitorioso e assim ganhou controle sobre a Cisjordânia, a Faixa de Gaza, a Península do Sinai, e as Colinas de Golã.

O território israelense cresceu absurdamente após o conflito. Basta observar o tamanho da Península do Sinai em relação ao resto do território israelense.

Era óbvio que um Estado israelense daquelas proporções somado a comunidades árabes palestinas espremidas no território restante não seriam uma opção viável.

Então a ONU editou a Resolução 242, a qual esboçava um quadro básico para alcançar a paz, incluindo Israel se retirar do território adquirido na guerra e o reconhecimento por ambos os lados, da existência de dois Estados: um Palestino e um Judeu.

É claro que isso não aconteceu. A retórica de ódio mútuo continuou e até hoje há parcelas gigantescas do mundo árabe que não reconhecem a existência do Estado de Israel.

Até aquele momento o conflito era mais amplo. Não era uma contenda entre palestinos e israelenses, mas entre o mundo árabe inteiro e os israelenses.

Os acordos estabelecidos depois da guerra mudariam essa característica. Daquele momento em diante, o conflito seria majoritariamente entre israelenses e palestinos.

 

O Setembro Negro

No mês de setembro de 1970, a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) é expulsa da Jordânia, onde havia se abrigado após a Guerra dos Seis Dias.

A Jordânia era extremamente importante na vida dos palestinos, pois é justamente naquele país que a maior parte dos refugiados da guerra havia conseguido abrigo.

Não teve outra alternativa. O próprio governo jordaniano expulsou os palestinos com vistas a evitar maiores problemas.

A OLP optou por mudar-se para o Líbano no mesmo ano.

Em represália à guerra e à expulsão de palestinos dos territórios recém-ocupados por Israel, um grupo decidiu buscar vingança. O plano se materializou nas Olimpíadas de Munique (1972), na Alemanha, quando vários atletas israelenses foram assassinados por extremistas palestinos.

Essa ação levou a mídia internacional a discutir a Questão Palestina como ela jamais havia sido discutida antes.

 

Guerra do Yom Kippur (1973)

No conflito, Israel lutou contra Egito e Síria.

É importante lembrar que Israel ainda controlava todos os territórios que havia conquistado após a Guerra dos Seis Dias.

Dessa vez foram os árabes egípcios e sírios que lançaram o ataque inicial. Eles buscavam restabelecer o controle sobre os territórios perdidos.

Mais uma vez Israel sai vitorioso, mas pela primeira vez a derrota pareceu uma possibilidade bem real. A hegemonia israelense foi abalada, pois ficou claro que, apesar da vitória, Israel não era invencível.

Ao final da guerra, o líder egípcio Anwar Sadat começa a aproximar-se dos Estados Unidos e de Israel com vistas a diminuir as perdas ocasionadas pela derrota na guerra.

 

Acordos de Camp David (1978)

Anwar Sadat, Jimmy Carter e Menachem Begin

Anwar Sadat (à esquerda), Jimmy Carter(ao centro) e Menachem Begin (à direita)

Foram negociações entre o presidente americano: Jimmy Carter, o primeiro-ministro israelense: Menachem Begin e o presidente do Egito: Anwar Sadat.

Apesar de os acordos, assinados na Casa Branca, terem sido fortemente criticados pela ONU devido ao fato de que ocorreram secretamente, o resultado garantiu um prêmio Nobel compartilhado entre Sadat e Menachem.

Esses acordos foram incalculavelmente importantes para Israel porque, pela primeira vez, um inimigo tão ferrenho como o Egito reconhecia formalmente o direito à existência de Israel.

Como você já deve imaginar, os Acordos de Camp David foram duramente criticados pelos demais árabes e muitos começaram a acusar o Egito de traição.

Na realidade, até os dias de hoje o Egito é criticado por populações muçulmanas por ter aceitado a paz com Israel e ter reconhecido a nação judaica.

 

A Paz entre Israel e Egito é formalizada

Acordo de Paz entre Israel e Egito é formalizado em 1979.

O impacto desse evento foi tão profundo que Anwar Sadat, presidente egípcio responsável pela assinatura do documento, acabou assassinado.

