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Sinopse

ATUALIDADES

Entenda a crise que provoca a paralisação do governo dos EUA

Congresso precisava aprovar orçamento para permitir gastos federais.

Museus, parques e emissão de passaportes devem parar.

Um impasse político em torno do orçamento dos Estados Unidos vai fazer com que grande parte do setor público do país pare de funcionar a partir da 0h01 desta terça-feira (1º).

Entenda o que levou o país a essa situação e o que pode acontecer.

Por que os Estados Unidos vão parar?

O governo federal ficou sem permissão para gastos não essenciais.

Por que isso acontece?

O Congresso precisava aprovar um Orçamento para permitir os gastos federais, o que costuma ser feito com antecedência – mas o prazo terminou nesta segunda-feira (30).

Sem esse orçamento, o governo federal vinha tendo seus gastos garantidos por permissões temporárias, chamadas de “resoluções continuadas”. A última, aprovada em março, expirou nesta segunda.

Os EUA estão sem dinheiro para pagar essas contas?

Não. No momento, o que falta é essa autorização para realizar gastos. Em algumas semanas, no entanto, o país deve atingir o limite de endividamento aprovado pelo Congresso. Se um acordo para elevar esse limite não for alcançado, aí sim, poderá faltar dinheiro ao governo para pagar empréstimos e cumprir compromissos financeiros.

O que acontece sem a aprovação para continuar a gastar?

A partir da 0h01 desta terça-feira (1º), os serviços considerados não essenciais devem ser paralisados. Cerca de 800 mil trabalhadores federais serão colocados em licença não remunerada.

Quais serviços serão interrompidos?

Ficarão fechados parques nacionais e museus. A emissão de passaportes para norte-americanos poderá ser interrompida ou sofrer atrasos, assim como de vistos para estrangeiros (a porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki, no entanto, afirmou que isso não deve ocorrer ao menos em um primeiro momento). O processamento de impostos pode sofrer atrasos, assim como o pagamento de alguns benefícios, como os direcionados aos veteranos das Forças Armadas.

Também podem ser interrompidos os pagamentos de subsídios agrícolas e novas concessões de benefícios sociais e de garantias federais para empréstimos, incluindo para pequenas empresas e compra de imóveis. Serviços de coleta de lixo também podem sofrer interrupção em Washington, onde são controlados pelo governo federal.

O que continua funcionando?

O fechamento não deve afetar o controle de tráfego aéreo, controle de passaportes, pagamentos de pensões, correios, serviços militares, serviços médicos e controle de fronteiras, entre outros.

Por que o Congresso não aprovou uma nova permissão para gastos?

Há um impasse entre os partidos Democrata, do presidente Barack Obama e Republicano. Os republicanos, que comandam a Câmara, se recusam a aprovar uma nova permissão de gastos se não forem atendidos dois pedidos: adiar em um ano a entrada em vigor da lei de assistência à saúde do presidente Obama – o chamado “Obamacare” – e eliminar um imposto criado para financiar a cobertura de pessoas sem plano de saúde. Essas pessoas devem começar a ser cadastradas nesta terça-feira. Os democratas, por sua vez, não querem mudanças no projeto de saúde.

Já houve outras paralisações como de agora?

Sim. A última aconteceu em 1995/1996, quando os serviços não essenciais foram paralisados uma semana antes do Natal, por 26 dias, durante o governo do também democrata Bill Clinton.

Quais as consequências para a economia?

A paralisação dos serviços pode impactar o crescimento econômico do país. Entre outras consequências, o governo pode ter mais dificuldade em vender títulos para se financiar, e acabar elevando as taxas de juros. Taxas mais altas atrapalham o crescimento da economia, pois tornam mais caro investir. Por outro lado, isso pode gerar consequências negativas para os demais países, pois juros mais altos nos EUA tenderão a atrair recursos e “esvaziar” de dólares o resto do mundo.

O que acontece agora?

Os serviços não essenciais devem permanecer paralisados até que o Congresso aprove um orçamento ou uma nova "resolução continuada" que forneça uma licença temporária para os gastos federais.

G1,01 de outubro de 2013

Petroleira OGX, de Eike Batista dá calote

A companhia de petróleo OGX, do empresário Eike Batista, concretizou o que era o maior temor dos investidores: o não pagamento de suas obrigações com os credores.

A companhia anunciou nesta terça-feira que optou por não pagar parcela referente à remuneração de notas emitidas pela controlada OGX Austria, no valor de US$ 45 milhões. O vencimento era hoje.

A OGX informa que tem 30 dias para adotar as medidas necessárias sem que seja caracterizado o vencimento antecipado da dívida. A expectativa do mercado é que a companhia entre com um pedido de recuperação judicial.

A empresa destaca que está em processo de revisão de sua estrutura de capital e de seu plano de negócios. Para conduzir as discussões com os credores, a companhia contratou como assessores o banco de investimentos Lazard e o Blackstone.

Valor Econômico, 01 de outubro de 2013

Dilma defende volta do Paraguai ao Mercosul, mas Cartes mostra cautela

Presidente brasileira garante que relações bilaterais seguem intactas e sugere que retorno do vizinho ao bloco é questão de tempo. Líder paraguaio afirma que regresso só acontecerá quando for útil para Assunção.

A primeira visita de Estado do presidente paraguaio, Horacio Cartes, ao Brasil foi dominada nesta segunda-feira (30/09) pela questão da volta do seu país ao Mercosul, um impasse que já se arrasta por mais de um ano.

Após uma reunião de cerca de uma hora e meia com Cartes, que tomou posse em agosto, a presidente Dilma Rousseff disse que o Paraguai está em processo de volta ao bloco, mas "no tempo deles". Ela reafirmou que o Brasil tem todo o interesse na volta do país ao Mercosul e que as relações bilaterais se mantiveram "intactas" durante o processo.

"Nós consideramos que essa participação do Paraguai no Mercosul tem um significado muito importante nesse momento e consideramos também que sermos capazes de integrar da Patagônia ao Caribe [fazendo referência à entrada da Venezuela] torna a nossa região um tecido multilateral muito mais forte", afirmou Dilma.

Cartes, por sua vez, disse que sabe da importância da integração física ampla do Mercosul, mas avisou que o Paraguai quer voltar a sentar "na mesa grande quando as coisas forem úteis" para ele também.

O Paraguai ficou suspenso do bloco por quase um ano como forma de retaliação de Brasil, Argentina e Uruguai pelo processo de impeachment que destituiu, em 2012, o então presidente Fernando Lugo. Após a eleição de Cartes, a suspensão foi revogada.

Sem a presença do Paraguai, a Venezuela foi incorporada ao bloco e ocupa hoje sua presidência rotativa. Cartes já havia deixado claro, quando tomou posse, que a entrada da Venezuela não estaria de acordo com os acordos internacionais firmados pelos fundadores do bloco, que preveem a aprovação pelo Legislativo de cada membro para o ingresso de um novo país.

Deutche Wille, 30 de setembro de 2013

Caso de espionagem dos EUA viola direitos humanos, diz Dilma na ONU

A presidente Dilma Rousseff usou nesta terça-feira o palanque privilegiado da Assembleia Geral da ONU para afirmar que a espionagem atribuída aos Estados Unidos, por meio da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês), representa uma violação dos direitos humanos e um desrespeito às soberanias nacionais.

Primeira líder a falar no debate geral de chefes de Estado da organização, a presidente disse que "a rede global de espionagem" da NSA provocou "indignação e repúdio" em "amplos setores da opinião pública mundial” e ainda mais no Brasil, onde ela própria, seus ministros e a Petrobras teriam sido alvo das ações.

"Estamos, senhor presidente, diante de um caso grave de violação dos direitos humanos e das liberdades civis", disse Dilma, dirigindo-se ao presidente desta sessão da Assembleia, John Ashe, embaixador de Antígua e Barbuda na ONU. "Da invasão e captura de informações sigilosas relativas a atividades empresariais e, sobretudo, de desrespeito à soberania nacional".

"Jamais pode uma soberania firmar-se em detrimento de outra soberania. Jamais pode o direito à segurança dos cidadãos de um país ser garantido mediante a violação de direitos humanos fundamentais dos cidadãos de outros países", protestou Dilma. "Pior ainda", continuou, quando empresas privadas fazem parte do esquema.

"Não se sustentam os argumentos de que a interceptação ilegal de informações e dados destina-se a proteger as nações contra o terrorismo. O Brasil", disse Dilma, "repudia, combate e não dá abrigo a grupos terroristas".

'Inadmissíveis'

Por tradição, cabe ao mandatário brasileiro abrir os trabalhos da plenária de líderes das Nações Unidas, o principal fórum que reúne os líderes dos 193 países-membro da organização. O tema deste ano era "Agenda de Desenvolvimento Pós-2015: Preparando o cenário".

Dilma Rousseff já tinha avisado que ancoraria o seu discurso na polêmica envolvendo a espionagem americana. Até a Casa Branca já esperava que ela fizesse críticas mais fortes aos EUA, mas ainda havia dúvidas sobre quão duro seria o tom que a presidente adotaria.

A versão final do discurso ficou pronta às 4h da manhã, e assessores do Planalto disseram que até no café da manhã a presidente ainda rabiscava mudanças no texto.

Indiretamente, a presidente fez menção à importância do caso na sua decisão de adiar uma visita ao Estado aos EUA em outubro.

"Governos e sociedades amigos, que buscam consolidar uma parceria estratégica, como é o nosso caso, não podem permitir que ações ilegais, recorrentes, tenham curso como se fossem normais. Elas são inadmissíveis."

Segundo documentos secretos da NSA revelados pela imprensa, o governo dos EUA teria interceptado telefonemas e e-mails da presidente e de seus principais assessores, assim como dados sigilosos da Petrobras.

As denúncias provocaram um forte abalo nas relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos, que culminaram com o adiamento de um encontro entre Dilma e o presidente americano, Barack Obama. A reunião estava prevista para ocorrer em outubro, em Washington.

Uso e segurança da internet

Como esperado, a presidente manifestou apoio a medidas voltadas para incrementar a segurança dos dados nas comunicações globais e a governança da internet.

Esse tema tem sido alvo de discussões em várias instâncias da ONU. No Conselho dos Direitos Humanos, em Genebra, por exemplo, cerca de 250 entidades assinaram uma carta de princípios internacionais com recomendações para que os governos não façam uso de práticas de vigilância ilícitas e abusivas nas comunicações globais.

A Alta Comissária das Nações Unidas para Direitos Humanos, Navi Pillay, e o relator especial para Liberdade de Expressão da ONU, Frank La Rue, já expressaram preocupação com as implicações das ações da NSA.

"O problema transcende o relacionamento bilateral (entre EUA e Brasil)", colocou Dilma. Ela disse que o Brasil apresentará propostas para criar um marco civil multilateral para garantir a liberdade de expressão na internet, estabelecer uma governança democrática e multilateral da rede e preservar o seu caráter de universidade, diversidade e neutralidade.

"As tecnologias de telecomunicações e informação não podem ser o novo campo de batalha entre os Estados. Este é o momento de criarmos as condições para evitar que o espaço cibernético seja instrumentalizado como arma de guerra, por meio da espionagem, da sabotagem, dos ataques contra sistemas e infraestruturas de outros países", defendeu a presidente.

Síria e Brasil

Dilma também falou de outros temas na ONU. Ela defendeu uma solução negociada para a Síria e disse que é uma "derrota coletiva" que a organização cumpra 70 anos, em 2015, "sem um Conselho de Segurança capaz de exercer plenamente suas responsabilidades no mundo de hoje".

Esta "limitada representação", disse Dilma, está relacionada às dificuldades da ONU em oferecer uma solução para o conflito sírio e à "paralisia" no tratamento das negociações de paz entre israelenses e palestinos.

A presidente defendeu ainda reformas no Fundo Monetário Internacional (FMI) para elevar a participação dos países emergentes em decisões que afetam a economia global, que continua "frágil", nas palavras da presidente.

Em outro ponto do discurso, a presidente se referiu aos protestos ocorridos no Brasil em junho, dizendo que, em vez de reprimi-los, o governo "ouviu e compreendeu as vozes das ruas. Porque nós viemos das ruas".

"Os manifestantes não pediram a volta do passado. Pediram um avanço para um futuro com mais direitos, mais conquistas sociais."

"Nossa estratégia de desenvolvimento exige mais, tal como querem todos os brasileiros e as brasileiras", afirmou.

Dilma também destacou conquistas sociais de seu governo, como a redução da desigualdade e a saída de milhões de brasileiros da pobreza.

Desenvolvimento sustentável

Ainda nesta terça-feira, a presidente Dilma Rousseff participa de uma sessão de alto nível para encaminhar as resoluções da Rio+20, realizada no ano passado.

A conferência discutiu o modelo de desenvolvimento sustentável que os governos devem buscar a partir de 2015, em substituição às metas básicas de redução da pobreza e elevação de indicadores sociais contidas nos Objetivos do Milênio.

"O grande passo que demos no Rio de Janeiro foi colocar a pobreza no centro da agenda do desenvolvimento sustentável”, disse Dilma. "A pobreza, senhor presidente, não é um problema exclusivo dos países em desenvolvimento, e a proteção ambiental não é uma meta apenas para quando a pobreza estiver superada."

A ONU estabeleceu o Fórum de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável, que reúne governos e chefes de Estado. A instância se reunirá a cada quatro anos na Assembleia Geral da ONU, com reuniões em nível ministerial uma vez por ano. Suas deliberações se traduzirão em declarações governamentais acordadas pelas partes.

A partir de 2016, a instância acompanhará a implementação das metas de desenvolvimento sustentável pelos países da ONU.

BBC Brasil ,25 de setembro de 2013

68 mortes confirmadas em ataque a shopping no Quênia

O presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, pediu neste domingo que o país permaneça "unido e forte" diante da adversidade provocada pelo ataque terrorista a um shopping center de Nairóbi, reivindicado por um grupo militante islâmico somali com ligações com a rede Al Qaeda.

A Cruz Vermelha queniana confirmou na noite deste domingo (meio da tarde em Brasília) que ao menos 68 pessoas morreram e 175 pessoas ficaram feridas em consequência do ataque.

Mais de 36 horas após a invasão do shopping por um grupo armado, cerca de 10 a 15 supostos membros do grupo militante Al-Shabab permaneciam entrincheirados dentro do edifício.

Alguns civis também permaneciam no shopping, como reféns ou escondidos. Segundo a correspondente da BBC Anne Soy, que estava a cerca de 300 metros do local, tiros intensos foram ouvidos por volta das 19h (13h de Brasília).

Ambulâncias também foram vistas deixando o local, assim como um caminhão coberto com mantas, sugerindo que poderia estar levando corpos. O shopping center Westgate é frequentado pela elite de Nairóbi e também é muito popular entre a comunidade estrangeira da cidade. Entre os mortos, estão ao menos três britânicos, além de cidadãos de França, China, Gana, Holanda, África do Sul, Índia, Canadá e Austrália.

O grupo militante somali Al-Shabab afirmou ter realizado o ataque como uma resposta contra as operações militares do Quênia na Somália. Cerca de 4.000 soldados quenianos estão no sul da Somália desde 2011, combatendo os militantes.

BBC Brasil , 22 de setembro de 2013

Sensação de 'mal estar' social contribui para protestos

A onda de protestos realizada em inúmeras cidades brasileiras é motivada por uma sensação de "mal-estar coletivo", compartilhada em especial pela juventude das grandes cidades.

Na opinião da maioria dos especialistas ouvidos pela BBC Brasil, o fenômeno é mais social do que político e concentra-se nas regiões metropolitanas, onde as sucessivas políticas públicas executadas por governantes locais teriam deixado de atender aos principais anseios da população, sobretudo os mais jovens.

Eles, no entanto, refutaram uma comparação com a chamada Primavera Árabe, a onda de protestos ocorrida no Oriente Médio, que resultou na derrubada de regimes autoritários.

Na semana passada, manifestantes tomaram as ruas de pelo menos seis cidades brasileiras para protestar contra o aumento das tarifas do transporte público. Em São Paulo, na quinta-feira, a polícia reprimiu uma passeata e acabou ferindo várias pessoas, incluindo jornalistas.

No sábado e domingo, novos protestos voltaram a ocupar o noticiário nacional, dessa vez nas imediações dos estádios de Brasília (Mané Garrincha) e Rio de Janeiro (Maracanã) onde foram realizados os primeiros jogos da Copa das Confederações.

Novas manifestações foram marcadas para esta segunda-feira.

Motivações

Em suas interpretações sobre as causas dos protestos, sociólogos e cientistas políticos destacam a insatisfação dos jovens com a administração pública e com as condições de vida nas grandes cidades.

"Existe uma espécie de mal-estar difuso, sem um foco claro. Há uma espécie de ressentimento e frustração de ordem social, alimentados por um estilo de gestão que não oferece diálogo à população", afirmou à BBC Brasil o sociólogo Gabriel Cohn, ex-diretor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH-USP).

Cohn, porém, acredita que esse mal-estar também reflete "uma insegurança dos jovens em relação a seu futuro. Nos últimos anos, o Brasil passou por profundas transformações, o que gerou fortes expectativas dessa camada social, e há uma ansiedade justificada por parte deles se isso vai se sustentar ou avançar nos próximos anos", acrescentou.

Para o sociólogo Aldo Fornazieri, diretor acadêmico da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), os protestos são uma crítica à mobilidade urbana, sobretudo por parte dos jovens, que se ressentem da falta de representatividade nas diferentes esferas de administração pública.

"As manifestações refletem uma insatisfação sobre o modo sufocante de viver nas grandes cidades, cada vez mais hostis à população em geral. Isso cria uma espécie de uma anomalia social, uma sensação de não pertencimento. Para piorar, o poder público não está conseguindo garantir qualidade de vida aos moradores dos grandes centros urbanos", disse Fornazieri, que diz conhecer alguns dos líderes do MPL, aos quais deu aulas.

"A principal bandeira é o transporte público porque o jovem - especialmente o de classe média baixa - que muitas vezes precisa trabalhar e estudar, é o mais afetado por tudo isso. Essa situação gera uma angústia na juventude, que não se vê representada nem nos sindicatos nem nas associações estudantis, pois estes estão relativamente acomodados em suas conquistas", acrescentou.

A socióloga Angela Maria Araújo, da Unicamp, concorda em parte. Ela vê as manifestação como um protesto dos jovens contra a gestão da cidade e à falta de perspectivas geradas por uma educação deficiente.

Para ela, o movimento está principalmente relacionado "a um descontentamento dessa parcela da população mais jovem com as condições em que vivem nos grandes centros urbanos. O transporte é de péssima qualidade e o trânsito, caótico", disse.

"Além disso, as escolas não dão resposta às expectativas desses jovens", acrescentou.

Já o cientista político Ricardo Ismael, da PUC-Rio, define o protesto como "um movimento social urbano vinculado à qualidade do transporte público".

"É um fenômeno restrito às regiões metropolitanas que revela uma insatisfação em relação aos governantes, que deixaram de lado as políticas públicas para a melhoria desse setor."

Na avaliação do sociólogo Bolívar Lamounier, os protestos foram incentivados, em parte, por uma "impaciência com a corrupção e com a inflação".

Reação da polícia

De acordo com os analistas, a reação da polícia às manifestações, especialmente em São Paulo, acabou por dar musculatura à mobilização popular, atraindo novos adeptos e também novas causas.

"Inicialmente, os manifestantes protestaram contra o aumento da tarifa dos transportes públicos. Naquela ocasião, nem todos apoiavam a causa. Mas, por causa da truculência da polícia, o movimento ganhou simpatizantes, que se solidarizaram às suas causas e também passaram a reivindicar outras propostas", afirmou Ismael, da PUC-Rio.

"Há um sentimento de reivindicação legítima, e a maneira como o governo vem tratando a questão não é a mais adequada no ambiente democrático", acrescentou.

"Apesar de não vivermos em um regime autoritário, vemos o avanço real de forças truculentamente conservadoras na sociedade", afirmou Cohn, da USP.

Primavera Árabe?

Embora admitam que a convocação dos protestos por meio das redes sociais é similar ao da Primavera Árabe, os especialistas descartaram uma semelhança mais profunda com a onda de protestos que varreu o Oriente Médio e, mais recentemente, a Turquia.

"Diferentemente da Primavera Árabe, as manifestações aqui não são contra o governo instalado", disse Araújo, da Unicamp.

"Eles não querem derrubar o governante, mas serem ouvidos, ou seja, que a política pública exista através do diálogo", defende Ismael, da PUC-Rio.

Entretanto, os analistas ouvidos pela BBC Brasil têm visões diferentes sobre a vocação política das manifestações.

Falando sobre os protestos ocorridos em São Paulo, Cohn diz que não vê insatisfação política pois, em sua opinião, os manifestantes não advogam "grandes causas".

"Quem é o objeto das manifestações?", questiona. "O movimento é fraco politicamente porque é muito reativo, pois não propõe ou defende questões reais. Trata-se apenas de um estímulo para reagir e correr para a rua. Uma ação propositiva faria mais sentido", afirmou.

Ismael, da PUC-Rio, discorda. Para ele, existe um descontentamento "político" pela crítica aos governantes.

"Não é porque as manifestações não pediram a renúncia de um determinado governante que não existe vocação política por trás dessas mobilizações popularares", afirmou.

"Eu diria até que foi esse apartidarismo que vem unindo mais e mais manifestantes. Caso contrário, se fizesse escolhas políticas, o movimento certamente perderia força", avaliou.

Já Bolívar Lamounier diz acreditar que, em São Paulo, o protesto foi insuflado por "grupos trotskistas" e que tem como alvo o governador do Estado, Geraldo Alckmin.

Luis Guilherme Barrucho, BBC Brasil, 17 de junho 2013

Protestos se espalham pelo país e manifestantes ocupam Congresso

Mais de 500 mil pessoas tomaram as ruas de diversas capitais do Brasil nesta segunda-feira, na maior manifestação popular no país em mais de 20 anos, para reivindicar melhores serviços públicos, combate à corrupção e protestar contra os gastos com a Copa do Mundo de 2014.

Com uma pauta de reivindações difusa, a onda de protestos turbinada pelas redes sociais e que inicialmente teve o aumento da tarifa de ônibus como alvo, também deu voz a críticas sobre a ação policial da semana passada, que terminou com dezenas de prisões e feridos, especialmente na capital paulista.

Apesar de a manifestação ter ocorrido de forma pacífica na maioria das cidades, no Rio de Janeiro a Assembléia Legislativa e houve embates com policiais. Em Brasília, manifestantes invadiram a área externa do Congresso Nacional e a segurança do Palácio do Planalto foi reforçada.

A gigantesca onda de protestos em todo o país fez com que a presidente Dilma Rousseff se manifestasse por meio da ministra-chefe da Secretaria de Comunicação, Helena Chagas.

De acordo com a ministra, a presidente "considera que as manifestações pacíficas são legítimas e são próprias da democracia e que é próprio dos jovens se manifestar".

Os protestos ganharam força e se disseminaram principalmente depois da quinta-feira passada, quando a manifestação em São Paulo tornou-se violenta e houve denúncias de abusos que teriam sido cometidos pela Polícia Militar.

Nesta segunda-feira, a concentração dos manifestantes na capital paulista ocorreu no Largo da Batata, zona oeste do município. O contingente, estimado pela Polícia Militar em 65 mil pessoas, se dividiu tomando as direções da Avenida Paulista e da Marginal Pinheiros. Por volta das 22h, um grupo chegou ao Palácio do Governo, no bairro do Morumbi.

GOTA D'ÁGUA

Segundo declarações de manifestantes, o aumento da passagem foi apenas o episódio que deflagrou a onda de reivindicações.

"Isso é só o começo. Os protestos vão continuar até a Copa e, se não aceitarem nossas demandas, eles vão se intensificar", disse o bancário Rafael, de 23 anos, que também não quis dizer seu sobrenome. "O preço da passagem foi a gota que fez o copo transbordar."

Apesar de taxas de desemprego nas mínimas históricas, o país enfrenta inflação rondando o teto da meta do governo e crescimento econômico tímido. As manifestações ganham corpo durante a realização da Copa das Confederações, teste final antes do Mundial de 2014 no Brasil, e pouco mais de um ano antes das eleições presidenciais.

Reuters Brasil, 17 de junho 2013

Conheça os principais desafios do novo presidente do Irã

Centenas de milhares de pessoas ocuparam as ruas da principais cidades iranianas para celebrar a vitória do clérigo moderado Hassan Rouhani nas eleições presidenciais da sexta-feira passada.

Para muitos, foi também uma razão para comemorar o fim da era do presidente Mahmoud Ahmadinejad com gritos de "Bye bye, Ahmadi!"

Muitos acreditam que Ahmadinejad, eleito duas vezes em eleições cercadas por controvérsias, colocou o Irã em um caminho de ruína econômica e confrontação com o resto do mundo.

Rouhani chega ao poder com a promessa de resgatar o Irã do isolamento, pôr fim às sanções internacionais e reverter uma inflação galopante. Mas será que ele consegue?

Abaixo, entenda alguns dos principais desafios de Hassan Rouhani à frente da Presidência do Irã.

Apesar dos iranianos estarem atravessando uma situação econômica difícil, com inflação alta e desemprego, a primeira demanda de muitos para o novo presidente é a libertação de prisioneiros políticos.

Isso ficou claro nos slogans de muitos dos que foram às ruas celebrar a vitória de Rouhani e também durante a campanha eleitoral.

De acordo com uma investigação do jornal britânico The Guardian, há cerca de 800 prisioneiros políticos, além de prisioneiros de consciência (presos por motivos políticos ou religiosos), no Irã hoje.

Os mais conhecidos são os líderes do partido de oposição Movimento Verde, Mir Hussein Mousavi, sua mulher, Zahra Rahnavard, e Mehdi Karroubi, que estão sob prisão domiciliar há dois anos.

Mas além de políticos, também estão presos jornalistas, advogados, ativistas de direitos humanos, blogueiros, feministas, além de padres e clérigos sunitas.

Se Rouhani conseguir garantir a libertação desses prisioneiros passará pelo seu primeiro teste de autoridade e poderá abrir a atmosfera política no Irã, pondo fim à repressão política que prevalece no momento.

Em vários aspectos, a capacidade de Rouhani, que é clérigo, de implementar mudanças vai depender de seu relacionamento com o líder supremo Aiatolá Ali Khamenei, que é o líder de facto dos políticos linha-dura e detém a última palavra em várias questões estratégicas e cruciais para o país.

O novo presidente não é exatamente um liberal. Até hoje ele é o representante do líder supremo no Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, que lida com questões delicadas relacionadas à segurança e relações exteriores, como o programa nuclear.

Ao mesmo tempo em que Rouhani precisa que os linha-dura cooperem com ele, os linha-dura também precisam dele para salvar o regime, que sofre com os efeitos de sanções internacionais e da má condução da economia.

Rouhani parece ser alguém com quem o líder supremo deve poder negociar.

A figura de Rouhani representa uma rejeição ao isolacionismo e a políticas extremistas do líder supremo. O voto de sexta-feira enfraqueceu consideravelmente a posição de Khamenei.

A economia iraniana está em recessão. A taxa de inflação oficial chega a 30%, mas índices extraoficiais apontam para uma alta muito maior dos preços.

A inflação dos alimentos bateu 60%. O desemprego já atingiu 12% da população. A má administração é notória, mas é preciso reconhecer o peso das sanções internacionais no mau desempenho da economia. Sanções impostas às exportações do petróleo reduziram a maior fonte de renda do país em 65%.

Sanções contra os bancos também causaram grande impacto nas transações comerciais do país com o resto do mundo, tornando impossível para o Irã trazer seus petrodólares de volta ao país. A escassez do dólar levou à queda acentuada da moeda nacional, rial, que desvalorizou cerca de 80% no ano passado.

O novo presidente espera resgatar alguns setores da economia, mas ele precisa pôr fim às sanções para que o Irã retome o rumo do crescimento.

Nos debates televisivos durante a campanha eleitoral, quase todos os candidatos, incluindo conservadores e os linha-dura criticaram um dos candidatos, Saeed Jalili, por desperdiçar várias rodadas de negociações entre o Irã e potências mundiais sobre o programa nuclear do país.

Jalili, que chegou em terceiro na disputa presidencial com 11% dos votos, tem sido o principal negociador iraniano para questões nucleares desde 2007.

Ele foi acusado por outros candidatos de não conseguir avançar nos diálogos e abrir caminho para uma pilha de sanções que hoje pesam sobre o Irã.

Está claro que até na cúpula do governo há grandes divisões sobre como proceder nessas negociações.

O novo presidente acredita ser possível que o Irã mantenha seu programa nuclear e ao mesmo tempo tranquilize as potências mundiais.

Esta é uma proposta difícil, mas, se conseguir, ele deve angariar o apoio do líder supremo iraniano. Se não, o espectro de guerra vai continuar a pairar sobre o Irã.

O novo presidente assume com a promessa de melhorar as relações do Irã com outros países e essa é uma área em que ele deverá conseguir deixar sua marca.

Rouhani tem experiência diplomática, tendo sido o principal negociador iraniano para assuntos nucleares sob o governo do presidente anterior a Ahmadinejad, Mohammad Khatami.

Ele deve começar reestabelecendo laços com a Grã-Bretanha, que fechou sua embaixada em Teerã em 2011 após um ataque. Em represália, o Irã também ordenou o fechamento da embaixada iraniana em Londres.

A primeira reação americana à eleição de Rouhani foi oferecer diálogo direto com Teerã sobre o programa nuclear e as relações bilaterais. No atual clima de euforia que paira sobre a capital iraniana, muitos sentem que isso agora seja possível.

BBC Brasil, 17 de junho 2013

Ataques de Israel a Síria elevam tensões regionais

Os ataques de Israel ao território sírio desataram uma escalada de tensões na região.

Segundo a TV estatal síria, foguetes disparados por Israel atingiram um complexo militar de pesquisas científicas em Damasco neste sábado. Grandes explosões foram ouvidas na cidade e uma imagem divulgada pela Ugarit News mostra uma coluna de fumaça perto do local onde teria ocorrido o ataque, em Mount Qassioun - embora suas origens não tenham sido confirmadas.

"Foi como um terremoto e o céu ficou amarelo e vermelho", relatou Najwa, de 72 anos, à agência de notícias AFP. No dia anterior, outro ataque teria sido feito por Israel contra um carregamento de mísseis sírios cujo destino seria o grupo libanês Hezbollah, na versão de autoridades israelenses.

Neste domingo, o Irã acusou os Estados Unidos de estarem por trás do ataque da véspera e ameaçaram Israel.

"O ataque realizado pelo regime sionista vai encurtar a existência desse regime", disse o ministro da Defesa iraniano, general Ahmad Vahidi, segundo o site da Guarda Revolucionária do Irã.

"Ele foi realizado com a luz verde dos EUA e revela ligações entre terroristas mercenários e seus mestres do regime sionista. "

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Ramin Mehmanparast, também condenou a ação israelense e conclamou os países da região a "resistirem sabiamente a tais agressões", segundo a agência de notícias Fars.

Mais cedo, o presidente Mahmoud Ahmadinejad havia exigido, durante um discurso, que as potências ocidentais deixassem de intervir no conflito sírio.

BBC Brasil, 05 de maio de 2013

Israel ataca centro de pesquisas científicas em Damasco

Israel atacou na madrugada deste domingo (5) um centro de pesquisas científicas em Jamraya, na região de Damasco, informou a agência oficial de notícias síria Sana. De acordo com a agência, o ataque foi realizado com mísseis e o número de vítimas não foi divulgado.

A TV síria confirmou o ataque afirmando que a "agressão israelense visa a aliviar a pressão sobre os terroristas em Ghuta do Leste", região do subúrbio de Damasco. A mídia americana revelou no sábado que a aviação israelense atacou o território sírio na madrugada de sexta-feira, para destruir armas que poderiam ser entregues ao movimento xiita libanês Hezbollah.

No Líbano, uma fonte diplomática indicou à AFP que o ataque destruiu mísseis terra-ar fornecidos recentemente pela Rússia, que estavam armazenados no aeroporto de Damasco. Na sexta, a agência Sana anunciou o disparo de dois foguetes, por parte dos rebeldes, contra o aeroporto de Damasco, atingindo um avião e um reservatório de querosene.

Uma fonte militar síria desmentiu o ataque de sexta-feira e o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, não confirmou a informação. Segundo a rede de televisão americana CNN, "agências americanas e ocidentais de inteligência obtiveram informações confidenciais indicando que Israel executou um ataque aéreo entre quinta e sexta-feira", após aviões de combate deste país sobrevoarem o Líbano.

De acordo com a rede NBC, "o principal alvo de Israel era uma carregamento de armas destinado ao Hezbollah, no Líbano", referindo-se ao movimento xiita libanês, inimigo de Israel. Um comunicado do Exército libanês indicou vários sobrevoos de caças-bombardeiros israelenses na noite de quinta para sexta-feira.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou neste sábado que Israel tem o direito de se defender da transferência de armas da Síria para o Hezbollah, mas se negou a comentar a informação de que Israel atacou o território sírio. "Não vou fazer comentários sobre o que ocorreu na Síria ontem, mas acredito que os israelenses, de maneira justificada, devem se proteger contra a transferência de armas sofisticadas para organizações terroristas como o Hezbollah".

Obama afirmou que cabe ao Estado hebreu "confirmar ou negar qualquer medida que tenha adotado" para se defender da ameaça. "Temos uma estreita coordenação com os israelenses e reconhecemos que estão muito próximos da Síria e muito próximos do Líbano", destacou o presidente.

G 1, 04 de maio de 2013

ONU encerra reunião sobre acordo do clima na Alemanha

Encontro foi preparação para conferência que ocorre em novembro, em Varsóvia. Antes, países se reúnem mais uma vez no início de junho. Brasil usou reunião para divulgar queda no desmatamento na Amazônia.

Mais uma rodada de conversas para o fechamento do acordo do clima, em 2015, teve fim nesta sexta-feira (03/05) em Bonn, na Alemanha. Durante uma semana, cerca de 170 países participaram de workshops e discussões. Estados Unidos e China foram, novamente, centro das queixas. “Mas não vamos resolver tudo só com EUA e China, embora também seja impossível resolver sem eles”, afirmou Christiana Figueres, secretária-executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC).

Figueres disse ainda que “nenhum governo está fazendo o suficiente” e que todos precisam “rever seus níveis de ambição”. Segundo ela, é necessário mais esforço porque "quanto mais as soluções demorarem, mais elas vão ficar caras”.

O Brasil foi representado no encontro pelo embaixador André Aranha Corrêa do Lago, chefe do Departamento de Meio Ambiente do Itamaraty. Ele apresentou aos membros signatários da UNFCCC que a União tem investido pesado no combate ao desmatamento na Amazônia.

“Conseguimos reduzir o desmatamento em 83% de 2005 até 2012, o que significa que as nossas emissões de CO2 também caíram. Não podemos, no entanto, nos descuidar”, disse.

Corrêa do Lago acredita que essa fase de “diálogo” entre os diplomatas é essencial para o próximo passo: as negociações. Elas devem começar em novembro, na Conferência do Clima, em Varsóvia. Antes será realizada outra temporada de reuniões preparatórias também em Bonn, só que um pouco mais longa, de 3 a 14 de junho.

No relatório de conclusão dos trabalhos deste início de maio, a UNFCCC comunicou que os mais de mil participantes inscritos descobriram e definiram formas de despoluir o meio ambiente e, principalmente, viabilizar alternativas sustentáveis de produção de energia.

Deutche Wille, 03 de maio de 2013

Polícia mata um suspeito de atentado em Boston e caça o outro

A polícia matou nesta sexta-feira um suspeito de cometer o atentado desta semana na Maratona de Boston, e está revistando casas em Watertown, no subúrbio da cidade, em busca de outro envolvido, após uma madrugada violenta com tiros e explosões nas ruas.

Uma autoridade nacional de segurança identificou o suspeito morto como Tamerlan Tsarneav, de 26 anos, e o foragido como Dzhokar A. Tsarnaev, de 19 anos. Os irmãos se radicaram nos EUA há vários anos, segundo essa fonte.

As autoridades interditaram vários quarteirões de Watertown e orientaram os moradores a não saírem de casa nem abrirem as portas a estranhos, e disseram que o suspeito foragido está armado e é perigoso. Os transportes públicos na região metropolitana de Boston foram suspeitos, e o espaço aéreo sofreu restrições.

Durante a noite, um guarda universitário foi morto, um policial de trânsito ficou ferido, e os suspeitos roubaram um veículo antes de começarem a ser perseguidos pela polícia em meio a um tiroteio.

O homem que morreu era o suspeito identificado em fotos na cena do atentado como o suspeito número 1 -- o que usava boné escuro e óculos de sol. O suspeito 2, que está sendo caçado, aparecia nas fotos com boné branco virado para trás.

"Acreditamos que (o suspeito foragido) seja um terrorista", disse o comissário de polícia de Boston, Ed Davis. "Acreditamos que seja um homem que veio aqui para matar pessoas. Precisamos colocá-lo sob custódia."

Uma grande quantidade de policiais fortemente armados e blindados foi a Watertown para realizar buscas em cada casa, numa área de 20 quarteirões.

Segundo a polícia, os dois suspeitos portavam explosivos durante o confronto com a polícia na noite de quinta-feira e na madrugada de sexta. Artefatos suspeitos foram submetidos a explosões controladas.

Os dois homens são suspeitos de terem preparado bombas caseiras com panelas de pressão, as quais foram deixadas dentro de mochilas perto da linha de chegada da famosa Maratona de Boston, na segunda-feira.

Scott Malone e Tim McLaughlin, Reuters Brasil, 20 de abril de 2013

Brasil deve recuperar posto de 6ª maior economia em 2013, mostra FMI

Depois de passar o Reino Unido e se tornar a sexta maior economia do mundo em 2011, o Brasil voltou à sétima posição no ano passado. Segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil ficou em US$ 2,396 trilhões em 2012 – US$ 44,5 bilhões abaixo dos US$ 2,44 trilhões do Reino Unido.

Apesar do crescimento de apenas 0,9% do PIB brasileiro em 2012, é o câmbio que explica a perda de posição. Isso porque o PIB do Reino Unido cresceu ainda menos: 0,2%. Ou seja, a diferença veio na conversão das moedas dos países para o dólar, que se valorizou mais de 9% frente ao real no ano passado.

Mas depois da queda, o FMI prevê recuperação. Este ano, o Brasil deve voltar à 6ª posição entre as maiores economias globais, superando, novamente, o Reino Unido, ainda que por pouco: a projeção é que o PIB brasileiro fique em US$ 2,456 trilhões – US$ 34 bilhões a mais que o do Reino Unido, com US$ 2,423 trilhões.

E até 2018, último ano das projeções do fundo, o Brasil não deve voltar a perder posição entre as maiores economias. Ao contrário, deve ganhar. A previsão é que, em 2016, o Brasil chegue à 5ª posição no ranking dos maiores PIBs, ultrapassando a França.

A distância até a Alemanha, a quarta maior economia mundial, também deve diminuir, chegando a US$ 568 bilhões em 2018. Mas as duas primeiras posições ainda estarão longe: o PIB chinês deve equivaler, em 2018, a mais de quatro vezes o brasileiro, enquanto o dos Estados Unidos deve ser 6,6 vezes o do Brasil.

G1, 20 de abril de 2013

Escolha de papa humilde sinaliza mudança, mas mantém rigor moral

A eleição do primeiro papa não europeu em mais de um milênio - e o primeiro da América Latina, onde vivem 40% dos católicos do mundo - reflete o reconhecimento por parte dos cardeais que o elegeram da importância do rebanho católico fora da Europa.

O cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio tem a reputação de ser um sacerdote humilde, que mesmo ocupando um alto cargo na Igreja Católica ia ao trabalho de ônibus, vivia em um apartamento em vez de em um palácio apostólico e cozinhava sua própria refeição.

As comparações inevitáveis com seu antecessor, Bento 16, provavelmente devem ressaltar o fato de o novo pontífice ser um bispo local, em vez de uma figura mais ligada ao centro do poder do Vaticano.

O argentino de 76 anos já descreveu a desigualdade como um "pecado social" e costuma dizer que é dever da Igreja servir aos pobres e menos favorecidos.

Comparação

Ele é conhecido por modernizar a conservadora Igreja argentina, enquanto Bento 16 serviu como cão de guarda do catolicismo doutrinal por mais de duas décadas antes de ser eleito papa.

Bergoglio certamente preferia o dia-a-dia do sacerdócio em seu país de origem à burocracia do órgão administrativo do Vaticano - a Cúria, que segundo observadores estaria repleta de problemas de gestão e com uma urgente necessidade de reformas.

Bergoglio também é o primeiro papa proveniente dos jesuítas - uma ordem Católica antiga e bastante independente que nem sempre teve o melhor relacionamento com Roma.

Apesar deste histórico, o argentino já trabalhou em várias comissões da Cúria (ele foi membro da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos e da Congregação para o Clero, entre outras) e fala italiano com fluência -além de alemão e espanhol -, de modo que não terá problemas para se comunicar com os que o rodeiam no Vaticano.

Para completar, o fato de ter raízes italianas - seus pais eram da Itália - também pode ser uma vantagem em uma instituição bastante romana.

Conservadorismo

O novo Papa é um teólogo conservador e aqueles que esperam uma mudança na postura da Igreja sobre o casamento gay, o aborto e os métodos contraceptivos se decepcionarão.

Quando o assunto é moralidade sexual, ele é ortodoxo.

E foram tais características que o transformaram em um forte candidato ao papado em 2005, quando ele foi o principal rival de Joseph Ratzinger, o Bento 16.

Bergoglio, o papa Francisco, mantém boas relações com a comunidade judaica em Buenos Aires, tendo recebido prêmios de organizações judaicas - o que fortalece suas credenciais inter-religiosas.

Além disso, ele costuma criticar o que chama de "doença espiritual de uma Igreja auto-referencial", conclamando os sacerdotes a "saírem às ruas".

Visto como alguém em sintonia com o "mundo moderno", ele já convidou alguns dos 5.600 jornalistas que estão em Roma para cobrir a sua eleição para uma audiência no sábado.

Essas habilidades serão necessárias para ele conter os católicos que debandam em uma Europa cada vez mais secular e uma América Latina onde as igrejas pentecostais estão prosperando.

Humildade

Bergoglio assume a chefia da Igreja em uma época de crescente intolerância religiosa e entre suas tarefas deverá estar aumentar a confiança em uma instituição que foi balançada pelos escândalos de abusos sexuais de menores por padres de diversos países.

O escolhido pelos cardeais para confrontar estes desafios é um homem de 76 anos de idade que vive há décadas com apenas um pulmão, por ter sofrido uma doença respiratória na juventude.

Na noite de quarta-feira, ao acenar para milhares de fiéis, ele fez o que pode-se chamar de um início de papado com confiança.

Mas talvez o que mais se destacou deste primeiro encontro foi a humildade do novo papa.

"Somente alguém que encontrou a misericórdia, que foi agraciado com a delicadeza da misericórdia, é feliz e confortável com o Senhor", disse Bergoglio em 2001.

Foi muito característico que ao cumprimentar os fiéis que integram seu rebanho pela primeira vez, o papa Francisco os tenha abençoado, mas logo depois pediu que eles também rezem com ele – e por ele.

BBC Brasil, 14 de março de 2013

O legado de Chávez: os prós e os contras

A morte de Hugo Chávez, aos 58 anos, marca o fim de um período de quase 14 anos nos quais o ex-coronel esteve à frente do país e promoveu inúmeras transformações - defendidas por seus simpatizantes e criticadas pelos opositores.

Confira aqui uma lista de cinco argumentos a favor e cinco contra Chávez.

CINCO ARGUMENTOS PRÓ-CHÁVEZ

1- Combate à desigualdade

Durante o período de Hugo Chávez na Presidência, de 1999 até 2013, a desigualdade na Venezuela caiu gradualmente, da mesma forma que ocorreu na maior parte da região.

O país tem hoje a distribuição de renda mais igualitária da América Latina, medida pelo coeficiente Gini.

No ano passado, o coeficiente Gini da Venezuela (que varia entre 0, mais igualitário, a 1, mais desigual) ficou em 0,39. Para efeito de comparação, o coeficiente Gini do Brasil, o mais baixo desde que a desigualdade começou a ser medida, é de 0,52.

2- Atenção aos pobres

Hugo Chávez concentrou grande parte dos esforços de seus governos em programas de assistência aos pobres, além de promover as chamadas "missões" para combater problemas como o analfabetismo ou a mortalidade infantil.

Segundo dados do Banco Mundial, a porcentagem de venezuelanos que vivem abaixo da linha de pobreza caiu de 62,1% em 2003 para 31,9% em 2011.

No campo da educação, os dados da Unesco mostram que a taxa de alfabetização, que em 1991 era de 89,8%, foi elevada a 95,5% em 2010, e a porcentagem de jovens frequentando o ensino secundário aumentou de 57%, em 1999, para 83% em 2010.

A mortalidade infantil no país caiu de 20 por mil nascimentos vivos, em 1999, para 13 por mil nascimentos vivos em 2011, em grande parte por conta dos programas para melhorar o atendimento de saúde da população mais pobre.

3- Política externa

Para os simpatizantes de Chávez, um de seus maiores êxitos foi o de elevar a importância da Venezuela no cenário global e de reposicionar as relações internacionais do país.

Com uma retórica fortemente anti-imperialista, Chávez rompeu a tradicional cordialidade nas relações da Venezuela com os Estados Unidos e apostou nas chamadas relações sul-sul, entre os países em desenvolvimento.

Utilizando ofertas de petróleo a custo baixo como atrativo, Chávez conseguiu também angariar apoio internacional de vários países às suas ideias.

Os opositores, porém, afirmam que o antagonismo com os Estados Unidos, maiores compradores do petróleo venezuelano, foi prejudicial ao país e questionam as alianças de Chávez com líderes como Saddam Hussein, na época que governava o Iraque, ou o atual presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, além de criticar uma suposta subordinação a Cuba.

4- Controle dos recursos naturais

Para os chavistas, até o fim dos anos 1990 a Venezuela desperdiçava o fato de ser um dos maiores produtores e exportadores de petróleo no mundo.

Em seus primeiros anos de mandato, Chávez promulgou a nova lei de hidrocarbonetos, que estabeleceu o domínio do Estado venezuelano sobre os combustíveis fósseis e o limite de 49% para a propriedade privada em atividades para a extração de petróleo e gás.

A partir de 2007, o governo venezuelano nacionalizou vários projetos ligados ao setor, de empresas como Exxon Mobil, ConocoPhillips e Total.

No período em que Chávez esteve à frente do governo venezuelano, a cotação internacional do petróleo passou de menos de US$ 20 para os atuais US$ 90, com altos e baixos pelo caminho - chegando a atingir a cotação de US$ 145, recorde histórico, em julho de 2008.

O aumento na arrecadação advinda do aumento dos preços do petróleo ajudou Chávez a financiar seus principais programas sociais.

5- Carisma

Um dos maiores atributos de Hugo Chávez, reconhecido tanto pelos simpatizantes quanto pelos opositores, foi o seu carisma.

Chávez também era considerado um bom comunicador, capaz de elaborar de improviso discursos que muitas vezes podiam durar horas.

Aos domingos, estrelava sua própria atração na TV estatal, o Aló Presidente, no qual desfilava sua hiperatividade e mostrava aos cidadãos comuns do país seu estilo de governar "ao vivo".

Graças em parte ao seu carisma, Chávez foi capaz de vencer quatro eleições presidenciais, a última delas, em outubro do ano passado, com uma vantagem de nove pontos percentuais em relação ao segundo colocado, apesar do desgaste de 14 anos à frente do governo.

CINCO ARGUMENTOS CONTRA CHÁVEZ

1- Autoritarismo

Uma das principais críticas da oposição a Chávez é seu estilo autoritário e personalista.

Apesar de ter sido eleito quatro vezes à Presidência e de ter mantido em funcionamento as principais instituições democráticas do país, Chávez foi acusado de adotar medidas antidemocráticas.

O presidente também foi acusado de controlar os poderes independentes do país, como a Justiça, com a indicação de chavistas para postos-chave. Em consequência, Chávez teria se beneficiado de diversas decisões judiciais, como a recente decisão do Tribunal Supremo de Justiça, em janeiro, de que o presidente, internado em Cuba, não precisaria tomar posse oficialmente em seu novo mandato, por ser uma continuação do mandato anterior.

Outro ato de Chávez apontado como exemplo de seu estilo autoritário foi sua reação após perder um referendo em dezembro de 2007 para acabar com a limitação de mandatos presidenciais, que o impediria de se candidatar novamente à reeleição, em 2012. Ao invés de aceitar o resultado, ele promoveu um novo referendo, em fevereiro de 2009, no qual conseguiu aprovar a mudança.

2- Corrupção

O discurso anticorrupção foi uma das principais bandeiras de Chávez em sua tentativa de golpe de Estado contra o então presidente Carlos Andrés Pérez, em 1992, e depois em sua primeira campanha à Presidência, em 1998.

Mas a oposição acusa Chávez de ter aparelhado o Estado venezuelano e aumentado a corrupção no país ao invés de combatê-la.

Segundo o último relatório da ONG Transparência Internacional, a Venezuela aparece em 165º lugar em uma lista de 176 países em um ranking de percepção da corrupção no mundo.

A percepção da corrupção na Venezuela é a maior da América Latina, segundo o ranking da Transparência.

3- Problemas econômicos

Apesar de se proclamar socialista, Chávez não conseguiu eliminar uma das maiores mazelas econômicas que afetam principalmente a população de renda mais baixa, a inflação. Com índices que chegam a 30%, a Venezuela tem a maior inflação da América Latina. Seu governo também falhou em não criar uma política econômica de longo prazo que fosse capaz de evitar a recessão.

A estrutura econômica herdada de governos anteriores na qual a atividade produtiva se resumia praticamente à exploração de petróleo, se manteve intacta na era Chávez.

Não houve diversificação do campo produtivo e o principal motor da economia continuou sendo o petróleo.O país permanece extremamente dependente do lucro do petróleo, que implica em aproximadamente 95% das exportações ou cerca de 12% do PIB.

O deficit orçamentário do governo atingiu 17% do PIB em 2012. Já a dívida pública, apesar da valorização do petróleo, subiu para 49% do PIB.

4- Liberdade de imprensa

A relação de Chávez com a imprensa também foi complicada: o líder venezuelano acusava diversos veículos de atuar como "porta-vozes" da oposição.

O presidente venezuelano era chamado de populista e autocrático, acusado de ameaçar a liberdade de imprensa e de utilizar a máquina estatal para perseguir aqueles que discordavam de sua "revolução".

Entre as acusações contra Chávez estão a de que querer silenciar a mídia privada do país. Em 2007, após sua terceira eleição, Chávez não renovou a concessão para a RCTV, segunda maior rede de TV do país. A RCTV havia sido acusada, ao lado de outras TVs privadas, de apoiar a tentativa de golpe contra Chávez em 2002.

A ONG Humans Right Watch criticou o legado "autoritário" deixado por Chávez, dizendo que ele aumentou radicalmente o controle da imprensa e tentou justificar suas políticas nesse campo alegando que eram necessárias para "democratizar" as TV abertas do país.

"No entanto, em vez de fomentar o pluralismo, o governo abusou de seu poder regulatório para intimidar e censurar seus críticos. Ampliou de um para seis os canais administrados pelo governo", acrescentou a HRW.

5 - Violência

A violência urbana fugiu ao controle na Venezuela durante as gestões de Chávez. Segundo estatísticas do escritório especializado em crimes e drogas da ONU (Unodc), quando o mandatário assumiu o poder em 1999, a taxa de homicídios era de 25 para cada 100 mil habitantes. Em 2010, esse número havia subido para 45 por 100 mil habitantes – o que representa uma elevação de 80%.

A taxa é a mais alta da América do Sul. No mesmo ano, o Brasil registrou índice de 21 por 100 mil. O patamar acima do qual os homicídios são considerados endêmicos é 10 por 100 mil habitantes.

O nível de violência era particularmente alto na capital Caracas, onde em 2009 foi registrada taxa de 122 assassinatos por 100 mil habitantes, segundo as estatísticas mais recentes.

BBC Brasil, 10 de março de 2013

Poluição é a "pior já registrada" em Pequim-Greenpeace

A qualidade do ar em Pequim foi a "pior já registrada" no sábado e domingo, segundo ambientalistas, enquanto o centro de monitoramento da poluição da cidade advertia os moradores a permanecerem dentro de casa, com a poluição de 30 a 45 vezes acima dos níveis recomendados de segurança.

A capital chinesa, lar de cerca de 20 milhões de pessoas, está envolvida em uma densa névoa seca desde sexta-feira, reduzindo a visibilidade e interrompendo o tráfego.

Números divulgados no domingo pelo centro de monitoramento mostraram que partículas com menos de 2,5 micrômetros de diâmetro chegaram a mais de 600 microgramas por metro quadrado em algumas estações de monitoramento em Pequim, e foram de 900 na noite de sábado.

O nível diário recomendado é de 20, segundo a Organização Mundial da Saúde. Essa poluição foi identificada como a principal causa da asma e doenças respiratórias.

"Essa é realmente a pior poluição já registrada, não apenas de números oficiais, mas também de números de monitoramento da embaixada norte-americana. Algumas áreas na província (vizinha) de Hebei estão ainda piores do que Pequim", disse Zhou Rong, ativista de clima e energia no Greenpeace.

O Centro Municipal de Monitoramento Ambiental de Pequim informou que a forte poluição ficou presa por uma área de baixa pressão, dificultando a sua dispersão, e as condições provavelmente durariam mais dois dias.

A poluição foi identificada como um dos grandes desafios dos líderes da China, com o presidente Hu Jintao dizendo, durante seu discurso no Congresso do Partido Comunista em novembro passado, que o país precisava "reverter a tendência de deterioração ecológica e construir uma bela China".

A China informou no final do ano passado que iria começar a divulgar números da poluição hora a hora em suas maiores cidades.

Pequim já se comprometeu com um cronograma para melhorar a qualidade do ar na cidade, e realocou a maior parte de sua indústria pesada, mas as regiões vizinhas não se comprometeram da mesma maneira, disse Zhou.

"Para Pequim, a limpeza vai levar uma geração, mas outras regiões ainda não têm nem mesmo metas de reduzir a queima de carvão. Aposto que a poluição aqui vem principalmente dessas regiões vizinhas".

Reuters Brasil, 14 de janeiro de 2012

França bombardeia reduto islamista no norte do Mali

Caças franceses bombardearam neste domingo um reduto rebelde islamista no distante norte do Mali. Ao mesmo tempo, o governo da França enviava mais tropas para a capital do país, Bamaco, enquanto aguarda a chegada de uma força de países do oeste africano para desalojar rebeldes ligados à rede Al Qaeda que ocupam áreas do norte malinês.

O ataque em Gao, a maior cidade da região desértica controlada por uma aliança de grupos islamistas, marcou uma decisiva intensificação do conflito no terceiro dia de ataques de caças franceses, que bombardeiam o centro do vasto território capturado por rebeldes em abril.

A França está determinada a acabar com a dominação islamista do norte de Mali, que muitos temem poderia se transformar em uma base de ataques contra o Ocidente, ligada à Al-Qaeda no Iêmen, na Somália e na África do Norte.

O ministro da Defesa da França, Jean-Yves Le Drian, disse que a intervenção francesa, iniciada na sexta-feira, impediu que o avanço dos rebeldes chegasse a Bamaco. Ele enfatizou que os ataques aéreos vão continuar.

"O presidente está totalmente determinado em erradicar esses terroristas que ameaçam a segurança do Mali, do nosso país e da Europa", disse Le Drian à televisão francesa.

Em Gao, cidade poeirenta nas margens do rio Níger, onde os islamistas impuseram uma forma extrema de interpretação da Sharia (lei religiosa islâmica), moradores disseram que os jatos franceses bombardearam o aeroporto e posições dos insurgentes. Uma enorme nuvem de fumaça negra subiu de acampamento dos militantes no norte da cidade, e caminhonetes transportavam mortos e feridos para o hospital.

"Os aviões são tão rápidos que você só pode ouvir seu som no céu", disse por telefone a moradora Soumaila Maiga. "Estamos felizes, mesmo que seja assustadora. Em breve seremos libertados."

O governo francês informou que quatro dos mais sofisticados jatos Rafale partiram da França para atacar campos de treinamento dos rebeldes, depósitos estratégicos e infraestrutura em Gao, com o objetivo de enfraquecê-los e impedi-los de voltar para o sul.

Reuters Brasil, 13 de janeiro de 2012

Estudo mostra economia e meio ambiente em rota de colisão

Aumento do abismo entre ricos e pobres, endividamento estatal e prejuízos causados pelas mudanças climáticas indicam que o mundo enfrenta riscos crescentes, alerta relatório do Fórum Econômico Mundial.

O relatório Riscos Globais 2013, produzido pelo Fórum Econômico Mundial, é resultado de uma pesquisa de opinião que envolveu mais de mil especialistas em economia, política, ciência e sociedade. A maioria deles apontou a grave disparidade econômica como o risco mais provável de se manifestar no decorrer dos próximos dez anos.

As consequências mais graves seriam desencadeadas por uma eventual crise financeira sistêmica. Entre cinco maiores riscos citados tanto pelo impacto como pela probabilidade estão os desequilíbrios fiscais crônicos e a escassez no abastecimento de água.

Depois de um ano com eventos climáticos extremos e devastadores – da tempestade tropical Sandy às inundações na China –, o aumento das emissões de gases causadores do efeito estufa é mencionado pelos pesquisados como o terceiro risco global mais provável. Para os especialistas, a conseqüência mais grave da próxima década será a falta de adaptação às mudanças climáticas – considerada um perigo para o meio ambiente.

"A lista de riscos globais apresenta um sinal de alerta a respeito de nossos principais sistemas", disse Lee Howell, diretor do Fórum Econômico Mundial e um dos editores do relatório.

"O mundo passa atualmente por duas tormentas", disse John Drzik, presidente do grupo de consultoria empresarial Oliver Wyman. "Nós vemos uma tormenta ecológica e uma econômica – e as duas estão em rota de colisão. Se nós não investirmos em medidas para prevenir o crescente risco de eventos climáticos graves, o bem-estar global das futuras gerações estará em perigo."

Os riscos socioeconômicos considerados urgentes levaram à redução dos esforços para controlar as mudanças climáticas. Segundo o estudo, a principal causa seria uma percepção distorcida do aquecimento global – mesmo com os eventos climáticos extremos.

No setor de saúde, os editores do relatório alertam para uma falsa sensação de segurança promovida pelos avanços da medicina. "Um dos meios mais efetivos e utilizados para proteger a vida humana – o uso de compostos antibacterianos e antimicrobianos (antibióticos) – pode não ter mais a mesma eficácia no futuro próximo", diz trecho do estudo.

Deutche Wille, 08 de janeiro de 2012

EUA conseguem evitar 'abismo fiscal' após dura negociação

Depois de muita negociação, a Câmara dos Representantes dos EUA aprovou a legislação que evita o chamado "abismo fiscal" e ainda aumenta os tributos contra os americanos mais ricos, ao mesmo tempo que expande benefícios para as classes média e baixa.

Os 257 votos a favor (167 votaram contra) mantiveram o pacote de isenção de impostos que vigorava desde o governo de George W. Bush. Caso não tivesse sido aprovado, haveria um aumento generalizado de impostos no país, o que poderia gerar uma recessão, no momento em que a economia americana ainda se recupera da forte crise de 2008.

A aprovação da lei, que era condicionada pelos republicanos a um maior corte de gastos por parte do governo democrata, foi uma vitória importante para o presidente democrata Barack Obama, já que a Câmara dos Representantes (equivalente à Câmara dos Deputados) é liderada pela oposição republicana. Menos de 24 horas antes, a medida já havia sido aprovada pelo Senado.

A legislação foi aprovada após uma dura negociação que se arrastou por semanas entre republicanos e democratas. A lei foi apontada como prioridade pelo próprio Obama após sua reeleição em novembro. Diante do impasse e às vésperas da expiração do pacote, o presidente chegou a encurtar suas férias de fim de ano e parlamentares dos dois partidos estiveram reunidos antes do réveillon para negociar os termos da lei.

Com a aprovação, coloca-se um fim ao "abismo fiscal", que chegou oficialmente vigorar. Os inúmeros benefícios herdados do governo de George W. Bush expiraram no primeiro dia do ano de 2013, mas como 1º de janeiro é feriado, os mercados estavam fechados e, assim, os EUA não sentiram o impacto imediato do fim das benesses.

Estima-se que o "abismo fiscal" poderia causar um aumento de impostos da ordem de US$ 536 bilhões (mais de R$ 1 trilhão) e cortes em gastos de US$ 109 bilhões (equivalente a R$ 220 bilhões).

A legislação Obama vai além, ao taxar os americanos mais ricos. "Vou assinar uma lei que aumenta os impostos sobre os 2% de americanos mais ricos, enquanto eu previno um aumento de impostos contra a classe média", declarou o presidente dos EUA, Barack Obama, em uma entrevista na Casa Branca, após a aprovação

Pela lei aprovada, serão estendidos os cortes de impostos para os americanos que ganham menos de US$ 400 mil por ano (R$ 800 mil) - acima dos US$ 250 mil (R$ 500 mil) inicialmente propostos pelos Democratas.

Para os mais ricos, porém, a taxa passa de 35% para 39,5% sobre os rendimentos.

O pacote aprovado no Senado ainda inclui:

• aumentos dos impostos de herança de 35% para 40% para ganhos acima de US$ 5 milhões para um indivíduo e US$ 10 milhões para um casal;

• aumento de impostos sobre o capital - afetando alguns rendimentos de investimento - de até 20%, mas menos do que os 39,6% que prevaleceriam sem um acordo;

• extensão de um ano para o seguro desemprego, que afeta dois milhões de pessoas nos EUA;

• prorrogação de cinco anos para os créditos fiscais que ajudam as famílias mais pobres e da classe média.

O presidente Obama disse que, com o acordo, ele cumpre uma das suas principais promessas de campanha. O presidente lembrou que será necessário mais trabalho para fortalecer a economia dos Estados Unidos, no entanto.

"O déficit ainda está muito alto", declarou.

O corte de gastos da ordem de US$ 1,2 trilhão do orçamento federal americano a ser implementado em dez anos foi novamente deixado para depois, adiado por dois meses, permitindo que o Congresso e a Casa Branca possam reabrir as negociações sobre o tema.

BBC Brasil, 03 de janeiro de 2012

Trégua frustrada reduz chance de solução rápida para conflito na Síria

Após o fracasso do cessar-fogo na Síria, as chances de um fim pacífico para o conflito no país ficam cada vez mais distantes. Especialistas recomendam ouvir sociedade civil enquanto ela ainda existe.

Mal foi anunciada e a trégua já fracassou. Por vários dias, o enviado especial das Nações Unidas (ONU) para a Síria, Lakhdar Brahimi, vinha mediando o diálogo entre governo e rebeldes, tentando reforçar a confiança mútua. Foi tudo em vão. O cessar-fogo, que ele anunciou na sexta-feira (26/10), durou apenas algumas horas, quebrado primeiro de forma isolada, depois, sistematicamente.

A retomada da violência não causou surpresa. O jornal árabe publicado em Londres Al Hayat já anunciava, antes do cessar-fogo, que o plano servia principalmente para ganhar tempo. De acordo com o colunista do jornal, tempo era necessário por uma série de motivos: para que passe a eleição presidencial nos Estados Unidos, para que se possa sondar outros cenários de uma solução política, para reforçar as operações militares da oposição e para criar zonas de segurança no norte e no sul da Síria, aumentando a pressão sobre o regime em Damasco.

A lista de problemas não resolvidos mostra que era improvável que a trégua fosse funcionar. Já se podia prever que ambos os lados fossem usar o cessar-fogo para organizar seu fornecimento de armas. Mas sobretudo estava claro que o cessar-fogo prejudicaria principalmente o regime, porque os combatentes da oposição no norte e no sul do país vêm ganhando terreno já há algum tempo e ampliando, além disso, suas rotas de abastecimento de armas.

Embora as tropas do governo sejam superiores às dos insurgentes em termos de equipamento, a diferença vem diminuindo. Por isso, o regime enfrenta uma pressão maior que a oposição. "O regime de Assad não tem muita escolha a não ser apostar na vitória militar", afirma o cientista político Werner Ruf. Por isso, ele acredita que o apoio logístico à oposição é uma tática duvidosa do Ocidente. "É uma violação grosseira do direito internacional e do princípio de não interferência. E o conflito ganha, com isso, uma dinâmica que o torna quase impossível de controlar."

Lógica do "tudo ou nada"

Não só o Ocidente está ativo na Síria. Os aliados de Assad - liderados por Rússia e Irã - também atuam de perto. Ambos os lados apoiam seus respectivos aliados, inclusive com armas, como sugerem relatos de combatentes de ambos os lados.

Para o jurista Naseef Naeem, da Universidade de Göttingen, é por isso que nenhum dos dois lados pode parar com a luta. "O problema é que ambas as partes não podem mais largar as armas, porque o lado que o fizer será morto pelo outro", frisa, acrescentando que ambos os lados têm, portanto, só uma escolha, que é "o tudo ou nada".

Dissolução do poder do Estado

Esta opção, no entanto, tem uma consequência fatal, pois as duas partes não lutam apenas entre si, elas indiretamente atacam o próprio Estado. Cada dia de guerra na Síria é mais um dia no processo de dissolução das instituições do país. Pode ser que o governo, que se apoderou da maior parte do Estado, seja o primeiro a se ressentir desse problema. Mas ele atinge também a sociedade, pois a infraestrutura é danificada, mais civis morrem, além de funcionários do Estado.

O cientista político Werner Ruf não acredita que o plano de uma vitória militar dê certo. "Em vez disso, a solução armada deixará mais um país em estado caótico, com uma guerra civil em andamento e sem nenhuma autoridade central, como nos casos do Iraque, do Afeganistão e da Líbia", prevê.

Naseef Naeem acredita que a desintegração do Estado, fenômeno que está se tornando comum no Oriente Médio, já está avançada na Síria. "Somos confrontados com forças assimétricas formadas localmente e religiosamente que, em suas respectivas regiões, têm tanto ou mais poder que o governo central."

"Esta circunstância deve ser levada em consideração pelos moderadores do conflito", alerta Naeem. Embora acredite que um fim rápido da violência seja improvável, para ele a chave para acabar com o conflito é o diálogo com novos atores. Ele também considera essencial que as próximas negociações de mediação sejam realizadas por um sírio. "De preferência, uma personalidade síria respeitada, que entenda a linguagem do povo. Ela deve ser capaz de falar com as pessoas locais, não só com representantes do governo e da oposição, mas também com os cidadãos", sugere.

Tais discussões precisam ser realizadas o mais rápido possível, pois não só o Estado é danificado a cada dia de guerra. A sociedade civil também continua a ser prejudicada - estrutural, cultural e psicologicamente. Talvez o principal incentivo para o fim da violência venha da sociedade civil síria. Mas alguém tem que falar com ela, enquanto ela ainda existe.

Deutche Wille, 01 de novembro de 2012

Superávit primário soma R$ 1,591 bi em setembro, diz BC

O superávit primário do setor público consolidado alcançou R$ 1,591 bilhão em setembro, ante R$ 2,997 bilhões em agosto, de acordo com a Nota de Política Fiscal divulgada hoje pelo Banco Central.

O Governo Central registrou superávit primário de R$ 931 milhões; os governos regionais, superávit de R$ 1,144 bilhão; e as empresas estatais, déficit de R$ 484 milhões.

O superávit acumulado em doze meses atingiu R$ 99,889 bilhões (2,30% do PIB). A meta de superávit para o ano é de 3,1% do PIB ou o equivalente a R$ 139,8 bilhões.

O resultado nominal, que inclui o superávit primário e os juros nominais apropriados, registrou déficit de R$ 12,254 bilhões em setembro, ante déficit de R$ 16,121 bilhões em agosto. No acumulado em doze meses, o déficit nominal atingiu R$ 120,734 bilhões (2,78% do PIB).

A dívida líquida do setor público atingiu R$ 1,534 trilhão (35,3% do PIB) em setembro. Em agosto, tinha sido de R$ 1,522 trilhão^, ou 35,3% do PIB, dado revisado de 35,1% do PIB informado anteriormente pelo BC.

Meta possível:

Ao comentar os dados divulgados hoje, o chefe do departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, afirmou que ainda é possível o cumprimento da meta de superávit primário neste ano. Mas, independente disso, a autoridade monetária também considera em seu cenário a possibilidade de abatimento de investimentos para atingir esse objetivo.

“Tivemos uma execução fiscal menos favorável”, disse ao comentar a Nota de Política Fiscal de setembro, divulgada hoje. Segundo ele, a desaceleração da atividade reduziu as receitas. Ele ressaltou, no entanto, que a economia brasileira já mostra recuperação no terceiro trimestre e isso vai se refletir na arrecadação do último trimestre do ano.

“Esperamos resultados mais favoráveis para os próximos meses”, disse Maciel. “O resultado reflete a evolução da economia no longo do ano”, afirmou, ressaltando que houve moderação de atividade, a previsão de crescimento econômica foi revista e várias medidas adotadas visando atenuar impacto desse movimento.