Da qualquer forma, essa paz entre os países também trouxe benefícios para o Egito, que recuperou a Península do Sinai até então ocupada por Israel.

A Faixa de Gaza, por outro lado, jamais foi devolvida pelos israelenses.

 

A diferença entre árabes, palestinos e muçulmanos

Lembre-se de que nem todo árabe é palestino e nem todo palestino é muçulmano. Esses são três conceitos completamente diferentes:

  • Árabes: falam a língua árabe, mas podem pertencer a outros grupos religiosos. Grande parte da população de imigrantes árabes no Brasil, por exemplo, é composta por árabes cristãos;

 

  • Palestinos: são os habitantes da palestina, a palavra “palestino” serve para descrever a identidade étnica das pessoas que viviam daquela região. A maioria é muçulmana, mas essa não é uma característica obrigatória. Há muitos palestinos cristãos também.

 

  • Muçulmanos: seguem o Islã, adoram a Maomé.

 

Havia, por exemplo, muitos cristãos na Organização para a Libertação da Palestina (OLP), formada em 1964 e liderada por Yasser Arafat.

A OLP supervisionou os grupos de guerrilha que chegaram a atacar civis, mas também usou abordagens não violentas para tentar conseguir estabelecer o tão almejado Estado Palestino.

 

Os assentamentos judeus

Enquanto isso, o governo Israelense começou a estabelecer assentamentos Judeus no que havia sido território Palestino, incluindo o leste de Jerusalém, a Cisjordânia, e a Faixa de Gaza. Esses assentamentos são causa de grande parte dos conflitos diretos entre judeus e palestinos.

Soldados israelenses impedem colonos judeus de entrarem em conflito com palestinos

Soldados israelenses impedem colonos judeus de entrarem em conflito com palestinos

Israelenses dizem que a criação de novos assentamentos garante a segurança do povo judeu e trata-se somente da sedimentação de um direito de Israel. Para os palestinos, os assentamentos são ilegais e violam as resoluções da ONU.

Há agora cerca de 350,000 colonos judeus assentados na Cisjordânia e cerca de 200,000 no leste de Jerusalém.

Em relação aos assentamentos, especificamente, a verdade parece estar do lado dos palestinos, uma vez que, de acordo com a lei internacional, a ocupação israelense dessas localidades realmente é ilegal.

 

A Primeira Intifada (1987 – 1993) e o Hamas

garotos atiram pedras na Primeira Intifada

Pelo fim dos anos 1980, palestinos lançaram a Primeira Intifada contra Israel. Intifada significa, literalmente, “sacudida”.

A Intifada começou com boicotes de produtos e serviços israelenses e com a recusa de pagamento de impostos israelenses.

A resposta de Israel veio por meio de repressão militar. Rapidamente a situação recrudesceu e as famosas imagens de palestinos lutando com paus e pedras contra israelenses altamente equipados começaram a tomar os meios de comunicação. Devido a isso, a opinião pública mundial começou então a voltar-se contra o governo israelense.

Foi justamente sob a égide da Primeira Intifada que o Hamas se formou. Naquele momento começava a escalada na agressividade nos conflitos. Algum tempo depois, em 1993, aconteceria o primeiro atentado suicida promovido por palestinos contra Israel.

O Hamas ganhou apoio parcialmente por causa de sua militância, mas na maior parte foi resultado de seus projetos de assistência social em Gaza. Eles construíram e cuidaram de escolas, mesquitas e clínicas médicas.

Para parcela da população palestina, que se sentia acuada pela pesada mão de Israel, os meios violentos que o Hamas empregava para atingir seus objetivos eram justificáveis.

 

O resultado da Primeira Intifada

O legado mais importante da Primeira Intifada foi a emergência de conversas de paz entre Palestinos e Israelenses. Isso levou aos Acordos de Oslo, e ao processo de paz, baseados na Resolução 242 do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU).