Valor Econômico, 01 de novembro de 2012

Deputados de Estados produtores tentarão atrasar lei dos royalties

Previsto para começar a ser discutido nesta quinta-feira (31) no plenário da Câmara de Deputados, o projeto que altera as atuais regras de distribuição dos royalties do petróleo deve se prolongar até a próxima semana.

A tendência é que até a abertura da sessão de amanhã, integrantes das bancadas do Rio de Janeiro e do Espírito Santo apresentem uma serie de requerimentos na tentativa de protelar a votação da matéria.

Segundo líderes de bancada, não haverá uma orientação partidária sobre a proposta, ou seja, cada um estará livre para votar como quiser.

Integrantes das bancadas do Rio e do Espírito Santo são as mais resistentes à votação da proposta pelo fato de alegarem que as novas regras também mexem com contratos já realizados. Alegam também que o modelo proposto afetará as receitas dos Estados produtores de petróleo.

Além das duas bancadas, integrantes do governo também veem com preocupação a falta de ajustes no texto da proposta que podem comprometer o montante dos recursos que devem ser repassados à União.

Está entre as preocupações do governo, por exemplo, quanto e de que forma deverá ser repassado os recursos dos royalties ao PNE (Plano Nacional de Educação ).

O plano foi aprovado pela Câmara no último dia 17 e atualmente tramita no Senado. De acordo com a proposta aprovada, 50% dos royalties deverão ser destinados ao plano como forma de garantir que no final da próxima década o país destine pelo menos 10% do PIB para a Educação.v

"Por parte do governo não haveria necessidade de votar amanhã", disse o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). "Se eu fosse fazer uma estimativa, eu prefiro que a gente produza o melhor texto antes da votação", acrescentou.

Até o momento, o texto final que deverá ser discutido no plenário ainda não foi apresentado pelo relator da proposta, Carlos Zarattini (PT-SP), que deve apresentá-lo ainda nesta quarta-feira.

Folha de São Paulo, 30 de Outubro de 2012

Sandy causa mortes e destruição ao atingir os EUA e o Canadá

Obama decreta estado de emergência em Nova York e Nova Jersey. Ao menos 13 pessoas morrem nos EUA e uma no Canadá, a maioria devido à queda de árvores. Cerca de 6 milhões de residências ficam sem eletricidade.

Com fortes chuvas e inundações, a tempestade Sandy levou o caos à costa leste dos Estados Unidos nesta segunda-feira (29/10), obrigando o presidente Barack Obama a decretar estado de emergência em Nova York e Nova Jersey. A decisão, anunciada nesta terça, permite aos dois estados solicitar imediatamente recursos federais para a reconstrução e para o abrigo de vítimas.

Ao menos 13 pessoas morreram nos EUA, e milhões de famílias ficaram sem eletricidade por causa da passagem de Sandy pela costa leste americana. Uma mulher morreu no Canadá em decorrência da tempestade. De acordo com a imprensa dos EUA, na noite de segunda para terça-feira mais de 6 milhões de residências ficaram sem eletricidade.

Sandy chegou na noite desta segunda-feira, pelo horário local, tocando em terra ao sul do estado de Nova Jersey, com ventos de até 130 quilômetros por hora, e colocando a cidade de Nova York parcialmente embaixo d'água.

A tempestade atingiu a costa perto da cidade de Atlantic City, às 20h locais, segundo o Centro Nacional de Furacões (CNF). Pouco antes, o órgão havia rebaixado Sandy da classificação de furacão para ciclone pós-tropical porque os ventos tinham enfraquecido ligeiramente e a tempestade havia perdido suas características tropicais após encontrar uma frente fria. As velocidades máximas de vento, entretanto, permaneceram com força de furacão.

A maioria das vítimas morreu em decorrência da queda de árvores, conforme informações da mídia e das autoridades americanas. A menos cinco pessoas morreram em Nova York. Em Nova Jersey, duas pessoas morreram quando uma árvore caiu sobre o carro em que elas estavam. Na Pensilvânia também morreram duas pessoas. Em Maryland e na Virgínia Ocidental, duas mulheres foram mortas em acidentes de carro. Também na metrópole canadense de Toronto, a polícia disse que uma mulher morreu atingida por objetos arremessados pelo vento. Sandy já havia causado a morte de 67 pessoas durante a sua passagem pelo Caribe.

Deutche Wille, 30 de Outubro de 2012

Paraguai deve ser suspenso do Mercosul e da Unasul, diz fonte

O Paraguai deve ser suspenso do Mercosul e da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) após o impeachment do então presidente do país, Fernando Lugo, disse uma fonte de alto escalão do governo brasileiro à Reuters neste domingo.

Segundo essa fonte, que falou sob condição de anonimato, o governo brasileiro têm mantido contato com autoridades de outros países da região e acredita-se que existe um consenso para a suspensão do Paraguai na semana que vem, para quando está marcada uma reunião de cúpula do Mercosul em Mendoza, na Argentina.

"O ponto é transformar este novo governo (paraguaio) em um pária", disse a fonte à Reuters.

Na sexta-feira o Senado do Paraguai decidiu por ampla maioria aprovar o impeachment de Lugo, sob acusação de não ter cumprido suas funções adequadamente no episódio em que 17 sem-terras foram mortos num confronto com a polícia.

No mesmo dia o então vice-presidente, Federico Franco, jurou como novo chefe de Estado. Em nota divulgada na noite de sábado, o Itamaraty condenou o que chamou de "ruptura da ordem democrática" no país vizinho e avaliou que Lugo não teve garantido amplo direito de defesa, já que o processo de julgamento político havia sido aberto na quinta-feira.

Segundo a fonte do governo brasileiro, o embaixador do país em Assunção, chamado de volta para consultas, não deve retornar ao Paraguai. Essa autoridade disse ainda que o Brasil não pretende romper completamente suas relações com o Paraguai por conta de interesses brasileiros no país, como a usina hidrelétrica binacional de Itaipu.

A fonte disse ainda que o governo brasileiro não manterá contatos com Franco e manterá sua tradição de atuar no caso por meio de organismos multilaterais.

Essa estratégia, segundo essa autoridade, tem o objetivo de abrir um precedente que deixe claro a gravidade das consequências de fatos como o ocorrido no Paraguai.

Especificamente, a meta é garantir que nada parecido aconteça em outros paises, como Bolívia e o Peru.

"Essa é uma reação institucional que mostrará aos outros as consequências negativas de uma medida agressiva como essa", completou a fonte.

Reuters, 25 Jun 2012.

Países chegam a acordo para texto final da Rio+20

Países chegaram a um consenso nesta terça-feira sobre o texto final da Rio+20, que será apresentado aos chefes de Estado e de governo que participarão da cúpula de alto nível da conferência a partir de quarta-feira, disse nesta terça o chefe de comunicação do evento, Nikhil Chandavarkar.

As delegações concordaram com o texto apresentado pelo Brasil sem mudanças, afirmou o porta-voz. Países que se opunham a trechos do texto, apesar de terem aprovado a redação, manifestaram descontentamento.

Nações africanas e da União Europeia expressaram desacordo na questão referente ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). O texto cita um "upgrade" (promoção), sem discutir a transformação à condição de agência da ONU.

Os Estados Unidos, assim como outros países, também se disseram descontentes com alguns pontos do documento, mas não citaram quais, segundo Chandavarkar.

"Claro (que) acertar um consenso tem infelicidades em alguns pontos, mas ninguém questiona o consenso (ao texto)", disse ele a jornalistas.

O texto ainda pode ser modificado durante a reunião de alto nível da conferência, que tem início na quarta-feira.

As negociações para o texto avançaram a madrugada. O Brasil pressionava para a aprovação do documento na noite de segunda-feira, mas enfrentava resistência, especialmente de países da União Europeia, que pediam que as conversas fossem estendidas.

Organizações não-governamentais (ONGs) repudiaram a redação do texto final e citaram uma fracasso da reunião, que passou a ser chamada por ativistas de "Rio-20".

Hugo Bachega ,Agência Reuters , 19 Jun 2012


Versão preliminar do documento final da Rio+20 elimina controvérsias e mantém recomendações gerais

Rio de Janeiro - A versão preliminar do documento final da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, à qual a Agência Brasil teve acesso, aponta que os temas polêmicos e sem consenso ficarão para uma próxima cúpula. O documento, concluído na madrugada de hoje (19), tenta apaziguar o impasse com uma redação generalista sobre investimentos e metas. O texto ainda pode ser modificado na reunião plenária marcada para hoje (19) com intuito de discutir o detalhamento técnico.

No texto amplo, os aspectos sociais são destacados, ressaltando o esforço conjunto para a erradicação da pobreza, a melhoria na qualidade de vida e o ser humano no centro das preocupações. O documento tem 49 páginas, uma a menos que o texto anterior concluído no sábado (16). Inicialmente, o material chegou a ter 200 páginas, depois foi reduzido a 80, em seguida para 50 e agora para 49.

O documento está dividido em seis capítulos e 283 itens (o anterior tinha quatro a mais). Os capítulos mais relevantes são os que tratam de financiamentos e meios de implementação (relacionados às metas e compromissos que devem ser cumpridos).

A última versão do texto foi negociada até as 2h20 desta manhã. De um total de 193 delegações, apenas os representantes dos países desenvolvidos, liderados pelos Estados Unidos e pela União Europeia, resistiam a fechar o rascunho em nível técnico. Os europeus insistiam em levar a discussão para os ministros de Estado.

Financiamentos e Tecnologia

Exatamente como queriam os países ricos, foram excluídos os detalhes sobre repasses financeiros, a imposição de cifras, a criação do fundo para o desenvolvimento sustentável, especificações sobre economia verde e transferência de tecnologia limpa. O Brasil e vários países em desenvolvimento defendiam a criação do fundo anual de US$ 30 bilhões, a partir de 2013, e que alcançaria US$ 100 bilhões, em 2018. Mas os países desenvolvidos rejeitaram a proposta.

A proposta do fundo foi substituída por vários parágrafos, nos quais são estabelecidos compromissos conjuntos, como a criação de um fórum para apreciar o tema a partir de nomeações da Assembleia Geral e da parceria com as agências da Organização das Nações Unidas (ONU).

No texto há, ainda, seis itens com recomendações para os países fortalecerem as parcerias para a transferência de tecnologia limpa. Mas sem impor normas, pois a questão divide os países desenvolvidos e os em desenvolvimento. Em situações de impasse, o documento sugere que os ricos colaborem para o desenvolvimento sustentável, ação que vale também para as questões relativas à capacitação e ao comércio.

Preocupação Social

Em praticamente todo o texto, há uma preocupação clara e explícita com as questões sociais o que, para os negociadores brasileiros, indica um avanço. Ao longo do documento, há a recomendação pelo esforço de erradicar a pobreza e garantir o desenvolvimento sustentável com inclusão social. No primeiro capítulo a ordem é explícita.

“Reafirmamos também a necessidade de se alcançar o desenvolvimento sustentável: a promoção sustentada, inclusiva e justa do crescimento econômico, criando maiores oportunidades para todos, reduzindo as desigualdades, elevar os padrões básicos de vida, promoção do desenvolvimento social equitativo e inclusão, e promover a gestão integrada e sustentável dos recursos naturais recursos e dos ecossistemas que suportam nomeadamente econômico, desenvolvimento social e humano, facilitando a conservação do ecossistema, regeneração e recuperação e resistência em face de novos desafios e emergentes”, diz o texto.

Exatamente como no rascunho anterior, concluído no fim de semana, o texto dá atenção privilegiada à África. A recomendação é que todos se unam na tentativa de ajudar os países africanos, embora ressalte que isso já ocorre. “Notamos que a ajuda à África tem aumentado nos últimos anos. No entanto, ela ainda está aquém em compromissos que foram feitos anteriormente. Ressaltamos a prioridade fundamental para a comunidade internacional de apoiar os esforços sustentáveis de desenvolvimento de África”, diz o documento.

Economia Verde

Um dos itens mais polêmicos debatidos ao longo dos últimos dias foi o conceito de economia verde. Há divergências de interpretação e compreensão entre países desenvolvidos e os em desenvolvimento. No caso dos países ricos, a preocupação está relacionada com as questões relativas à produção, ao consumo e à comercialização de mercadorias. Para evitar controvérsias, foram colocadas recomendações gerais.

“Afirmamos que existem diferentes abordagens, visões, modelos e ferramentas disponíveis para cada país, de acordo com suas circunstâncias e prioridades nacionais, para alcançar o desenvolvimento sustentável nas suas três dimensões que é o nosso objetivo primordial”, diz o texto.

Em seguida, há 16 recomendações (antes eram 15) sobre como inserir o conceito de economia verde nos esforços pelo desenvolvimento sustentável e pela inclusão social, respeitando a soberania nacional.

Há menções para os esforços conjuntos para transformar o mundo em uma sociedade equitativa e com oportunidades para todos, assim como aumentar o “bem-estar dos povos indígenas em suas comunidades” , assim como para mulheres, crianças, jovens e pessoas com deficiência.

No capítulo sobre temas específicos, são mencionados erradicação da pobreza; segurança alimentar e nutricional e agricultura sustentável; energia; turismo sustentável; transporte sustentável; cidades sustentáveis e assentamentos humanos; saúde e população; promoção de emprego pleno e produtivo e do trabalho digno para todos com garantias de proteções sociais e oceanos, além de estados insulares.

Na parte final do documento, há recomendações sobre os esforços para reduzir os riscos de desastres que se refere à medidas que devem ser adotadas para alertar sobre perdas de vidas e os danos econômicos e sociais causados por essas situações. No ano passado, o Japão viveu um dos piores terremotos da sua história, enquanto Haiti e Chile ainda tentam se recuperar dos tremores de terra recentes.

No capítulo sobre mudança climática, a preocupação é evidente, mas não há recomendações pontuais sobre o mínimo e o máximo, por exemplo, permitidos de emissão de gases de efeito estufa.

“Estamos profundamente preocupados que todos os países, particularmente os países em desenvolvimento, que são vulneráveis aos impactos adversos das alterações climáticas e estão experimentando os impactos aumento incluindo a seca persistente e eventos climáticos extremos, elevação do nível do mar, erosão costeira e acidificação dos oceanos, ameaçando ainda mais a segurança alimentar e os esforços para erradicar a pobreza e alcançar o desenvolvimento sustentável”, diz o documento.

Agência Brasil, 19 Jun 2012


Mantega anuncia que Brics ampliará contribuições ao FMI

Brasília – O Brics – grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – vai fazer um aporte adicional de recursos ao Fundo Monetário Internacional (FMI), anunciou hoje (18) o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Em reunião preparatória para o encontro do G20, que começa amanhã (19) no México, Mantega declarou que os países do grupo concordaram em aumentar as contribuições para o fundo, sob uma série de condições.

Os países emergentes exigiram que os recursos adicionais só sejam usados para ajudar países em crise depois que o FMI tiver esgotado os fundos já disponíveis. Além disso, o aporte será feito apenas se as reformas que ampliam o poder do Brics no FMI forem concluídas. Anunciado em 2010, o acordo que altera as cotas dos países em desenvolvimento do fundo precisa ser ratificado pelos parlamentos de países europeus até outubro deste ano.

“Achamos que há um atraso dos europeus na concretização do acordo. Mesmo assim, estaremos fazendo aporte adicional na condição que sejam cumpridas as reformas de cotas o mais rápido possível”, declarou Mantega em vídeo divulgado pelo blog mantido pelo Palácio do Planalto.

De acordo com o Planalto, Mantega também anunciou que o Brics criará um mecanismo de cooperação financeira. Os países do grupo acertaram a formação de um fundo comum de reservas internacionais e manifestaram intenção de assinar um acordo de swap (troca de moedas) entre si. O encontro entre os líderes do Brasil, da Rússia, Índia, China e África do Sul ocorreu hoje em Los Cabos antes da reunião do G20.

Wellton Máximo, Agência Brasil, 19 Jun 2012.


FMI garante US$ 456 bi em recursos, com ajuda do Brasil

O Fundo Monetário Internacional informou nesta terça-feira que levantou US$ 456 bilhões em novos recursos para enfrentar a crise depois que mais 12 países, incluindo os membros dos Brics (Brasil, China, Rússia, Índia e África do Sul) prometeram capital para ampliar o caixa do FMI.

Em abril, países membros do FMI comprometeram-se com um valor de US$ 430 bilhões para lidar com os efeitos da crise da zona do euro na economia global.

"Esses recursos estão sendo disponibilizados para prevenção e resolução de crise e para atender às necessidades potenciais de financiamento de todos os membros do FMI", disse a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, em comunicado.

"Eles serão retirados apenas se forem necessários como uma segunda linha de defesa", completou ela.

De acordo com uma tabela divulgada pelo FMI, Brasil, Rússia e Índia garantiram US$ 10 bilhões cada, enquanto a África do Sul ofereceu US$ 2 bilhões. O México também contribuiu com US$ 10 bilhões.

Somente a China ofereceu US$ 43 bilhões para as reservas do Fundo.

Os líderes dos países dos Brics afirmaram antes que "concordavam em elevar suas próprias contribuições ao FMI", mas insistiram que o dinheiro seja usado apenas após os recursos existentes terem se esgotado.

"Grandes e pequenos países juntaram-se a nosso pedido por ação, e mais podem se juntar", disse Lagarde, explicando que as promessas totais alcançaram 456 bilhões de dólares -"quase dobrando nossa capacidade de empréstimo".

Os Brics tentaram ligar os empréstimos a reformas que dariam ao mundo em desenvolvimento mais voz no FMI ao ampliar seu poder de voto.

"Essas novas contribuições estão sendo feitas com a expectativa de que todas as reformas acordadas até 2010 sejam totalmente implementadas no momento adequado, incluindo uma reforma abrangente de poder de votação e reforma de cotas", disseram os líderes dos Brics em um comunicado conjunto.

Autoridades chinesas recusaram-se a discutir quantias e destacaram a necessidade de implementar reformas de cotas acertadas em 2010.

Folha de São Paulo, 19 Jun 2012.


Forças de paz da ONU afirmam que Síria vive guerra civil

O chefe das forças de paz das Nações Unidas, Herve Ladsous, afirmou nesta terça-feira que o conflito na Síria vive uma guerra civil. "O governo sírio perdeu grande parte do seu território, diversas cidades, para a oposição e quer recuperar o controle", disse. "Há um aumento significativo do nível de repressão."

A troca de tiros não dá trégua. Somente neste terça-feira, pelo menos 36 pessoas morreram em confrontos, de acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). As forças do regime de Bashar Assad lançaram bombas em redutos rebeldes na província de Deir Ezzor, no leste; em Aleppo, no norte; e em várias partes da província de Homs, no centro.

Cerca de 120 pessoas morreram em Al-Hafa na semana passada, incluindo 58 soldados, 29 civis e 23 rebeldes, de acordo com o OSDH. Soldados do regime intensificaram seus ataques na cidade de Homs e em seus subúrbios, contra posições dos rebeldes.

Ataque - Foi nesta região - perto da cidade de Al-Hafa, na província de Latakia (noroeste) - que os observadores da ONU mobilizados no país tentavam entrar quando três de seus veículos foram alvejados por tiros. É a segunda vez que o grupo é atacado. Na semana passada, o mesmo ocorreu quando tentavam entrar em Al-Koubeir, perto de Hama.

"Os observadores da ONU que tentavam ir para Al-Hafa enfrentaram uma multidão furiosa que cercou os veículos, impedindo que prosseguissem seu caminho. Essa multidão, que parece ser composta por habitantes da região, lançou pedras e barras de ferro nos carros da ONU", indicou a Missão de supervisão da ONU na Síria (Misnus) em um comunicado.

"Os observadores recuaram. Três veículos da ONU foram alvos de disparos quando se dirigiam em direção à região de Idleb", acrescentou o comunicado. "A origem dos tiros ainda não foi esclarecida. Todos os observadores estão em suas bases e ilesos", prosseguiu o relato, que indica que os observadores "têm tentado desde 7 de junho ir até Al-Hafa, mas foram impedidos pela violência que continua na região".

Reuters, 18 jun 2012.


Na Índia, Dilma defende nova ordem mundial e reformas na ONU

Índia e Brasil querem uma nova ordem mundial e reformas no Conselho de Segurança das Nações Unidas que levem em consideração a nova realidade do mundo, afirma a presidente brasileira, Dilma Rousseff, em um artigo publicado no jornal "The Times of India".

"Brasil e Índia convergem fortemente para a reforma das organizações internacionais, seja a ampliação do Conselho de Segurança das Nações Unidas e a criação de um novo modelo de responsabilidade do FMI ou o estabelecimento de novos fóruns de alto nível, como o G20, IBAS, BASIC e Brics", afirma Dilma.

Dilma participa em Nova Délhi na IV Reunião de Cúpula dos Brics, grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, e na sexta-feira fará uma visita de Estado ao país anfitrião.

A visita, segundo a presidente brasileira, pretende "consolidar uma agenda bilateral substantiva e reforçar princípios similares de política externa, incluindo a defesa dos interesses de nossas populações pobres, promoção de crescimento econômico sustentável e uma posição internacional independente coerente com a nova ordem internacional".

Na primeira viagem à Índia como chefe de Estado, Rousseff ressalta que as duas democracias compartilham muitas semelhanças, apesar da situação geográfica, como o multiculturalismo e a diversidade étnica e religiosa.

"Brasil e Índia se destacam como modelos de crescimento, que conseguiram tirar da pobreza milhões de pessoas", afirma no texto.

O comércio entre os dois países, que assinaram mais de 30 acordos bilaterais, passou de 500 milhões de dólares em 1999 a 9,3 bilhões em 2011. A Índia é o 12º maior sócio comercial do Brasil.

Durante esta visita, os dois países assinarão o acordo "Ciência Sem Fronteiras" para permitir que professores e estudantes brasileiros possam estudar em universidades indianas e vice-versa.

Os países também pretendem ampliar a área de cooperação, centrada principalmente na tecnologia, medicina e defesa, além de estimular o turismo.

A visita de Dilma Rousseff à Índia também pode ser importante para decisão de Brasília sobre a compra de 36 caças.

Analistas e fontes do governo brasileiro afirmam que a decisão da Índia de negociar exclusivamente com a França para a compra de 126 Rafale - uma licitação avaliada em 12 bilhões de dólares - pode ajudar a convencer o Brasil a optar pelo mesmo avião.

G1, 29 de março 2012.


Argentina decide reestatizar empresa de petróleo

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, anunciou nesta segunda-feira que seu governo pretende aumentar para 51% o capital público da petrolífera argentina, tornando a YPF uma empresa de capital predominantemente público e assumindo o controle gestionário da empresa. Um projeto de lei, já enviado ao Congresso Nacional, estabelece que o Estado passa a controlar a empresa – que havia sido privatizada nos anos 1990, com o controle passado para a empresa espanhola Repsol.

Ao comentar o projeto enviado ao Legislativo, a presidente destacou que tem mais de 50 páginas de "argumentos claros e precisos" que avaliam a decisão de voltar a tomar o controle do Estado sobre a entidade, para recuperar o domínio dos recursos que não são apenas estratégicos, mas também vitais.

Cristina pormenorizou além disso detalhes sobre a situação da empresa, 17 anos depois da Repsol ter adquirido a YPF por US$ 13,158 bilhões, a maioria das ações.

A presidente sublinhou que, entre 2001 e 2011, as reservas se reduziram em 50%, enquanto a baixa produção obrigou a Argentina, pela primeira vez em pouco menos de duas décadas, a se converter em país importador de petróleo e gás.

"Depois de dezessete anos, pela primeira vez em 2010, tivemos que importar gás e petróleo. Também tivemos redução no saldo comercial (devido à queda nas exportações do setor), que entre 2006 e 2011 foi de 150%", afirmou.

Petrobras

Cristina afirmou que a decisão argentina não é um "fato inédito", já que outros governos, como México e Bolívia, possuem 100% das empresas petrolíferas estatais. Ela citou o Brasil como um modelo.

"No Brasil, o estado tem 51% (das ações) por meio da Petrobras. Nós escolhemos o mesmo caminho. Queremos ter uma relação igualitária com nosso sócio (Brasil), para ajudar a América Latina a se transformar também em região de autoabastecimento. E, por isso, queremos incluir Venezuela no Mercosul para fechar o anel energético", disse.

O restante das ações da empresa que hoje tem a participação majoritária da Repsol – mais de 40% – corresponderá às províncias e um percentual reduzido aos espanhóis (especula-se que em torno de 6%). A presidente disse que a medida não afeta "outros sócios ou acionistas" da YPF.

A presidente afirmou também que seu governo quer trabalhar junto com o empresariado e que não vai tolerar a falta de cooperação com seu país.

Reuters 14 abril 2012


Novo diálogo com Irã pode ser última cartada diplomática antes de ação militar

A União Europeia (UE) anunciou nesta terça-feira uma nova rodada de negociações entre um grupo de seis potências internacionais e o Irã em torno do programa nuclear do país.

Para o especialista em assuntos diplomáticos e de defesa da BBC, Jonathan Marcus, este pode ser o último esforço diplomático para resolver a crise em torno do programa nuclear iraniano. Se ele falhar, segundo Marcus, uma ação militar se tornará muito mais provável.

No anúncio, a chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, disse ter respondido a uma correspondência do Irã, em nome dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, mais a Alemanha.

O negociador iraniano, Saeed Jalili, enviou a carta no mês passado, com a proposta de diálogo. Nenhuma data ou local foi definido ainda.

A medida ocorre em meio a especulações de preparativos para um ataque militar contra as instalações nucleares iranianas.

O Irã insiste que o seu programa atômico tem fins pacíficos, mas as potências ocidentais temem que o país esteja construindo armas nucleares. Marcus afirma que, com os sinais de sanções econômicas e de um possível conflito militar, as autoridades de Teerã estão indicando sua vontade de voltar ao caminho da diplomacia. O especialista da BBC afirma ainda que, acima de tudo, os diplomatas ocidentais estão buscando sinais claros de que a iniciativa iraniana é séria, e não simplesmente uma tática de dissimulação.

Diálogo Construtivo

Em seu comunicado, Ashton --que havia escrito para Jalili em outubro passado, com uma oferta de novos diálogos-- disse que a UE espera que o Irã entre em "um processo sustentado de diálogo construtivo que traga progresso verdadeiro para acabar com as antigas preocupações da comunidade internacional sobre seu programa nuclear".

Segundo a chefe da diplomacia europeia, "nosso objetivo geral continua sendo uma solução abrangente, negociada e de longo prazo, que restaure a confiança internacional na natureza exclusivamente pacífica do programa nuclear iraniano".

Em sua correspondência, Jalili disse que o Irã estava pronto para o diálogo em torno de vários temas. Ele disse que dá boas-vindas à afirmação das seis potências de que respeitaria o direito do Irã de usar a energia nuclear pacificamente. "Não há dúvida que, ao se comprometer com essa abordagem, os nossos diálogos por cooperação baseados em princípios passo a passo e reciprocidade nos assuntos nucleares do Irã devem ser iniciados", afirmou o negociador iraniano.

O ministro de Relações Exteriores britânico, William Hague, afirmou, por meio de comunicado, que a pressão internacional sobre o Irã não vai ser aliviada enquanto o país persa não convencer a comunidade internacional de que seu programa atômico é pacífico. Já o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, disse nessa segunda-feira, em Washington, que o "tempo estava correndo" para dar um fim ao programa atômico iraniano, alertando que Israel não "viveria à sombra da aniquilação".

O presidente americano, Barack Obama, também afirmou que todas as opções estão na mesa, mas disse que ainda há tempo para uma saída diplomática. Por sua vez, o secretário de Defesa americano, Leon Panetta, disse nesta terça-feira que a ação militar é a última alternativa sempre, mas ressaltou que seu país "vai agir se for obrigado a tanto".

Folha de São Paulo, 6 de março de 2012


Sírios acusam soldados de execuções sumárias

Moradores que conseguiram fugir da cidade de Homs, na Síria, disseram à BBC nesta segunda-feira que forças de segurança do governo estão realizando execuções sumárias de civis.

Uma mulher disse ao repórter da BBC Paul Wood que soldados cortaram a garganta de seu filho de 12 anos na sexta-feira, um dia depois de combatentes rebeldes terem se retirado do distrito de Baba Amr.

Ela disse que outros 35 homens e crianças da sua região também foram presos e mortos. O seu marido disse que estava escondido a 50 metros do local onde o filho foi assassinado. Ele disse ter visto um dos filhos com a cabeça no chão, pisada pela bota de um dos soldados. Em seguida, o homem viu o filho sendo morto.

"Eu conseguia ouvir os berros deles", afirmou. Outra mulher disse à BBC que seu marido foi levado por forças de segurança.

O governo negou o acesso da Cruz Vermelha a Baba Amr por quatro dias consecutivos, alegando preocupações com a segurança na região. Ativistas alertam para a possibilidade de uma catástrofe humanitária no local.

Não há água, luz nem linhas de telefone no distrito e nos últimos dias as temperaturas desabaram, com neve. Mantimentos de comida estão em um nível baixo e muitos temem deixar a região.

Na última quinta-feira, forças do governo apoiadas por tanques entraram em Baba Amr, depois que o movimento insurgente Exército pela Libertação da Síria anunciou uma "retirada estratégica".

A Cruz Vermelha e seus parceiros do Crescente Vermelho disseram que não podem entrar no distrito, devido à existência de minas e explosivos.

No entanto, a televisão estatal está noticiando que a região foi "saneada" de "grupos terroristas armados".

Ativistas de oposição e de direitos humanos afirmam que forças de segurança e milícias pró-governo estão reunindo crianças de 14 anos ou mais em Baba Amr e os submetendo a tortura. Alguns deles estão sendo mortos. No entanto, esses relatos não foram confirmados. Segundo a agência da ONU para refugiados, entre mil e duas mil pessoas deixaram Homs e estão tentando chegar ao Líbano.

BBC Brasil, 5 de março de 2012


Novo Pacto de Estabilidade Econômica para União Européia

Meta da cúpula da União Europeia é reaquecer a economia no continente. Durante encontro em Bruxelas, deverá ser aprovado novo pacto fiscal, que prevê maior controle e uma cooperação mais intensa entre os países do bloco.

Do texto quase evocativo que serve de introdução ao novo pacto fiscal em debate pela UE, consta que a política econômica europeia deverá ser vista como uma tarefa comum, a ser desempenhada em prol de um maior crescimento econômico, fruto de uma cooperação mais estreita.

Para que tal meta seja atingida, segundo o documento, são necessários mecanismos de controle mais rígidos e uma redução de ações arriscadas por parte dos Estados signatários. O pacto fiscal deverá ser assinado por ocasião da cúpula da UE, que acontece em Bruxelas nestas quinta e sexta-feiras (1° e 02/03).

Cada Estado signatário deverá inserir em sua legislação nacional um mecanismo para frear o endividamento público. Concretamente isso significa que o déficit orçamentário estrutural – ou seja, o déficit que não leva em conta influências pontuais e de conjuntura – deverá perfazer no máximo 0,5% do PIB nacional. E as dívidas públicas em sua totalidade não poderão ser superiores a 60% do PIB. De acordo com o documento a ser aprovado pela UE, caso um país desrespeite de maneira considerável estes limites, deverão ser automaticamente acionados mecanismos de correção.

Países altamente endividados deverão, além disso, apresentar um plano orçamentário e de reformas, a ser avaliado pela Comissão e pelo Conselho da UE. Os Estados signatários do pacto deverão, inclusive, informar previamente a Comissão e o Conselho do bloco a respeito de suas dívidas.

Casos de violação do pacto fiscal poderão ser levados à Corte Europeia em Luxemburgo por um ou mais países-membros do bloco. A Comissão Europeia, por si, não poderá, contudo, entrar com uma queixa contra um determinado país – como na versão do documento defendida originalmente pela premiê alemã Angela Merkel. E o pacto fiscal não será parte integrante da legislação primária da UE, mas sim um contrato a ser assinado separadamente, o que certamente dificultará sua implementação.

Os críticos do documento apontam que não há neste pacto fiscal nada de realmente novo em termos de conteúdo. Thomas Straubhaar, do Instituto de Economia Global, sediado em Hamburgo, lembra do pacto de estabilidade e crescimento da UE, do qual constam determinações semelhantes. Este pacto, por sua vez, foi pela primeira vez quebrado pela Alemanha e pela França.

Daniel Gros, do Centro de Estudos sobre Políticas Europeias, de Bruxelas, critica entre outros a determinação de que o mecanismo de freio da dívida pública seja inserido na legislação de cada país, mas não necessariamente na Constituição.

Este novo pacto fiscal deverá entrar em vigor a partir de 1° de janeiro de 2013, caso até lá 12 Estados o tenham ratificado. O Reino Unido e a República Tcheca não pretendem aprovar o pacto. Os irlandeses irão decidir através de um plebiscito se dizem "sim" ou "não" ao pacto. Caso a Irlanda, como país-membro da zona do euro, não ratifique o documento, isso poderá confirmar a fragilidade do polêmico pacto.

Deutsche Welle, 1º de março de 2012


Entenda a crise na Grécia e suas implicações

Num momento de protestos populares e instabilidade política, o país deve precisar de mais ajuda econômica da EU. A crise financeira da Grécia pode ter profundas implicações para outros países europeus e para a economia mundial.

Num momento de protestos em Atenas contra as medidas de austeridade impostas pelo governo, o premiê George Papandreou tenta se manter no cargo, após anunciar mudanças no seu gabinete.

O premiê tenta também aprovar novas medidas de contenção de gastos necessárias para que a União Europeia e o FMI continuem efetuando os pagamentos do pacote de resgate que prometeram à Grécia.

A próxima parcela de 12 bilhões de euros (cerca de R$ 27 bilhões) do pacote quase certamente será paga, o que deve sustentar o governo grego por mais algumas semanas. É provável que um segundo pacote seja discutido por ministros das Finanças do bloco europeu neste domingo, mas ainda não está claro quais serão os termos do novo acordo.

Por que a Grécia já precisa de um segundo pacote de resgate?

O pacote original foi aprovado há pouco mais de um ano, em maio de 2010.

A razão para o resgate é que o país estava tendo dificuldades em obter dinheiro emprestado no mercado para quitar suas dívidas. Por isso recorreu à União Europeia e ao FMI. A ideia era dar à Grécia tempo para sanear sua economia, o que reduziria os custos para que o país obtivesse dinheiro no mercado.

Mas isso não ocorreu até agora. Pelo contrário: a agência de classificação de risco S&P recentemente deu à Grécia a pior nota de risco do mundo (dentre os países monitorados pela agência).

Assim, o país continua tendo diversas dívidas a serem quitadas, mas não é capaz de obter dinheiro comercialmente para refinanciá-las.

Por que a Grécia está nessa situação?

A Grécia gastou bem mais do que podia na última década, pedindo empréstimos pesados e deixando sua economia refém da crescente dívida. Nesse período, os gastos públicos foram às alturas, e os salários do funcionalismo praticamente dobraram.

Enquanto os cofres públicos eram esvaziados pelos gastos, a receita era afetada pela evasão de impostos - deixando o país totalmente vulnerável quando o mundo foi afetado pela crise de crédito de 2008. O montante da dívida deixou investidores relutantes em emprestar mais dinheiro ao país. Hoje, eles exigem juros bem mais altos para novos empréstimos que refinanciem sua dívida.

O que a Grécia está fazendo para reverter a crise?

A Grécia apresentou planos para cortar seu deficit de maneira escalonada.

Para alcançar isso, o Parlamento grego aprovou em maio um pacote de medidas de austeridade para economizar 4,8 bilhões de euros. O governo quer congelar os salários do setor público e aumentar os impostos e ainda anunciou o aumento do preço da gasolina.

Pretende também aumentar a idade para a aposentadoria, em uma tentativa de economizar dinheiro no sistema de pensões, já sobrecarregado.

A população reagiu com protestos, alguns deles violentos. Muitos servidores públicos acreditam que a crise foi criada por forças externas, como especuladores internacionais e banqueiros da Europa central. Os dois maiores sindicatos do país classificaram as medidas de austeridade como "antipopulares" e "bárbaras".

Por que a Grécia não declara moratória de suas dívidas?

Se o país não fosse membro da zona do euro, talvez fosse tentador declarar a moratória, o que significaria deixar de pagar os juros das dívidas ou pressionar os credores a aceitar pagamentos menores e perdoar parte da dívida.

No caso da Grécia, isso traria enormes dificuldades. As taxas de juros pagas pelos governos da zona do euro têm sido mantidas baixas ante a presunção de que a UE e o Banco Central Europeu proveriam assistência a países da região, justamente para evitar calotes.

Uma moratória grega, além de estimular países como Irlanda e Portugal a fazerem o mesmo, significaria um aumento de custos para empréstimos tomados pelos países menores da UE, sendo que alguns deles já sofrem para manter seus pagamentos em dia.

Se Irlanda e Portugal seguissem o caminho do calote, os bancos que lhes emprestaram dinheiro seriam afetados, o que elevaria a demanda por fundos do Banco Central Europeu. Por isso, enquanto a Europa conseguir bancar a ajuda aos países com problemas e evitar seu calote, é provável que continue fazendo isso.

Então por que os países europeus não concordam logo com um novo pacote de resgate?

O problema é que o governo alemão quer que os bancos compartilhem as agruras de um segundo resgate. Isso significaria que, em vez de a Grécia tomar dinheiro emprestado da UE para pagar dívidas de vencimento imediato, os bancos teriam de concordar em renegociar essas dívidas, provavelmente em termos mais favoráveis aos gregos.

O governo francês e o Banco Central Europeu advertiram que tal reestruturação da dívida seria considerada por muitos como uma moratória, o que, por sua vez, continuaria dificultando que a Grécia voltasse a tomar empréstimos comercialmente.

Mas governos europeus talvez estejam sendo influenciados pela quantidade de dinheiro que seus próprios bancos já emprestaram aos gregos. A agência de classificação de risco Moody's já declarou que pode rebaixar a nota dos três maiores bancos da França por causa de sua vulnerabilidade à dívida grega.

A crise na Grécia pode se espalhar?

Se a Grécia promover um calote, os problemas podem se espalhar para a Irlanda e Portugal. Mesmo sem uma moratória, ainda pode haver dificuldades, já que os pacotes de resgate oferecidos a esses dois países foram estruturados para ajudar Lisboa e Dublin até que seus governos fossem novamente capazes de obter dinheiro no mercado - como no caso de Atenas.

Um calote grego pode fazer com que investidores questionem se a Irlanda e Portugal não seguirão o mesmo caminho. O problema real diz respeito ao que acontecerá com a Espanha, que só tem conseguido obter dinheiro no mercado a custos crescentes.

A economia espanhola equivale à soma das economias grega, irlandesa e portuguesa. Seria muito mais difícil para a UE estruturar, caso seja necessário, um pacote de resgate para um país dessa dimensão.

BBC Brasil, 16 de junho de 2011


Protestos no Oriente Médio: país por país

Líbia

Protestos contra o regime de Muamar Khadafi deixaram um número não confirmado de mortos e feridos desde o dia 16 de fevereiro. O grupo de defesa de direitos humanos Human Rights Watch afirmou que 233 pessoas morreram no país desde o início dos protestos, mas o governo afirma que os relatos são "exagerados.

Benghazi, segunda maior cidade do país, foi o principal foco de revoltas e de violência. Testemunhas afirmaram que forças de segurança usaram metralhadoras e artilharia pesada contra multidões.

Os protestos se espalharam para a capital, Trípoli, no dia 20 de fevereiro. O filho de Khadafi, Saif al-Islam, advertiu em pronunciamento pela TV para o risco de uma guerra civil poderia atingir o país.

O governo bloqueou a internet e vem dificultando o trabalho da mídia estrangeira, o que torna difícil ter uma idéia da proporção real dos distúrbios no país.

Protestos são proibidos na Líbia, mas a revolta foi detonada pela prisão de um advogado conhecido por ser um crítico aberto do governo.

Khadafi é o líder há mais tempo no poder na África e no Oriente Médio - desde 1969 - e um dos mais autocráticos.

Bahrein

A monarquia sunita que governa o país ofereceu diálogo com representantes da maioria xiita do Bahrein, após dias de protestos na principal praça da capital, Manama.

Após usar tropas para dispersar manifestantes da Praça Pérola no dia 17 de fevereiro - em uma operação que deixou quatro mortos ao menos - o governo parece ter recuado, permitindo que os manifestantes reocupassem a praça.

O presidente dos EUA, Barack Obama, pediu calma ao Bahrein, que é um país estrategicamente importante para os EUA.

O rei Hamad pediu a seu filho mais velho, o príncipe regente Salman, que dê início a um "diálogo nacional" para pôr fim à revolta.

Representantes de alto escalão do principal grupo político xiita do país, Wefaq, pediram a renúncia do governo. Entre outras demandas está a libertação dos presos políticos e conversas sobre uma nova Constituição. Manifestantes xiitas reclamam de problemas econômicos, falta de liberdade política e discriminação no mercado de trabalho a favor de sunitas.

Marrocos

O principal grupo de oposição do Marrocos afirmou que a "autocracia" será varrida do país, se reformas econômicas profundas não forem implementadas.

O país enfrenta vários problemas econômicos. O governo anunciou um aumento nos subsídios do Estado para tentar conter o aumento no preço das commodities.

No começo do ano, a reputação do Marrocos foi atingida quando o site Wikileaks revelou documentos com acusações de corrupção na família real e entre pessoas próximas ao rei Mohammed 6º.

O rei diz que a luta contra a pobreza no país é uma prioridade, o que lhe valeu o epíteto de "guardião dos pobres". A liberalização da economia atraiu investimentos estrangeiros, e as autoridades afirmam que estão realizando melhorias em favelas e áreas rurais do país.

Mas organizações não-governamentais dizem que pouco mudou, que a pobreza e o desemprego ainda são grandes no país. O Marrocos vem sendo atingido por greves, nos setores público e privado.

O Marrocos, como Egito e Argélia, dá pouco espaço para a liberdade de expressão e até agora tem sido capaz de conter protestos maiores. Assim como a Jordânia, o país é uma monarquia, que tem apoio de grandes setores da população.

Argélia

Protestos esporádicos vêm acontecendo no país desde o começo de janeiro, com manifestantes pedindo a renúncia do presidente Abdelaziz Bouteflika.

Grupos de manifestantes se uniram em seu movimento contra o governo, incluindo pequenos sindicatos e partidos políticos menores.

O gatilho para os protestos parece ter sido principalmente econômico - em particular o aumento acentuado no preço dos alimentos.

No começo de fevereiro o presidente Bouteflika prometeu suspender o estado de emergência - em vigor no país desde 1992 - em um "futuro próximo", mas ainda não o fez.

O governo da Argélia conta com riqueza considerável vinda de suas exportações de petróleo e gás, e tenta responder a reclamações econômicas e sociais com um grande programa de gastos públicos.

Tunísia

Protestos continuam na Tunísia apesar da decisão do presidente Zine al-Abidine Ben Ali de renunciar em janeiro.

Ele deixou o país após semanas de manifestações e choques entre manifestantes e a polícia.

O gatilho foi o ato desesperado de um jovem desempregado, no dia 17 de dezembro. Mohamed Bouazizi ateou fogo ao próprio corpo, quando autoridades de sua cidade impediram-no de vender legumes nas ruas de Sidi Bouzid sem permissão.

O gesto detonou protestos que se espalharam pelo país. A resposta violenta das autoridades - com a polícia abrindo fogo contra manifestantes - parece ter exacerbado a ira da população e fomentado novos protestos, que terminaram levando à derrocada do presidente.

O presidente do Parlamento, Foued Mebazaa, foi empossado como presidente interino, e pediu ao premiê Mohammed Ghannouchi, chefe do governo desde 1999, para formar uma coalizão nacional. O premiê também prometeu abandonar o poder após eleições, que deverão ser realizadas dentro de seis meses.

Jordânia

Milhares de jorndanianos saíram às ruas ao longo das últimas cinco semanas, pedindo melhores perspectivas de emprego e redução nos preços de alimentos e combustível.

Em resposta, o rei Abdullah 2º demitiu o primeiro-ministro Samir Rifai, acusando-o de promover reformas lentas. Marouf al-Bakhit, ex-general do Exército e embaixador do país em Israel, foi nomeado em seu lugar.

Um novo gabinete com 26 integrantes foi empossado no dia 10 de fevereiro.

O Reino Hachemita da Jordânia é um país pequeno, com poucos recursos naturais, mas desempenha um papel crucial na luta por poder no Oriente Médio.

A morte do rei Hussein, que governou por 46 anos, deixou a Jordânia na briga pela sobreviência econômica e social, assim como pela paz regional.

Seu filho, Abdullah, que o sucedeu no trono, enfrenta o desafio de manter a estabilidade e atender a demandas por reforma.

Um plano para mudanças políticas, econômicas e sociais de longo prazo - conhecido como Agenda Nacional - ainda não foi implementado.

Egito

Centenas de milhares de pessoas se reuniram no Cairo no dia 18 de fevereiro para marcar uma semana da queda do presidente Hosni Mubarak

O líder de 82 anos renunciou no dia 11 de fevereiro, após 18 dias de protestos. Ele estava no poder desde 1981.

O Egito há muito vinha sendo um centro de estabilidade em uma região volátil, mas isso mascarava problemas, que vieram à tona nas demandas de manifestações populares contra o governo de 30 anos de Mubarak, no dia 25 de janeiro.

Os principais gatilhos foram pobreza, inflação, exclusão social, raiva contra a corrupção e o enriquecimento da elite política do país.

Com Mubarak fora do jogo, as Forças Armadas do país assumiram o poder através de um Conselho Militar, que governará pelos próximos seis meses, até que eleições sejam realizadas.

O grupo islamista conservador Irmandade Muçulmana tem chances de ter um bom desempenho em quaisquer eleições livres e justas, mas temores de que o timão político no Egito se volte para o lado do conservadorismo islâmico é a principal fonte de preocupação do Ocidente e de Israel.

Síria

O presidente Bashar al-Assad prometeu promover reformas políticas após herdar o poder de seu pai, Hafez, em 2000, após três décadas de um regime autoritário.

Leis de emergência vigoram no país desde 1963. Após a morte de Hafez al-Assad, a Síria sofreu um certo grau de distensão. Centenas de presos políticos foram libertados. Não ocorreram, entretanto, mudanças como o aumento das liberdades políticas ou mudanças na economia fortemente dominada pelo Estado.

Irã

O governo iraniano convocou uma manifestação para a sexta-feira 18 de fevereiro para manifestar seu repúdio à oposição do país.

O chamado se seguiu a manifestações organizadas pelas duas principais figuras de oposição ao governo em apoio a protestos em países vizinhos. O protesto rapidamente se transformou em uma manifestação antigoverno, que deixou dois mortos e vários feridos.

O sistema político complexo e incomum do Irã combina elementos de uma teocracia islâmica com democracia.

Uma rede de instituições não sujeitas a voto popular e controladas pelo altamente poderoso Líder Supremo do país tem como contrapartida um presidente e um Parlamento eleitos pelo povo.

O presidente Mahmoud Ahmadinejad, eleito em 2005, é um adepto da linha-dura, que prometeu reprimir qualquer protesto contra o regime.

Ele acusou manifestantes de querer "manchar o brilhantismo nacional iraniano".

Arábia Saudita

Um dos países mais insulares e pios do Oriente Médio, a Arábia Saudita deixou de ser um reino desértico e pobre para tornar-se uma das nações mais ricas da região, graças a seus vastos recursos petrolíferos.

Mas seus governantes enfrentam a tarefa delicada de responder a pressões por reforma e, ao mesmo tempo, combater o problema crescente da violência extremista islâmica. A família real saudita sempre tentou preservar a estabilidade na região e reprimir extremistas islâmicos. Movimentos de oposição são proibidos no país.

Regionalmente, o país é importante, com o rei Abullah Bin-Abd-al-Aziz Al Saud visto no mundo árabe como um defensor dos interesses árabes.

Foi para a Arábia Saudita que o líder deposto da Tunísia, Zine al-Abidine Ben Ali, fugiu em janeiro.

Manifestantes em Sanaa, capital do Iêmen

Iêmen

Após dias de protestos, o presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, anunciou, no dia 2 de fevereiro, que não concorreria a outro mandato, após três décadas no poder.

Ele também disse ao Parlamento que não passaria o poder a seu filho, afirmando: "Nenhuma extensão, nenhuma herança, nenhum cronômetro zerado".

Mas os protestos continuam, com pessoas saindo às ruas nas cidades de Sanaa, Aden e Taiz.

Manifestantes antigoverno pedindo reformas políticas entraram em choque com grupos leais ao governo, e a polícia foi enviada para reprimir manifestações.

O Iêmen é o país mais pobre do mundo árabe, onde quase metade da população vive com menos de US$2 por dia.

BBC Brasil, 21 de Fevereiro de 2011


Entenda os protestos e a crise no Egito

Centenas de milhares de egípcios vão às ruas há mais de uma semana para exigir a saída do presidente Hosni Mubarak, que está no poder há quase 30 anos. Em resposta, o presidente já anunciou que não disputará a reeleição, mas que pretende permanecer no poder até que um sucessor seja escolhido.

Quem são os manifestantes e o que eles querem?

Os protestos começaram em 25 de janeiro, quando milhares de egípcios se reuniram na Praça Tahrir, no centro do Cairo, depois de uma mobilização realizada pela internet - inspirada no levante da Tunísia - conclamando um "dia de revolta". A polícia respondeu com gás lacrimogêneo e jatos d'água, mas os manifestantes continuaram no local.

Desde então, protestos em massa têm sido realizados nas principais cidades egípcias - além do Cairo, Alexandria, Suez e Ismaília - desafiando os toques de recolher impostos pelo governo.

Os protestos foram em sua maioria pacíficos, mas a ONU estima que cerca de 300 pessoas já morreram em confrontos relacionados às manifestações.

Os manifestantes exigem a saída imediata de Mubarak. As multidões acusam o governo de repressão, fraudes eleitorais, corrupção e de ser responsável pela pobreza e pelo desemprego no país. Os participantes também querem garantias de que o filho de Mubarak, Gamal, não será o próximo presidente.

Como Mubarak respondeu?

O presidente foi à televisão na terça-feira, dia 1º, afirmando que não disputará a reeleição no pleito marcado para setembro de 2011. Ele disse que dedicará o resto de seu mandato para garantir uma transição pacífica para seu sucessor.

Mubarak disse ter se oferecido para encontros com todos os partidos políticos, mas alguns deles teriam se recusado a dialogar.

Em seu primeiro discurso após o início dos protestos, feito no dia 28, ele anunciou a demissão de seu gabinete de governo, empossando Ahmed Shafiq como novo primeiro-ministro e Omar Suleiman, ex-chefe da inteligência egípcia, como vice-presidente - cargo que nunca antes havia sido ocupado durante o regime.

Mubarak designou publicamente Shafiq para implementar reformas democráticas e medidas para aumentar o nível de emprego. O presidente também determinou que o novo gabinete - cujos membros ainda não foram nomeados - combata a corrupção e restaure a confiança na economia.

No dia 30, em uma aparente demonstração de força, jatos da Força Aérea egípcia sobrevoaram a Praça Tahrir, onde era realizado mais um protesto. Helicópteros, tanques e blindados também circularam pela cidade, enquanto o acesso à internet foi bloqueado.

Quem são os outros personagens principais?

Não existe uma figura que centralize e lidere a oposição contra Mubarak. Os manifestantes representam uma fatia ampla da sociedade egípcia, dos mais jovens aos mais velhos, dos mais ricos aos mais pobres, seculares e religiosos.

Mohammed ElBaradei, ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e vencedor do Nobel da Paz, surgiu como um potencial porta-voz da coalizão de movimentos de oposição. Líderes de diferentes grupos teriam iniciado negociações para chegar a uma estratégia comum.

A Irmandade Muçulmana, maior e mais organizado grupo de oposição no Egito, tem se mantido em uma posição discreta durante os protestos, por temor de sofrer retaliações por parte do governo.

Analistas acreditam que as Forças Armadas egípcias sejam um fator decisivo na crise. Até agora, Mubarak - um ex-comandante da Força Aérea - tem o apoio dos militares. No entanto, se os protestos se intensificarem, acredita-se que oficiais de alta patente possam pedir que o presidente deixe o poder.

O que está em jogo?

O Egito é conhecido como umm al-dunya, ou "mãe do mundo" em árabe. O que acontece no Cairo tem efeitos decisivos em todo o Oriente Médio.

Desde que chegou ao poder, em 1981, Mubarak tem sido uma figura central na política da região e um importante aliado dos países ocidentais. O Egito é um dos dois únicos países árabes - além da Jordânia - a ter tratados de paz com Israel.

Se o levante egípcio se transformar em uma revolução, isto pode significar um golpe para o já enfraquecido processo de paz no Oriente Médio e disparar alarmes em outros regimes autocráticos no mundo árabe, dizem analistas.

Há o temor de que extremistas possam aproveitar o vácuo político ou de que grupos islâmicos como a Irmandade Muçulmana cheguem ao poder por meio de eleições livres.

A crise no Egito também tem efeitos nos mercados globais. Os valores das ações caíram nas principais bolsas do mundo, e o preço do petróleo atingiu o valor mais alto em dois anos.

Como a comunidade internacional tem reagido aos protestos?

A pressão internacional está se encaminhando para algum tipo de resolução. Os Estados Unidos, responsáveis por bilhões de dólares em ajuda para o Egito, por pouco não admitiram abertamente que querem a saída de Mubarak.

Em vez disso, o presidente americano, Barack Obama, e a secretária de Estado, Hillary Clinton, pediram uma "transição ordenada" para uma democracia no Egito.

Enquanto isto, líderes da ONU, da Grã-Bretanha, da França e da Alemanha pediram a Mubarak que evite a violência e realize as reformas enquanto os protestos continuem.

Obama manteve contatos com chefes de Estado e de governo como o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, o rei da Arábia Saudita, Abdullah, e o primeiro-ministro britânico, David Cameron.

O que deve acontecer agora?

Não há sinal de que os protestos possam acabar, e a maioria dos observadores afirmam que os dias de Mubarak como presidente estão contados.

Vários grupos de oposição estão se oferecendo para negociar com o governo, mas apenas depois que Mubarak sair do poder.

No entanto, o presidente parece estar calculando que pode sair com um saldo positivo da crise e que as suas concessões dividirão os opositores.

O exército, instituição chave no Egito, indicou que protestos pacíficos serão tolerados e que os seus participantes não serão combatidos.

BBC Brasil, 03 de fevereiro de 2010.


Milhares vão às ruas do Iêmen para pedir reformas democráticas

Dezenas de milhares de partidários da oposição iemenita saíram às ruas nesta quinta-feira na capital do país, Sanaa, para pedir reformas democráticas, ao mesmo tempo que acontecia uma manifestação similar de simpatizantes do governo.

As duas marchas aconteciam de maneira calma: os simpatizantes do partido governista Congresso Popular Geral (CPG) estavam reunidos na praça Al Tahrir (Libertação) e os opositores nas proximidades da Universidade de Sanaa, zona oeste da capital.

Os partidários do CPG se reuniram na praça Al Tahrir, local que havia sido escolhido para o protesto da oposição, que se viu obrigada a mudar a área de protesto.

No início da manhã, os manifestantes antigoverno reuniram mais de 20 mil pessoas em Sanaa, a maior concentração de pessoas desde que a onda de protestos em países árabes atingiu o país há duas semanas, inspirados em manifestações que derrubaram o ditador da Tunísia e ameaçam o do Egito.

"O povo quer que o regime mude", eles gritavam nas proximidades da universidade de Sanaa. "Não à corrupção, não à ditadura."

As manifestações ocorrem um dia depois de o ditador iemenita, Ali Abdullah Saleh, no poder há 32 anos, ter anunciado que não disputará a reeleição e fez mais concessões à oposição, após manifestações inspiradas pelos protestos populares na Tunísia e no Egito.

Saleh propôs a formação de um "governo de unidade nacional", informou que adiará as eleições legislativas previstas para 27 de abril --muito questionadas pela oposição--, e disse que é favorável da adoção de reformas políticas antes do pleito.

"Não haverá governo hereditário nem presidência vitalícia", disse Saleh, cujo atual mandato termina em 2013, durante uma reunião extraordinária com o Parlamento e o Majlis al Shura (conselho consultivo).

Saleh também prometeu que seu filho não assumirá as rédeas do governo, entre outras concessões políticas.

Trata-se da ação mais ousada do ditador para manter os tumultos fora do Iêmen, um aliado importante dos Estados Unidos contra a Al Qaeda.

O maior partido opositor iemenita, o Al Islah, recebeu bem a iniciativa de Saleh, mas ignorou um apelo presidencial para desmobilizar os protestos. No entanto, os manifestantes antigoverno parecem não estar totalmente em concordância --alguns pedem pela queda de Saleh, enquanto outros querem que ele prove que irá cumprir suas promessas.

"O que o presidente ofereceu ontem [quarta-feira] foi apenas teatro. Não confiamos nele", disse um manifestante, Mahmoud Abdullah, em Sanaa.

PELO PAÍS

Saleh, um sobrevivente político sagaz, voltou atrás no passado em promessas de se afastar do poder. Analistas afirmaram que a promessa de quarta-feira pode ser uma maneira genuína de sair graciosamente, mas ele pode também estar esperando o fim da instabilidade regional para reafirmar sua dominância.

Outros protestos antigoverno se espalharam pelo Iêmen, incluindo na cidade de Taiz, onde Saleh serviu como governador militar, assim como em cidades do sul do país onde as atividades de um movimento separatista têm crescido.

Forças de segurança em Aden impediram manifestantes de chegar ao centro da cidade, onde alguns milhares já estavam reunidos.

Folha de São Paulo, 03 de fevereiro de 2010.


Jovem "casamento" Brasil-China está estremecido

Pelo menos uma vez por semana desde sua posse, a presidente Dilma Rousseff recebe assessores para tentar lidar com um problema aparentemente intratável: a China.

Poucos meses atrás, Brasil e China pareciam fadados a formar uma das alianças definidoras deste início de século - duas economias emergentes com rápido crescimento, posicionando-se lado a lado em questões globais como negociações comerciais, e buscando sempre novas oportunidades de negócios conjuntos.

Mas não é assim que tem funcionado.

A reunião semanal comandada por Dilma é apenas um sinal de como ela está colocando o Brasil em uma posição de maior confronto frente a Pequim, na tentativa de resolver uma relação que ela considera cada vez mais desequilibrada e divergente.

Oficialmente, o tema dessas reuniões é a busca por uma maior "competitividade" do Brasil no comércio global, mas elas inevitavelmente se transformam em debates estratégicos sobre como conter a enxurrada de importações de produtos chineses, que quintuplicaram desde 2005, com resultados desastrosos para a indústria brasileira.

"É basicamente uma reunião sobre a China", disse um funcionário de alto escalão que costuma participar delas. "As relações entre os dois países não são hostis, mas vamos tomar medidas para nos proteger... e promover uma relação mais igualitária."

Em curto prazo, segundo fontes de alto escalão do governo, isso significa mais tarifas dirigidas para produtos industrializados procedentes da China, uma fiscalização mais rígida nas alfândegas, e também mais processos antidumping.

Também é possível que sejam adotadas novas regras para mineradoras estrangeiras, dizem as autoridades, refletindo os temores de que a China desejaria consolidar seu controle sobre as riquezas minerais brasileiras, sem oferecer em contrapartida acesso suficiente ao seu próprio mercado.

Reuters Brasil, Brian Winter e Brian Ellsworth, 03 de fevereiro de 2010.


Preservação florestal torna-se tema central da ONU em 2011

Diante do cenário ambiental crítico, o desafio da ONU é aproximar cidadãos do mundo todo em torno de um projeto comum: preservar a mata, que cobre só 31% das terras do planeta. Maior reserva verde ainda está no Brasil.

O planeta deve registrar ainda em 2011 a marca de 7 bilhões de habitantes. À medida que a população se expande – e exige cada vez mais recursos naturais e espaço no globo –, a cobertura florestal se extingue. Atualmente, as florestas ocupam apenas 31% das áreas de terra do planeta.

É também em 2011 que as Nações Unidas decidiram promover o Ano Internacional das Florestas. Nesta quarta-feira (02/02), uma sessão em Nova York marca o início das atividades para "promover a consciência e fortalecer uma gestão, conservação e desenvolvimento sustentável", diz o órgão. O desafio, no entanto, é transformar essa aspiração em soluções práticas e estimular o envolvimento dos cidadãos que vivem nas cidades.

Na prática

As Nações Unidas estimam que 1,6 bilhão de pessoas dependam das florestas para sobreviver e que, no mundo todo, as matas sejam a casa de 300 milhões de indivíduos. Esse ambiente é o habitat de 80% da biodiversidade existente no planeta.

Apesar dos argumentos convincentes lançados pela ONU para estimular a preservação, o desmatamento ainda é um inimigo presente na busca pelo desenvolvimento sustentável. Um estudo da organização Conservação Internacional (CI) divulgado nesta quarta-feira, identificou as dez florestas mais ameaçadas do mundo – o Brasil aparece na lista com os apenas 8% que restaram da Mata Atlântica.

“As florestas não podem ser vistas apenas como um grupo de árvores, mas como fornecedores de benefícios vitais. Elas são importante fator econômico no desenvolvimento de diversas cidades, fornecendo madeira, alimento, abrigo e recreação, e possuem um potencial ainda maior que precisa ser percebido em termos de provisão de água, prevenção de erosão e remoção de carbono”, argumenta Olivier Langrand, da CI.

A derrubada da floresta também agrava os efeitos das mudanças climáticas, e é responsável por até 20% das emissões mundiais de gases do efeito estufa.

Do Brasil para o mundo

A maior reserva de floresta tropical do mundo está em solo brasileiro – o bioma Amazônia ocupa 49% do território nacional. O ritmo de destruição acelerado parece ter se acalmado entre agosto de 2009 e julho de 2010, quando os satélites que vigiam a floresta detectaram uma diminuição de 13,6% do desmatamento em relação ao período anterior.

Na fila de projetos do Congresso Nacional, no entanto, o polêmico plano que altera o Código Florestal vai na contramão do Ano Internacional das Florestas. Entre as mudanças mais controversas estão a redução de 30 metros para 15 metros das áreas de preservação permanente nas margens de rios, a isenção de reserva legal para a agricultura familiar e o perdão para quem nunca obedeceu a legislação vigente. Ou seja, quem desmatou de forma criminosa não precisará pagar por isso.

Depois de 2011

Diante do cenário global ambiental pouco animador, a campanha internacional encabeçada pela ONU quer evidenciar também as desvantagens para a humanidade trazidas pela diminuição da área verde.

As Nações Unidas lembram que o desaparecimento das florestas coloca em xeque o abastecimento sustentável de água, o fornecimento de plantas medicinais à indústria da saúde – equivalente a 108 bilhões de dólares por ano–, o risco do aumento da propagação de doenças como malária. E, o que é mais ameaçador, a sobrevivência dos próprios seres humanos.

Deutstche Welle, Nádia Pontes, 03 de fevereiro de 2011.


Médico de deputada americana baleada em evento público acredita em sua recuperação

Continua internada em estado grave a deputada federal democrata norte-americana Gabrielle Giffords, de 40 anos, baleada ontem (8), na cidade de Tucson, estado do Arizona, em um ataque que deixou pelo menos seis mortos, entre eles uma criança de nove anos e um juiz federal, e 12 feridos.

Apesar de ainda correr risco de vida e da gravidade do ferimento, o médico que vem tratando a democrata afirmou estar "muito otimista sobre a sua recuperação".Gabrielle foi atingida com um tiro a queima-roupas na cabeça e levada para o Centro Médico Universitário de Tucson, a cerca de 15 quilômetros do local, onde foi submetida a uma cirurgia.

A deputada participava de um evento público quando foi baleada em frente a um supermercado de Tucson. O jovem teria tentado fugir após abrir fogo, mas foi preso logo após o ataque. A polícia ainda está à procura de um suposto comparsa e divulgou imagens de um homem de cabelos pretos entre 40 e 50 anos.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, classificou o incidente como uma “tragédia indescritível” e confirmou que, entre as vítimas, está o juiz federal John Roll, do Arizona. “Um ato de violência terrível e sem sentido como esse não tem espaço em uma sociedade livre”, disse Obama em um comunicado.

Pouco depois, em pronunciamento na Casa Branca, o presidente disse que enviou o diretor do FBI (a polícia federal norte-americana), Robert Mueller, a Tucson para acompanhar pessoalmente as investigações.

Considerada uma estrela em ascensão no Partido Democrata, o mesmo de Obama, Gabrielle foi reeleita para seu terceiro mandato nas eleições legislativas de novembro. Segundo ele, Gabrielle é sua amiga e muito querida por seus colegas e eleitores. “Não estou surpreso que hoje Gabby estava fazendo o que sempre faz, ouvindo as expectativas e preocupações de seus vizinhos”, disse Obama.

A deputada foi baleada diante de dezenas de pessoas, em frente a um supermercado da rede Safeway, onde promovia um evento político chamado Congress on your Corner (O Congresso na sua esquina, em tradução livre), em que se encontrava regularmente com a população.

Desde que assumiu seu primeiro mandato na Câmara dos Representantes (dos deputados federais), em janeiro de 2007, ela costumava organizar eventos desse tipo. Em um desses encontros, em 2009, um manifestante chegou a ser retirado do local depois que sua arma caiu no chão. O encontro de ontem em que ela foi baleada foi o primeiro desde que Gabrielle foi reeleita.

Pertencente à ala centrista do Partido Democrata, a deputada defende os direitos de portadores de armas e o rigor na fiscalização da fronteira com o México para coibir a imigração ilegal, mas se opõe à nova lei de imigração do Arizona, que torna crime a presença de imigrantes ilegais.

A deputada desagradou aos conservadores de seu estado, fortemente dominado pelo Partido Republicano, ao apoiar a reforma da saúde proposta por Obama e aprovada em março do ano passado em meio à grande oposição dos republicanos.

Agência Brasil, 09 de janeiro de 2011


Brasil vai reforçar campanha pela reforma da ONU

A proposta de reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas será fortalecida ao longo deste mês quando a presidência do órgão ficará a cargo do Brasil. A representante brasileira no conselho, a embaixadora Maria Luiza Viotti, disse que o Brasil é candidato natural a membro permanente.

O Conselho tem 15 vagas, das quais apenas cinco são permanentes. O Brasil está ocupando um dos assentos rotativos. “Certamente que [a presidência] poderá contribuir para fazer avançar a ideia de que a reforma é necessária e de que há países que são candidatos naturais”, disse a embaixadora, segundo informações da agência pública de Portugal, Lusa.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas foi criado, após a Segunda Guerra Mundial. Pela estrutura do órgão, cinco países ocupam assentos permanentes e dez assumem as cadeiras de forma rotativa - por dois anos. O G4, formado por Brasil, Japão, Índia e Alemanha, apresentaram em 2005 uma proposta de expansão do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O presidente da Assembleia Geral, Joseph Deiss, afirmou que há “negociações reais” sobre a ampliação do Conselho de Segurança. As negociações são supervisionadas pelo embaixador do Afeganistão, Zahir Tanin, que, em dezembro, apresentou um relatório sobre as posições dos estados membros, que deverá ser atualizado em março.

Para a embaixadora brasileira, o objetivo agora é “chegar a algum resultado mais concreto [sobre a reforma] até ao final desta sessão” da Assembleia Geral das Nações Unidas.

“A presidência do Conselho não lida com questões da reforma, mas de certa maneira é uma ocasião para dar maior visibilidade aos temas que são do interesse do Brasil, da ampla maioria dos países em desenvolvimento, dos membros da Organização das Nações Unidas”, disse a diplomata.

Agência Brasil, Renata Giraldi, 02 de janeiro de 2011


EUA e Rússia assinam maior acordo de redução de armas nucleares em 20 anos

Os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da Rússia, Dmitry Medvedev, assinaram nesta quinta-feira em Praga, capital da República Tcheca, o acordo bilateral de redução de seus arsenais de armas nucleares mais significativo em 20 anos.

O acordo estabelece que a redução ocorrerá ao longo de sete anos e que cada parte limitará o seu número de ogivas nucleares a 1.550. O novo teto é cerca de 30% menor que o de 2,2 mil ogivas previsto pelo acordo antigo de redução nuclear russo-americano.

Rússia e Estados Unidos também se comprometeram a limitar a 700 o número de mísseis balísticos capazes de levar as ogivas nucleares. Atualmente, os EUA possuem 798 desses artefatos, enquanto a Rússia tem 566, menos que o limite.

O acordo, que substituirá o Tratado Estratégico de Redução de Armas (Start, na sigla em inglês), assinado em 1991 e expirado em dezembro, ainda precisa ser aprovado pelo Senado americano e pelo Parlamento russo, a Duma.

Estima-se que o arsenal americano e russo alcance hoje mais de 2 mil e 2,5 mil ogivas nucleares estratégicas, respectivamente.

Durante o período da Guerra Fria, os Estados Unidos chegaram a ter mais de 15 mil ogivas nucleares estratégicas, e a Rússia, mais de 10 mil.