Mas havia muitos outros problemas para se resolver ainda. Por exemplo:

  • Como orquestrar as necessidades de dois grupos com demandas diferentes no mesmo território sem desagradar a ambos?
  • Como lidar com a expansão do povoamento judeu?
  • Como respeitar o direito de retorno dos descendentes de palestinos sem enfurecer israelenses?
  • Como distribuir a água, recurso tão escasso na região?

As questões não só eram complexas, mas em algumas ocasiões pareciam impossíveis de resolver.

Então vieram as conversas com a participação de Bill Clinton.

 

Acordos de Oslo (1993) – Paz entre Israel e a OLP

É nesse momento que Bill Clinton reúne-se com o líder palestino Yasser Arafat e com o primeiro-ministro israelense Ytzhak Rabin com vistas a mediar um acordo que pudesse restabelecer a paz na região.

Rabin, Clinton e Arafat

Rabin (à esquerda), Clinton (no centro) e Arafat (à direita)

Os acordos lograram atingir alguns objetivos como:

  • Estabelecer a paz entre Israel e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP);

 

  • O reconhecimento, por parte da OLP, da existência do Estado de Israel;

 

  • Israel, por seu turno, deixa de considerar a OLP como um movimento terrorista;

 

  • A criação da ANP (Autoridade Nacional Palestina), um embrião daquilo que seria o futuro Estado da Palestina.

 

  • Engendrou uma força policial (não exército) própria para os territórios palestinos, a coleta de impostos e as demais funções que todos os países devem ter. Inclusive o cargo de presidente.

 

  • Definiu eleições democráticas disputadas por partidos e facções.

 

A Organização para a Libertação da Palestina (OLP)

Englobava, dentre outros, o movimento Fatah, mais moderado.

A OLP reconhece o Estado de Israel e está disposta a negociar uma paz condicionada para que ambos, palestinos e judeus possam resolver suas contendas. A sede da Organização fica em Ramala, onde o Brasil tem uma representação (que é diferente de embaixada).

O Hamas, por seu turno, não faz parte da OLP. Ele não reconhece o Estado de Israel e prega a resistência armada.

Na realidade, até os dias de hoje o Hamas tem causado uma série de problemas tanto para Israel quanto para a própria Palestina ao instigar os palestinos a rebelaram-se contra israelenses por quaisquer motivos.

 

Paz entre Israel e Jordânia (1994)

Os únicos Estados árabes a firmarem a paz com Israel são o Egito e a Jordânia. Atualmente, Israel ainda está, oficialmente, em guerra com o Líbano e com a Síria.

Em 1995, Yitzhak Rabin, primeiro-ministro israelense responsável pela assinatura dos Acordos de Oslo, é assassinado por um judeu radical o qual se opunha, veementemente, à causa palestina.

 

Bill Clinton e a Questão Palestina

O primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, estava disposto a entregar mais terras reivindicadas por Israel do que em qualquer outra época da história. Até mesmo Yasser Arafat, líder palestino, ficou surpreso.

Embora nem todas as questões tenham sido abordadas, Clinton parecia estar no caminho certo para uma resolução diplomática desse conflito.

Infelizmente, no fim das contas isso não aconteceu. A participação de Clinton é vista por muitos com um fracasso.

O governo de Ehud Barak saiu da discussão severamente prejudicado, e assim abriu espaço para que, no ano de 2000, o candidato a Primeiro Ministro, Ariel Sharon, liderasse um grupo de 1000 guardas armados rumo ao Monte do Templo na Cidade Antiga de Jerusalém.

 

A ascensão de Ariel Sharon

Para os muçulmanos, ali ficava o local conhecido como Mesquita Al-Aqsa, o terceiro lugar mais sagrado no Islã, atrás apenas do Kaaba, em Meca, e da Mesquita do Profeta, em Medina.

Ariel Sharon

Ariel Sharon

O local também é o mais sagrado do Judaísmo, ou seja, é impossível marchar ali com mil soldados armados e não gerar problemas em algum dos lados.

Por essa razão esses eventos provocaram um protesto gigantesco, o qual eventualmente ocasionou a muito mais violenta Segunda Intifada, na qual mais de três mil palestinos e mil Israelenses foram mortos.