'Liderança'

Em uma cerimônia pomposa no castelo de Praga, sob os auspícios do premiê tcheco, Vaclav Havel, Obama disse que EUA e Rússia detêm cerca de 90% do poder nuclear mundial. Ele elogiou o que chamou de "liderança extraordinária" de Medvedev em promover o acordo.

Para Obama, o tratado é um "importante marco" na questão da não-proliferação nuclear, mas apenas "um passo em uma jornada mais longa" para reduzir a ameaça das armas atômicas.

Falando após Obama, Medvedev se referiu diversas vezes aos "parceiros americanos" da Rússia. Ele disse que o tratado abre as portas para "um maior nível de cooperação entre a Rússia e os EUA".

"Esta é uma situação em que ambos saem ganhando. Ninguém perde com este acordo. Esta é uma qualidade típica das nossas iniciativas de cooperação", disse Medevev.

"Toda a comunidade mundial ganhou."

Símbolo

Entretanto, para o analista da BBC para assuntos de geopolítica Jonathan Marcus a importância do acordo está menos nos números e mais no significado simbólico do entendimento.

"O acordo marca um reaproximação nas relações EUA-Rússia, preconizando, talvez, uma postura mais dura da Rússia em relação ao programa nuclear iraniano", afirmou.

"As armas nucleares são parte importante da equação de defesa russa, em um momento em que o seu papel no pensamento estratégico americano está se tornando mais limitado."

Marcus disse que os critérios para contar as unidades de ogivas nucleares são pouco claras e que cortes mais significativos nas armas nucleares de longo alcance russas e americanas ainda podem tardar anos de negociações bilaterais.

Ambos os países já haviam concordado em diminuir o número de mísseis em julho do ano passado, mas o acordo havia ficado em suspenso até agora por diferenças sobre a verificação das reduções.

No início desta semana, o ministro do Exterior russo, Sergei Lavrov, declarou que o acordo representa "um novo patamar de confiança" entre Rússia e EUA.

Ao anunciar o acordo, no mês passado, Obama fez referência à Guerra Fria e disse que o entendimento é "um novo passo adiante para deixar para trás o legado do século 20 e construir um futuro mais seguro para nossos filhos."

BBC Brasil, 09 Abril 2010.


Obama e Medvedev assinam novo tratado de desarmamento nuclear

Após nove meses de negociações, os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da Rússia, Dmitri Medvedev, assinaram nesta quinta-feira, em Praga, na República Tcheca, o novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start, na sigla em inglês).

O documento obriga os dois países a reduzirem em cerca de um terço seus arsenais nucleares remanescentes da Guerra Fria e, no âmbito diplomático, marca a retomada das relações bilaterais após o esfriamento durante o governo de George W. Bush.

O acordo, cortando os arsenais de ambos os lados de 2.200 ogivas para 1.550, deve ser agora ratificado pelos legislativos de ambos os países.

O novo texto substitui o Start 1, assinado em 1991 como o acordo de desarmamento mais ambicioso desde a Segunda Guerra (1939-1945) entre Estados Unidos e a então União Soviética. O documento expirou em 5 de dezembro passado, mas se extingue na prática com o surgimento do novo acordo de desarmamento.

Obama afirmou que a assinatura do documento marca a estratégia americana para um mundo "mais seguro" e sem armas nucleares. "Sei que este objetivo pode não ser alcançado enquanto estiver vivo, mas é um passo importante para um mundo mais seguro".

Há mais de seis meses, negociadores americanos e russos se reúnem regularmente em Genebra para elaborar o novo documento, a pedra angular do "relançamento" desejado por Obama e Medvedev, depois de anos de "paz fria" durante o governo de George W. Bush e após o breve conflito com a Geórgia, aliada dos EUA, em 2008.

Medvedev elogiou os esforços dos negociadores, "que trabalharam 24 horas por dia para concretizar o que considerávamos uma missão impossível há alguns meses". "Esta é uma situação em que todos ganham", disse o presidente russo, que ressaltou as melhoras no sistema de verificação da redução do arsenal de ambos os países.

Veja o que estabelece o novo Start

- Redução das ogivas nucleares que ambos países possuem em 30% em relação ao Tratado de Redução de Arsenais Nucleares Estratégicos (SORT, ou Tratado de Moscou), de 2002.

- Limitação a 800 vetores (mísseis intercontinentais a bordo de submarinos e bombardeiros) mobilizados ou não por cada um dos dois países.

- Limitação a 700 vetores posicionados.

- Segundo Washington, o acordo não impõe nenhuma limitação aos testes, ao desenvolvimento ou à instalação de sistemas de defesa antimísseis dos Estados Unidos, que estejam programados ou em curso de sê-lo. Também não limita os projetos americanos em termos de ataques convencionais de longo alcance.

- O novo tratado retoma os elementos do Start 1 e os adapta aos novos limites. Prevê verificações in situ das instalações nucleares, intercâmbio de dos, assim como notificações recíprocas de armamentos ofensivos e de sítios nucleares.

- O tratado tem duração de dez anos a partir da data de sua entrada em funções e poderá ser renovado por uma duração máxima de cinco anos. Uma cláusula prevê que cada parte pode se retirar do tratado.

- O tratado entrará em vigor depois de ser ratificado pelos parlamentos dos dois países. O Tratado SORT de 2002 ficará automaticamente abolido depois da entrada em vigor do novo texto.

Folha de São Paulo , 09 Abril 2010


Obama e Medvedev fecham acordo para pacto sobre armas nucleares

Os presidentes dos EUA, Barack Obama, e da Rússia, Dmitry Medvedev, fecharam na sexta-feira um acordo sobre um tratado histórico de redução de armas nucleares e vão se reunir para assinar o tratado em 8 de abril, em Praga.

Após meses de impasse, o acordo para o tratado que substituirá o pacto START (Tratado de Redução de Armas Estratégicas), da era da Guerra Fria, é a mais importante conquista de política externa de Obama desde que chegou ao poder e também reforça seu esforço para "reiniciar" os laços dos EUA com Moscou. Obama e Medvedev deram os retoques finais ao acordo histórico em um telefonema, comprometendo as duas maiores potências nucleares do mundo a empreender grandes reduções em seus arsenais.

"Tenho a satisfação de anunciar que, após um ano de negociações intensas, Estados Unidos e Rússia acordaram o mais abrangente acordo de controle de armas em quase duas décadas", disse Obama a repórteres.

Em Moscou, Medvedev saudou o acordo, dizendo que reflete "o equilíbrio dos interesses dos dois países", disse o Kremlin. Pelos termos do acordo, válido por dez anos, cada lado terá que reduzir suas ogivas estratégicas posicionadas das 2.200 atuais para 1.550 e também fará reduções importantes em seu estoque de lançadores, disse a Casa Branca.

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, disse que o acordo transmitirá ao Irã e à Coreia do Norte, países envolvidos em impasses nucleares com o Ocidente, uma mensagem sobre seu compromisso em impedir a proliferação nuclear.

"Com esse acordo, Estados Unidos e Rússia - as duas maiores potências nucleares do mundo - também transmitem um sinal claro de que pretendemos liderar". disse Obama.

"Ao cumprir nossos próprios compromissos assumidos sob o Tratado de Não-Proliferação Nuclear, fortalecemos nossos esforços globais para barrar a propagação dessas armas e asseguramos que outros países cumpram suas próprias responsabilidades", disse Obama.

ASSINATURA EM PRAGA

Obama e Medvedev pretendem assinar o novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas, que virá substituir um tratado de 1991 cuja vigência terminou em dezembro, em 8 de abril em Praga, capital da República Tcheca, antigo satélite soviético que hoje faz parte da Otan.

Essa data é próxima do aniversário do discurso proferido por Obama em Praga no ano passado, anunciando sua visão de eventualmente livrar o mundo de armas nucleares, e vai ajudar a criar ímpeto para uma segunda cúpula sobre segurança nuclear da qual Obama será anfitrião em Washington entre 12 e 14 de abril.

A Casa Branca disse que o novo tratado não restringirá os programas americanos de defesa antimísseis, que vinham representando um obstáculo nas negociações, devido às objeções da Rússia a esses planos.

"O tratado reduzirá em mais ou menos um terço as armas nucleares dos EUA e Rússia. Ele prevê uma redução significativa dos mísseis e lançadores e a instalação de um regime de verificação eficaz e forte", disse Obama.

"E conserva a flexibilidade de que precisamos para proteger e promover nossa segurança nacional e para garantir nosso compromisso inabalável com a segurança de nossos aliados."

Obama ainda enfrentará uma luta no Senado norrte-americano para a ratificação do tratado, em um momento de rancor partidário na esteira da disputa acirrada que terminou com a aprovação pelo Congresso de sua reforma da saúde.

Ele disse que vai trabalhar estreitamente com outros democratas e com a oposição republicana para obter a aprovação pelo Senado do tratado, que requer uma maioria de dois terços para ser ratificado.

O novo pacto pode fortalecer Obama politicamente, garantindo a ele uma importante vitória na área da política externa, que virá somar-se à vitória na política doméstica que ele teve esta semana quando sancionou a reforma da saúde. Negociadores russos e norte-americanos vinham há quase um ano tentando conseguir um pacto para dar continuidade ao START. Eles perderam o prazo final de 5 de dezembro, quando terminou a vigência do START I.

Matt Spetalnick e Jeff Mason Reuters Brasil, 26 Março 2010.


Entenda a polêmica sobre a distribuição dos royalties do petróleo

A aprovação pela Câmara dos Deputados de uma emenda ao projeto de lei que muda as regras de distribuição dos royalties do petróleo colocou o governo federal, Estados e municípios diante de uma polêmica envolvendo disputas políticas e interesses regionais.

Na semana passada, os deputados decidiram que os royalties - espécie de compensação financeira paga pelos exploradores - devem ser distribuídos de forma igualitária entre todos os Estados e municípios do país.

A decisão muda a regra atual, em que Estados e municípios produtores recebem uma parcela maior dos royalties pagos pelas empresas.

A emenda aprovada pela Câmara será ainda encaminhada ao Senado, mas a decisão entre os deputados já foi suficiente para deflagrar a polêmica sobre quem deve receber a verba gerada com a exploração do petróleo.

O que são royalties e como são cobrados?

De modo geral, royalty é um valor cobrado pelo proprietário de uma patente ou ainda por uma pessoa ou empresa que detém o direito exclusivo sobre determinado produto ou serviço.

No caso do petróleo, os royalties são cobrados das concessionárias que exploram a matéria-prima, de acordo com sua quantidade, e o valor arrecadado fica com o poder público.

De acordo com a legislação brasileira, Estados e municípios produtores – além da União – têm direito à maioria absoluta dos royalties do petróleo. A divisão atual é de 40% para a União, 22,5% para Estados e 30% para os municípios produtores. Os 7,5% restantes são distribuidos para todos os municípios e Estados da federação.

A justificativa para essa divisão é de que os royalties são uma espécie de compensação às administrações locais, pelo fato de o recurso ser finito. Além disso, essas localidades em tese têm mais gastos com infraestrutura e prevenção de acidentes, por exemplo.

Segundo a Agência Nacional do Petrólo (ANP), o Brasil arrecadou R$ 7,9 bilhões em royalties no ano passado.

Por que a distribuição de royalties voltou ao centro da discussão?

Com a descoberta da camada pré-sal, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a defender novas regras para a exploração do petróleo no país. Um dos argumentos é de que as empresas terão acesso a reservas de alto potencial e com risco exploratório perto de zero – o que justificaria um novo marco regulatório.

Foi nesse contexto que o presidente Lula apresentou, em agosto do ano passado, quatro projetos de lei propondo mudanças no setor, sendo um deles na distribuição dos royalties.

O governo Lula, que chegou a defender a distribuição igualitária dos royalties, voltou atrás diante da pressão dos Estados produtores e passou a defender um tratamento diferenciado para essas administrações.

Mas os deputados não aceitaram a proposta e aprovaram uma emenda, apresentada pelos deputados Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), Humberto Souto (PPS-RS) e Marcelo Castro (PMDB-PI), que prevê a distribuição dos royalties do pré-sal para todos os Estados da federação.

A divisão aprovada na Câmara por 369 votos a favor e 72 contrários é de que 30% dos royalties sejam destinados aos Estados, 30% aos municípios e 40% à União, sem tratamento diferenciado para os produtores.

A chamada “emenda Ibsen” foi além da camada pré-sal e estendeu a nova distribuição de royalties também às bacias tradicionais, incluindo as já licitadas. Cálculos apresentados pelo deputado Humberto Souto mostram que o Estado do Piauí, por exemplo, poderá receber R$ 317 milhões em royalties ainda este ano, enquanto o Rio de Janeiro, maior Estado produtor, ficaria com cerca de R$ 200 milhões.

Quais são os argumentos a favor da nova distribuição?

O principal argumento dos parlamentares favoráveis à mudança das regras é de que o petróleo pertence “a todo o país”, o que justificaria uma distribuição igualitária dos royalties.

Segundo o deputado Marcelo Castro, “não interessa que a exploração seja feita de frente para o Rio de Janeiro”. Para ele, é preciso usar o petróleo para fazer “justiça social” e “reduzir desquilíbrios” regionais.

Na avaliação do deputado Ibsen Pinheiro, a exploração do petróleo é feita no mar, não havendo, segundo ele, possibilidade de danos para Estados e municípios produtores.

Ainda de acordo com o deputado, não seria “justo” privilegiar dois Estados e “prejudicar” 25. Em entrevista ao site G1, Ibsen disse que os Estados produtores “têm, no máximo, vista para o mar, que é muito privilegiada”.

Os defensores da distribuição igualitária dizem também que todos os Estados acabam pagando, por meio da União, pelas pesquisas da Petrobras e pelos testes nos poços – e por isso devem ser beneficiado com royalties.

“Essa matéria tem fundamento jurídico, fundamento moral e maioria. Nada justifica a desigualdade”, disse Ibsen, durante a votação da emenda.

Ainda de acordo com o deputado, “é justo que o petróleo pertença a todos os brasileiros, pois todos somos iguais perante a lei”. O deputado Fernando Coruja (PPS-SC) acrescentou que a regra “inverte a concentração de recursos”, permitindo que os municípios com menos dinheiro “participem da riqueza do petróleo”.

O que dizem os Estados e municípios produtores?

A emenda Ibsen tem sido fortemente criticada pelas lideranças do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, que descreveram a medida como “covardia”. O governador do Rio, Sergio Cabral Filho, chegou a chorar em público ao comentar a decisão da Câmara.

Segundo ele, os deputados que votaram a favor da emenda esperando algum “benefício eleitoral” em seu Estado estão “equivocados”. Sua avaliação é de que a população brasileira será “solidária” ao Rio. De acordo com cálculos apresentados pelo deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), a arrecadação do Estado do Rio de Janeiro com royalties do petróleo cairia de R$ 5 bilhões para cerca de R$ 100 milhões. O governador do Rio disse que a perda de receita afetará as obras para os Jogos Olímpicos de 2016 e convocou a população para uma caminhada no centro da cidade, na quarta-feira. Representantes dos Estados produtores veem ainda “falhas jurídicas” na emenda, por mudar as regras de contratos já firmados, no caso dos poços que já foram licitados.

“Campos já licitados, já leiloados, não podem ter as regras mudadas, porque isso fere os princípios jurídicos, muda cláusulas de situações já consagradas”, disse o senador Francisco Dornelles (PP-RJ).

Existe a possibilidade de um acordo?

A aprovação da emenda Ibsen criou um embate entre os Estados da federação, com Rio de Janeiro e Espírito Santo de um lado, e as outras 25 unidades do outro.

Diante da disputa regional, lideranças do governo Lula tentam agora costurar uma nova proposta antes que a matéria seja votada no Senado.

Uma das alternativas apresentadas pelo deputado Ibsen Pinheiro é de que a União use sua cota na distribuição dos royalties para compensar pelo menos parte das perdas nos Estados e municípios produtores.

Segundo o deputado, os prejudicados poderão ser compensados pela União até que a produção de petróleo atinja níveis que garantam os atuais patamares de remuneração.

No entanto, o senador Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo na Casa rebateu essa possibilidade.

A ideia do governo, agora, é elaborar um projeto de lei específico sobre a questão dos royalties. Dessa forma, a matéria poderia ser apreciada normalmente (sem o pedido de urgência), o que daria tempo para que o assunto seja melhor discutido.

Caso os senadores mantenham a emenda que redistribui os royalties, o presidente Lula poderá vetá-la ou não. A partir daí o veto presidencial terá de ser votado por deputados e senadores, em sessão conjunta.

Quais são as implicações eleitorais do debate?

A discussão sobre os royalties do petróleo tem um forte apelo eleitoral, com potencial de desgaste tanto para governo como para a oposição.

No caso do governo, esse potencial tende a ser maior, já que o presidente Lula está diretamente envolvido no debate, podendo vetar ou não a decisão do Senado.

Se os senadores concordarem com a redistribuição dos royalties, o presidente Lula terá de decidir se fica do lado dos dois Estados produtores ou do restante do país.

“Seria um decisão desgastante em meio à campanha da ministra Dilma Roussef”, diz um deputado da base aliada ao governo, referindo-se à pré-candidata do PT ao Palácio do Planalto.

O assunto também é visto com receio pela oposição, que teme se indispor com o restante do país em pleno ano eleitoral.

O governador de São Paulo e possível candidato à Presidência, José Serra, tem evitado criticar de forma mais contundente a emenda Ibsen, mesmo estando à frente de um dos três Estados produtores de petróleo. Serra disse nesta quarta-feira que distruibir os benefícios do petróleo para todo o Brasil é uma “preocupação correta”, mas que o projeto, do jeito que está, é “inaceitável”.

A avaliação de um deputado da oposição é de que o governador está prestes a oficializar sua pré-canditura à Presidência e que “comprar briga” com o restante do país “teria um alto custo”.

Fabrício Peixoto, BBC Brasil , 19 Março 2010


Entenda os pontos de atrito na relação entre Brasil e EUA

A visita ao Brasil da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, ocorre em um momento de divergências com os Estados Unidos sobre como lidar com o Irã e seu programa nuclear - um dos pontos de atrito na relação bilateral que se tornaram mais evidentes no último ano.

Enquanto os Estados Unidos defendem a imposição de sanções econômicas ao Irã, o governo brasileiro argumenta que a medida poderá "isolar" Teerã, dificultando as negociações.

As polêmicas na relação entre os dois países vão além, incluindo temas recentes como a recuperação do Haiti, a situação política de Honduras e retaliações comerciais.

De acordo com o Itamaraty, mesmo os assuntos "delicados" serão tratados em um clima de "total cortesia" entre a secretária Clinton e o chanceler Celso Amorim.

Entenda quais são os pontos de atrito entre Brasil e Estados Unidos.

Programa nuclear do Irã

Desde que o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, anunciou, em fevereiro, a ampliação de seu programa nuclear, os Estados Unidos passaram a defender a imposição de sanções econômicas a Teerã.

Um dos argumentos do governo americano é de que o Irã estaria "disfarçando" a construção de armamentos nucleares por meio de um programa nuclear supostamente pacífico.

Na avaliação do governo brasileiro, porém, a adoção de sanções econômicas ao Irã pode ter um resultado "negativo".

O chanceler Celso Amorim tem dito que essas "penalidades" podem acabar "isolando" o governo iraniano, dificultando as negociações. Para o ministro, a fase do diálogo "ainda não está encerrada".

Além disso, o Brasil defende que o Irã tem o direito de enriquecer urânio a 20%, limite ainda permitido pelo Tratado de Não-Proliferação Nuclear, assinado no âmbito das Nações Unidas.

Segundo Amorim, o Brasil "se preocupa" com as atividades nucleares no Irã, mas é preciso "respeitar" o direito do Irã de gerar a energia para fins pacíficos. O governo americano confirmou que a secretária Clinton tentará convencer o governo brasileiro a mudar sua posição quanto às sanções.

Na semana passada, o secretário-assistente do governo americano para assuntos da América Latina, Arturo Valenzuela, disse que os Estados Unidos ficarão "desapontados" se o Brasil não usar sua influência para fazer com que o Irã cumpra suas obrigações internacionais.

Recuperação do Haiti

O terremoto que devastou o Haiti, deixando mais de 200 mil mortos, tornou-se um dos principais temas na agenda do Brasil com os Estados Unidos.

Se por um lado, a liderança dos dois países na recuperação do Haiti é dada como certa, ainda não está claro como essa parceria será colocada em prática.

De acordo com o Itamaraty, um dos desafios será o de definir uma estratégia conjunta para a reconstrução do país caribenho, evitando, assim, que uma posição seja "sobreposta" a outra.

Há seis anos, o Brasil chefia as tropas da missão de paz da ONU no Haiti (Minustah) e, segundo a diplomacia brasileira, essa é uma chance de "consolidar" a liderança do país na região.

Quinze dias após o grande tremor do dia 12 de janeiro, cerca de 10 mil militares americanos já estavam em território haitiano, número que surpreendeu as tropas brasileiras.

Na época, o chanceler Celso Amorim negou que houvesse algum tipo de "disputa" entre Brasil e Estados Unidos quanto à liderança na recuperação haitiana. As tropas do Brasil, porém, chegaram a organizar uma megaoperação de distribuição de alimentos com o objetivo de "marcar posição" frente à presença americana, como disse o chefe da Minustah, general Floriano Peixoto.

Honduras

Tanto o Brasil como os Estados Unidos condenaram a deposição do então presidente de Honduras, Manuel Zelaya, como um "golpe de Estado". Desde então, o país está suspenso da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Mas a eleição de um novo governo, em novembro passado, dividiu opiniões entre brasileiros e americanos.

Na avaliação dos Estados Unidos, a eleição de Porfírio "Pepe" Lobo ocorreu um ambiente "democrático", abrindo caminho para que o governo eleito seja imediatamente reconhecido pelos outros países da região.

O embaixador americano no Brasil, Thomas Shannon, disse no mês passado que a eleição de Lobo foi o "melhor feito" em Honduras e que o assunto deve ser discutido "sem retóricas".

Já o Brasil é contrário ao reconhecimento "imediato" do novo governo e diz esperar "sinais de mudança" em Honduras antes de mudar sua posição.

O argumento do Itamaraty é de que a situação de Honduras só deve ser regularizada com certas condições - uma delas seria a criação de uma comissão da verdade, com o objetivo de investigar os episódios que marcaram a crise política hondurenha.

"Se não for assim, ficará um mau exemplo na região, de que golpes são facilmente perdoados", diz um diplomata.

Disputa comercial

No mês passado, a Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão ligado ao Ministério da Indústria e Comércio, aprovou uma retaliação comercial aos Estados Unidos no valor de US$ 560 milhões.

A medida é resultado de uma disputa que começou em 2002, quando o Brasil foi à Organização Mundial de Comércio (OMC) acusar os Estados Unidos de adotarem práticas que favoreciam seus produtores de algodão.

Com o aval da OMC, o Brasil agora está prestes a definir que produtos americanos terão de pagar mais impostos para entrar no mercado brasileiro.

O governo brasileiro diz que ainda está disposto a negociar, mas, segundo o Itamaraty, os Estados Unidos ainda não ofereceram uma contraproposta que evite as retaliações. O chanceler Celso Amorim disse, no mês passado, que o Brasil "não prefere" a via do contencioso, mas que o país "não pode se curvar" diante de nações mais fortes.

Esse, porém, não é o único atrito comercial entre os dois países. No ano passado, o Brasil voltou a acionar a OMC contra os Estados Unidos, dessa vez em função de uma suposta prática antidumping no suco de laranja importado do Brasil.

O Brasil, por sua vez, é freqüentemente criticado no meio empresarial americano por não respeitar as regras internacionais de propriedade intelectual.

Há dois anos, o Brasil foi retirado da lista americana que reúne os maiores mercados piratas do mundo, mas associações industriais dos Estados Unidos estariam pressionando seu governo a incluir novamente o Brasil no grupo, como forma de pressionar pela suspensão das retaliações.

Bases militares na Colômbia

Um dos principais atritos entre Brasil e Estados Unidos, a instalação de bases militares americanas na Colômbia foi extremamente criticada pelo governo brasileiro.

Segundo o governo da Colômbia, o acordo com os Estados Unidos, que veio a público em julho passado, teria como objetivo facilitar as operações contra o terrorismo e a produção de drogas. O governo brasileiro, no entanto, criticou a "falta de transparência" do acordo militar e pediu explicações tanto à Colômbia como aos Estados Unidos.

Um dos argumentos do Itamaraty era de que as bases aumentariam as "desconfianças" entre os países, contribuindo para um clima de "insegurança".

A preocupação acabou levando os 12 países da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) a convocarem uma reunião extraordinária para discutir o assunto. A idéia era pedir "garantias formais" tanto da Colômbia como dos Estados Unidos de que a operação militar ficaria limitada a questões do narcotráfico. A secretária Hillary Clinton chegou a enviar uma carta a diversos países da região "garantindo" que não seriam atacados.

BBC Brasil, Fabrícia Peixoto, 03 de Março de 2010


Amorim sinaliza que apoio do Brasil a Honduras depende da volta de Zelaya ao seu país

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, condicionou hoje o apoio do Brasil ao novo governo de Honduras, sob comando do presidente Porfirio “Pepe” Lobo, à aplicação de medidas que permitam o retorno do presidente deposto, Manuel Zelaya, ao país. O chanceler fez a afirmação ao lado da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, que defende a imediata reintegração de Honduras à Organização dos Estados Americanos (OEA).

“Um fato que teria grande valor simbólico seria criar condições para o presidente Zelaya voltar a Honduras”, afirmou Amorim, referindo-se à adoção de medidas de anistia em favor do presidente deposto e seus aliados. Desde janeiro, Zelaya está morando na Costa Rica. Antes ele passou mais de três meses abrigado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, capital de Honduras. Ele é acusado por seus adversários de tentar mudar a Constituição para se manter no poder.

Para Amorim, “Pepe” Lobo está adotando ações concretas em busca da aproximação com a comunidade internacional e também do fortalecimento das instituições internas de Honduras. Segundo Amorim, a deposição de Zelaya, em 28 de junho do ano passado, por uma ação organizada pelas Forças Armadas, Congresso e Corte Suprema hondurenha representa uma indicação de golpe de Estado.

“O Brasil deseja ver um futuro de normalidade em toda a região. Mas países que tiveram o trauma de viver sob o golpe militar, como nós, não podemos tomar essas coisas levemente”, reagiu Amorim. “Nós temos acompanhado com muita atenção os gestos do presidente de Honduras, que tem feito movimentos no sentido de reconciliação nacional, de esquerda, com ou sem aspas”.

O governo brasileiro defendeu que as eleições em Honduras, realizadas em novembro, ocorressem com Zelaya reconduzido ao governo. Mas isso não aconteceu. Paralelamente os Estados Unidos lideraram as negociações entre o presidente golpista, Roberto Micheletti, Zelaya e “Pepe” Lobo.

A orientação do governo do presidente Barack Obama é para que a comunidade internacional colabore para a reintegração de Honduras à OEA e apóie a gestão de Lobo. Diplomatas brasileiros afirmam que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está observando de forma positiva os esforços do novo presidente hondurenho o que deve levar para um futuro apoio.

Agência Brasil, Renata Giraldi, 03 de Março de 2010


Pacote de incentivos às exportações deve sair até o fim de março

O pacote de incentivos às exportações deve ser anunciado até o fim de março. A expectativa é do ministro de Desenvolvimento, Miguel Jorge. Ele acredita que pode ser criado ainda este ano um banco específico para o comércio exterior, a exemplo do Eximbank.

Ele informou que o esboço das medidas está pronto, faltando apenas uma reunião específica dele com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para fechar.

Miguel Jorge espera marcar com Mantega antes de seguir viagem, acompanhando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Oriente Médio, na semana que vem.

"A minha expectativa é de que até o fim de março, a gente possa anunciar", disse o ministro, ao sair de reunião com empresários na Fazenda, no Grupo de Acompanhamento do Crescimento (Gac).

Ele explicou que alguns empresários colocaram as medidas de incentivo à exportação como prioridade, durante a reunião. "Essa cobrança também me tem feito o presidente Lula, que prometeu medidas no ano passado em um jantar com mais de 800 pessoas", continuou.

O ministro disse não poder adiantar detalhes das medidas, porque ainda estão no nível das discussões técnicas. Mas garantiu: "Nós não vamos mexer no câmbio".

Entre as medidas, ele destacou que deve ser criado ainda este ano o Eximbank, uma carteira bancária especial voltada para o financiamento ao comércio exterior.

"Será uma diretoria especial" do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), explicou. "Criar um banco novo seria muito burocrático, demoraria muito", disse o ministro.

Ele reiterou que "um Eximbank é uma das coisas que o Brasil tinha que ter há 20 anos, e há três anos em defendo essa proposta dentro do governo".

Entre as medidas, o ministro destacou a desburocratização para reduzir custos das operações de comércio exterior, mais financiamentos e garantias, aumento de missões comerciais e de mercados compradores, além de medidas de ordem tributária como devolução de crédito ao exportador.

"É um projeto para melhorar a capacidade do Brasil exportar", resumiu o ministro do Desenvolvimento.

Valor Econômico, Azelma Rodrigues, 03 de Março de 2010


Gerador caseiro promete revolucionar setor energético nos EUA

A energia que em um futuro próximo iluminará nossas casas será limpa, barata e, para a felicidade dos ferrenhos consumidores de luz, permitirá praticamente se desvincular das companhias de energia elétrica.

Pelo menos é isso o que promete a Bloom Energy, uma empresa californiana que há oito anos trabalha de forma secreta em uma nova fonte de energia. Esta semana, ela apresentou seu produto a especialistas do setor e jornalistas.

O Bloom Box, como se chama o aparelho, é um inovador gerador que utiliza biocombustíveis ou gás para produzir eletricidade e, segundo seus criadores, permitirá a empresas e pessoas comuns gerar sua própria energia de forma limpa e econômica.

Ao contrário das células de hidrogênio, este sistema utiliza materiais mais baratos, é mais eficiente --permite produzir o dobro de eletricidade que outros sistemas com a mesma quantidade de combustível --é flexível e também reversível, pois o usuário pode armazenar o que não consome.

Por enquanto, os geradores têm o tamanho de um carro pequeno e custam em torno de US$ 800 mil. Embora a Bloom Energy insista que o investimento inicial pode ser recuperado em entre três e cinco anos, o preço não está ao alcance da maioria.

A empresa acredita que em dez anos poderá fabricar geradores do tamanho de um tijolo e a um preço em torno de US$ 3 mil, transformando cada consumidor em uma potencial central elétrica.

"Nossa missão é pôr energia limpa e confiável ao alcance de todas as pessoas no mundo", disse K.R Sridhar, cofundador e executivo-chefe da Bloom+ Energy, durante a apresentação do Bloom Box.

Por enquanto, só grandes empresas têm acesso ao aparelho e algumas companhias como Coca-Cola e eBay testaram seu uso nos últimos meses.

O primeiro cliente de pagamento da Bloom Energy foi outra companhia do Vale do Silício, Google, que tem instalado um gerador de 400 quilowatts em um de seus prédios e cobre com ele boa parte de seu consumo elétrico desde julho de 2008.

"Estamos muito emocionados com isso", reconheceu Larry Page, cofundador do Google, durante a apresentação do Bloom Box. "Eu gostaria de ver um centro de dados inteiro funcionando com esse sistema", continuou.

A grande vantagem é que o gerador permitirá aos consumidores abrir mão da companhia elétrica ou usá-la só em casos de emergência, apesar de ser necessário dispor de uma provisão de gás ou biocombustível para fazê-lo funcionar.

O usuário poderá inclusive vender a sua companhia elétrica local a energia que não consumir, pois o gerador permite armazenamento.

A Bloom Energy não é a única empresa trabalhando neste promissor setor, mas foi, talvez, a mais rápida.

"Há provavelmente cerca de 100 companhias trabalhando em algo muito similar", disse Jack Brower, diretor associado do Centro Nacional de Pesquisa de Pilhas de Combustível ao diário "Los Angeles Times". "A chave está em que a Bloom Energy tem um sistema integrado e um pacote preparado para sua distribuição comercial", contou.

Os especialistas opinam que, no entanto, ainda há muitas questões por resolver antes de a inovação chegar às mãos de todos os consumidores.

Entre as dúvidas, por exemplo, está a vida útil do aparelho, que a Bloom Energy não esclareceu ainda. Pouca duração poderia significar o fracasso da invenção.

Outros analistas apontaram que a inovação poderia ter um indesejável efeito sobre o preço do gás natural ou dos biocombustíveis, disparando o valor pelo aumento na demanda.

Alguns especialistas temem também que o Bloom Box se transforme em um novo Segway, aquele patinete elétrico de alta tecnologia com o qual seus criadores esperavam revolucionar o mundo do transporte há cerca de dez anos e que hoje é simplesmente uma curiosidade para turistas em algumas cidades. EFE

Folha de São Paulo, Paula Gil, 28 de Fevereiro de 2010


Especialistas vêem biocombustível de segunda geração como chance para países pobres

Fabricados a partir de resíduos agrícolas, os biocombustíveis de segunda geração podem ser uma alternativa ambientalmente viável para o desenvolvimento econômico de países pobres, de acordo com especialistas em energia.

A produção de combustíveis a partir de milho, trigo, colza e azeite de dendê é cara e contribui relativamente pouco para a proteção do clima, além de impulsionar o aumento dos preços dos alimentos, segundo um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgado em 2008.

Mas que alternativas existem? O apetite global por energia vem crescendo, afirma Didier Houssin, diretor de Mercados Energéticos e Segurança da Agência Internacional de Energia (AIE).

"Em nossas projeções, a cota dos biocombustíveis no setor de transportes deverá crescer, indo dos atuais 1,7% para 9% em 2030. Daí a necessidade que há de se garantir o desenvolvimento sustentável da produção de biocombustíveis. Isso é particularmente importante no caso de países em desenvolvimento e emergentes", explica o especialista.

Complemento à produção de alimentos

Esses países produzem grande parte dos resíduos da agricultura e da silvicultura, dos quais podem ser produzidos diesel, etanol ou gás sintético. São os chamados biocombustíveis de segunda geração. A vantagem é que sua produção não concorre com a produção de alimentos, mas a complementa.

Além disso, os dejetos já existem em abundância como matéria-prima, como lembra Anselm Eisentraut, analista para biocombustíveis da AIE. Ele analisou para a OCDE o potencial dos novos biocombustíveis. "No momento, 10% dos resíduos agrícolas e florestais disponíveis seriam suficientes para quase duplicar a produção atual de biocombustíveis, se a tecnologia realmente estivesse disponível comercialmente e em grande escala", afirma.

Perspectiva promissora

Cerca de 125 bilhões de litros de diesel ou 170 bilhões de litros de etanol poderiam ser produzidos por ano a partir de apenas 10% das cascas de noz e de arroz e dos restos de madeira disponíveis no mundo. Mas até agora a técnica só funciona em projetos experimentais.

"Nos Estados Unidos será lançada no próximo ano uma unidade comercial que produzirá cerca de 100 milhões de litros por ano. No Brasil há instalações experimentais, assim como na Índia e na China, de forma que [nesses países] a evolução da tecnologia já está avançada, mas ainda não em escala comercial," diz Eisentraut.

Isso pode levar de 15 a 20 anos, dependendo dos incentivos econômicos que vierem do setor político. Esse tempo, no entanto, também é necessário não somente para se criar a infraestrutura para a produção do biocombustível em países emergentes e em desenvolvimento, como também para estabelecer uma agricultura sustentável.

Integração aos mercados mundiais

Para isso contribuem também as políticas alemãs de ajuda ao desenvolvimento, afirma Mike Enskat, especialista em energia da Agência Alemã de Cooperação Técnica (GTZ, na sigla em alemão).

"O potencial econômico dos biocombustíveis de segunda geração é, naturalmente, também uma oportunidade para se desenvolver melhor o setor agrícola nos países em desenvolvimento, torná-lo mais produtivo e melhor integrado aos mercados mundiais", afirma.

Mas os países em desenvolvimento devem ser envolvidos no processo já na fase inicial, para que sejam evitados os erros feitos no desenvolvimento dos biocombustíveis de primeira geração. "Deve haver padrões internacionais de sustentabilidade para a produção de biomassa e uma certificação dos combustíveis, para assegurar padrões sociais e ambientais", sublinha Enskat.

Ele alerta também que deve ser evitada uma nova concorrência na aquisição de matérias-primas. "Porque, em alguns países, resíduos da agricultura e da silvicultura já são usados como adubo ou no aquecimento. Também não foram completamente esclarecidos possíveis impactos ambientais sobre os nutrientes do solo e sobre os recursos hídricos."

Deutche Wille , Sabine Kinkartz, 14 de Fevereiro 2010.


Cúpula do Mercosul busca reaproximar Uruguai e Argentina

Presidentes sul-americanos se reunirão na terça-feira em uma cúpula do Mercosul na qual se espera que o Uruguai discuta sua deteriorada relação com a Argentina, ao mesmo tempo que o bloco buscará dar novo impulso às negociações de comércio com a União Europeia, que estão paralisadas.

Além dos chefes de Estado dos quatro membros do Mercosul --Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai--, deve viajar a Montevidéu o polêmico presidente Hugo Chávez, da Venezuela, cuja adesão ao bloco vem sendo longamente adiada, informou o Ministério de Relações Exteriores do Uruguai.

Há a previsão de que a presidente da Argentina, Cristina Fernández, se reúna com o presidente eleito do Uruguai, José Mujica, convidado a participar da cúpula, para tratar de um conflito bilateral envolvendo a instalação de uma fábrica de celulose que desencadeou um bloqueio de manifestantes na fronteira entre os dois países.

As relações entre Cristina Fernández e o atual presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, se esfriaram por causa do recurso apresentado pela Argentina na Corte Internacional de Haia em relação à fábrica de celulose, que desde 2007 opera na área de um rio limítrofe.

No entanto, Mujica mantém estreita sintonia com o governo argentino e se espera que ele se esforce para melhorar as relações bilaterais. Mujica é um ex-guerrilheiro que assumirá em março a Presidência do Uruguai, no segundo período consecutivo da esquerda no poder no país.

O presidente eleito disse que meses atrás conversou com autoridades argentinas sobre a possibilidade de formar um grupo de trabalho que analise os assuntos responsáveis por atritos entre os dois países.

A debilitada união aduaneira do Mercosul, prejudicada por causa de conflitos comerciais e políticos, especialmente entre seus sócios maiores, Brasil e Argentina, nasceu na década de 1990 como um projeto para impulsionar o comércio e a internacionalização das economias de seus membros.

Mas o bloco foi perdendo impulso até converter-se, segundo especialistas, em um estorvo para países que buscam diversificar mais o seu comércio, como Brasil e Uruguai

"O Mercosul se debilitou muito. Há países que pensaram em sair, como o Uruguai, outros que não querem entrar, como o Chile, e no caso do que quer entrar, a Venezuela, muitos pensam que é melhor que não esteja lá", disse o ex-vice-ministro da Economia da Argentina Jorge Todesca, titular da consultoria Finsoport.

Conrado Hornos, Reuters Brasil , 05 de Dezembro de 2009


Obama anuncia nova estratégia para o Afeganistão

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou, nesta terça-feira, o envio de 30 mil novos soldados para o Afeganistão a partir do início de 2010. O anúncio foi feito durante um discurso à nação na academia militar de West Point, no Estado de Nova York (leste do país).

Além da decisão sobre as tropas adicionais, o presidente afirmou ainda que pretende iniciar a retirada das tropas em julho de 2011 – antes das eleições presidenciais de 2012.“Eu tomo essa decisão porque estou convencido de que nossa segurança está ameaçada no Afeganistão e no Paquistão”, disse o presidente.“Esse é o epicentro do extremismo violento praticado pela al-Qaeda”, afirmou. De acordo com o presidente, as tropas adicionais ajudarão a preparar a retirada e transição para as forças de segurança do Afeganistão.

Com o envio dos soldados, que deve ser realizado ao longo de seis meses, os EUA terão mais de 100 mil homens lutando contra os militantes do Talebã em território afegão.

Transição

Obama disse que usará o Iraque como modelo para a retirada das tropas do Afeganistão.

“Assim como fizemos no Iraque, nós executaremos a transição de maneira responsável, levando em consideração as condições locais”, disse.

Segundo o presidente, os EUA continuarão aconselhando e auxiliando as forças de segurança afegãs “para garantir que o sucesso delas a longo prazo”.

“Mas seremos claros com o governo afegão – e, mais importante, com o povo afegão – que, no final das contas, eles serão responsáveis pelo próprio país”, afirmou o presidente durante o discurso.

Obama afirmou que já apresentou a nova estratégia para o Afeganistão com o presidente afegão, Hamid Karzai, durante uma longa vídeo-conferência.

Segundo a Casa Branca, o presidente disse a Karzai que os esforços dos EUA no Afeganistão “terão limite” e serão medidos com base em objetivos ao longo de dois anos.

Nova estratégia

A nova estratégia militar americana para o Afeganistão é anunciada depois de mais de três meses de discussões.

O anúncio ocorre em meio a uma crescente preocupação nos Estados Unidos em relação ao conflito, que já dura oito anos.

O aumento da violência no Afeganistão - onde mais de 900 soldados americanos já morreram - e o polêmico processo eleitoral de agosto, com denúncias de fraude, aumentaram a oposição dentro dos Estados Unidos ao conflito. O comandante militar americano no Afeganistão, general Stanley McChrystal, havia pedido no início do ano que os Estados Unidos enviassem mais 40 mil soldados ao país asiático.

Além do envio de mais 30 mil soldados anunciado nesta terça-feira, o presidente americano pediu que os países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) enviem mais 10 mil soldados ao Afeganistão.

A França já recusou o pedido, e a Alemanha adiou a decisão. Na Grã-Bretanha, o primeiro-ministro, Gordon Brown anunciou, na segunda-feira, o envio de mais 500 soldados.

Segundo o correspondente da BBC em Cabul, Martin Patience, críticos da presença militar americana afirmam que cada vez que os Estados Unidos enviam mais tropas a segurança do Afeganistão piora, e questionam por que os americanos estão gastando bilhões de dólares em gastos militares e não na reconstrução do país.

O anúncio da nova estratégia dos EUA foi bem recebido pelo secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen. Ele disse que os aliados dos Estados Unidos têm dividido o peso do conflito até agora e afirmou estar confiante de que 5 mil tropas adicionais podem ser encontradas.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, ofereceu apoio total à nova estratégia apresentada por Obama, classificando a decisão como "corajosa".

BBC Brasil , 03 de Dezembro de 2009

“Lula diz: ONU tem que ampliar Conselho de Segurança para ter representatividade

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira que a ONU (Organizações das Nações Unidas) deve reformar e ampliar o seu Conselho de Segurança se quiser ter representatividade. Segundo o presidente, "não tem como explicar" o fato de países como Japão, Alemanha e Índia estarem fora do conselho.

"Se a ONU quiser voltar a ter representatividade, tomar decisões, e essas decisões serem executadas, ela tem que ser reformada e colocar outros países", afirmou o presidente, em entrevista coletiva em Floresta (PE), após visitar o canteiro de obras de transposição do rio São Francisco.

Lula disse que há 15 anos o Brasil reivindica uma reforma no Conselho de Segurança. "Nós estamos convencidos que a ONU está superada. A ONU de 1948 não representa a correlação de força existente no mundo hoje, nem geograficamente, nem politicamente, nem economicamente. É preciso que se leve em conta a participação dos países de vários continentes", disse.

Hoje, o Brasil foi eleito pela Assembleia Geral da ONU para uma das dez vagas rotativas do Conselho de Segurança. O mandato durará dois anos: 2010 e 2011. Após receber 182 votos de um total de 183 países votantes, o Brasil ocupará pela décima vez um assento eletivo no Conselho. Outros quatro países foram também eleitos para o mesmo mandato (2010-2011): a Bósnia e Herzegovina, o Gabão, o Líbano e a Nigéria.

Na avaliação do presidente, a participação de outros países no conselho daria mais força à ONU para negociar, por exemplo, a questão do Oriente Médio.

"Quem deveria estar negociando a paz entre judeus e palestinos era a ONU. E por que ela não faz isso? Porque ela não tem força. Então, o que nós queremos é que a ONU tenha muita força", disse.

Lula disse ainda que, se os países que "mandam" no conselho não aceitarem a mudança, eles serão responsabilizados pela "fragilidade" da ONU.

"Esse negócio do Conselho de Segurança é como uma fruta madura. Ou seja, ela já está passando do ponto de colher, daqui a pouco ela cai. E se os dirigentes da ONU, sobretudo dos países que hoje mandam no Conselho de Segurança permanente, não aceitarem a reforma, eles serão responsabilizados pela fragilidade da ONU", afirmou.”

Folha de São Paulo, 15 de outubro de 2009


Cúpula Brasil -UE concentra-se em proteção climática e energia

Líderes reunidos em Estocolmo destacam importância de governos assumirem responsabilidades e levarem providências concretas à cúpula sobre o clima de dezembro em Copenhague. Honduras também constou de pauta do encontro.

A proteção climática, eficiência energética e a crise em Honduras foram alguns dos principais problemas discutidos na terceira cúpula entre o Brasil e União Europeia, realizada nesta terça-feira (06/10) na sede do governo da Suécia, em Estocolmo.

O encontro foi presidido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o primeiro-ministro da Suécia, Fredrik Reinfeldt, na função de atual presidente do Conselho da União Européia, e o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso. As negociações para um ambicioso acordo contra o aquecimento do planeta, e contra a crise econômica mundial e o reforço das relações bilaterais estiveram no centro do encontro.

Em coletiva após a reunião, os líderes destacaram a importância de os governos do mundo assumirem suas responsabilidades e levarem providências concretas à cúpula sobre o clima, agendada para dezembro próximo em Copenhague. Brasil e UE se comprometeram a contribuir para melhoria do clima, assumindo "metas claras e ambiciosas a médio prazo", conforme texto final do encontro, assinado pelos parceiros, além de "compromissos juridicamente vinculantes para os países desenvolvidos".

Responsabilidades e metas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu aos países participantes da reunião na Dinamarca que levem medidas concretas e assumam suas responsabilidades. "Cada governo tem que assumir custos para evitar que o planeta seja atingido", disse. "Cada um tem que dizer, 'sou responsável por tanto de efeito-estufa e por tanto de seqüestro de carbono'. Essa é a única chance. Porque se ficarmos sempre cada um jogando culpa no outro, não chegamos a uma conclusão".

A União Européia tem como objetivo limitar o aquecimento global a menos de 2ºC acima da temperatura pré-industrial. O acordo de Copenhague deve não apenas fixar metas mundiais para a redução das emissões, como também fornecer uma base adequada para verificar a capacidade de adaptação de cada país às alterações climáticas.

Em declaração conjunta firmada na cúpula, Brasil e União Européia convocam os países desenvolvidos e em desenvolvimento a apresentarem antes da reunião de Copenhague e "o mais rápido possível, metas ambiciosas de redução de emissões, ações e estratégicas" para redução do efeito-estufa. Os dois parceiros concordam que a construção de uma economia de baixa emissão de carbono é uma prioridade, "respeitando o desenvolvimento econômico e social dos países em desenvolvimento".

Pesos e medidas diversos

"É preciso levar em conta que um país como a China não pode pagar como Inglaterra, que começou sua industrialização 200 anos atrás", observou Lula. A União Européia concorda que deve haver prazos mais amplos para países em desenvolvimento. "Todos têm que fazer esforço para que os objetivos sejam atingidos e para que os países menos ricos, com mais necessidades, sejam ajudados", afirmou o primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt.

A promoção e o uso de energias renováveis e o esforço para buscar eficiência energética são vistos por ambos os lados como contribuição importante para cumprir as necessidades do desenvolvimento sustentável. Brasil e União Européia reafirmaram o compromisso político no desenvolvimento e utilização de fontes de energias limpas, alternativas para combustível fóssil, incluindo a produção de biocombustíveis e se comprometeram a estreitar a cooperação nesse campo.

"Gostaria que todos os países fizessem a matriz energética tão limpa quanto Brasil tem", comentou o presidente brasileiro. "Temos, em geral, 47% de produção em energia limpa, enquanto o resto do mundo, 12%. Temos 85% da matriz de energia renovável. Nossos carros são no mínimo 25% movidos a etanol e 85% dos carros produzidos no Brasil são flex", enumerou. "Gostaria de trazer um carro em etanol para a Suécia para ficar medindo a emissão e comparar com os automóveis daqui", brincou.

Honduras e o Brasil

A crise política em Honduras também esteve na pauta do encontro. Brasil e União Européia condenaram conjuntamente a violação da ordem constitucional no país e exigiram a garantia da inviolabilidade da Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, além do respeito à integridade física do presidente Manuel Zelaya. No texto da declaração final, Brasil e UE "reiteram apoio aos esforços regionais de mediação facilitados pela OEA e pelo presidente de Costa Rica, Oscar Arias".

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva insistiu que o líder do atual governo hondurenho, Roberto Micheletti, deve permitir a restituição do presidente deposto Manuel Zelaya. "Para nós, a solução em Honduras é fácil: se aqueles que participaram do golpe de Estado deixarem o poder e permitirem a volta do presidente Zelaya", disse. "Mas enquanto tiver um golpista, não temos o que fazer a não ser exigir que ele saia, para que Honduras tenha um presidente legitimamente eleito", completou.

Deutsche welle, 07 de Outubro de 2009


EUA e Brasil fazem reunião bilateral em Paris sobre comércio

Acusados de bloquear a Rodada Doha com demandas exageradas, os Estados Unidos convidaram o Brasil para uma reunião bilateral em Paris, que começou ontem e prossegue hoje.

Os americanos voltaram, porém, com idênticas queixas de que não veem transparência no acordo já delineado na Organização Mundial do Comércio (OMC) e que assim não daria para Washington identificar ganho para seus exportadores de produtos industriais e agrícolas.

Os americanos insistem na importância de um "resultado ambicioso" na negociação global, para a Casa Branca poder engajar o setor privado na aprovação do pacote final. Ambicioso, na visão americana, significa, por exemplo, que o Brasil, China e Índia aceitem acelerar a liberalização de setores como químicos e equipamentos industriais, o que recusam.

As indicações são de que a delegação brasileira reiterou a dificuldade de "descosturar" o pacote agrícola e industrial para atender a mais demandas americanas, ainda mais sem ver, por sua vez, como os EUA pagarão por isso.

A reunião organizada por iniciativa americana ocorre depois da cúpula do G-20 em Pittsburgh (EUA), durante a qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi portador de uma clara mensagem de 88 países em desenvolvimento: um acordo em Doha deve ser fechado com base nos cortes de tarifas e subsídios agrícolas e industriais que já foram negociados.

O presidente dos EUA, Barack Obama, se engajou a trabalhar pela conclusão de Doha no ano que vem, mas quer arrancar concessões demais dos emergentes, onde estão os mercados mais promissores.

Para o Brasil, só havia duas opções sobre o encontro de Paris: recusar a reunião e dar espaço para os americanos alegarem que o país não queria conversar ou sentar mais uma vez à mesa de negociação ouvindo e desafiando os mesmos argumentos.

Enquanto isso, o Brasil prepara uma reunião de ministros do G-20 agrícola, do qual é o líder, para o final de novembro em Genebra. Vai anteceder a conferência ministerial da OMC.

Valor Econômico, 07 de Outubro de 2009


Micheletti convoca mesa de diálogo sobre crise nesta quarta-feira

O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, convocou nesta terça-feira uma mesa de diálogo sobre a crise política do país que se instalará amanhã na presença da missão de chanceleres de países-membros da OEA (Organização dos Estados Americanos).

"Meu governo convoca uma mesa de diálogo para abordar com novo espírito os temas que de alguma maneira já foram objeto de consideração em documentos de trabalho no diálogo de San José", expressou Micheletti em mensagem transmitido em uma conexão nacional de rádio e televisão.

Histórico

Zelaya voltou a Honduras no último dia 21, quase três meses depois de ser expulso. Nas primeiras horas do dia 28 de junho, dia em que pretendia realizar uma consulta popular sobre mudanças constitucionais que havia sido considerada ilegal pela Justiça, ele foi detido por militares, com apoio da Suprema Corte e do Congresso, sob a alegação de que visava a infringir a Constituição ao tentar passar por cima da cláusula pétrea que impede reeleições no país.

O presidente deposto, cujo mandato termina no início do próximo ano, nega que pretendesse continuar no poder e se apóia na rejeição internacional ao que é amplamente considerado um golpe de Estado --e no auxílio financeiro, político e logístico do presidente venezuelano -- para desafiar a autoridade do presidente interino e retomar o poder.

Isolado internacionalmente, o presidente interino resistiu à pressão externa para que Zelaya fosse restituído e governou um país aparentemente dividido em relação à destituição, mas com uma elite política e militar --além da cúpula da Igreja Católica-- unida até esta semana em torno da interpretação de que houve uma sucessão legítima de poder e de que a Presidência será passada de Micheletti apenas ao presidente eleito em novembro. As eleições estavam marcadas antes da deposição, e nem o presidente interino nem o deposto são candidatos.

Mas o retorno de Zelaya aumentou a pressão internacional sobre o governo interino, alimentou uma onda de protestos e fez da crise hondurenha um dos temas da Assembléia Geral da ONU, reunida em Nova York neste mês. A ONU suspendeu um acordo de cooperação com o tribunal eleitoral hondurenho e a OEA planeja a viagem de uma delegação diplomática a Honduras para tentar negociar uma saída para o impasse.

Além disso, a coesão da elite hondurenha começou a apresentar sinais de desgaste desde a semana passada, e os protestos em favor do governo interino, comuns no início da crise, passaram a ser superados de longe, em número e volume, pelas manifestações pró-Zelaya, que desafiaram os toques de recolher e o estado de exceção.

Pelo menos três pessoas morreram em manifestações de simpatizantes de Zelaya reprimidas pelas forças de segurança, mas o grupo pró-Zelaya diz que até dez pessoas podem ter morrido.

Folha de São Paulo, 07 de Outubro de 2009


Referendo na Irlanda aprova reformas na UE

Um referendo na Irlanda aprovou neste sábado o Tratado de Lisboa – que cria um cargo equivalente ao presidente da União Europeia e facilita a tomada de decisões no bloco de 27 países.

Essa foi a segunda vez que os eleitores irlandeses foram às urnas para votar sobre o assunto. Na primeira, no ano passado, disseram não à reforma na UE.

O resultado oficial da votação foi anunciado pelo primeiro-ministro irlandês, Brian Cowen, que afirmou que os eleitores responderam com uma voz "clara e ressonante".

O Tratado de Lisboa deveria ter entrado em vigor em janeiro deste ano, mas até hoje não foi aprovado por todos os países do bloco.

Voto de confiança

Entre as mudanças previstas no documento estão a possibilidade de aprovar mais decisões por maioria, diminuindo a atual necessidade de unanimidade, além da criação dos cargos de presidente do Conselho Europeu e de alto representante para Assuntos de Exterior.

O ministro do Exterior da Suécia, Carl Bildt, que atualmente ocupa a Presidência rotativa da UE, afirmou que a vitória é "importante para a Irlanda e para toda a Europa".

Já o presidente da Comissão Europeia, o português José Manuel Barroso, elogiou o "voto de confiança" dos irlandeses na UE e disse que ele manifesta "um desejo de ser um integrante sincero" do bloco.

Analistas dizem que a opinião dos irlandeses mudou neste ano por causa da gravidade da crise econômica, bem como por causa das "garantias legais" dadas sobre a soberania do país após a derrota no ano passado.

Essas garantias, determinam que a UE não pode influir sobre áreas cruciais da soberania irlandesa, como política fiscal, neutralidade militar e assuntos domésticos como aborto.

BBC Brasil, 03 de Outubro de 2009


A origem da crise em Honduras

A crise política em Honduras que levou à detenção e ao exílio do presidente Manuel Zelaya, no fim de junho, teve origem num enfrentamento do mandatário com os outros poderes estabelecidos do país: o Congresso, o Exército e o Judiciário.

A BBC preparou uma série de perguntas e respostas que ajudam a explicar como se produziu a crise.

- Qual a origem da crise?

O presidente Manuel Zelaya queria que as eleições gerais de 29 de novembro - quando seriam eleitos o presidente, congressistas e lideranças municipais - tivesse mais uma consulta, sobre a possibilidade de se mudar a Constituição do país.

Segundo sua proposta, os eleitores decidiriam nessa consulta se desejavam que se convocasse uma Assembléia Constituinte para reformar a Carta Magna.

Os críticos de Zelaya afirmam que sua intenção era mudar o marco jurídico do país para poder se reeleger, o que é vetado pela atual Constituição.

- O que se planejava para o domingo da deposição de Zelaya?

Seria uma consulta sobre a consulta.

Os eleitores teriam que responder sim ou não à seguinte pergunta: "Está de acordo com que nas eleições gerais de novembro de 2009 se instale uma quarta urna para decidir sobre a convocação de uma Assembléia Constituinte que aprove uma nova Constituição política?".

- O que decidiu o Congresso sobre a consulta?

O Congresso hondurenho aprovou uma nova lei que regulamenta os referendos e os plebiscitos e invalidava juridicamente a consulta. A nova legislação impedia a realização de consultas 180 dias antes e depois das eleições gerais.

O então presidente do Congresso, Roberto Micheletti, que era do mesmo partido que Zelaya, o Partido Liberal, afirmou que a consulta não teria validade jurídica e que pela atual Constituição ela seria considerada um delito.

A proposta de Zelaya era rechaçada por Micheletti, que afirmava que o presidente pretendia se perpetuar no poder.

- Zelaya pretendia se lançar candidato à reeleição?

O mandato de Zelaya terminaria em janeiro de 2010, e a atual Constituição veta a reeleição do presidente.

Zelaya, que foi eleito em 2005, negou que pretendesse continuar no poder além dos quatro anos para os quais foi eleito. Segundo ele, uma eventual mudança constitucional seria válida apenas para seus sucessores.

- Qual a posição do Exército?

Zelaya havia destituído o chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas, o general Romeo Vázquez, que havia se negado a apoiar a logística para a consulta de junho, declarada ilegal pelo Congresso.

Após a demissão de Vázquez, o ministro da Defesa, Ángel Edmundo Orellana, e outros comandantes militares também renunciaram.Porém a remoção de Vázquez ordenada por Zelaya foi revertida pela Suprema Corte de Justiça, que aceitou dois recursos contra a decisão do presidente.

O Exército mobilizou na sexta-feira anterior à consulta efetivos para prevenir possíveis distúrbios por parte de organizações populares e indígenas, que apoiam Zelaya.

BBC Brasil, 28 de agosto de 2009


Itamaraty confirma que Brasil terá meta contra aquecimento global

O Brasil deverá apresentar números específicos de redução de emissões de gases poluentes durante a conferência do clima de Copenhague, em dezembro, confirmou ontem o Itamaraty. Serão "ações quantificadas", afirmou Sérgio Serra, embaixador extraordinário para a mudança do clima, durante reunião informal da Convenção do Clima das Nações Unidas que acontece em Bonn, Alemanha, até sexta-feira.

Ainda se discute como esse número será calculado. Mas, apresentando objetivos quantificados no âmbito da convenção o país poderá ser cobrado internacionalmente sobre as suas ações no combate ao aquecimento global e ao desmatamento na Amazônia.

A proposta representa uma mudança de posição do Brasil em relação à adoção de metas de redução pelas nações pobres. "Mas o número também servirá para colocar uma exigência maior aos países desenvolvidos, já que a meta tem potencial para ser maior que a soma de reduções de vários deles", disse Luiz Alberto Figueiredo Machado, negociador-chefe de clima do Brasil.

"Só espero que não seja um discurso vazio", disse João Talocchi, coordenador da campanha de clima do Greenpeace. "Não adianta nada chegar aqui com um plano bonito ao mesmo tempo em que se constroem estradas como a BR-319 na Amazônia, por exemplo."

Sobre as críticas que vêm sendo feitas ao país por não querer a inclusão, no mercado de carbono, do Redd (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal), os diplomatas brasileiros em Bonn disseram que o financiamento para evitar o desmatamento viria de várias fontes --até do mercado de carbono.

Para Figueiredo, a rodada de discussões em Bonn evidenciou que falta avançar nas discussões do financiamento de ações de combate ao aquecimento global. "Hoje, não se diria que haverá um resultado ambicioso", disse Serra. O Secretariado da Convenção do Clima da ONU pede US$ 250 bilhões dos ricos para os países mais pobres. Mas os ricos querem financiar grande parte dessa quantia com dinheiro conseguido no mercado de capitais.

RENATE KRIEGER, Folha de São Paulo, 12 de agosto de 2009


Presidente deposto de Honduras chega ao Brasil pedindo reação contra governo golpista

Há 44 dias longe do cargo, o presidente deposto de Honduras, José Manuel Zelaya, chegou esta noite ao Brasil pedindo que os governos norte-americano e de países da América Latina adotem medidas mais enérgicas contra o grupo que assumiu o poder depois de ter liderado um golpe de Estado.

Afirmando que sua detenção por militares, em 28 de junho, e posterior deposição do cargo é “um delito que afeta a todo o Continente Americano”, Zelaya pede sobretudo aos Estados Unidos - com que Honduras mantém cerca de “70% de suas atividades econômicas, culturais, militares e políticas” - que demonstrem seu repúdio ao governo de Roberto Micheletti de forma mais dura.

“Reconhecemos o esforço norte-americano, mas cremos que as ações foram demasiadamente tíbias, não sendo suficientes. Consideramos que o presidente [Barack] Obama pode tomar medidas mais enérgicas nos aspectos econômicos, comerciais, migratórios e mesmo em relação a diversos tratados econômicos que têm com Honduras”, afirmou Zelaya.

Ele veio ao Brasil a convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que o receberá na tarde de amanhã (12), em Brasília. Diplomaticamente, o gesto do governo brasileiro demonstra o reconhecimento de Zelaya como o legítimo mandatário hondurenho. Ele foi recebido, em Brasília com cerimonial reservado aos chefes de governo.

“Meu encontro com o presidente Lula e com o [ministro das Relações Exteriores] chanceler Celso Amorim é precisamente para tratarmos de uma estratégia para que as medidas contra o regime golpista sejam mais enérgicas, tanto as medidas norte-americanas quanto as latino-americanas”, disse, logo após pousar na Base Aérea de Brasília, a bordo de um jato Falcon 50, de registro venezuelano.

Zelaya também agradeceu à “firmeza com que Lula e Amorim, além de movimentos sociais e setores da imprensa brasileira, condenaram o golpe de Estado em Honduras”, um delito que, para ele, deve ser considerado um crime contra a humanidade.

“O povo hondurenho completa hoje mais de 40 dias de resistência cívica pacífica. Ele foi duramente reprimido, há uma dúzia de assassinatos, mais de mil presos políticos em todo o país. Há tortura e a liberdade de imprensa foi suprimida. O povo sofreu primeiro com o golpe de Estado e agora com a instalação de uma ditadura”, comentou o hondurenho. “Não há, no âmbito internacional, legislação específica sobre golpes de Estado e o Brasil é um dos países dispostos a lutar pela tipificação de golpes de Estado como um delito de lesa-humanidade”, disse.

Alex Rodrigues, Agência Brasil, 11 de agosto de 2009


Cúpula da Unasul, em Quito, ocorre em momento delicado para a região

Os países que formam a Unasul (União das Nações Sul-Americanas) se reúnem nesta segunda-feira, em Quito, em um momento delicado para a região, com troca de acusações, desconfianças e uma crise diplomática.

Mesmo com uma agenda repleta de assuntos mal resolvidos, a reunião desta segunda-feira será “apenas protocolar”, segundo um diplomata. As discussões mais significativas devem ficar para depois.

Havia a expectativa de que os líderes presentes fizessem algum pronunciamento quanto à instalação de bases militares americanas em terreno colombiano. O governo brasileiro, no entanto, já descartou essa possibilidade.

O acordo militar resultou não apenas no congelamento das relações diplomáticas entre Venezuela e Colômbia, como também despertou a desconfiança em outros países, entre eles o Brasil, sobre os verdadeiros motivos da operação.

A lista de problemas da região inclui ainda uma acusação contra o presidente do Equador, Rafael Correa, que teria recebido ajuda financeira das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) durante sua campanha presidencial.

Enquanto isso, a Colômbia diz ter apreendido uma série de armamentos com as Farc que pertenciam originalmente ao governo venezuelano. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, diz que os equipamentos foram roubados e acusa os Estados Unidos de estarem “estimulando” uma guerra entre Venezuela e Colômbia.

A Unasul foi criada em maio de 2008 como um bloco político voltado, principalmente, para a contribuição da estabilidade política da região.

‘Sem sustos’

A estratégia do Itamaraty é passar pela cúpula de Quito “sem grandes sustos”, segundo um diplomata. Com isso, ganha-se mais tempo para lidar com as questões mais delicadas que pairam sobre a região.

Durante o encontro desta segunda-feira, os presidentes devem formalizar a criação de quatro novos conselhos no âmbito da UNASUL, nas áreas de educação, infraestrutura, desenvolvimento e combate ao narcotráfico.

A avaliação do governo brasileiro é de que a consolidação da UNASUL como um grupo coeso e de peso político passa, principalmente, pela atuação dos conselhos.

A cúpula de Quito marca, ainda, a transferência da presidência temporária da UNASUL do Chile para o Equador.

Fabrício Peixoto, BBC Brasil, 09 de agosto de 2009


Idéia de nova base dos EUA na Colômbia 'não agrada', diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta quinta-feira, durante encontro com a presidente chilena Michelle Bachelet em São Paulo, que não vê com bons olhos a ideia da instalação de bases militares americanas na Colômbia.

“A mim não agrada outra base militar na Colômbia”, disse Lula, ressaltando que esta seria sua opinião pessoal e que o assunto deve ser tratado de forma cuidadosa com a Colômbia, seus países vizinhos e os Estados Unidos.

“Não queremos criar conflito nem com o (presidente colombiano Álvaro) Uribe nem com os Estados Unidos”, disse Lula.

Bachelet disse concordar com as opiniões do líder brasileiro e que o assunto deve ser amplamente discutido no próximo dia 10 na capital do Equador, Quito, quando será realizada a reunião de cúpula da União Sul-Americana de Nações (Unasul).

Tensão

O recente anúncio feito pelo governo colombiano sobre um possível acordo com os Estados Unidos sobre o uso, pelo Exército americano, de três bases militares na Colômbia vem gerando tensão entre o país e a Venezuela.

A parceria entre colombianos e americanos é apontada, inclusive, como um dos motivos que levaram a Venezuela a congelar suas relações diplomáticas com a Colômbia, na terça-feira.

O acordo prevê a entrega das instalações de pelo menos três bases aéreas na Colômbia ao Exército dos Estados Unidos, o que facilitaria as operações contra o terrorismo e a produção de drogas.

Segundo Lula, outro assunto a ser tratado em Quito será a presença da 4ª frota da Marinha americana na região onde se descobriu o petróleo do pré-sal, na costa brasileira.

“Já tínhamos falado com o Bush e vamos ter que conversar com o Obama. A 4ª frota está quase em cima do pré-sal”, disse ele.

No encontro realizado na sede da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Lula reforçou seu apoio à reeleição do chileno José Miguel Insulza para a posição de secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Por sua vez, Bachelet afirmou que o Chile apoia a candidatura brasileira para um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.

Ambos os líderes repudiaram o que Lula chamou de “golpe de Estado em Honduras” e pediram pela volta do presidente deposto do país centro-americano, Manuel Zelaya.

"Vergüenza"

Lula e Bachelet também estiveram presentes em um encontro reunindo empresários dos dois países.

Na ocasião, foram assinados diversos acordos de cooperação nas áreas de infraestrutura, bens e serviços, entre outros.

O presidente brasileiro disse ser “uma vergüenza” (vergonha, em espanhol) o fato de que os investimentos brasileiros no Chile serem quatro vezes menores do que os chilenos no Brasil.

“É uma ‘vergüenza’ que o Chile, com apenas 20 milhões de habitante e PIB consequentemente menor que o brasileiro, invista quatro dólares para cada um que o Brasil investe lá”, disse ele.

Lula pediu para que o empresariado brasileiro invista mais em mercados emergentes, como o chileno, como forma de diversificar sua carteira internacional e se prevenir contra crises globais.

Rodrigo Coelho, BBC Brasil, 30 de julho de 2009

Em Paris, Lula critica o G8 e volta a defender mais poder para o G20

Ao desembarcar em Paris, ainda na base aérea francesa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um breve comentário sobre a reunião do G8 (grupo dos sete países mais ricos do mundo e a Rússia), que será realizada em L'Aquila, na Itália, a partir de quarta-feira. Segundo ele, o grupo não tem mais legitimidade para tratar de questões econômicas e financeiras.

Perguntado se ele iria participar da reunião mesmo depois de o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, ter sentenciado que o "G8 morreu", há duas semanas, Lula afirmou que vai continuar participando das reuniões. Porém, ele disse estar convencido que, hoje, "o melhor espaço para discussão do sistema financeiro mundial é o G20", que reúne os 20 países industrializados do mundo, incluindo aqueles em desenvolvimento.

'O G8, se eles quiserem que continue, que continue. Mas para discutir as questões econômicas e financeiras do mundo, eu acho que o G20 é o fórum ideal", disse.