Em 2002, os israelenses, alegando agir em defesa dos civis, começaram a construção de um muro ao redor da Cisjordânia, mas ao invés de seguir as fronteiras estabelecidas depois da Guerra de 1967, a barreira foi construída para incluir muitos assentamentos israelenses.

Para Israel isso foi somente uma movimentação de autopreservação, de autodefesa.

Mas os palestinos obviamente interpretaram a ação como uma tomada de território ilegal.

 

A Segunda Intifada (2000 – 2004)

segunda intifada

Foi causada pela marcha de Sharon e seus 1000 soldados em solo sagrado tanto para judeus quanto para muçulmanos. A visita de Ariel Sharon à mesquita em Jerusalém Oriental foi interpretada pelos palestinos como um ato de provocação de Israel em relação aos palestinos

Durante a Segunda Intifada, ainda em 2002, houve a chamada Iniciativa Árabe de Paz.

Tratava-se de uma proposta de reconhecimento do Estado de Israel, contanto que israelenses encerrassem suas ocupações em territórios palestinos e possibilitassem a criação de um Estado Palestino, que deveria conter Jerusalém Oriental (ocupada por Israel desde a Guerra dos Seis Dias).

 

A morte de Yasser Arafat

Yasser Arafat morreu em 2005, ainda durante a Segunda Intifada.

É certo que ele, a principal liderança palestina, não era admirado pelos israelenses. Apesar disso, era possível considerá-lo uma pessoa equilibrada, especialmente se comparado ao outro grupo que lutava pelo controle da Palestina, o Hamas.

Yasser Arafat

Yasser Arafat

A morte do líder palestino trouxe a Israel a pior das situações: a ascensão do Hamas, um grupo muito mais radical e violento que o Fatah, que era liderado por Arafat.

Nas eleições seguintes, o Hamas ganhou a maioria dos assentos parlamentares e, desde então, o Hamas e a Autoridade Palestina têm dividido o governo do território palestino.

A situação do conflito entre judeus e palestinos é ainda mais complexa do que parece, porque mesmo entre os palestinos há uma subdivisão. Atualmente, Hamas e Autoridade Palestina brigam pelo controle do governo local. Embora os conflitos não sejam armados, eles demonstram uma clara cisão ideológica entre os próprios palestinos.

Os judeus afirmam, com razão, que se os palestinos não forem capazes de chegar a um consenso entre eles mesmos, jamais serão capazes de o fazer com Israel.

 

Ariel Sharon em Coma

Ariel Sharon entra em coma no mesmo ano em que Yasser Arafat morreu, 2005.

Sharon, apesar de pertencer à linha-dura, retirou, unilateralmente, assentamentos israelenses da Faixa de Gaza. Ele demonstrava realmente buscar a paz naquele conturbado território.

Muitos colonos judeus, retirados à força dos assentamentos, sentiram-se traídos por seu próprio Estado. Atualmente a Faixa de Gaza é habitada praticamente só por Palestinos.

O coma durou até 2014, quando o ex-primeiro-ministro israelense faleceu.

 

Um Hamas radical

militantes do Hamas

Com as eleições de 2006, o Fatah, grupo moderado de palestinos, perde as eleições e abre espaço para a primeira liderança formal do Hamas, odiado pelos israelenses e considerado um grupo terrorista.

Nos últimos dez anos, o Hamas lançou uma série de ataques de foguetes em direção a Israel.

Os israelenses têm respondido com incursões ao território palestino que frequentemente acabam em mortes violentas, principalmente da população palestina.

Ambas as partes alegam estar respondendo a provocações, mas muito do conflito reflete o fracasso consistente dos dois lados em entender a legitimidade da narrativa do outro.

Para a Palestina, ao povo palestino tem sido negado um Estado não apenas desde a formação de Israel, mas também por várias décadas antes disso. Agora eles vivem sob aquilo que pode ser considerado uma ocupação militar.

Sob o ponto de vista de Israel, o povo judeu claramente precisa de uma pátria e seu direito deve ser respeitado uma vez que a própria ONU assim determinou.