Apesar de não integrarem o G8, líderes do Brasil, da China, da Índia, da África do Sul, do México e do Egito foram convidados para a reunião na Itália.

Folha de São Paulo, 04 de julho de 2009


BRICs vão discutir proposta brasileira de comércio sem dólar

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, vão começar a discutir com seus pares nos outros três países que compõem o grupo BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), a ideia de substituir o dólar nas trocas comerciais bilaterais.

"O que nós decidimos é que um conjunto de especialistas junto com os presidentes dos Bancos Centrais e ministros da Economia vão começar a discutir isso para nos apresentar sugestões", disse Lula um dia após a primeira cúpula dos BRICs.

"Esse é um passo extremamente importante", disse, acrescentando que essa é uma discussão "que leva anos".

A ideia é tentar reproduzir o que começou a ser feito com a Argentina. O comércio em moeda local entre os dois parceiros do Mercosul representa apenas cerca de 5% do volume total, mas "é um bom começo", nas palavras do presidente.

A declaração final da cúpula dos BRICs, na terça-feira, em Ecaterimburgo, na Rússia, não faz referência explícita a nenhuma das iniciativas relacionadas à busca de alternativas ao dólar como moeda de reserva ou usada em trocas comerciais bilaterais. Destaca apenas a necessidade de um sistema monetário internacional estável, previsível e diversificado.

Às vésperas da reunião, referências do presidente russo e do presidente do Banco Central chinês a essa possibilidade causaram grande repercussão. A China é o pais que mais tem reservas em dólar e qualquer indicação de um possível movimento na denominação dessas reservas é suficiente para gerar apreensão entre investidores.

"Tem países que estão propondo a criação de uma moeda nova, tem países que estão propondo uma cesta de moedas. No caso do Brasil, nós temos uma experiência prática", disse Lula, referindo-se aos temas mencionados na reunião.

"Vamos ver se há entendimento para a gente começar a fazer a experiência de trocas nas moedas de cada país sem precisar comprar dólar para fazer nosso fluxo comercial", acrescentou.

Reformas

Lula voltou a falar sobre iniciativa conjunta dos países emergentes dos BRICs em reformar as instituições internacionais, como o FMI, o Banco Mundial e Organização das Nações Unidas.

"Todo mundo sabe que o FMI foi criado para resolver problemas do mundo em desenvolvimento. E hoje a crise está no mundo desenvolvido. Parece que o FMI e o Banco Mundial não têm as soluções que tinham quando a crise era mexicana, brasileira, russa", alfinetou.

"Queremos fortalecer essas instituições, mas, ao mesmo tempo, democratizá-las", concluiu. Segundo Lula, o pior que pode acontecer é a atual crise passar sem que as reformas que ele diz considerar necessárias para evitar uma próxima tenham sido adotadas.

"O que pode acontecer de pior no mundo é essa crise terminar sem que a gente tenha feito as mudanças para que não haja mais crise. Certamente, tem país que quer que tudo fique como está. Mas isso não pode, o sistema financeiro não pode ficar por conta da especulação no mercado futuro, aumentando preço de petróleo, preço de commodity. Isso não é possível. O sistema financeiro precisa financiar a produção", concluiu antes de partir para o Brasil.

O presidente classificou ainda o resultado da reunião dos BRICs de extraordinário. "Eu saio muito otimista dessa reunião", disse Lula.

O progresso nos temas destacados pelos quatro líderes poderão ser avaliados em uma segunda cúpula, prevista para ocorrer no Brasil em 2010.

Silvia Salek, BBC Brasil, 18 de junho de 2009


Impacto da mudança climática já é irreversível, admitem EUA

Os efeitos da mudança climática já estão sendo sentidos nos Estados Unidos e este fenômeno pode ser irreversível, advertiu nesta terça-feira o governo do presidente Barack Obama, ao divulgar um relatório sobre o tema.

O aquecimento climático se traduz por uma elevação das temperaturas e do nível dos oceanos e pelo derretimento de geleiras e neves hibernais, destaca o documento elaborado pelo Programa de Pesquisa americano sobre o Aquecimento Climático, redigido por várias secretarias e a Casa Branca.

Se não houver modificação no consumo de energia, o aumento das temperaturas vai provocar ondas de calor mais frequentes, advertem os autores do estudo.

Os furacões, que se abatem regularmente sobre o sudeste, vão se tornar ainda mais devastadores na medida em que se reforçam, ao passar por oceanos com águas mais quentes.

As regiões que já constataram um aumento das precipitações vão, provavelmente, sofrer com mais chuva e neve no futuro, enquanto que as mais áridas, como as do sudoeste, deverão conhecer períodos de seca com mais frequência.

O aquecimento terá um impacto sobre a agricultura no Meio Oeste americano, considerado o "celeiro" do país. Vai também fazer aumentar a demanda por energia, através da utilização mais frequente dos sistemas de climatização, segundo o relatório.

"A mudança climática já está presente em seu quintal", resumiu Jerry Melillo, um dos autores do relatório, intitulado "Global Climate Change Impacts in the United States" ("Impactos da Mudança Climática Global nos EUA", em inglês).

Mesmo se forem tomadas rapidamente medidas de redução das emissões dos gases de efeito estufa, os estudiosos do aquecimento climático dizem que seu impacto já é irreversível. "Se diminuirmos as emissões, a mudança climática e suas consequências continuarão em parte a se fazer sentir, uma vez que esses gases já estão presentes na atmosfera", aponta o estudo.

Desde sua chegada à Casa Branca no dia 20 de janeiro, Barack Obama reorientou totalmente a política dos Estados Unidos em relação à mudança climática. O antecessor George W. Bush, que contestava a própria existência do fenômeno, havia se recusado a ratificar o protocolo de Kyoto sobre a redução de emissões poluentes.

Um projeto sobre o assunto está em tramitação no Congresso americano, após ser aprovado por uma comissão, em 22 de maio. Deverá ainda ir à votação em plenário; volta-se para reduzir as emissões até 2020 num percentual de 17% em relação ao nível de 2005.

O governo americano deseja a aprovação deste projeto de lei antes do final de julho, alguns meses antes da conferência internacional de Copenhague, em dezembro, na qual deverá ser estabelecido um novo acordo que substituirá o de Kyoto.

Mas o setor de petróleo americano não se desarma: o presidente do grupo ConocoPhillips advertiu nesta terça-feira que os esforços do governo americano para lutar contra o aquecimento climático poderiam dar lugar a uma crise no setor ainda mais grave que a do passado.

da France Presse, em Washington, Folha de São Paulo, 17 de junho de 2009


EUA e Israel buscam clareza em regras sobre assentamentos

JERUSALÉM (Reuters) - Os Estados Unidos querem que Israel imponha uma moratória sobre os novos contratos de construção nos assentamentos judeus na Cisjordânia, mas também estudam permitir a continuidade de alguns projetos em andamento, disseram autoridades ocidentais e israelenses nesta quarta-feira.

O pedido público do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para que Israel interrompa a colonização na Cisjordânia ocupada abriu um atípico racha entre os dois aliados.

Mas ambos os lados dizem que querem trabalhar para resolver suas divergências.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, se encontrará com o enviado de Obama para o Oriente Médio, George Mitchell, na semana que vem na Europa. A ideia é tentar alcançar um acordo, disseram membros do governo de Israel.

"Essa é nossa meta, mas ainda não estamos lá", disse um experiente funcionário israelense.

Mitchell afirmou que um elemento-chave será tentar determinar exatamente o que Israel quer dizer com o "crescimento natural" dos assentamentos que Netanyahu diz que irá defender. Netanyahu afirma querer que as famílias em crescimento sejam capazes de acomodar seus filhos em cidades construídas por Israel em território ocupado.

Ainda que os Estados Unidos se mantenham convictos quanto à proibição de novos contratos como parte de um congelamento geral das colônias, autoridades de governos do Ocidente e de Israel afirmam que o governo Obama avalia em quais casos a continuação das obras será permitida.

As fontes, falando em condição de anonimato, disseram que as permissões poderiam ser concedidas se, por exemplo, um projeto esteja próximo da conclusão, ou para casos em que tenha havido um investimento que não possa ser reembolsado.

"Há espaço para alguma flexibilização quando se define o que é aceitável em termos de um congelamento das colônias. Onde nós vamos desenhar a linha?", disse uma fonte sobre o diálogo dentro do governo Obama.

Após um encontro em Washington, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, e o ministro do Exterior de Israel, Avigdor Lieberman, mantiveram suas respectivas posições. Hillary pediu a interrupção dos assentamentos, e Lieberman disse que Israel não pode aceitar um congelamento das obras.

Mas Hillary Clinton falou que as discussões estão apenas começando: "Há uma série de preocupações críticas, muitas das quais se sobrepõem quanto ao impacto e à significância, que serão exploradas nas próximas semanas em meio ao engajamento mais profundo do senador Mitchell dentro de detalhes sobre até onde os israelenses e os palestinos pretendem ir juntos".

Mitchell viaja para Paris em 25 de junho e se encontrará com Netanyahu, disse um porta-voz do Departamento de Estado.

Adam Entous, Agência Reuters Brasil, 17 de junho de 2009.


Crise econômica leva países ricos a afastar imigrantes

Japão, Espanha e República Tcheca oferecem incentivos para que estrangeiros deixem o país. Remessas externas de brasileiros e de mexicanos têm queda recorde. Mas especialistas asseguram: fenômeno da migração continuará.

Com um final para a crise econômica ainda distante, os governos de muitos países ricos estão aumentando a pressão para que os imigrantes retornem aos seus países de origem. Um exemplo é o Japão, onde o percentual de estrangeiros na população já é pequeno. O governo japonês está oferecendo dinheiro para que descendentes de japoneses vindos de países latino-americanos – como o Brasil – deixem o país asiático.

Na União Europeia (UE), a Espanha e a República Tcheca também oferecem vantagens materiais para que imigrantes de países de fora do bloco voltem para casa. Enquanto o modelo japonês proíbe o retorno dos que decidirem deixar o país, a Espanha permite que os imigrantes retornem após três anos, desde que comprovem ter uma oferta de trabalho.Apesar da crise econômica, a OIM calcula que não há menos migrantes no mundo. Seu prognóstico é que haja entre 210 milhões e 214 milhões no final de 2010.

Também Thränhardt diz não acreditar numa virada na tendência migratória mundial. Segundo ele, é possível que muitos migrantes apenas tenham mais dificuldades para se deslocar em tempos de crise.

"A migração retomará seu rumo quando a economia estiver de novo atraente, pois ainda existem as diferenças estruturais entre o sul pobre e o norte rico do planeta. Os problemas demográficos do norte continuam existindo e, por isso, o mundo rico continua dependendo da mão-de-obra do mundo pobre", avalia.

Aí países como o Reino Unido, a Austrália e a Malásia, que reduziram o número de trabalhadores estrangeiros que podem ingressar no país, levantarão de novo essas barreiras. A carência crônica de mão-de-obra nesses países não poderá ser suprida apenas com os trabalhadores locais. "A migração jamais acabará", afirma Pandya.

Michael Knigge e Alexandre Schossler, Deutsche Welle, 16 de junho de 2009


Obama defende grande mudança em regulação

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, lançou nesta quarta-feira seu plano para reestruturar a regulação dos bancos e outras instituições financeiras. Para ele, a proposta de remodelar a supervisão do sistema financeiro americano é necessária para concertar buracos na supervisão e evitar a tomada excessiva de risco, que levaram a economia dos EUA a uma recessão prolongada.

A proposta, que ainda terá de ser submetida ao Congresso, estabelece uma das maiores mudanças nas regras do mercado desde os anos de 1930. Entre as medidas está a criação de uma agência para monitorar os produtos financeiros voltados ao varejo, tornar o Federal Reserve (Fed) o supervisor de companhias grandes - que não podem quebrar - e colocar os fundos de private equity e de hedge sob o exame das autoridades federais dos EUA.

"A ausência de supervisão engendrou um abuso sistemático e sistêmico", sustentou Obama, em discurso preparado para evento na Casa Branca. "Não escolhemos como esta crise começou, mas temos a opção de deixar as consequências dessa crise para trás", acrescentou. "Por isso, hoje, minha administração está propondo uma ampla mudança no sistema regulatório financeiro, uma transformação em uma escala não vista desde as reformas que se seguiram à Grande Depressão", ressaltou.

Obama pretende ampliar os poderes do Fed e do Departamento do Tesouro dos EUA e quer criar um conselho de autoridades reguladoras presidido pelo secretário do Tesouro para trabalhar com o banco central do país no monitoramento do risco do sistema. A proposta engloba ainda a eliminação de uma das agências voltadas ao setor bancário, o Office of Thrift Supervision (OTS), e a união dela com o Office of the Comptroller (OCC).

Valor Econômico, 16 de junho de 2009


Empresas lideram lista alemã de beneficiados com subsídios agrícolas da União Europeia

Alemanha libera com atraso relação dos beneficiados com as milionárias subvenções agrícolas da UE. No topo da lista estão empresas, não agricultores. Omissão de dados da Baviera pode gerar processo da Comissão Europeia.

Grandes empresas do setor de alimentos estão entre os principais beneficiados com os milionários subsídios agrícolas que a União Europeia (UE) destina à Alemanha, segundo uma lista divulgada pelo governo alemão nesta terça-feira (16/06) na internet.

No topo da lista, está a empresa Südzucker, que em 2008 embolsou 34,3 milhões de euros em subvenções. Depois da Südzucker, o maior beneficiado é o estado alemão de Schleswig-Holstein, que recebeu 10,4 milhões de euros em benefícios em 2008.

A Südzucker tem um faturamento anual de 5,9 bilhões de euros e emprega 18 mil pessoas. A empresa alega que vendeu açúcar para o exterior a preços internacionais e pagou aos agricultores o preço interno, mais elevado.

As subvenções serviriam para cobrir a diferença, ou seja, na prática, o dinheiro recebido de Bruxelas teria sido repassado aos agricultores. O valor destinado ao estado costeiro de Schleswig-Holstein foi empregado na construção de diques, disse o governo local. Também estão na lista a filial alemã da Doux, maior empresa europeia do setor aviário; a Gausepohl, do setor de carnes; e a Campina, conhecida pelos iogurtes da marca Landliebe.

A Comissão Europeia exige de todos os países da UE que divulgue a lista de quem recebe seus subsídios. A Alemanha era o único país europeu que ainda não havia cumprido a exigência. O prazo havia se encerrado em abril.

Mesmo com a divulgação, o país corre o risco de ser punido pela Comissão Europeia porque um estado da federação – a Baviera – se recusou a divulgar seus números. O governo da Baveira alega que a divulgação é contrária à proteção de dados e afirma que vai aguardar uma posição da Corte Europeia de Justiça.

"A decisão da Baviera é incompreensível", declarou a comissária de Agricultura da UE, Mariann Fischer Boel, que afirmou que dará início a um processo contra a Alemanha. Ela argumentou que o país é obrigado a divulgar os detalhes de quem recebe os benefícios. "Trata-se de dinheiro de impostos. É muito importante que as pessoas saibam onde está indo o seu dinheiro", afirmou. A União Europeia destina todos os anos cerca de 50 bilhões de euros a subsídios agrícolas, o que corresponde a cerca de 40% do orçamento do bloco.

Rodrigo Abdelmalack, Deutsche Welle, 15 de junho de 2009


Indústria tem pior resultado em 19 anos, diz IBGE

Se no mês de janeiro a produção da indústria brasileira cresceu 2,3% em relação a dezembro de 2008, na comparação com janeiro de 2008 a produção despencou 17,2%.

De acordo com o IBGE, o resultado é o pior nessa base de comparação desde 1990, quando o país viveu os efeitos do Plano Collor.

A maior retração, de 30,9%, foi registrada pelo setor de bens de consumo duráveis --automóveis e eletrodomésticos--, seguido pelo dos bens intermediários, que compreende os insumos industriais, com queda de 20,4%.

Os bens de capital --máquinas e equipamentos--, que são como um termômetro da capacidade produtiva do país, encolheu 13,4%.

O setor que apresentou menor queda foi o de bens de consumo semi e não-duráveis, que abrange as indústrias de vestuário e alimento, com retração de 8,3%.

Folha on line, 07 de março de 2009


Rússia e EUA prometem reinício da relação bilateral

GENEBRA (Reuters) - Os Estados Unidos e a Rússia prometeram virar a página nas suas relações, que recentemente atingiram seu pior momento desde a Guerra Fria, e lançaram um plano para chegar a um acordo até o final do ano a respeito de mísseis nucleares estratégicos.

A secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, disse após reunião na sexta-feira com o chanceler russo, Sergei Lavrov, que a reconstrução das relações irá demorar e vai exigir "mais confiança, previsibilidade e progresso".

Simbolizando a reaproximação pretendida pelo governo de Barack Obama, Hillary presenteou Lavrov com uma caixinha na qual havia um botão vermelho com a palavra "reset" (reiniciar).

Mais tarde, ela disse a jornalistas que a conversa foi produtiva. "Este é um novo começo não só para melhorar nossas relações bilaterais, mas para liderar o mundo em áreas importantes", disse Hillary em entrevista coletiva.

"Discutimos várias questões específicas em que acreditamos que seja importante que trabalhemos juntos para avançar. Não há tempo a perder em vários desses desafios significativos para que comecemos a trabalhar imediatamente para traduzir nossas palavras em ações", disse ela.

Lavrov afirmou que a Rússia e os EUA compartilham das mesmas prioridades e vão trabalhar honesta e abertamente mesmo quando houver diferenças. "Entendemos que as nossas relações bilaterais estão tendo uma chance hoje que não podemos nos dar à chance de perder."

O tom foi de forte contraste com as relações que a Rússia mantinha com o antecessor de Obama, George W. Bush, por causa de assuntos como a guerra de 2008 na Geórgia, o programa nuclear do Irã e a possível instalação de um escudo antimísseis no Leste Europeu.

Hillary disse que uma prioridade será um novo tratado de armas estratégicas. Os EUA querem definir o novo texto até o final do ano, quando expira o atual tratado, o Start 1, de 1991, que foi qualificado por Lavrov como obsoleto.

Além de tentar reduzir seus próprios arsenais, as duas potências concordaram em colaborar para evitar a difusão de armas nucleares.

"Temos profunda preocupação com a proliferação de armas de destruição em massa. Achamos que ambos os nossos países têm a responsabilidade de liderar nessa importante área", disse Hillary.

Laura MacInnis e Stephanie Nebehay em Genebra e Oleg Shchedrov em Moscou, Reuters Brasil, 06 de março de 2009.


Economista acredita que Obama enfrentará problemas para driblar crise

Brasília - O economista-chefe do Bradesco, Octávio de Barros, fez um alerta sobre a expectativa criada no mundo com a posse do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. De acordo com ele, existem severas limitações nas decisões americanas para salvar a economia diante da crise, que se agrava cada vez mais.

Segundo ele, Obama não poderá operar milagres numa crise complicada, com desaceleração e falta de crédito. “É a mais sincronizada crise global que se conhece. A economia global está travada e quase parando. Não existe nenhum país no mundo de outra forma”, afirmou ao participar hoje (6) do Seminário Internacional sobre Desenvolvimento, em Brasília.

Mesmo sendo otimista em relação ao Brasil, Octávio de Barros prevê uma queda no crescimento da economia global de 5%. De acordo com ele, apenas a Noruega e as Filipinas tiveram crescimento no quarto trimestre do ano. E no caso da economia brasileira será constatada queda no período, embora o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ainda não tenha divulgado o resultado dos últimos três meses do ano.

“O mundo literalmente parou no quarto trimestre [do ano passado] e está quase parando no primeiro trimestre [em 2009]. Nós temos um economia global travada e mergulhando na mesma direção”, disse.

Ele lembrou também que o desemprego está aumentando de forma global, embora os “bombeiros da economia” tentem de todas as formas resolver o problema, há um verdadeiro descompasso entre a riqueza e a renda. “As famílias americanas já perderam US$ 13 trilhões por conta da crise. O problema é que sem confiança não há crédito e sem crédito não há confiança”, disse.

Octávio de Barros ressaltou ainda, para mostrar a gravidade da crise, que a alavancagem (comprometimento dos recursos com os empréstimos) dos bancos tem se acelerado e é generalizada pelo mundo afora.

“Ingenuamente eu achava que todas as iniciativas estavam sendo tomadas para o salvamento dos bancos, mas temos sido desmentidos com surpresas diária”, afirmou. Para ele, no entanto, as mudanças depois da crise serão positivas pois os riscos passarão a ser mais transparentes.

Entre o cenário apresentado por Octávio de Barros está o que mostra a China com o PIB equiparado ao dos Estados Unidos. “O Brasil também será visto como um país vibrante no futuro da economia. “ Eu me permito ousar que vi chegar a hora que veremos quem terá um futuro vibrante na economia mundial.”

Daniel Lima e Kelly Oliveira, Agência Brasil, 06 de março de 2009


Crise resgata papel de agências multilaterais, diz futuro vice-presidente do Banco Mundial

Brasília - A crise financeira mundial resgatou o papel das agências multilaterais, disse hoje (6) o futuro vice-presidente do Banco Mundial (Bird) na área de redução da pobreza, Otaviano Canuto. Durante apresentação no seminário do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social que discute a crise, ele afirmou que a queda no fluxo internacional de dinheiro aumentou a demanda por recursos administrados por essas instituições.

As agências multilaterais são organismos com representantes de vários países que financiam projetos de desenvolvimento ou fornecem ajuda a nações em dificuldade financeira. Os exemplos mais famosos são o Fundo Monetário Nacional (FMI), o Banco Mundial (Bird) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Canuto afirmou que, nos anos anteriores à crise econômica, as agências multilaterais estavam se tornando desnecessárias. “Com o capital correndo para os países emergentes, essas instituições passavam pelo dilema de justificar a estrutura existente”, recordou Canuto, que acabou de sair da vice-presidência do BID.

Após o agravamento da instabilidade financeira, relembrou o economista, os países voltaram a atenção para as agências multilaterais, mas o aumento da demanda também trouxe problemas. “Agora, a demanda aumentou tanto, que o capital se exauriu em pouco tempo. Hoje, os limites de financiamento estão cada vez mais saturados”, ressaltou.

Para ele, a multiplicação dos pedidos de financiamento deve ser analisada com cuidado para evitar que recursos sejam gastos desnecessariamente apenas para estimular a economia em dificuldade nos países desenvolvidos. “O papel dessas agências é financiar projetos que tragam impacto sobre o desenvolvimento econômico e social de um país, principalmente nas nações emergentes”, acrescentou.

Na opinião do economista, tanto o BID como o Banco Mundial devem dar prioridade a investimentos em infra-estrutura nos países em desenvolvimento, onde os empreendimentos, segundo ele, são mais capazes de fazer diferença. Ele também sugeriu o aumento nos empréstimos para o desenvolvimento de projetos que usem fontes de energia limpa.

Em relação à viabilidade dos projetos, Canuto disse que o Brasil está em vantagem na comparação com os países desenvolvidos por causa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “O Brasil tem a felicidade de ter um PAC neste momento, o que trouxe um planejamento para os investimentos públicos, enquanto países avançados querem gastar em infra-estrutura, mas não têm projetos em mão”, apontou.

O economista recomendou ainda que o Brasil atue para que os países desenvolvidos possam voltar a obter recursos diretamente do mercado financeiro, o que diminuiria a pressão sobre as agências multilaterais. Ele também defendeu que o país trabalhe para aumentar a participação dos países emergentes nesses organismos internacionais.

Wellton Máximo, Agência Brasil, 06 de março de 2009


Fatah e Hamas fecham acordo de reconciliação

Os grupos rivais palestinos, Fatah e Hamas, anunciaram nesta quinta-feira que fecharam um acordo de reconciliação que inclui a formação de um governo de unidade nacional até o fim do próximo mês.

"Este é um dia histórico. Começamos um novo capítulo de unidade e reconciliação", disse o ex-premiê Ahmed Korei, do Fatah.

Ele disse que foi acertada a formação de cinco comitês conjuntos entre os grupos rivais. Um deles terá a missão de formar um governo de unidade que venha a ser aceito pela comunidade internacional.

Os outros vão tratar de temas como segurança, reconciliação nacional, eleições e o futuro da entidade OLP (Organização para a Libertação da Palestina).

Em tese, as atividades dos comitês terminam com a implementação do governo no próximo mês.

Eleições

As negociações para aparar as arestas entre os dois grupos foram mediadas pelo Egito. Mais de dez facções palestinas, incluindo o Hamas e o Fatah, foram convidadas para participar das conversas no Cairo nesta quinta-feira.

Na quarta-feira, em um gesto de boa-vontade, o Hamas resolveu libertar prisioneiros pertencentes ao Fatah e o Fatah, prisioneiros do Hamas.

As duas facções também prometeram parar de atacar uma a outra nos meios de comunicação, a fim de fomentar uma boa relação.

Um governo único poderia servir como uma gestão interina durante preparativos para novas eleições presidenciais e legislativas e para coordenar a reconstrução da Faixa de Gaza.

Fragilidade

As negociações entre os dois grupos foram interrompidas em novembro de 2008, mas retomadas após a ofensiva militar israelense em Gaza, entre dezembro e janeiro.

Segundo fontes palestinas, a ofensiva matou mais de 1,3 mil palestinos e danificou boa parte do território.

A Cruz Vermelha pediu nesta quinta-feira que Israel suspenda o bloqueio a Gaza e disse que muitos palestinos continuam sem água potável, remédios e moradia, um mês após o fim da ofensiva. A organização disse que os esforços de reconstrução só vão ser bem-sucedidos se existir união entre as facções palestinas.

O Hamas foi eleito democraticamente em 2006 pelos palestinos para dirigir o parlamento do país, mas a eleição não foi reconhecida pela comunidade internacional, que exigia que o grupo reconhecesse Israel e renunciasse à violência. Foi então imposto um boicote aos palestinos.

Para obter reconhecimento, o Hamas aceitou a formação de um governo de unidade nacional com o Fatah, mas diferenças entre os dois grupos levaram a violentos confrontos em 2007. O Hamas então assumiu controle de Gaza e o Fatah, da Cisjordânia.

Analistas dizem que estas diferenças ainda não foram resolvidas e a possibilidade de um novo rompimento é ainda bastante real.

BBC Brasil, 26 de fevereiro de 2009


Países do G20 chegam a consenso sobre nova ordem financeira

Países do G20 concordam a respeito de reforma fundamental dos mercados financeiros e sugerem medidas de controle. Merkel ressalta presença de emergentes e diz que cúpula foi "resposta racional e adequada à crise".

Os chefes de governo e Estado presentes ao encontro do G20, em Washington, chegaram a um consenso a respeito da necessidade de uma reforma fundamental dos mercados financeiros internacionais. A meta é fazer com que os mercados possam ser regulados de forma mais transparente.

Os países presentes à cúpula do G-20 determinaram os princípios de uma futura arquitetura financeira internacional e preparam 50 medidas concretas até o próximo 31 de março, data do próximo encontro do grêmio. De acordo com as novas diretrizes, produtos financeiros complexos, como os que desencadearam a atual crise, deverão ser mantidos sob extrema vigilância.

Agências de rating na mira

Ao contrário dos esboços apresentados anteriormente, o documento final da cúpula contém a clara intenção de controle dos fundos de hedge. Um melhor gerenciamento de risco e regras para as agências de rating (avaliação de risco) também fazem parte do pacote de medidas. As novas diretrizes deixam claro até onde os bancos, que oferecem tais produtos arriscados, terão que se responsabilizar através de capital próprio em caso de perdas.

No futuro, "todos os participantes, todos os produtos e todos os mercados deverão ser realmente vigiados e regulados", afirmou a chanceler federal Angela Merkel em Washington. Alguns países presentes no encontro do G20 reivindicaram um programa internacional de restabelecimento da conjuntura.

Obama na próxima cúpula

Embora os chefes de governo e Estado presentes ao encontro em Washington tenham chegado a um acordo aparente a respeito dos problemas que afetam a economia mundial, alguns países, como os EUA, continuaram acentuando a necessidade de "mercados livres".

Segundo o atual presidente George W. Bush, a liberdade de mercado é "o melhor caminho" para a prosperidade mundial. A próxima cúpula em Londres deverá contar com a participação do futuro presidente norte-americano Barack Obama.

Emergentes defendem maior cooperação

Países emergentes, como o Brasil, defenderam um comprometimento maior entre as economias, a fim de que sejam tomadas decisões de comum acordo.

Também o premiê espanhol José Luis Rodríguez Zapatero acentuou a necessidade de uma cooperação entre os diversos países: "podemos e teremos que enfrentar essa situação, mas para isso precisamos de ações coordenadas", afirmou o chefe de governo espanhol.

Não ao protecionismo

Merkel ressaltou a presença dos "países emergentes e em desenvolvimento, que pela primeira vez se encontram e põem a mão na massa. Ou seja, este é um recomeço numa situação muito difícil. Há esperanças de que a política haja de forma global e conjunta".

Segundo a premiê alemã, os problemas ainda existentes nas rodadas da OMC (Organização Mundial do Comércio) deverão ser solucionados definitivamente. "Nós nos posicionamos contra o protecionismo", afirmou a chefe de governo.

Os 20 países-membros representados em Washington são responsáveis por 85% da economia mundial. Segundo o documento final da cúpula, o princípio da vigilância dos mercados financeiros deverá ser aplicado a todos os países do mundo.

Deutsche Welle – 16 Nov 2008.


União Européia discute reforma do sistema financeiro

Os líderes da União Européia (UE) se reúnem nesta sexta-feira em Bruxelas (Bélgica) para preparar as bases de uma reforma do sistema financeiro mundial, com um plano de ação concreto e a esperança de que a chegada do democrata Barack Obama à presidência dos EUA os ajude em sua missão.

Convocado pelo presidente francês e presidente em exercício da UE, Nicolas Sarkozy, o encontro informal tem como objetivo preparar a cúpula do G20 de países industrializados e economias emergentes marcada para 15 de novembro em Washington.

As discussões serão apoiadas em um documento da presidência francesa que estabelece os grandes eixos da posição da UE, como uma maior regulação e uma maior transparência dos mercados, assim como um papel preponderante do FMI (Fundo Monetário Internacional) nessa nova arquitetura.

A ministra francesa das Finanças, Christina Lagarde, afirmou que países emergentes como o Brasil devem ter um um papel mais importante nas discussões sobre a reforma do sistema financeiro mundial. "Sofremos todos os mesmos efeitos da crise e todos devem participar da nova arquitetura financeira internacional", disse. "Não há de um lado os países desenvolvidos e, de outro, os emergentes. É preciso que haja unidade."

Lagarde viaja a São Paulo na noite desta sexta-feira para participar da reunião do G20, que acontece neste fim de semana. No mês passado, o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, afirmou desejar que a UE (União Européia) assuma um papel de liderança para reformar o sistema financeiro internacional, função que exige mais transparência, novas regras de funcionamento e melhores mecanismos de supervisão.

"Precisamos de uma nova Bretton Woods", destacou Brown ao se referir à cidade americana onde, em 1944, foram criados o FMI e o Banco Mundial. Ele também se referiu a um acordo para avançar na liberalização do comércio mundial. Na atual conjuntura, um acordo na OMC (Organização Mundial do Comércio) seria "um bom sinal", disse.

Já o presidente da Comissão Européia, órgão executivo da UE, José Manuel Durão Barroso, disse que a Europa está liderando a resposta mundial à desordem financeira, mas disse que é preciso vontade de cooperar com outros governos, especialmente com os Estados Unidos, para definir os próximos passos.

Lagarde afirmou que o Fundo deve ser dotado de meios técnicos para efetuar uma coordenação mais rápida e ter maior eficácia. "As normas acabam sendo ultrapassadas por práticas novas que surgem. É preciso ter um mecanismo que reexamine estas regras regularmente. O FMI pode ter um papel importante nessa questão", disse.

Para ela, o Brasil e outros países emergentes deveriam ter maior voz no FMI e em outras instâncias internacionais, mas que, para isso, esses países devem aumentar suas contribuições ao Fundo. "Não é possível ter maior participação sem aumentar os recursos. Se você não colocar mais dinheiro no caixa, é difícil querer ser aquele que toma decisões."

France Presse, Folha de São Paulo – 07 Nov 2008


Crise econômica afeta o Brasil

A crise no sistema bancário nos Estados Unidos tem provocado quedas generalizadas nas bolsas de todo mundo e muitas dúvidas sobre a economia global.

A Bolsa de Valores de São Paulo também vem sofrendo com grandes quedas, o valor do dólar voltou a subir e o crédito internacional ficou mais difícil.

Menos crédito

Uma das principais vias de contágio da crise internacional se dá por meio da falta de crédito. Com a crise atual, há menos dinheiro no mercado e bancos em todo o mundo estão mais cautelosos, têm diminuído seus empréstimos e cobrado mais caro por eles.

Na opinião do economista Nathan Blanche, da consultoria Tendências, é nessa área que está o maior perigo para a economia brasileira no médio e longo prazo. “As empresas devem conseguir continuar rolando suas dívidas, mas o mercado está mais difícil e algumas devem inclusive optar por não buscar dinheiro novo”, afirma ele.

Atualmente a dívida externa brasileira é da ordem de US$ 200 bilhões, sendo que a maior parte está na mão de empresas privadas. Mas o valor que vence até o final de 2008 é bem menor – em torno de US$ 15 bilhões. Para especialistas, as empresas que quiserem renovar essas dívidas terão que arcar com taxas mais altas de juros.

Os bancos brasileiros também já estão encontrando taxas muito altas para tomar empréstimos no exterior. A expectativa é que essa situação afete o crescimento do crédito no Brasil, de forma geral, e a capacidade de investimento das empresas, em particular. A falta de crédito internacional também pode afetar empresas estrangeiras que planejam fazer investimos diretos no Brasil.

A dúvida entre os especialistas é a intensidade desse enxugamento do crédito. O governo brasileiro tem se mostrado preocupado com o assunto e afirma que poderá criar alternativas de crédito com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e outros bancos públicos.

Bolsa

A Bovespa tem sofrido sucessivas quedas e nos primeiros nove meses do ano já havia acumulado perdas da ordem de 25% (com a volatilidade, esses valores têm mudado muito rapidamente).

O impacto dessas quedas na economia em geral é limitado pelo tamanho da bolsa brasileira. Apesar do crescimento dos últimos anos, a Bovespa ainda tem um número relativamente pequeno de empresas, com 397 companhias listadas. A Bolsa de Valores de Nova York, por exemplo, tem 2.365.

Além disso, embora o montante de dinheiro negociado na bolsa brasileira seja alto, há uma grande concentração em grandes empresas como a Petrobras e a Vale. Apenas essas duas empresas têm representado em média 40% do valor negociado na Bovespa neste ano.

Apesar disso, a queda nas bolsas afeta a economia real por pelo menos duas vias: quem investiu na bolsa tem menos dinheiro para gastar, e as empresas têm que procurar outras fontes de financiamento.

A Bovespa conta com cerca de 500 mil investidores como pessoas físicas. Além disso, houve uma grande queda de IPOs, os lançamentos iniciais de ações das empresas. Em 2007, foram lançadas na Bovespa 64 novas empresas. Até setembro de 2008, tinham ocorrido apenas quatro IPOs.

Dólar

Após quedas recordes da moeda americana em julho, o dólar voltou a se valorizar de forma crescente a partir de agosto de 2008. Mas qual o impacto dessa subida?

Por um lado, o dólar mais forte pode, caso a alta se sustente, ajudar os exportadores a se tornarem mais competitivos, o que é celebrado por vários empresários e economistas.

Por outro, a alta pode atrapalhar no combate a inflação. Segundo cálculos da consultoria Tendências, cada variação de dez pontos percentuais no dólar tende a gerar um ponto percentual de elevação trimestral do índice de inflação IPCA. Desde o começo de 2008 até meados de setembro, a alta acumulada do dólar estava variando entre 5% e 6%.

Essa alta, avaliam especialistas, pode pesar na avaliação do Banco Central sobre a subida dos juros.

Comércio exterior

Nos últimos cinco anos, o Brasil tem tido grandes superávits na balança comercial (exportações maiores do que as importações) e um aumento crescente dos valores vendidos no exterior. Segundo dados do Banco Central, as exportações saltaram de US$ 73 bilhões, em 2003, para US$ 160 bilhões, no ano passado. Em 2006, o Brasil teve um superávit recorde de mais de US$ 46 bilhões.

Uma parte desse aumento se deve à subida dos preços dos produtos brasileiros no externo e não à venda de mais produtos. Agora o preço das commodities agrícolas e minerais, grande responsáveis pela melhora nos valores, estão caindo.

Além da queda dos valores, existe a expectativa de que o crescimento mundial diminua, especialmente em 2009, o que deve significar menos comércio internacional e o risco de uma redução das exportações brasileiras.

Por outro lado, a desvalorização do real pode tornar os produtos brasileiros mais competitivos e derrubar as importações.

Apesar das mudanças no cenário internacional, o governo brasileiro tem mantido suas estimativas para 2008, com um forte aumento das exportações, na casa dos US$ 190 bilhões, e um superávit comercial de mais de US$ 20 bilhões.

A dúvida entre os economistas é como ficarão as contas em 2009. Para a maioria dos analistas, o fiel da balança será o desempenho das economias emergentes, especialmente a da China e a da Índia.

Exportações e a economia real

Se as exportações ou o valor das commodities caírem muito, as principais afetados serão as empresas exportadores. O impacto sobre o restante da economia é limitado pelo fato de o país ser relativamente fechado: o setor exportador responde por cerca de 14% do PIB. Além disso, o Brasil vende para muitos países diferentes e tem uma pauta diversificada, com produtos manufaturados representando mais de 50% das vendas.

Outro aspecto positivo para o Brasil é que o mercado interno brasileiro está aquecido e tende a absorver pelo menos parte de uma eventual queda de produtos exportados.

Uma queda ou desaceleração nas exportações é visto como um risco maior porque pode afetar o equilíbrio das contas externas. O risco maior seria para 2009. A expectativa oficial para 2008 é que Brasil tenha que cobrir um buraco de US$ 24 bilhões nas contas externas – o que deverá ser feito pela soma entre o superávit comercial e os investimentos externos no país. Para 2009, a previsão é que o rombo passará dos US$ 30 bilhões.

Alguns economistas já fazem avaliações bastante pessimistas, apostando que o superávit brasileiro poderia cair abaixo dos US$ 5 bilhões no ano que vem. Isso tornaria a economia mais dependente de investimentos externos para fechar suas contas e mais vulnerável.

Para o governo, a expectativa de que os investimentos estrangeiros serão mantidos e reservas internacionais de mais de US$ 200 bilhões garantem que o Brasil não sofra grandes riscos no médio prazo.

Crescimento

Um dos poucos consensos entre os economistas em meio à atual crise é que a economia brasileira deve diminuir seu ritmo de crescimento. Para Antônio Madeira, da consultoria MCM, mesmo com todas as mudanças, o PIB brasileiro deve subir por volta de 5,5% em 2008. Para 2009, ele acredita que esse número deve ficar entre 3,8% e 3,5%.

Os números variam um pouco dependendo da fonte, mas a grande maioria dos analistas trabalha com faixas parecidas.

O motivo da queda é que mesmo que o Brasil não seja muito atingido pela crise externa, as diferentes fontes de contaminação devem contribuir para derrubar a atividade econômica. Além disso, o próprio BC brasileiro está com uma política de aumentos de juros com o objetivo de reduzir o crescimento no ano que vem.

BBC Brasil, 18 de setembro de 2008.


Lula diz que crise de alimentos é "oportunidade histórica" para Argentina e Brasil Buenos Aires (Argentina)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem (4), em Buenos Aires, que, quando se fala em crise de alimentos alguns países "podem tremer", e que Argentina e Brasil precisam ver a crise com certa preocupação, mas também como uma "oportunidade histórica" para se transformarem em países capazes de fornecer alimentos ao mundo. "Somos mais industrializados, temos mais tecnologia e mais experiência em comércio exterior", disse Lula.

Em relação às negociações da Rodada Doha, o presidente disse que já havia avisado líderes de países ricos que a parte técnica da discussão já havia se esgotado e que avisara que estava na hora de juntar dirigentes políticos e tomar uma decisão, porque a questão não era mais econômica, mas eminentemente política.

"Não estou desanimado. Ainda vou continuar teimando para ver se construímos uma saída. Acho que, se não construirmos o acordo de Doha, possivelmente Argentina e Brasil não sofram tanto. Mas os países mais pobres, que têm que ser incentivados a produzir alimentos, para isso precisam que o mercado dos países ricos estejam abertos. Esses países não irão produzir e muita gente continuará passando fome", disse o presidente.

Lula disse que, caso a situação permaneça como está, países ricos cada vez mais irão aprovar legislações mais duras para proibir o trânsito de pessoas pobres, criando mais dificuldades para a imigração.da SPM, MCT e CNPq para as propostas.

05 de agosto de 2008 - Paula Laboissière/Agência Brasil


Negociação da Rodada Doha volta a ficar ameaçada

Inúmeras incertezas ainda permeiam a última proposta do diretor geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, no dia em que as negociações sobre a Rodada de Doha entram em sua segunda semana, em Genebra.

Publicamente, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, continua expressando otimismo.

“Claro que não resolvemos muitos dos assuntos que estavam pendentes, mas o fato de que o barco segue e não afundou já é uma boa notícia neste estágio. Mantenho minha estimativa de 65%, 75% (de chances de chegar a um acordo final)”, o chanceler disse ao fim da reunião de domingo.

Para o Brasil continua pendente o tema do etanol, que Amorim tentará voltar a colocar na pauta das negociações nesta segunda-feira, enquanto que o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Marcos Jank, cuida do lobby a favor do produto nos corredores da OMC.

“As discussões sobre etanol estão evoluindo, sobretudo com a União Européia. Espero que tenha um acordo, e com etanol”, insistiu o ministro.

O comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, propôs ao Brasil que uma cota de 1,4 milhões de toneladas de etanol possa ser exportada por ano com tarifa de 10% até 2020. As exportações que excedam essa cota estariam submetidas a uma tarifa de 35%. O Itamaraty considera a proposta insuficiente, já que as atuais exportações de etanol para o bloco somam 900 milhões de toneladas por ano e enfrentam tarifas de 45%.

Descontentamentos

Pelo menos um tema saiu praticamente solucionado: os países latino-americanos exportadores de banana fecharam um acordo pelo qual a União Européia reduzirá de 176 euros (270 dólares) por tonelada para 114 euros (179 dólares) as tarifas impostas sobre suas importações.

Mas ainda falta convencer os países do bloco ACP (África, Caribe e Pacífico) a não bloquear um acordo na Rodada como represália à rebaixa, que acabaria com o atual sistema de preferências que dá a suas bananas acesso ao mercado europeu isento de tarifas.

Nesta segunda, o Grupo do Sete (Brasil, Índia, Estados Unidos, União Européia, Japão, China e Austrália) volta a se reunir para avaliar um novo texto que deverá ser apresentado por Lamy, considerando as demandas e reclamações de todos os insatisfeitos.

O mais difícil poderá ser remover a Índia de sua posição negativa em relação à atual proposta do acordo, especialmente em relação aos parâmetros estabelecidos para a utilização dos chamados mecanismos de salvaguarda para a agricultura.Trata-se de uma flexibilidade que permitiria aos países em desenvolvimento voltar a subir as tarifas de importação para proteger-se de um aumento nas importações que pudesse prejudicar sua segurança alimentar. Kamal Nath, o ministro de Comércio indiano, está ainda mais determinado em sua exigência depois de ter reunido hoje o apoio de 80 dos 153 membros da OMC, a maioria deles, países africanos com economias altamente vulneráveis.

Márcia Bizzoto,

Enviada especial da BBC Brasil a Genebra, 29 DE Julho de 2008.


G8 encerra cúpula ampliada sem fixar metas para clima

Os países do G8 encerraram sua reunião de cúpula ampliada sem conseguir resolver o impasse entre países ricos e emergentes sobre metas de redução de emissão de gases causadores do efeito estufa.

Os líderes reunidos no Japão disseram, entretanto, ter chegado a uma "visão comum" sobre a necessidade de ação para lidar com as mudanças climáticas.

"Nós, líderes das maiores economias do mundo, desenvolvidas e em desenvolvimento, nos comprometemos a combater a mudança climática com nossas responsabilidades comuns, mas diferenciadas e respectivas capacidades", diz o comunicado.

O encontro contou com a participação dos líderes do G8 e dos chefes de Estado do G5 - formado por Brasil, China, Índia, México e África do Sul - e da Austrália, Indonésia e Coréia do Sul.

Em um comunicado divulgado após o encontro, os líderes concordaram que a mudança climática "é um dos principais desafios de nosso tempo".

Impasse

Na terça-feira, os líderes do G8 anunciaram um acordo para reduzir as emissões globais de carbono em 50% até 2050, em um esforço conjunto para combater o aquecimento global.

No entanto, esse objetivo foi rejeitado pela Índia e pela China no encontro ampliado da cúpula.

Para o correspondente da BBC Roger Harrabin, a China disse acreditar que as economias emergentes estariam sendo implicitamente requisitadas a tomar responsabilidade por um problema causado até agora principalmente pelos países ocidentais.

Seguindo uma linha parecida, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os países desenvolvidos têm uma responsabilidade histórica pelo aquecimento global e devem assumir essa responsabilidade.

Segundo o premiê japonês, Yasuo Fukuda, os líderes do G8 demonstraram que estão levando a sério a questão do combate à mudança climática.

"É a primeira vez que os líderes das principais economias tiveram discussões vigorosas sobre várias questões que envolvem a mudança climática e acredito que demonstraram vontade política.

BBC Brasil, 09 Julho 2008.


“Cúpula de mercocidades começa amanhã no Uruguai

Montevidéu, 16 jun (EFE).- A 13ª Cúpula de Mercocidades começa amanhã em Canelones, no Uruguai, e será inaugurada pelo prefeito local Marcos Carámbula em um teatro da cidade.

O encontro no Uruguai acontecerá sob o lema de "Integrar cidadãos, integrar cidadãs, integrar cidades e nações", que também contará com a presença do prefeito de Montevidéu, Ricardo Ehrlich.

A Mercocidades, criada em 1995, é a principal rede de municípios da América do Sul e conta com 181 cidades associadas de Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.

As autoridades de Buenos Aires, La Plata, Córdoba, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Salvador, Assunção e Montevidéu criaram o organismo com o objetivo de conseguir a participação dos municípios no seio do Mercosul e impulsionar a troca e a cooperação entre cidades da região.

A cúpula acontecerá até 19 de junho em distintas localidades do departamento de Canelones, nas proximidades de Montevideo. O Conselho da Mercocidades terminará na quarta-feira, 18 de junho, onde também será realizada a Assembléia Geral.”

Deutsche Welle, 17 de junho de 2008


“Lula considera o controle inflacionário o maior desafio econômico do governo

Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje (16) que o governo tem instrumentos, conhecimento e experiência suficientes para controlar a inflação, classificada por ele como o “maior desafio econômico”.

Lula, que esteve pela manhã na sede da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), na capital paulistana, afirmou, durante discurso, que não se pode permitir volta da inflação e que é preciso “ter muito cuidado para lidar com os problemas de curto prazo sem comprometer as conquistas de longo prazo”.

Aos presentes, ele falou que, por experiência pessoal, sabe os males que o aumento inflacionário causa no bolso da parcela mais pobre da população. “Vamos controlar a inflação, porém, mantendo o crescimento sustentável. Pela minha própria experiência pessoal sei como é ruim a sensação de incerteza e corrosão dos salários provocados pela inflação”.

Lula destacou ainda que esse é um problema provocado pelo aumento da demanda interna e por pressão do mercado internacional com a alta do preço dos combustíveis e alimentos. Em seguida, citou a medida de estimular a produção de alimentos pela agricultura familiar brasileira e a possibilidade de logo extrair petróleo da camada pré-sal, localizada na Bacia de Campos.

Na avaliação de Lula, a crise mundial de alimentos deve ser entendida pelos brasileiros como um desafio que o país está disposto a enfrentar. “Estamos preparados para isso da mesma forma que estamos preparados para transformar tanto nosso biodiesel quanto nosso etanol em produtos que possam ganhar o mercado internacional”.

O presidente visitou a bolsa de valores para receber homenagem do mercado de capitais e financeiro em virtude da obtenção do grau de investimento pelo Brasil. No discurso, ele afirmou que sua ida à Bovespa prova o avanço político da sociedade brasileira.

“Estamos provando que um presidente da República pode no mesmo mês receber e colocar na cabeça um boné dos dirigentes sindicais, dos sem-terra do movimento GBLT e vir na bolsa de valores e colocar o chapéu da bolsa na cabeça”.

Durante a tarde, ainda em São Paulo, o presidente participa de reunião sobre direitos humanos no escritório regional da Presidência da República.”

Yara Aquino, Agência Brasil, 17 de junho de 2008.


“Alimentos sobem em dose tripla nos países pobres

Inflação média em 12 meses é de 5,3% nos países ricos e de 14,3% nos mais atrasados.Os países pobres são os que pagam a maior parte da conta da inflação dos alimentos, hoje um dos principais problemas da economia global. A taxa média de inflação dos alimentos nos países emergentes acumulada em 12 meses é quase o triplo da dos países ricos.

O estrago fica ainda maior nos países pobres porque a alimentação tem um peso grande no orçamento da população, apesar de vários emergentes serem grandes produtores de alimentos, como o Brasil.

Isso é o que mostra estudo da consultoria MB Associados, feito a partir de dados da FAO, órgão das Nações Unidas para alimentação. Enquanto a taxa média da inflação de alimentos acumulada em 12 meses até fevereiro ,numa amostra de 10 países ricos, foi de 5,3%, a média em 16 países pobres atingiu 14,3%.

"O peso da inflação dos alimentos é maior nos países emergentes", diz Sergio Vale, economista-chefe da MB. Ele pondera que os cálculos são uma média aritmética simples e não levaram em conta a importância de cada país no Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Apesar dos cálculos terem sido simplificados, a tendência é similar se houvesse ponderação.

Entre os países emergentes, o Sri Lanka foi o que teve a maior taxa de inflação de alimentos no período (25,6%), seguido por China (23,3%) e Quênia (24,6%). O Brasil ocupa a 12ª posição, com 11,32% de alta dos alimentos e peso de 21,9% da comida no orçamento familiar, segundo o indicador oficial de inflação, o IPCA. No Sri Lanka, alimentos representam 62% dos gastos da população; na China, 27,8%; e no Quênia, 50,5%.

Nos países ricos, a maior inflação dos alimentos foi a da Alemanha (7,4%) e Espanha (7,1%). Nesses países, a comida representa 10,4% e 21,9% do orçamento familiar, respectivamente. Nos EUA, a inflação foi de 5,1% e o gasto com comida no orçamento familiar é de 9,8%.

Além da disparada dos preços das commodities, o forte crescimento da renda nos países pobres nos últimos anos impulsionou os gastos com alimentação.”

Márcia De Chiara, O Estado de São Paulo, 16 de junho de 2008.


“Produção de etanol cresce 6,15% e a de açúcar cai 10,77%

São Paulo - A União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) informou hoje (16) que até o dia 1º de junho, a produção de etanol cresceu 6,15%, mas que a entidade está revisando as previsões da safra 2008/09 devido à possibilidade de chuvas para a região de plantio nos próximos meses. A produção de açúcar ficou 10,77% menor em relação ao mesmo período do ano passado.

As vendas de álcool no mercado doméstico até o final de maio (somando-se anidro e hidratado) registraram aumento de 31,6% sobre o mesmo período em 2007. No caso do etanol hidratado, o crescimento foi de 43,6%. Quanto à venda de etanol para o mercado externo, Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da Unica, disse que a saída das usinas para exportação, nos meses de abril e maio, somaram cerca de 600 milhões de litros, superando em 59% o volume embarcado no mesmo período da safra do ano passado.

“A demanda do mercado interno na área do Centro-Sul continua aquecida, com vendas mensais superiores a 1,5 bilhão de litros, somando-se os volumes de etanol anidro e o hidratado. Isto ocorre devido ao crescimento da frota de veículos Flex-Fuel e a uma relação de preços favorável ao etanol, em comparação com a gasolina em quase todo o território nacional”, disse Pádua Rodrigues.

Segundo os dados apurados pela Unica, até o dia 1º de junho houve aumento no volume de cana moída, de 5,19% na safra 2008/09, em relação ao mesmo período do ano passado. Apesar disso, a quantidade de produtos (ATR), obtida por tonelada de cana processada, foi inferior em 6,02%, resultando em uma produção total 1,15% menor à do mesmo período na safra 2007/08. Até 1º de junho, 61,61% da cana-de-açúcar processada foi destinada à produção de etanol e 38,39% para a produção de açúcar.

A entidade informou que as condições climáticas registradas até 1º de junho foram favoráveis para um bom desenvolvimento vegetativo da cana-de-açúcar, mas negativas do ponto de vista da maturação da planta, reduzindo a quantidade de produto que pode ser obtido por tonelada de cana esmagada. O avanço da colheita de cana crua também contribuiu para um aumento no volume de impurezas vegetais e minerais, reduzindo a eficiência industrial das unidades produtoras.

As previsões para os próximos meses indicam maior incidência de chuvas e nebulosidade em relação à safra passada, dificultando a realização das estimativas divulgadas pela UNICA no início da safra. A projeção inicial da safra 2008/09 está em processo de revisão e um novo total será divulgado pela entidade.”

Luiz Voltolini, Agência Brasil, 16 de junho de 2008


“Rodada doha corre risco de sofrer atraso de dois a três anos, diz Amorim

Rio de Janeiro - O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, avaliou hoje (16) que a conclusão da Rodada Doha, cujo objetivo é diminuir as barreiras comerciais, pode sofrer um atraso de dois a três anos, com a mudança de comando nos Estados Unidos.

Amorim lembrou que, para que a rodada seja fechada até o final desse ano, seria necessário um acordo até julho. "Uma mudança sempre requer tempo para as pessoas se assenhorearem dos temas. Às vezes, um tem idéias novas que o outro pode não concordar”, disse Amorim, referindo-se às eleições presidenciais norte-americanas, em que concorrem os candidatos Barack Obama, pelo partido Democrata e John McCain, pelo partido Republicano.

O ministro se disse confiante em um acordo, mas admitiu que países desenvolvidos e em desenvolvimento precisam correr contra o tempo. “O tempo está espremido. Nós temos que trabalhar contra o tempo. Mas isso não impede de concluirmos”, afirmou.

Celso Amorim comentou também o posicionamento do presidente dos Estados Unidos, George W.Bush, que cobrou uma concessão maior dos países emergentes nas áreas de serviços e indústria na Rodada Doha. “É natural que ele faça isso. Eu ficaria preocupado se ele parasse de cobrar totalmente. Porque aí ele iria mostrar que estaria desinteressado. Também não quer dizer que eu concorde com ele”, observou.

Para o chanceler, é imprevisível o que pode ocorrer nas negociações multilaterais caso não se feche o acordo em julho. “Entram outros fatores, outras prioridades. Seria muito bom que nós terminássemos agora. Seria bom para o sistema multilateral”, constatou. Ele lembrou, por exemplo, que a União Européia mudou o programa de açúcar, como decorrência do caso brasileiro. Os Estados Unidos também já começaram a mudar o programa de algodão.

Amorim destacou que um comércio com regras é importante, especialmente em momentos de crises, quando as nações são tentadas a tomar medidas individuais ou arbitrárias. “Você ter um conjunto de regras que funcione é importante. E não há melhor conjunto de regras do que aquele decidido pelo conjunto de países”, definiu. O governo brasileiro, disse o ministro, defende um resultado equilibrado, diante dessa razão.

O ministro admitiu, no entanto, que a conclusão da Rodada Doha depende do entendimento dos países desenvolvidos, já que, conforme enfatizou, a principal distorção a ser corrigida é a dos subsídios. Ele disse que os países em desenvolvimento vão trabalhar pela redução das tarifas e melhor acesso a mercados e produtos agrícolas.

A Rodada Doha é um acordo multilateral que vem sendo negociado desde 2001 no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) e têm como foco a liberalização de mercados.”

Alana Gandra, Agência Brasil, 16 de junho de 2008


“Inevitável, aperto nos eua já afeta mundo

Ainda bem que a política monetária do Federal Reserve (Fed), ao contrário da praticada pelo Copom, mira o núcleo da inflação americana. Se o alvo fosse, como aqui, o índice cheio deveria estar preparando um choque de juros e esta reta final para a próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, em inglês), marcada para o dia 25, seria um tormento. Na sexta-feira passada, saiu nos EUA um índice de preços ao consumidor digno do Brasil. O CPI saltou 0,6% em maio, vindo de um alta de 0,2% no mês anterior, o suficiente para acumular em 12 meses 4,2%. Ou seja, transplantado para cá, o índice americano estaria bem perto da meta de 4,5%. Só que o núcleo ainda se mostra razoavelmente comportado.

O ideal seria core abaixo de 2% em 12 meses, mas não está muito longe disso, a 2,3%. Os índices americanos do atacado refletem, como os nossos IGPs, as disparadas de preços registradas pelo petróleo e pelos alimentos. Amanhã, sai o PPI de maio. A expectativa é de uma aceleração de 0,2% em abril para 1% em maio. Em termos anuais, o índice cheio subirá de 6,5% para 6,7%. Tanto em relação ao CPI quanto ao PPI, os números exigem do Fed o mesmo posicionamento adotado pelo Copom desde abril. Mas lá não é tão fácil como aqui subir o juro. Por isso, a estrutura a termo da taxa de juros americana (a chamada curva de longo prazo) persiste embutindo a expectativa de manutenção do juro em 2% na reunião do Fomc da quarta-feira da semana que vem. Mas a taxa não escapa de uma alta de 0,25 ponto na reunião seguinte, agendada para 5 de agosto. Para um fed fund de 2%, a taxa do título de dois anos do Tesouro americano alcança 3,02%, o juro do de 5 anos atinge 3,72% e o papel de 10 anos oferece 4,26%.

O Fomc não tende a antecipar para o dia 25 o início do ajuste monetário por várias razões. A primeira é que o ajuste imediato não foi exaustivamente sinalizado por meio de comunicações formais do Fed. O Fed, até mais do que o Copom, não gosta de surpreender Wall Street. A segunda é que ainda há dúvidas sobre o grau de desempoçamento da liquidez alcançado pela flexibilização iniciada em setembro do ano passado. Ao todo, ela derrubou a taxa básica de 5,25% para 2%, irrigou liquidez, evitou a quebra de bancos e impediu que a economia se contraísse. Hoje a visão do pouso suave é a mais em voga. Mas o sistema bancário já está sólido o suficiente para aguentar um deslocamento de alta do juro? Ninguém sabe. Daí se conclui que a alta será bem gradual e não linear. Tanto que o objetivo maior do miniarrocho é provocar uma valorização internacional do dólar. "Elevar os juros lá não é tarefa simples", diz o economista-chefe da Gradual Corretora, Pedro Paulo Silveira. "Há muitas implicações em vários setores e o remédio pode causar mais danos que melhorias".

Não se descarta por isso que o dólar venha a se corrigir por outro movimento: o da reversão na balança comercial. A balança comercial americana, observa Silveira, parece estar revertendo sua trajetória francamente deficitária. Este movimento é causado pela alta significativa dos preços dos importados, a maior desde 1983. Este refluxo do comércio nos EUA pode enxugar dólares da praça e, num segundo momento, forçar sua valorização da moeda. Trata-se, porém, de efeito que poderá ser verificado apenas no médio prazo. "Forçar a valorização do dólar no curto prazo via o aumento na taxa básica pode colocar os outros objetivos da política econômica americana (emprego, nível de atividade e saúde do sistema financeiro) em risco desnecessário", adverte o economista. As consequências mundiais de uma valorização apressada do dólar não podem ser subestimadas. Ao corrigir o fenômeno monetário da inflação o Fed não "ataca" a causa da inflação mundial: a demanda acelerada de países em desenvolvimento.

Apreciar o dólar agora iria simplesmente empurrar a inflação dos EUA para outras economias. A desvalorização das moedas globais poderia reforçar um clima de pessimismo generalizado. O que aconteceria, por exemplo, com a inflação brasileira se o dólar voltasse a ser cotado a R$ 2,00, um piso que foi rompido faz pouco tempo, em 15 de maio de 2007, há um ano e um mês, portanto? Para tanto, considerando que a moeda fechou sexta-feira cotada a R$ 1,6360, teria de subir 22,25%. Uma alta desta magnitude engoliria completamente o ganho que os fundos externos têm com aplicações de renda fixa remuneradas com base na variação da Selic. A perspectiva de perda ampliaria o overshooting cambial. O avanço do dólar reduz o preço das commodities, afetando o valor exportado pelo Brasil. Pode ajudar a reduzir o déficit em conta corrente se as importações ficarem muito caras. Mas isso tem de novo impacto direto sobre a inflação. Ainda bem que, essencialmente, Ben Bernanke tem pouca coisa de Paul Volcker.”

Luiz Sérgio Guimarães, Valor Econômico, 16 de junho de 2008


“Lugo pede integração Sul-Americana e destaca proposta de bloco regional de defesa

Brasília - Em visita à Bolívia, o presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, pediu hoje (15) a efetiva integração da América do Sul para resolver os problemas históricos do continente. Ele destacou a proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de formar um bloco regional de defesa, esclarecendo que o objetivo não é desenvolver uma ofensiva militar, porque não há qualquer hipótese de que isso venha a ocorrer na região.

As informações são da agência argentina Telam. No encontro com o presidente Evo Morales, em La Paz, Lugo disse que há duas tarefas urgentes para resolver os problemas da América do Sul: superar a crise energética e apostar na segurança alimentar. Hoje é o segundo dia de visita ao país.

O presidente eleito destacou ainda o papel de Evo Morales no avanço das discussões para a inclusão dos grupos étnicos latino-americanos, já que o presidente boliviano é de origem indígena.

Lugo conversou com a imprensa em entrevista coletiva depois de uma reunião fechada na sede do governo, em La Paz, sobre a qual não deu detalhes. Os dois presidentes seguiram para a cidade vizinha El Alto, onde Lugo deve participar de homenagem a sua vitória nas eleições.

Ele chegou à Bolívia com a futura chanceler Milda Rivarola. Lugo também tem agenda de visitas aos presidentes do Equador, Rafael Correa, e da Colômbia, Álvaro Uribe.”

Agência Brasil,16 de junho de 2008.


“Tesouro capta US$ 525 milhões com títulos da dívida externa

Brasília - O Tesouro Nacional captou US$ 525 milhões com a reabertura do bônus Global 2017 (títulos da dívida externa) nos mercados norte-americano, europeu e asiático. Segundo nota divulgada pelo Tesouro, foram US$ 500 milhões nos mercados europeu e norte-americano e US$ 25 milhões no asiático.

A taxa de rendimento para o investidor ficou em 5,299% ao ano. Além disso, o investidor receberá cupons semestrais de juros (espécie de bonificação) a serem pagos nos dias 17 de janeiro e de julho até o vencimento do título, em 17 de janeiro de 2017. A liquidação financeira (recebimento dos valores pelo Tesouro) ocorrerá na próxima quarta-feira (14). A emissão foi liderada pelo HSBC Security Inc e Deutsch Bank Security Inc..

Essa foi a primeira captação em dólares no exterior depois que o país recebeu a classificação de grau de investimento da agência de risco Standard & Poor's. O Global 2017 foi lançado pela primeira vez em novembro de 2006.”

Daniel Lima, Agência Brasil, 08 de maio de 2008.


“Cana-de-açúcar se torna segunda fonte de energia do país

A cana-de-açúcar ultrapassou a energia hidráulica e já é a segunda fonte primária de energia do país, informou a EPE (Empresa de Pesquisa Energética) nesta quinta-feira.

Pelos dados preliminares do BEN (Balanço Energético Nacional) de 2007, a participação dos produtos derivados da cana chegou a 16% na matriz energética brasileira, ficando atrás apenas de petróleo e derivados, com 36,7%. A energia hidráulica foi responsável por 14,7% da matriz brasileira.

De acordo com o presidente da EPE, Maurício Tolmasquim, o crescimento da cana-de-açúcar como fonte primária de energia "é uma tendência meio irreversível" no país. Pela primeira vez a cana passou a energia hidráulica.

"É um fato inédito. A cana passará a ter papel superior ao da hidráulica mesmo com a previsão de entrada de grandes hidrelétricas como as usinas do Madeira e a de Belo Monte", disse Tolmasquim.

O crescimento da cana-de-açúcar na matriz energética foi impulsionado pelo elevado consumo de álcool no país. No ano passado, a produção de álcool hidratado -- o chamado álcool puro, usado para abastecer automóveis-- aumentou 45,2%, totalizando 14,3 bilhões de litros. Já o consumo de álcool hidratado teve incremento de 46,1%, somando 10,4 bilhões de litros.

Ao mesmo tempo, a gasolina perdeu espaço entre os combustíveis, com redução de 3,9%.

Os derivados da cana-de-açúcar foram responsáveis ainda por mais de 40% do aumento do consumo. Ao todo, a oferta interna de energia no Brasil em 2007 cresceu 5,9% mediante um incremento de 5,8% do consumo.

Renovável Segundo a EPE, o Brasil teve a participação de fontes renováveis -- incluem energia hidráulica, produtos da cana-de-açúcar, lenha e carvão vegetal -- na matriz energética ampliada em 2007. Elas foram responsáveis por 46,4% da oferta energética no país em 2007, totalizando 111 milhões de tep (toneladas equivalentes de petróleo). No ano anterior, essas fontes respondiam por 44,9% da matriz.

As fontes não renováveis - petróleo e derivados, gás natural, carvão mineral - corresponderam a 53,6% da oferta de energia no ano passado, ante participação de 55,1% em 2006. Ao todo, foram ofertados 128,3 milhões de tep oriundos de fontes não renováveis em 2007.”

CIRILO JUNIOR, Folha de São Paulo, 08 de Maio de 2008.


“Parlamento alemão ratifica tratado constitucional da UE

Bundestag ratifica Tratado de Lisboa, que substitui a Constituição Européia. Uma vez aprovado pelos 27 países, o Acordo deverá entrar em vigor até junho de 2009.

O Parlamento alemão ratificou nesta quinta-feira (24/04), com larga maioria, o Tratado de Lisboa, que determina os fundamentos da União Européia. Dos parlamentares alemães, 515 votaram a favor, 58 contra e apenas um se absteve. O acordo foi à saída encontrada pelos países do bloco para substituir a Constituição Européia, rejeitada em plebiscitos nacionais na França e na Holanda. Uma pergunta, porém, continua no ar: do que consiste exatamente este acordo e no que ele se distingue do esboço anterior da Constituição?

"Acertamos os ponteiros para um fundamento comum da União Européia. No fim, não decepcionamos quem depositou confiança na UE. E evitamos um racha", afirmou a chanceler federal alemã, Angela Merkel, quando ainda ocupava a presidência rotativa do bloco, por ocasião do encontro de cúpula em Lisboa, em junho de 2007.

Somente à custa de muitos esforços é que os 27 países conseguiram entrar em acordo a respeito de dois novos tratados. Um deles deve definir os fundamentos do bloco, o outro estabelece as formas de trabalho da UE.”

Bernd Riegert, Deutsche Welle, 25 de abril de 2008


“Aumento de desmatamento na Amazônia acende sinal de alerta no governo

Brasília - Dados preliminares divulgados hoje (23) pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam um desmatamento na região amazônica de 3.235 quilômetros quadrados entre agosto e dezembro de 2007, o equivalente a cerca de 320 mil campos de futebol.

Os órgãos não falam em crescimento percentual pela indisponibilidade de informações completas do mesmo período de anos anteriores. Mas, segundo a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, o número representa uma tendência “preocupante” de aumento.

“O governo não quer pagar para ver. Não vamos aguardar a sorte, e sim, trabalhar para fazer frente a esse processo”, disse a ministra.

A maior parte dos desmatamentos detectados no período se concentrou em três estados: Mato Grosso (53,7% do total desmatado), Pará (17,8%) e Rondônia (16%).

Entre as causas para o aumento, Marina citou a seca prolongada e uma possível influência do avanço da produção de soja e da pecuária nas regiões. Ela evitou responsabilizar diretamente as atividades econômicas, mas ao lembrar que a carne e a soja estão com preços internacionais favoráveis, afirmou: “ Não acredito em coincidência.”

A ministra disse que será feita uma averiguação detalhada nos locais para um diagnóstico mais preciso: “Faremos um zoom para verificar”.

As derrubadas ocorreram em maior intensidade nos meses de novembro e dezembro. Nesse período, foram desmatados 1.922 quilômetros quadrados de floresta.

Segundo Marina, os números serão debatidos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva amanhã (24), às 9h, em reunião no Palácio do Planalto. No encontro, que terá participação de outros ministros, serão discutidas as medidas para fortalecer a fiscalização nos locais considerados mais críticos.

De acordo com o secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, municípios como São Felix do Xingu e Cumaru do Norte, ambos no Pará, e Colmiza, em Mato Grosso, tradicionalmente apresentam altos índices de desmatamento.”

Marco Antônio Soalheiro, Agência Brasil, 23 de Janeiro de 2008.