 

A Conferência de Annapolis (2007)

Realizada por meio de uma iniciativa do presidente norte-americano George W. Bush, a conferência, realizada nos Estados Unidos, foi inovadora. Pela primeira vez na história, todos os envolvidos concordaram que a única saída viável para a região seria a criação de dois Estados distintos.

Mais do que isso, o engendramento desses dois Estados tornou-se um objetivo.

Várias nações participaram da conferência, ao todo foram 40 países, inclusive o Brasil, único país latino-americano convidado.

 

O Processo de Paz entre Israel e Palestina

Há Seis questões centrais:

  • Jerusalém: Israel considera Jerusalém sua capital, entretanto as embaixadas ficam em Tel-Aviv, pois Jerusalém não é considerada, internacionalmente, a capital.  Israelenses não estão dispostos a negociar o controle Jerusalém, pois a consideram uma cidade indivisível.

Na prática, Jerusalém é uma cidade dividida. Jerusalém Ocidental é ocupada por judeus e Jerusalém Oriental, por árabes-muçulmanos. Palestinos acreditam que Jerusalém Oriental deveria ser a capital do futuro Estado Palestino.

Essa questão aparenta ser um dos pontos inegociáveis entre os dois grupos.

 

  • Refugiados: não podem retornar ao território controlado pela Palestina, são aproximadamente 4 milhões de pessoas. Israel teme que a inundação do território com palestinos ocasione uma dominação numérica, que certamente ameaçaria um espaço que deveria ser predominantemente judeu.

 

  • Colonos/Assentamentos: em Gaza e na Cisjordânia. Israel já permitiu e proibiu assentamentos judeus nessas regiões inúmeras vezes. Atualmente, assentamentos estão proibidos, entretanto, nada impede que sejam reiniciados a qualquer momento.

 

  • Garantias de Segurança: exigidas por Israel. Não querem mais sofrer ataques terroristas e querem garantias objetivas acerca dessa questão.

 

  • Fronteiras: do futuro Estado Palestino. A Aliança Nacional para a Palestina reivindica as fronteiras pré-1967 (de antes da Guerra dos Seis Dias), os territórios de Gaza e da Cisjordânia em sua totalidade.

É importante lembrar que o território não é contíguo, seria necessário conectá-los fisicamente e, para isso, Israel precisaria cooperar e abrir mão de parte de suas terras.

 

  • Relações de Israel com seus vizinhos: apenas o Egito e a Jordânia reconhecem Israel. A Síria demanda as Colinas de Golã até hoje.

 

Observações importantes

  • O fato de a Palestina estar dividida entre Fatah e Hamas torna as negociações muito mais difíceis. Israel reclama desse problema e exige que a Palestina tenha apenas uma liderança.
  • O Muro da Cisjordânia, erigido por israelenses na época de Sharon, separa Israel da Cisjordânia. A Corte Internacional de Justiça já decidiu que o muro é ilegal, mas essa decisão não teve quaisquer repercussões na vida dos palestinos. O muro continua de pé.

 

Conclusão

pássaros na praia representando paz

Israel certamente não é a primeira nação-Estado a consolidar e aumentar seu território pela via militar.

É legítimo que israelenses queiram defender seu território contra as ameaças que os cercam. E são muitas ameaças! Além do problema mais imediato em relação aos palestinos, Israel é um país cercado de inimigos e mesmo aqueles países árabes que afirmam ser indiferentes à nação judaica estão muito longe de serem considerados aliados.

A realidade é que o território da Palestina/Israel se transformou no palco de duas ideologias nacionalistas concorrentes.

Dependendo da interpretação, tanto israelenses quanto palestinos têm direitos reais em relação àquele chão. Os dois lados têm reivindicações justas. O problema está no fato de esses direitos invariavelmente invadirem o direito do outro grupo.

Apesar dessas dificuldades que hoje parecem intransponíveis, esses problemas não têm milhares de anos e não são impossíveis de resolver. Eles emergiram durante o mandato Britânico e, assim como foram criados, podem ser solucionados.

Nós precisamos entender que isso não é uma guerra religiosa sem fim, mas um problema com motivações muito mais terrenas que se possa imaginar.


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